Caderno Diário


Diretores de escolas temem a descentralização. E os professores também…

Filinto Lima, presidente da ANDAEP, mostrou ao CM a sua preocupação quando ao processo de municipalização escolar, chegando mesmo a referir dois exemplos:

“O pessoal não docente passa a pertencer às câmaras em todo o ensino básico e secundário, mas a gestão do dia a dia deve ser feita por nós e temos receio que haja uma imposição ao nível dos horários por parte das autarquias”

 

“Se o presidente for sensível à área da educação, vai colaborar. Se não for, pode levantar problemas e complicar a vida da escola. Ou seja, este processo não pode estar tão dependente da figura do presidente da câmara”

Apesar das autarquias ficarem restritas às infraestruturas, pessoal não docente e apoios sociais, todos sabemos que as escolas são há muito pretendidas pelas Câmaras Municipais. Os dinheiros envolvidos e as influências do meio escolar, são demasiado tentadores e será preciso um Presidente de Câmara com “P” grande para não se meter onde não é chamado, mantendo a escola num mundo à parte, não lhe tirando aquilo que lhe pertence.

Mas não pensem que o dedo das autarquias ficará à parte das questões pedagógicas. Pode não ser a regras, mas é certinho que irá acontecer… A partir do momento que a municipalização escolar imperar, rapidamente os resultados escolares serão analisados e associados a mandatos autárquicos. Um diretor pressionado, pressionará os seus professores e este efeito de bola de neve poderá colocar em causa o ex libris do trabalho do professor – a avaliação dos seus alunos.

Estamos perante um mix que levou a uma queda significativa da Suécia no ranking educativo. Por um lado uma maior autonomia das escolas que consta da reforma “flexibilização pedagógica”, por outro a municipalização escolar. Claro que as realidades são distintas, claro que o perfil do aluno português não tem nada a ver com o aluno sueco, claro que na Suécia chegaram muitos imigrantes que perturbaram os “certinhos” dos seus alunos, mas mesmo assim, convém estar atento ao que se passou por lá, talvez evitemos erros semelhantes…

Diretores de escolas temem descentralização

(Correio da Manhã)

Suécia. Ascensão e queda de uma reforma educativa

(Observador – Alexandre Homem Cristo)

Pré-Escolar gratuito para todas as crianças com 3 anos de idade em 2019.

O pré-escolar é muitas vezes o parente pobre da Educação, mas é no pré-escolar que se constroem os alicerces onde assentam os restantes ciclos de ensino. Não faz sentido no século XXI, em plena União Europeia, existirem crianças sem acesso a uma educação pré-escolar totalmente gratuita. Lembro-me de pagar 200 € pela minha filha numa IPSS, apesar de estar no 1º escalão da carreira docente… em Portugal alguns ganham como classe média/baixa, mas para as finanças são considerados classe alta…

Além da importância da gratuitidade do ensino pré-escolar, sou apologista da sua frequência obrigatória a partir dos 3/4 anos de idade, os processos de socialização, de conhecimento das regras mais básicas, devem ser adquiridos o quanto antes.

Esta é seguramente uma boa notícia, mesmo que tenhamos que esperar por 2019. Até lá, que se criem as condições e que não aconteça o mesmo que aconteceu com os colégios com contratos de associação…

Alexandre Henriques

Em resposta ao PÚBLICO, o Ministério da Educação (ME) confirmou que a universalidade da educação pré-escolar às crianças com três anos se fará, como previsto no programa do Governo, até ao final da legislatura, em 2019. O que significa que nessa altura todos os meninos com essa idade deverão ter lugar num jardim-de infância.

 

Ao contrário do que se passa na escolaridade obrigatória, a frequência da pré-escolar não é obrigatória. Mas ao estipular a universalidade deste nível de ensino o Estado fica obrigado a “garantir a existência de uma rede de educação pré-escolar que permita a inscrição de todas as crianças por ela abrangidas e de assegurar que essa frequência se efectue em regime de gratuitidade”.

Pré-escolar: acesso universal aos três anos confirmado para 2019

(Público – Clara Viana e Maria Lopes)

Professora de 1º ciclo acusada de maus tratos a aluna em Braga. 2

Os alunos do 1º ciclo podem fazer perder a cabeça a qualquer um, já lecionei ao 1º ciclo e confirmo que não é nada fácil. Chegar ao ponto em que somos simplesmente ignorados e ainda por cima se riem na nossa cara, provocando-nos até mais não, é desesperante e dá vontade de soltar os instintos mais primários. Falar é fácil, estar lá e aguentar a “coisa”, muitas vezes a multiplicar por 5 ou por 10, é algo completamente diferente…

A professora a partir do momento que bateu perdeu qualquer razão, o adulto é sempre o adulto e cabe ao adulto conseguir gerir as suas emoções, utilizando as estratégias permitidas por lei. Não é fácil, mas é possível.

Aos pais, cabe apoiar o professor na árdua tarefa que é ensinar/educar, se ambos trabalharem para o mesmo lado a probabilidade de sucesso é seguramente maior. As direções devem ouvir os seus professores e chamar os encarregados de educação à escola, abrindo processos disciplinares se necessário, a alunos, a professores ou mesmo denunciar a negligência dos pais que é punível por lei.

Por fim uma nota importante… ser professor não é para qualquer um… já o disse e reafirmo.

Alexandre Henriques

Professora acusada de maus-tratos a aluna menor em Braga

(Porto Canal)

Uma professora de cinquenta e dois anos está acusada pelo Ministério Público de um crime de maus-tratos sobre uma aluna da escola primária de Palmeira, em Braga. A acusação refere que durante dois anos a docente bateu e insultou várias vezes a criança.


Flexibilização Pedagógica | Novidades (Atualizado) 6

Eis as que ainda não se conheciam:

  • Redução da carga letiva no 3º e 4º ano do 1º ciclo, passando de 27 tempos para 25, incluindo o Inglês e os intervalos.

 

  • Total autonomia para as escolas: aulas partilhadas por professores de diferentes disciplinas, aulas trimestrais ou semestrais, horários semanais, fusão momentânea de disciplinas, parte do tempo da disciplina para desenvolver projetos, as escola e os professores decidem.

 

  • Os estudantes do ensino profissional poderão também substituir uma das suas disciplinas por outra do ensino regular, caso necessitem de fazer exame a essa disciplina.

 

  • A área de Tecnologias de Informação e Comunicação voltará a constar da matriz curricular de todos os anos de escolaridade.

 

  • Introdução da área da cidadania no 2.º e 3.º ciclos e mais tempo às expressões físico-motoras e artísticas no 1.º ciclo

Olhando ainda para o 1.º ciclo, haverá mais horas dedicadas às expressões físico-motoras e artísticas. Atualmente estas garantem um mínimo de três horas na componente letiva e passarão a ter cinco.

Secretário de Estado João Costa

E fica a garantia…

Não haverá redução do número de horas em disciplinas específicas, nomeadamente em disciplinas como português e a matemática. Do que estamos a falar é da possibilidade de gerir a carga horária — que se vai manter igual para projetos educativos — para haver trabalho interdisciplinar, multidisciplinar e dedicação a temas em concreto.”

Secretário de Estado João Costa

E como é que as escolas vão gerir os 25% do currículo?

Num primeiro cenário, a escola poderá optar por fundir disciplinas. Por exemplo: os professores de História e Português podem juntar-se para ensinar aos alunos o tema dos Descobrimentos, que é abordado nas duas disciplinas. Também pode acontecer que os professores de Físico-Química e Ciências Naturais ou de História e Geografia trabalhem em equipa, articulando-se de forma a que os alunos durante uma semana tenham apenas uma das disciplinas e na semana seguinte a outra. São exemplos. “Não tenho ninguém a perder minutos nem horas”, garantiu o secretário de Estado da Educação.

 

Outro cenário: a escola está organizada com horários semanais e desde o início ao fim do ano, as semanas são sempre iguais. A ideia é que, com esta autonomia, as escolas possam, por exemplo, a meio de um período, interromper a rotina e dedicar uma semana ao estudo e discussão de um tema interdisciplinar, de preferência da atualidade, como por exemplo, a crise dos refugiados, a União Europeia, ou outro. “E para isto vão concorrer todas as disciplinas”, explicou João Costa, com cada uma delas a dar o seu contributo para o tema.

 

Um terceiro modelo de flexibilização passaria por dedicar uma parte do tempo letivo de uma disciplina para desenvolver projetos. Este esquema seria aplicado por todas as disciplinas, em momentos diferentes, ao longo de todo o ano. “A carga horária da disciplina não é afetada, é aproveitada de forma diferente.”

 

Ou ainda, e tal como já tinha falado na Comissão de Educação, optar pela trimestralização ou semestralização de algumas disciplinas.

Flexibilidade curricular muda no próximo ano letivo

(Antena 1)

Alunos do secundário vão poder escolher opções de outros cursos

(JN)

“Flexibilização pedagógica” só em algumas escolas no próximo ano lectivo

(Público – Clara Viana)

Próximo ano letivo: Governo explica o que muda e o que fica igual

(Observador – Mário Caldeira)

Além das novidades que agora se conhecem, a sessão de esclarecimento serviu também para “bater o pé” à ideia de recuo e à confirmação que as escolas-piloto (50) vão avançar a convite da Tutela, os manuais escolares serão os mesmos, bem como os programas. A justificação pelas escolas-piloto e implementação da reforma no início dos ciclos, deve-se à necessidade de dar tempo para testar estas alterações e só mais tarde massificá-las.

Há que “dar tempo” às escolas para evitar corrigir erros com novos erros

(Notícias ao Minuto)

“Disse várias vezes que as escolas precisam de respirar, de paz, de tranquilidade”, respondeu António Costa no parlamento, salientando que entre 2011 e 2015 houve sete alterações, quer de metas quer de currículos.

Reconhecendo que “nem todas essas mudanças foram pacíficas” e que “é legítimo” que muitos queiram rapidamente corrigir o que foi feito, o primeiro defendeu, contudo, “que um erro não se corrige com novo erro”

“Se houve nos últimos quatro anos excesso de alterações, o pior erro era haver agora novo excesso de alterações para corrigir o excesso de alterações”, disse, sublinhando que é necessário “dar tempo” para avaliar o que foi feito.

 

Mas ainda ficaram algumas dúvidas…

Como será a avaliação desta nova autonomia? Quando saberemos quais as matérias essenciais e quais as facultativas? Quais as matérias essenciais e facultativas? Irá incluir todas as disciplinas? Haverá formação de professores para as 50 escolas-piloto? Durante quanto tempo será a fase de teste?

Houve um avanço? Sim… É um avanço prudente? Também… Foi o possível? Talvez… Fiquei entusiasmado? Até que as alterações cheguem à minha e restantes escolas do país, já nem governo, nem ministro, nem secretário de estado pode haver… E isso deixa-me efetivamente preocupado pois não existe um pacto parlamentar que dê estabilidade a esta ou qualquer reforma.

 Alexandre Henriques


Eis o motivo pelo qual os professores deixaram de acreditar em reformas escolares. 1

Houve 40 reformas curriculares nos últimos dez anos

(Jornal I – Ana Petronilho)

Cada vez mais me convenço que só vamos ter paz nas escolas e nas “guerrinhas” que envolvem a Educação, no dia que existir um pacto com a duração mínima de 10/15 anos. Os professores deixaram de acreditar nas reformas dos nossos políticos e mais grave ainda, muitos deixaram de acreditar no papel dos seus representantes. Cada governo que chega pretende deixar a sua marca, e a Educação é uma das pastas preferidas, fruto de várias paixões mais ou menos assumidas…

Não é a primeira vez que as sucessivas reformas no ensino português são questionadas. Tanto o Conselho de Escolas como as associações de diretores reclamam há anos um pacto alargado para a Educação entre os partidos do arco da governação, de forma a que algumas mudanças se mantenham em vigor além do prazo de uma legislatura.

Enquanto aguardamos pela operacionalidade das eventuais alterações que se afiguram, determinantes para juízos de valor palpáveis sobre o que até agora foi dito. Os professores vão desabafando nas salas de professores, que mais uma vez vão ser peões de algo muito acima deles. E a verdade é mesmo essa, não passamos de meros peões caros colegas…

Se não pensam em nós professores, ao menos pensem nos alunos…


As novas tutorias estão a funcionar?

Ainda é cedo para sabermos a resposta, mas é uma matéria que me interessa bastante e fica a promessa que caso não sejam publicados dados sobre o assunto, eu próprio tentarei obtê-los.

As tutorias já existem há muito, mas este foi o ano onde estas tomaram uma importância acrescida por estarem a substituir os mal-amados cursos vocacionais. É uma bandeira deste governo.

A primeira e grande dificuldade dos professores tutores será seguramente a assiduidade dos alunos. A primeira e grande dificuldade para as direções escolares, é ter professores com o perfil adequado para lidar com este tipo de miúdos. Cada escola é uma realidade com dificuldades muito específicas e que nem sempre se ajustam ao modelo vigente.

Não é preciso ser um génio para perceber que o segredo para uma tutoria eficaz, está na relação que se estabelece entre aluno e professor. A empatia é um pilar do sucesso escolar, o investimento que as faculdades fazem na formação cientifica dos professores, devia ser equivalente à formação emocional na abordagem aos alunos. A aprendizagem, o sucesso, é sempre mais fácil quando existe um clima de confiança, respeito e afinidade entre os envolvidos, alunos e professores.

A jornalista Clara Viana está de parabéns por ser a primeira a levantar um pouco o véu ao trabalho realizado nas escolas. Espero que no final do ano surja uma avaliação imparcial que permita melhorar um modelo que tem potencial, mas que peca pelo número de alunos atribuído a cada professor – 10!

Alexandre Henriques

Novos professores tutores querem mudar comportamentos

Como chegar a alunos que muitos deram como perdidos? Mais perguntas do que respostas

(Público)

Novas disciplinas na escola. Novas formas de avaliar.

A ideia de flexibilizar o currículo, agregando novos projetos/disciplinas às disciplinas já existentes, é algo que pode ser uma mais valia para as escolas, desde que a sua operacionalidade não seja um monstro burocrático e os seus “aplicadores” tenham uma mente aberta.

As competências dos alunos não se resumem às disciplinas existentes, os alunos são indivíduos com diversos interesses e apetências que por vezes não estão contempladas no currículo standarizado, fabricado e formatado que existe nas escolas. Avaliar um aluno deve abranger diferentes perspetivas, não para desculpabilizar o insucesso ou promover uma qualquer passagem administrativa com interesse financeiro, mas para permitir aos alunos, um reconhecimento efetivo de todas as suas capacidades/competências.

O tão criticado perfil do aluno para o século XXI, é apenas o ponto de partida para o que acabei de referir. E enquanto alguns passam o tempo a procurar debaixo da cama se o bicho papão lá está, fazendo capas de jornais com o que é acessório ignorando o que é importante, as necessidades e dificuldades permanecem nas escolas.

Algumas não esperaram por consensos que há muito deviam existir e fizeram o seu próprio caminho, criando formação complementar, “fora da caixa” para os seus alunos.

Certificar o que já existe, incluindo o alternativo ao comum, é um caminho que deve ser percorrido. Não por modas ou ideologias convenientes, mas porque a realidade assim o pede, a realidade atual e não a de 1900 e qualquer coisa que tantas vezes é relembrada como se as realidades fossem sequer comparáveis…

Alexandre Henriques

 

Aulas de Robótica, Empreendedorismo, Mandarim, Filosofia ou Ioga. Estas são algumas das disciplinas em que vários agrupamentos apostaram como complemento a um ensino “normal”, no 1.º Ciclo.

A oferta é possível devido aos tempos de oferta complementar, que podem ser no máximo de uma hora por semana, como escreve o Jornal de Notícias na edição impressa de hoje.

“Estas ofertas são tanto mais enriquecedoras quanto servirem para promover melhores aprendizagens em qualquer área do currículo. Por exemplo, não faz sentido que as aprendizagens em Robótica e Programação não sejam integradas com o trabalho na Matemática ou nas Expressões”, disse João Costa, secretário de Estado da Educação ao JN.

Novas disciplinas desta natureza têm como objetivo promover o sucesso escolar. A diversidade fomenta o pensamento crítico, a capacidade de reflexão, e permite uma maior abertura em relação a certos temas, línguas e culturas.

Várias escolas de norte a sul do país já adotaram este tipo de disciplinas. É o caso do agrupamento de Oliveira do Hospital, em Viseu. A oferta educativa passa agora por Cultura e Línguas Clássicas, uma iniciativa da Associação de Professores de Latim e Grego. O objetivo deste programa é despertar nos alunos interesse pela origem da nossa cultura e despertar o gosto pela investigação. “Os conteúdos lecionandos no 1.º Ciclo são, essencialmente relacionados com narrativas da mitologia clássica e costumes dos romanos e gregos”, disse ao jornal Isaltina Martins.

Mandarim e Programação são conteúdos que fazem parte das escolas do agrupamento Oliveira Júnior, em São João da Madeira. No Porto, o ioga é ensinado nas escola Carolina Michaëlis. “O reforço da concentração e da autoestima” são dos maiores benefícios que a filosofia da ioga ensina.


Apostar na Mediação não é uma “mariquice”, é um ato de inteligência emocional.

Quando comecei a lecionar, achava que a mediação era uma coisa fofinha, romântica, carregadinha de muito blá blá blá e que pouco ou nada fazia. O ceticismo era enorme, mas a ignorância era ainda maior…

Ao fim de 15 anos de docência, 6 dos quais a trabalhar com alunos com problemas comportamentais e natural insucesso escolar, a mediação, ou trabalho de proximidade como gosto de lhe chamar, provou que resulta. É um trabalho complexo, que leva tempo e obriga a muita disponibilidade. A mediação quando bem implementada, pode inverter um fim que para muitos era um dado adquirido. Porém, a mediação por si só não resolve nada, numa escola, o trabalho solitário não funciona, este deve fazer parte de uma estratégia conjunta e que envolva os diferentes membros da comunidade educativa.

Fica a devida referência a tantos profissionais que se dedicam de alma e coração às crianças e jovens deste país. Ser mediador não é para qualquer um, lidar com situações tão difíceis, tão negras, obriga a uma certa imunidade e resistência à adversidade.

Escolas, ultrapassem o preconceito que ainda permanece em algumas mentes de voz grossa e apostem mais na mediação, não se vão arrepender.

Entre 2014 e 2016, o programa Mediadores para o Sucesso Escolar, promovido pela EPIS- Empresários para a Inclusão Social, diminuiu em 14% a probabilidade dos alunos que foram apoiados chumbarem no 3.º ciclo de escolaridade.

Em estudo esteve, sobretudo, a não reprovação nos dois anos lectivos abrangidos pela análise – 7.º e 8.º anos ou 8.º e 9.º anos. Do universo seleccionado, que inclui os dois grupos, 43,6% dos alunos transitaram os dois anos e 80,6% passaram pelo menos num dos anos. Nesta análise revela-se ainda que houve um aumento de cerca de 80 jovens apoiados que não reprovaram nos dois anos em análise, o que, refere-se, se traduziu numa poupança para o Estado de 400 mil euros.

Há mais alunos salvos do chumbo quando se aposta na auto-estima e nas relações na escola

(Público – Clara Viana)

Tiago Rodrigues precisa de engordar… Sofre de falta de peso político… 1

Segundo o jornal Público, o Presidente dos “Afetos” avisou António Costa para parar com o ímpeto reformista de Tiago Rodrigues. Já no passado, o Presidente da República tinha sido o responsável pela não obrigatoriedade das provas de aferição. Marcelo Rebelo de Sousa está assim bem por dentro do que se está a passar, e se o PSD anda zangado com ele, no campo da Educação deve estar maravilhado com a sua intervenção.

A notícia de hoje do jornal Público, levanta a dúvida se a paragem da nova reforma foi efetivamente por motivos autárquicos, conforme noticiou ontem o jornal I. Já ontem referi que a opção por escolas-pilotos é uma boa solução, muito embora o processo até aqui tenha sido um tanto ou quanto atribulado.

O nosso Presidente da República move-se muito bem nos bastidores da política, ou não fosse um profundo conhecedor de todo o sistema. Com a capacidade que lhe é reconhecida, deve também o nosso Presidente fazer o que ainda não foi feito. Mediar as birrinhas dos “meninos” partidários, para que surja um consenso há muito pretendido e que dê estabilidade à Escola Pública.

Dias antes, a 21 de Fevereiro, Marcelo Rebelo de Sousa, que falava na Faculdade de Medicina no Porto, deixou este aviso: “As estruturas curriculares não podem mudar de cada vez que muda o Governo.” O Presidente tem o poder de vetar os diplomas aprovados pelo Governo.

Costa garantiu a Marcelo que mudanças no currículo não são para já

(Público – Clara Viana)

Marcelo Rebelo de Sousa, também se pronunciou quanto aos programas escolares. Juro que não entendo de onde vem esta preocupação com os supostos “novos programas” e “novos manuais”. Ou melhor… se calhar até entendo, as editoras andam muito preocupadas com o que se está a passar e sofrem de grandes urticárias…

Vou apenas repetir o que já foi dito, o que está em cima da mesa é a definição do que é essencial, ou seja, se um programa consta num manual de 200 páginas, alunos e professores passarão a saber que dessas 200 páginas, apenas 50, 100 ou 150 serão obrigatórias para lecionar e aprender.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou nesta quinta-feira que “já há bastante tempo” tem como “evidente e assente” que o Governo não pretende mudar os currículos escolares, nomeadamente de Matemática e de Português.

 

Marcelo tem como “evidente e assente” que Governo não pretende mudar currículos

(Público – Clara Viana)

Por fim uma questão… se o nosso Ministro da Educação fosse um peso pesado do PS, haveria tanta gente a meter o “bedelho” no seu gabinete?


António Costa (fevereiro 2017) | “A Educação é o investimento mais precioso”. Nota-se… 6

Mal vai um país que tem como Primeiro-Ministro alguém, que em fevereiro deste ano, afirmou que a Educação é o investimento mais precioso, mas que por interesses partidários coloca esse seu investimento em standby. Ainda para mais, quando todas as sondagens mostram que a esquerda está em força e a direita tenta apenas sobreviver. Se é verdade o que diz a notícia do jornal I, constatamos mais uma vez, que os altos interesses do país são os interesses partidários. Goste-se ou não da reforma que tantas vezes foi anunciada pela Tutela, a sua não implementação no início do próximo ano letivo, só poderia acontecer pela manifesta falta de tempo e falta de “certificação” de qualidade. E como até à data, ninguém veio desmentir a notícia do I, dou como certa a sua capa.

O primeiro-ministro travou o avanço da reforma curricular em todas as escolas no próximo ano letivo por causa das eleições autárquicas.

O i sabe que as críticas das escolas e a indefinição sobre as medidas previstas a seis meses do arranque do ano letivo levaram António Costa a antever todos os problemas que poderiam surgir no início das aulas – que este ano vão arrancar a um mês das eleições autárquicas e em plena campanha eleitoral.

Para evitar correr riscos nas eleições, o i sabe que António Costa deu instruções ao ministro da Educação para recuar totalmente na medida, que está a ser trabalhada pelo secretário de Estado da Educação, João Costa, há um ano. 
As indicações do primeiro-ministro surgiram, no entanto, após a apresentação pública do Perfil do Aluno (onde estão incluídas medidas da reforma curricular) – feita por Tiago Brandão Rodrigues a 11 de fevereiro –, e depois de tanto o ministro como o secretário de Estado terem feito declarações sobre a flexibilização curricular a órgãos de comunicação social e no parlamento.

A solução encontrada para que a equipa ministerial não perdesse a face será avançar com a flexibilização curricular através de um projeto-piloto em apenas 50 escolas do país. A decisão já foi, aliás, comunicada verbalmente a alguns diretores de escolas durante uma reunião, confirmou o i. Foi ainda explicado nesse encontro, pela equipa ministerial, que as escolas iriam ser contactadas pela tutela para decidir se estavam interessadas em avançar com o projeto-piloto, de forma voluntária.

Já o escrevi e reafirmo, o ponto de partida para qualquer reforma, é o consenso alargado entre as diferentes forças partidárias, após a natural audição dos principais “aplicadores”, os professores. A fase seguinte, seria a de preparar os professores/direções para as mudanças, enquanto se testava o modelo em pequena escala.

Escreveu-se direito por linhas tortas (?), imperou o senso e percebeu-se que apressar mudanças significativas só traria mau resultado. Porém, o Ministério de Educação não pode ficar imune a uma certa inaptidão, quiçá, falta de experiência na política comunicativa. Apesar de considerar as ideias promissoras, a confusão gerada deu munições para quem tem uma agenda própria…

António Costa é um político experiente e sabe ler muito bem as “sensações” envolventes. Aquilo que pode ser visto como uma precaução, pode também ser encarado como um gesto de falta de confiança para com o seu Ministro de Educação, que no caso das provas de aferição foi tão célere a implementá-las.

 

Agora é esperar… esperar que hoje não tenha sido o primeiro prego no caixão de uma reforma que não passou das boas intenções, pois as reformas nascem e morrem à velocidade do voto. E até quando o voto estará a soprar de esquerda? Até quando???

P.S- pena é que o “alto e para o baile” não se estenda ao processo da municipalização em curso…

Directores receiam que escolas percam autonomia com descentralização

(Público – Camilo Soldado)

Palavra de Ministro | Mudanças no Ensino serão graduais e haverá mais concursos extraordinários. 1

Numa altura do diz que disse, mas que afinal já não disse, Tiago Rodrigues veio a terreiro acalmar as hostes dizendo que as mudanças serão graduais. Depois de anunciarem que as mudanças podiam ocorrer já no próximo ano letivo e no início de cada ciclo, afinal estas serão graduais. Ao ler graduais, ocorre-me uma fase de teste e uma fase de teste, pode significar escolas-piloto.

Concordo com a ideia de não massificar algo que implicará obrigatoriamente ajustes futuros. Mas o problema de não entrar em força é a instabilidade política, e essa instabilidade pode deitar abaixo qualquer mudança estrutural. A necessidade de um pacto a médio longo prazo, é essencial para estabilizar a educação.

Sobre os concursos extraordinários, apesar da boa notícia de que existe abertura para mais colegas contratados acederem ao quadro, tudo o que seja extraordinário (que de extraordinário já não tem nada), seletivo e não acessível a todos, cria injustiças que podiam perfeitamente ser evitadas.

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, garantiu nesta terça-feira que todas as mudanças que estão a ser debatidas para o sector serão implementadas de “forma gradual”.

 

O Ministério da Educação tem indicado que está a trabalhar numa “flexibilização curricular”, que passará por entregar às escolas uma parte (25%) da definição dos currículos, por uma definição das aprendizagens iniciais e pela definição das competências-chave que os alunos devem ter à saída da escolaridade obrigatória.

 

Tiago Brandão Rodrigues confirmou também que é intenção do Governo abrir novos processos de vinculação extraordinária nos próximos anos lectivos, que se seguirão à entrada para o quadro, ainda este ano, de cerca de 3400 professores contratados.

(Público – Clara Viana)

Miúdos a Votos e Orçamento Participativo para Alunos

Aproveitar a onda de duas boas notícias e fugir um pouco à desgraça que contínua a existir em alguns locais deste país – Criança abusada na sala dos professores e Confrontos nas aulas após vídeo de bullying – de modo a mostrar duas iniciativas positivas e que são uma amostra das inúmeras boas práticas que vão ocorrendo um pouco por todo o país.

Miúdos a Votos

O Ministro da Educação esteve presente na Escola Ribeiro de Carvalho, para assistir a um momento de “propaganda” dos livros que os alunos mais gostaram. As eleições estão para breve e esta iniciativa mostra como se pode incutir o gosto da leitura e ao mesmo tempo “sentir” a nossa democracia a funcionar. Uma excelente ideia!

Há mais de um mês que mais de uma centena de escolas vive uma agitação fora do comum. Por causa de «Miúdos a Votos: quais os livros mais fixes?», uma iniciativa da revista VISÃO Júnior e da Rede de Bibliotecas Escolares, nos recreios e nas salas de aulas têm-se presenciado momentos extraordinários. Desde fevereiro que os alunos fazem campanha eleitoral pelas histórias que mais gostaram de ler, tentando convencer os colegas a, nesta sexta-feira, dia 17, votarem neles. E estão a fazê-lo como se de uma campanha eleitoral política se tratasse, organizando comícios e debates, criando cartazes e autocolantes, produzindo tempos de antena para a rádio e para a televisão. O projeto quer fomentar simultaneamente a leitura e a cidadania, permitindo aos alunos entre o 1.º e º 9.º anos organizaram e participarem num processo eleitoral.

Ministro da Educação participou na campanha eleitoral de «Miúdos a Votos»

(Visão)

Orçamento Participativo para Alunos

Sou apologista da integração dos alunos em muitos dos procedimentos escolares, o sentirem que a sua voz é ouvida, válida, importante para os professores e colegas, torna os alunos mais interessados pela vida escolar, sentindo a escola como algo que é deles e para eles. A preservação dos espaços, o cumprimento das normas de comportamento, são apenas duas áreas que podiam melhorar com a sua participação. A criação de um Orçamento Participativo, onde os alunos têm uma palavra a dizer, é uma forma inteligente de responsabilizar os alunos e tornar a escola um espaço mais estimulante para estes.

Surgiu no início deste ano para as escolas públicas do 3.º ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário. O Orçamento Participativo das Escolas já está em marcha, divulgam-se e debatem-se as propostas apresentadas pelos alunos que irão a votos em 24 de março, Dia do Estudante. Os resultados serão conhecidos logo a seguir, os planos para executar a proposta vencedora em cada escola têm de estar concluído até maio e a medida implementada até ao final do ano civil. Com este orçamento, o Governo quer promover o espírito de cidadania e o diálogo, a mobilização coletiva em prol do bem comum e o respeito pelas escolhas diferentes.

As escolas também têm orçamento participativo

(Educare)

 


Ministério de Educação entra em blackout. 5

Depois da notícia do Público Português e Matemática não terão menos horas, garante ministério e do ComRegras ter apontado algumas das contradições no discurso da Tutela –Português e Matemática não vão perder horas. Afinal, quem manda no Ministério de Educação?,- agora foi o Expresso a fazer o mesmo exercício. A diferença é que o Expresso quis saber o porquê da mudança de discurso.

O Ministério diz que não há qualquer contradição e explica porque só agora resolveu dizer o que realmente pensa: “Volvidas duas (três) semanas de debate em torno de um questão que, efetivamente, não se coloca, entendeu o Ministério da Educação ser taxativo quanto à questão do Português e Matemática — que não irão sofrer redução horária”.

Isabel Leiria, como uma jornalista atenta que é, perguntou de seguida.

Fica agora por esclarecer como é que vai dar às escolas a possibilidade de decidirem 25% do carga curricular total, atribuir novo tempo letivo aos temas da Cidadania, reforçar áreas que estão “descalças” e não cortar a Português e a Matemática. Irá aumentar os horários dos alunos?

A resposta foi …………………………………………………………………………………………………………………………….

E ao perguntar se as mudanças que se avizinham serão previamente testadas em algumas escolas, a resposta foi um “chutar para canto”, típico quando não se quer comprometer com mais nada.

“A construção de instrumentos de flexibilização curricular tem vindo a acontecer num diálogo intenso com as escolas, com as associações profissionais, sociedades científicas, diretores e peritos em educação, envolvendo também pais e estudantes. A divulgação e respetivas estratégias de implementação acontecerá logo que esse trabalho esteja concluído. Neste momento, o trabalho de identificação das “aprendizagens essenciais”

blá blá blá…

Depois de uma abordagem de diálogo e partilha com a comunidade educativa, o Ministério de Educação opta por entrar em modo blackout, garantindo assim que até à data da apresentação do documento final, não haverá mais contradições que apesar de serem negadas foram por demais evidentes.

Educação: Governo nega o que tinha admitido

(Expresso – Isabel Leiria)

Refeitórios escolares abertos na Páscoa e Natal até 2020. Investimento de 174 milhões de euros.

As refeições escolares deviam ser do melhor que temos em Portugal, quer ao nível da qualidade quer ao nível da quantidade. Infelizmente essa não é a norma.

Acresce que no próximo ano letivo, o Estado garantirá ainda que os estabelecimentos de educação e ensino públicos integrados no Programa dos Territórios Educativos de Intervenção Prioritária mantêm em funcionamento os serviços de refeições escolares durante as interrupções escolares do Natal e da Páscoa, para os alunos beneficiários da ação social escolar.

 

1 — Autorizar a realização da despesa relativa ao fornecimento de refeições em refeitórios escolares dos estabelecimentos de educação do continente, no período compreendido entre 1 de agosto de 2017 e 31 de agosto de 2020, considerando o preço base por refeição € 1,50 até ao montante global de € 173 960 106,00, ao qual acresce o IVA à taxa legal em vigor, com recurso ao concurso público internacional.

Podem consultar a resolução do Conselho de Ministros aqui


Português e Matemática não vão perder horas. Afinal, quem manda no Ministério de Educação? 17

Aconteceu o que temia, o estatuto e a força que as disciplinas de Nuno Crato têm neste momento é tão forte, que até foram capazes de bater o pé às altas instâncias. O Ministério de Educação pode dizer o que entender agora, mas as palavras do Secretário de Estado João Costa, inclusive do próprio Ministro da Educação Tiago Rodrigues, apontavam claramente para cortes nas disciplinas de Português e Matemática.

“Tenho de emagrecer o currículo actual e fazer um reequilíbrio entre áreas – João Costa

Expresso.

 

Questionado sobre se as áreas sacrificadas são a Matemática e o Português, João Costa respondeu que “algumas terão de perder”.

Expresso

 

“Não há mais – e há muito que não as há – ciências dita “duras” e ciências dita “moles”, saberes essenciais e saberes dispensáveis; – Tiago Rodrigues

Público

 

E reparem bem na contradição do discurso de Lurdes Figueiral, presidente da associação de professores de Matemática.

A presidente da associação de professores de Matemática, Lurdes Figueiral, está ao lado da vontade do Governo. “O que é mais importante é nós proporcionarmos aos alunos um currículo equilibrado nos primeiros anos de aprendizagem. O privilegiar do português e da matemática que tem havido nos últimos anos prejudicou o equilíbrio, e no caso da matemática foi claríssimo, prejudicou a relação dos alunos com a disciplina. Não se trata de uma contagem de horas como quem conta espingardas.”

Expresso (18 de fevereiro)

Nunca foi posta em cima de mesa a redução da carga horária”, disse também ao PÚBLICO a presidente da Associação de Professores de Matemática (APM), Lurdes Figueiral

Público (10 de março)

Nunca???

E depois temos isto…

O Governo quer ainda reforçar as horas curriculares de projectos interdisciplinares que impliquem um trabalho entre professores e conteúdos de disciplinas diferentes.

Expresso

 

Por isso, vamos convidar cada escola a gerir uma parte substancial do tempo semanal, em projetos próprios construídos com as diferentes disciplinas. Esta flexibilização potenciará interdisciplinaridade, projeto e consolidação e aprofundamento de aprendizagens. João Costa

ComRegras

 

Em 2017, trabalharemos para promover uma maior articulação entre os três ciclos do ensino básico, atenuando os efeitos negativos das transições entre ciclos, assumindo uma gestão mais integrada do currículo e reduzindo a excessiva carga disciplinar dos alunos(…)

Orçamento de Estado 2017

Pelos vistos estamos perante um momento à Luís de Matos… Como é que as escolas vão gerir 25% do currículo para projetos, reequilibrar áreas curriculares, cortar em algumas disciplinas, reduzir a carga letiva dos alunos, tudo isto sem cortar no Português e na Matemática?

Lembro que a disparidade de horas para Português e Matemática é enorme, comparando com as restantes disciplinas e outros países europeus. Reparem no gráfico em baixo sobre o caso da Matemática.

Tinha altas expetativas sobre esta equipa ministerial e é pena que boas ideias sejam engolidas por interesses de bastidores. Depois de tudo o que foi dito, é legítimo perguntar, afinal, quem manda no Ministério de Educação? Aguarda-se pela concretização de todo este projeto, para perceber se o que foi dito até hoje vai efetivamente acontecer…

A partir de agora estou como São Tomé… ver para crer…

Português e Matemática não terão menos horas, garante ministério

(Público – Clara Viana)