Caderno Diário


Professores vão ter de trabalhar em conjunto.

O título é provocatório e baseia-se numa opinião pessoal que a articulação existente nas escolas é meramente retórica e que permanece num papel muito bonito criado em conselho de turma, muitas vezes em formato copy paste.

A verdade é que os professores estão formatados em disciplinas e conteúdos, numa postura muito umbiguista. É uma característica, não é um defeito, fomos ensinados assim e julgo que o maior desafio para o que aí vem, é a adaptação que os professores terão que fazer para trabalharem e avaliarem em conjunto. Se acredito que estamos à altura, sim acredito, mas se todos estiverem dispostos a alargar horizontes e não considerarem a sua opinião a única opinião…

Este é um ponto importante, a constante oposição a tudo o que chega – seja de um lado ou do outro – impede que muitos vistam a camisola e pouco ou nada se apliquem para implementar novos projetos. E se somarmos a isto as constantes alterações e cortes de carreira, o espírito cooperativo entra em modo hibernação…

Não pensem com isto que considero os professores parte do problema, os professores serão sempre parte da solução, mas precisam, também eles, de serem nutridos de quando em vez.

Hoje o Expresso online fez referência ao regresso da Educação para a Cidadania desde o pré-escolar, algo que já foi testado no passado e que também eu comprovo que não resultou, exatamente pela dificuldade em operacionalizar e por muitos não acreditarem na sua utilidade/eficácia.

Mas a verdade é que estas ideias, ainda que concretizadas de outras formas, já foram defendidas e tentadas antes, recorda Carlinda Leite, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. “Tem muito que ver com o projeto de gestão flexível dos currículos que foi iniciado no final dos anos 90 e se generalizou com a reorganização curricular de 2001. Naquela altura, as escolas também tinham de desenhar projetos curriculares de turma, adaptados à sua população escolar em concreto e ao contexto em que se inseriam e pôr em prática em tempos letivos específicos para o efeito.”

Só que da teoria à prática pode ir um passo de gigante. “Num país habituado a uma educação muito centralizada e um currículo muito prescritivo, este modelo é difícil de concretizar. Porque exige que os professores se tornem decisores curriculares, que trabalhem em conjunto quando estão sobrecarregados com as suas disciplinas e os programas extensos que têm de cumprir —, sobretudo no secundário, que conta ainda com a pressão acrescida dos exames —, porque requer materiais que não estão feitos”, enumera a investigadora. E quando, depois de anos a aprender e a testar esta nova cultura, os processos estavam mais oleados, o modelo começou a ser abandonado, aponta.

O negrito não é por acaso, e tem toda a razão, mas lembro que foi dito que a flexibilização dos currículos é apenas uma definição do que é essencial, dando assim mais tempo a professores e alunos.

No entanto, Paulo Guinote alerta para um caminho interessante e um dos perigos que se avizinha…

Paulo Guinote, professor de Português e História e autor do blogue o “Meu Quintal” recorda-se desses anos e antecipa as mesmas dificuldades. “Num currículo organizado por disciplinas, cada uma com um professor, e as horas repartidas, torna-se muito difícil.” A solução, propõe, passaria por uma alteração profunda da matriz curricular, com a organização por áreas, e não disciplinas, asseguradas por vários professores que trabalhariam em parceria. “Numa manhã os alunos dedicavam-se às ciências sociais e humanas, noutra à Matemática, às Ciências Naturais, Línguas, Expressões Artísticas.”

Mas há mais condições necessárias, diz. “Não vale a pena dizer às escolas para definirem projetos que façam sentindo naquela região, se depois lhes dizem que têm que se limitar aos professores que têm nos seus quadros. Nem mandar embora os docentes que tenham poucas horas atribuídas.” E acima de tudo, há que convencer que esta não é apenas mais uma mudança, num “ziguezague” que se tem repetido e a que a maioria dos professores, que está no sistema há mais de 20 anos, tem assistido. “É inevitável fazermos a pergunta: valerá a pena o esforço?”

A estabilização do corpo docente é seguramente uma mais valia, mas como tudo na educação tem sempre duas faces, lá iríamos assistir aos que defendem a mobilidade constante com concursos todos os anos… Aliás, o que seria a educação sem o “entretenimento” dos concursos…

Aguardemos por mais certezas e menos “ses”.


Haverá sobrediagnóstico dos alunos com Necessidades Educativas Especiais? 1

Nos últimos anos assistimos a um boom da Educação Especial, é cada vez mais raro encontrar turmas sem alunos com necessidades educativas especiais e os colegas professores são cada vez em maior número. A inclusão veio para ficar, mas como já disse no passado, a inclusão foi imposta à escola pública sem que tivessem sido dadas todas as condições que estas necessitavam.

Sobre os alunos, existem sequelas que são por demais evidentes, mas outras como a dislexia, levantam algumas dúvidas. Quem está dentro da escola, já deve ter ouvido falar ou presenciado situações um tanto ou quanto incómodas, tais como:

  • Debates nos conselhos de turma pondo em causa a aplicação da medida “x” ou “y”;
  • Constatar nas aulas que as medidas exigidas não coincidem com as limitações dos alunos;
  • A utilização do argumento do insucesso ou mau comportamento como premissas para a integração na Educação Especial;
  • Pais a solicitar a integração dos seus educandos na Educação Especial, para assim obter “via verde” na transição.

Desta vez é o Júri Nacional de Exames que alerta para eventuais excessos.

Tanto a primeira situação como a segunda, tendo em conta a idade das crianças abrangidas, podem indiciar “uma eventual precocidade em alguns dos diagnósticos”, alerta este organismo, que no caso da dislexia lembra que, estando em causa crianças com seis ou sete anos, “podem não existir dados suficientes que consubstanciem um diagnóstico definitivo desta problemática”.

No que respeita às provas finais do 9.º ano de escolaridade, houve 4483 alunos que solicitaram condições especiais e destes quase metade pediu para realizar provas a nível de escola, um número que o JNE descreve como “muito significativo”. Dos 2079 pedidos apresentados foram indeferidos 245. Mais uma vez, a problemática com maior peso foi a da incapacidade intelectual (82%), seguindo-se-lhe as perturbações ligadas ao autismo (9%).

O número de alunos com Necessidades Educativas Especiais é preocupante. O que me leva a pensar na quantidade de alunos que no passado necessitaram de apoio e não o tiveram.

Uma coisa é certa, não deve demorar muito até que exista um “ajustamento”  na sensibilidade dos diagnósticos, é que as finanças não esticam e noticias como a de hoje são um forte incentivo para o garrote apertar…

 Quase um terço dos alunos com necessidades especiais estão no 1.º ciclo

Disléxicos aos sete anos? Pode existir um problema de sobrediagnóstico

(Público)

História e Geografia passam a disciplinas semestrais?

O Correio da Manhã dá a notícia na sua 1ª página e como a questão já é pública, posso partilhar que me foi dito pelo Secretário de Estado João Costa que essa opção está claramente em cima da mesa. A minha pergunta imediata foi, “os professores não irão perder horas?”. A resposta foi negativa e o objetivo era que esses professores tivessem menos alunos.

Contactei Filinto Lima, presidente da ANDAEP e também ele confirmou a ideia que “o objetivo não é cortar horas aos professores”, mas que os professores tenham menos alunos.

Gosto de acreditar nas pessoas, é defeito de fabrico… o que para alguns é encarado como uma ingenuidade crónica… o que até compreendo.

Paulo Guinote está firmemente convicto que horas serão cortadas aos professores. Já disse publicamente que considero Paulo Guinote uma das pessoas mais esclarecidas no mundo educativo, e a sua palavra (neste caso contas) não pode, nem deve, ser ignorada…

A Aritmética é um Mistério para Mim

(O Meu Umbigo)

A minha esperança, na minha ingenuidade… é que o objetivo seja efetivamente reduzir o número de alunos por professor e ao mesmo tempo reduzir a carga letiva dos alunos. Sim, é verdade que os alunos terão apenas 6 meses de história/geografia e entendo que existam colegas que não concordem com isso. Não vou entrar no campo da argumentação estéril que a minha disciplina é mais importante que a vossa ou algo desse estilo…

Espero que o caminho a seguir pela tutela seja a simples divisão por turnos/metades, mantendo os professores as mesmas turmas, mas com metade dos alunos na sala de aula, algo que já acontece em algumas disciplinas.

Aguardemos pelos próximos episódios.

História e Geografia podem passar a disciplinas semestrais

(Jornal de Negócios)

A Flexibilização do currículo e o novo perfil do aluno, podem não avançar em 2017/2018 3

Hoje esteve presente a equipa do Ministério de Educação na Assembleia da República. Mais uma vez assistimos a um triste espetáculo entre a esquerda e a direita.

Esquerda e direita acusam-se: quem fez pior à escola pública?

(Público)

Esquecem-se estes senhores, que mais importante que atirar pedras aos seus telhados de vidro, urge estabilizar o setor, a bem de toda a comunidade educativa.

Apesar das “tricas” políticas, ficámos a saber que a flexibilização do currículo e as novas competências podem não entrar em vigor no dia 1 de setembro. A pressa é muitas vezes inimiga da perfeição, espero que desta vez se faça o contrário à norma há muito instituída… reformar primeiro, formar depois… Os tais 19 milhões para formação contínua que incluam as novidades que se avizinham.

Governo não garante flexibilização do currículo e novo perfil do aluno já no próximo ano

(Observador)

O secretário de Estado da Educação, João Costa, disse, esta sexta-feira, que as mudanças relacionadas com o “emagrecimento” do currículo e a sua flexibilização, articuladas com um novo perfil de competências que se pretende que o aluno tenha à saída do ensino obrigatório, podem não ser aplicadas já a partir do próximo ano letivo.

Neste momento o que nos interessa é que o debate aconteça, que se tomem as boas decisões, com a participação de todos” e as alterações “entrarão em vigor quando tivermos esses consensos alargados”, afirmou João Costa no final do debate em plenário sobre a Escola Pública. Isto porque, sublinhou, interessa à equipa ministerial “a qualidade do produto”.

P.S- mais uma vez não se falou na problemática da indisciplina em Portugal, nem mesmo quem está na oposição “aproveitou” o tema para criar dificuldades ao atual ministro… O tema contínua a ser tabu…


O problema não está no Diretor, está na sua eleição. 9

A FENPROF está a tomar as rédeas da alteração ao modelo de gestão. Os resultados apresentados de um inquérito realizado a 25 mil professores, mostram que o problema está principalmente na eleição do diretor.

Alguns exemplos: 22 667 professores, 92% dos que responderam ao inquérito defendem que “o órgão de gestão deve ser colegial (equipa eleita por lista)” e 22 693 que deve ser eleito “por todos os professores/educadores, funcionários e representantes dos encarregados de educação e alunos”. Estas respostas representam uma clara rejeição do modelo atual, que consagra um órgão de gestão unipessoal (diretor que escolhe o subdiretor e os seus adjuntos), selecionado por um Conselho Geral com um máximo de 21 elementos.

Luís Braga, aqui nesta mesma casa, já veio questionar a recondução dos diretores em vez da sua eleição. Algo que concordo, pois reconduzir é algo tão limitador, principalmente quando essa recondução fica à mercê de 21 pessoas. Permitam-me a comparação, mas era a mesma coisa que o Presidente da República ou o Primeiro-Ministro fosse reconduzido sem passar pelo sufrágio dos votos. Afinal, qual é o problema de ir a votos?

 

Mas os próprios diretores, no inquérito realizado pelo ComRegras preferem uma eleição aberta à restante comunidade educativa.

 

Sei que a opinião de Filinto Lima e de Manuel Pereira, presidentes dos associações de diretores, vai ao encontro desta visão mais democrática.

É pacífica a ideia de um líder na escola, alguém que assuma responsabilidades e que esteja acima dos restantes a nível hierárquico. A sociedade funciona assim e é assim que funciona melhor.

Apesar da desvalorização do presidente da CONFAP, esta não é uma questão menor, e afeta indiretamente o desempenho/aproveitamento dos alunos. Lembro que o projeto educativo e todas as questões pedagógicas passam pelas mãos do diretor.

Jorge Ascensão, da Confederação Nacional das Associações de pais, não vê “nenhuma urgência” em mexer no modelo de gestão das escolas. “Urgente é pensar na organização do trabalho, no envolvimento dos alunos. Para nós, os atores principais são as crianças. Só existe a necessidade da escola e da profissão docente porque há crianças e jovens que precisam desse serviço”, avisa.

E já que estamos em época de mudanças, faz todo o sentido não ignorar algo tão importante para o bem estar da comunidade educativa, se a ideia é apenas mexer no conselho geral, conforme se consta por aí… será um tiro dado, mas no alvo errado…

Pais e diretores “chumbam” mudanças na gestão das escolas

(DN)

Olha o Ensino Público a ser privatizado… 1

É preciso chegar a isto???

Pais pagam para ter mais vigilantes nas escolas

Falta de auxiliares motiva reunião entre Ministério e sindicato, que admite organizar mais protestos se a realidade não mudar.

Os pais dos alunos do pré-escolar e do 1.º ciclo estão a cotizar-se para terem mais vigilantes nas escolas, do Norte ao Sul do país. A denúncia é feita pelos diretores e pelas associações, a propósito da falta de auxiliares, que motiva esta sexta-feira uma reunião entre o Ministério da Educação (ME) e o sindicato, que adianta equacionar mais medidas de protesto, incluindo outra greve, “caso o encontro não surta efeito”.


Redução do número de alunos será uma realidade, mas de forma progressiva… 2

A questão é consensual, a redução do número de alunos por turma e por professor, trará benefícios quer ao nível disciplinar, quer ao nível das aprendizagens. A dúvida que existe é conhecer a dimensão da redução e se as escolas poderão “jogar” com o tamanho das turmas, não ultrapassando um determinado plafond.

O Secretário de Estado João Costa, afirmou que a redução será progressiva e dá a entender que começara já no próximo ano letivo. Quanto à progressividade, num mero exercício de adivinhação, esta deve começar nos primeiros anos de cada ciclo, indo ao encontro da GRANDE reforma que se avizinha.

Fiquem com as declarações do Secretário de Estado à agência LUSA referidas no Expresso online.

Governo vai reduzir número de alunos por turma já no próximo ano letivo

“O ministro da Educação disse já que é nossa intenção reduzir de forma progressiva”, disse João Costa adiantando que tem de ser salvaguardada a continuidade pedagógica e que o debate público sobre esta matéria está em curso e que terá de estar concluído em março.

Até ao final de março, explicou, terá de estar concluído o despacho das matrículas, de organização do ano letivo e a concertação da rede de escolas.

Neste debate em curso, adiantou, é unanime que a redução do número de alunos é importante mas que não deve ser apenas administrativa e sim em linha com a promoção do sucesso escolar.
“Há um consenso alargado por todas as pessoas. Se fosse uma questão menor não tinha consenso tão alargado”, frisou.

Em cima da mesa, e em debate, está não só o número de alunos por turma mas também o número de alunos por professores e o estudo em consonância com a autonomia das escolas de algumas disciplinas serem semestrais.

“Isto [semestralidade das disciplinas] é algo que queremos testar e ver se é possível”, disse.
João Costa disse ainda que os estudos realizados sobre esta matéria não são conclusivos relativamente ao impacto pedagógico das medidas (uns revelam que sim e outros não), mas quando a análise é feita em contextos socioeconómicos mais vulneráveis a redução do número de alunos por turma é visivelmente positiva para o sucesso escolar dos estudantes.

“A progressividade não é o único fator que ajuda à sustentabilidade da medida, temos a demografia e a progressiva diminuição da retenção Estes fatores em conjunto é que garantem a sustentabilidade, sem esconder que há um investimento a fazer” disse.

Nota: afinal a semestralidade das disciplinas é algo que precisa de ser testado, mas que a vontade está lá, está…


Não à Municipalização da Educação! Menos Poder para os Diretores! 1

Esta é uma das posições mais consensuais entre os docentes – o não à municipalização da educação sai cheio e encorpado nas escolas de Norte a Sul do país, ditado pela maioria dos professores que não quer ouvir falar disto nem se dourarem muito a pílula. E, no entanto, a municipalização da educação está em marcha agora travestida de descentralização.

A Fenprof está atenta e contra, nem podia ser de outra forma. E já prometeu lutar com as armas de sempre – as manifestações, as greves – se o Governo não negociar a descentralização de competências e um novo modelo de gestão para as escolas.

Hoje dou a palavra a Mário Nogueira:

“Fica claro para a Fenprof que, se por causa disto, se por causa de contrariar este caminho de municipalização, tiver que voltar com os professores à rua, tiver que promover lutas que podem passar pelas mais diversas formas – ainda que sejam greves, não importa – contra o processo de municipalização, o Governo pode contar com uma oposição fortíssima da Fenprof, porque esse processo merece uma oposição fortíssima dos professores”

“Não vamos ficar nem a olhar, nem a pensar que por ser um Governo diferente do anterior o processo pode não ser tão mau como o anterior. O que para nós está em causa é o processo, não quem o concretiza.”

O Público dá-nos ainda conta de um outro assunto consensual entre os professores: 92% dos professores quer que os directores tenham menos poder, revela o Inquérito da Fenprof realizado a 25 mil docentes.

Municipalização da educação pode levar professores de volta à rua e à greve

Menos poder para os directores, defendem 92% dos professores

É ainda notícia de hoje o modelo de acesso à universidade e o facto de continuar a existir inflação de notas nas escolas privadas.

Sapo

Escolas públicas e privadas querem alterar acesso à universidade

JN

Escolas privadas continuam a inflacionar notas no secundário

Anabela Magalhães


Comparação das Classificações Internas no Ensino Secundário (Privado Vs Público)

Costuma-se dizer que uma imagem vale mais do que mil palavras… mas, para além de constatar o óbvio, que no ensino privado se paga para obter boas médias, os números do ensino público deviam fazer refletir o grau de dificuldade dos exames ou da exigência interna. Lembro que na classificação interna entram outros factores que normalmente “puxam” as notas para cima, como o comportamento, assiduidade, etc.

(carreguem na imagem para aceder ao estudo da DGEEC)

Escolas privadas continuam a inflacionar notas no secundário

(JN)

“Existe um desalinhamento persistente e especialmente marcado entre os subsistemas público e privado independente. Aos alunos de estabelecimentos públicos são, em média, atribuídas classificações internas mais baixas do que aos seus colegas do subsistema privado que, posteriormente, obtêm resultados iguais nos exames nacionais”, indica o estudo, publicado no “site” da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e da Ciência (DGEEC).


Árbitros deviam expulsar pais perturbadores.

Já todos sabemos que alguns pais ao assistirem aos jogos dos seus filhos passam-se literalmente, transformando-se em maquinas “debitadoras” de insultos para tudo aquilo que pode na teoria ou na prática, perturbar o desempenho do seu filho. Estes muitas vezes chegam às ameaças e em alguns casos a vias de facto.

Para combater esta situação, vai ser criado um documento onde enuncia os deveres dos pais no desporto. Terá tanto efeito como os deveres dos pais em âmbito escolar… ninguém os vai ler e ninguém vai querer saber disso.

A ideia não passa de uma tentativa teórica de moldar comportamentos, como se os pais prevaricadores fossem “domados” por uma cartilha de orientações.

Estes senhores que poluem a essência do desporto e fair play, não podem assistir às atividades desportivas dos seus filhos, ponto. Caso o façam e não cumpram com as regras mais básicas do civismo, deve o árbitro interromper o jogo e solicitar às forças de segurança para expulsar o progenitor, aguardando este no exterior pelo final do jogo. Outra alternativa passa por multar os pais quando estes apresentarem uma conduta imprópria continuada.

Os próprios clubes deviam ter um papel interventivo nesta matéria, impedindo em último caso a inscrição de filhos de pais perturbadores. Polémica esta proposta, concordo, mas só com medidas mais gravosas podemos terminar com a pouca vergonha que é assistir a determinados comportamentos parentais.

Ficam alguns dos deveres citados hoje no jornal Público:

  • A escolha dos desportos a praticar pelos filhos deverá ser da sua responsabilidade e iniciativa sem qualquer imposição por parte dos pais
  • É dever dos pais acautelar os excessos de carga no treino em competição durante o período infanto-juvenil, em particular na puberdade (…)
  • É dever dos pais acompanhar as actividades dos filhos com discrição (…)
  • É dever dos pais respeitar as competências próprias dos treinadores, limitando-se a questioná-los sobre a forma como os seus filhos se integram na vida da equipa e do clube e sobre as perspectivas de evolução académica
  • É dever dos pais esclarecer os filhos que para serem bons desportistas, para se sentirem felizes e estarem de bem consigo próprios, não é necessário serem campeões
  • É dever dos pais lembrar-lhes que os insucessos terão de ajudar à sua evolução e torná-los mais sábios

No desporto, os pais são muitas vezes um problema para os filhos

Há uma carta que vai a caminho para disciplinar comportamentos

(Público – Clara Viana)

E que tal Ritalina a pedais? 1

Mais uma notícia alarmante sobre a quantidade de alunos que estão “ritalinados” em sala de aula. Não ponho em causa a prescrição médica pois não tenho competência para tal, mas ponho em causa a não utilização de estratégias alternativas para muitos destes alunos.

1º Quantos destes alunos são apenas uma manifestação da incompetência dos pais na transmissão de regras e valores?

2º Quantos destes alunos são o resultado de um sistema educativo que visa a quantidade, onde o aluno é um mero recetor de conteúdos?

3º Quantos destes alunos são o reflexo de uma sociedade onde a atividade física é colocada em segundo plano e substituída por tecnologia de bolso?

Não quero com isto dizer que o comprimido não resulta, a quantidade de doses diárias provam que o efeito é real, trazendo um alívio grande às famílias e uma alegria ainda maior às farmacêuticas.

Aos pais, quando as alternativas não existem e as queixas são constantes, resolver tudo isto com um pequeno gesto matinal é um mal menor… Se me calhasse a mim, provavelmente tomaria a mesma decisão.

Mas convém lembrar que antigamente chamava-se má educação à irrequietude dos meninos, hoje em dia chamam-lhes vítimas da hiperatividade… Mas a hiperatividade não obriga ninguém a agredir os colegas, não obriga ninguém a insultar o professor ou a questionar a sua autoridade. Hoje já ouvimos à boca cheia que “eu sou hiperativo”, logo estou imune à disciplina e o pior é que os pais vão na conversa…

Uma coisa é certa, a escola e a sociedade em geral não sabe muito bem o que fazer com tanto miúdo irrequieto. Para quem está de fora, fica a sensação que se optou pelo caminho mais rápido, pelo caminho mais simples… Com o tempo saberemos se este foi o mais correto…


Menos Matemática e Português | Mais História, Geografia e Educação Física. 9

aqui tinha referido que as alterações para o próximo ano vão ser profundas. Hoje fica a confirmação que as disciplinas de Matemática e Português vão ser “sacrificadas” a bem da igualdade entre as diferentes áreas curriculares. Concordo e já o disse por diversas vezes, esta mania “cratiniana” que para se ser um cidadão de valor, contributivo para a nossa sociedade precisa, acima de tudo, de fazer muito bem contas e conhecer muitas obras literárias a mim não colhe grande simpatia… Não lhes retiro importância, mas à sua real importância e não à importância que muitos lhe querem atribuir.

A escola deve primar por uma formação transversal para que mais tarde surja a especialização, o que temos atualmente é claramente uma subversão desse princípio.

Expresso

O Governo vai reintroduzir as áreas de cidadania e de projecto nos currículos escolares. Há disciplinas que vão perder carga horária porque a ideia não é aumentar o número de horas que os alunos passam na escola. O secretário de Estado da Educação diz ainda ao Expresso que haverá ainda um reforço das ciências sociais.

“Tenho de emagrecer o currículo actual e fazer um reequilíbrio entre áreas”, disse o secretário de Estado da Educação ao semanário Expresso.

Ao mesmo jornal, o governante diz que há disciplinas como a Geografia e a História que têm poucas horas, tal como a Educação Física. Questionado sobre se as áreas sacrificadas são a Matemática e o Português, João Costa respondeu que “algumas terão de perder”.

Em declarações à Renascença, a presidente da associação de professores de Matemática, Lurdes Figueiral, está ao lado da vontade do Governo. “O que é mais importante é nos proporcionarmos aos alunos um currículo equilibrado nos primeiros anos de aprendizagem. O privilegiar do português e da matemática que tem havido nos últimos anos prejudicou o equilíbrio, e no caso da matemática foi claríssimo prejudicou a relação dos alunos com a disciplina. Não se trata de uma contagem de horas como quem conta espingardas.”

O Governo quer ainda reforçar as horas curriculares de projectos interdisciplinares que impliquem um trabalho entre professores e conteúdos de disciplinas diferentes. Trata-se de dar novo fôlego à área Projecto que segundo o secretário de Estado trouxe muitos bons trabalhos mas não foi plenamente assumida como curricular, e como não contava para a nota final foi desvalorizada.

O que se pretende é que estas actividades sejam agora valorizadas e sejam tão importantes como as aulas tradicionais, sendo sujeitas a uma avaliação tão válida quanto a de um teste escrito.

“Os testes são instrumentos de avaliação muito importantes, mas não podem ser os únicos”, argumenta o secretário de Estado.

Outra área a que o Executivo quer dar força é a da Formação Cívica que foi introduzida em 2001 mas desapareceu em 2012 com o ex-ministro da Educação, Nuno Crato. A forma como esta temática será abordada nas escolas ainda está a ser trabalhada como a secretária de Estado da Igualdade.

“Neste momento é algo que se faz nas escolas de forma voluntária. Mas para nós é evidente que o horário dos alunos tem de complementar. Se não, não vai acontecer”, resume João Costa ao Expresso.

in Rádio Renascença

 


Um bom exemplo da municipalização escolar…

A notícia publicada hoje no jornal Público, reforça a ideia que a municipalização escolar será algo positivo e até vai poupar dinheiro aos contribuintes, dando como o exemplo a contratação de assistentes operacionais. Mas por acaso as câmaras municipais são conhecidas pelos seus altos vencimentos???

Até podem existir exceções e até gostava de acreditar que as exceções se tornarão a regra, mas não acredito nisso…

Lembro que no anterior governo estava previsto a gestão de verbas e a gestão pedagógica das escolas, por parte das autarquias!!!

As interferências vão ser muitas e as mesmas vão variar consoante a cor política. Imaginem um diretor que se deu muito bem com um certo presidente de câmara e até o apoia (in)diretamente, como será a relação com o futuro presidente?

Ao darmos este passo, dificilmente haverá retorno, acreditar nisto é de uma ingenuidade tremenda.

Mas acreditemos… a fé é algo muito bonito!

Nesta escola já é a câmara que gere quase tudo e poupa-se dinheiro com isso

Para os pais, os resultados da municipalização das escolas são “contraditórios”

(Público)

Não se iludam! As autarquias vão mandar nas escolas. 1

É prometido a pés juntos pela tutela que o concurso de professores e as questões pedagógicas nunca vão estar na alçada dos municípios. A expressão futebolística  “a verdade de hoje é a mentira de amanhã” assenta que nem uma luva no mundo político. A velocidade das reformas é tanta que já perdi a conta às mudanças a que assisti.

A tutela até pode estar carregadinha de boas intenções, mas das duas uma, ou há muita ingenuidade no ar, ou os seus membros pertencem a uma qualquer seita religiosa ao confiarem que as autarquias não vão meter as mãos em seara alheia… As experiências que já correm com o projeto “Aproximar” não estão impolutas. Já me chegaram alguns lamentos e fortes reservas quanto ao futuro…

Há muito que as autarquias anseiam mandar nas escolas. O seu peso social, as influências que podem exercer, principalmente em meios pequenos, são fortes tentações. A escola será um meio privilegiado para passar a mensagem política e será determinante em futuras eleições ou em inclinar mandatos. Os conselhos gerais foram o primeiro passo, e um presidente de câmara com forte presença na comunidade, pode perfeitamente condicionar um diretor, ou, em último caso, influenciar os restantes membros desse conselho.

As chantagens, as pressões, as manobras de bastidores, tudo faz parte do jogo sujo da política. Infelizmente esse jogo de sombras, sem regras e imprevisível, está demasiado perto de um lugar que se quer independente e apenas focado no ensino.

Há autarquias que já recebem queixas de pais sobre questões pedagógicas e há autarquias que estão demasiado interessadas em analisar/esmiuçar resultados escolares… Os diretores e os professores são a cara de uma escola e se algo não correr conforme as cores autárquicas, é a estes que vão ser pedidas satisfações, é a estes que vão exigir mudanças… é a estes que vão pedir para saírem

É tão fácil, tão simples condicionar uma escola, basta não resolver um determinado problema, sejam as obras que precisam de ser feitas, os funcionários que são precisos contratar, a limpeza da escola, a utilização dos espaços, os apoios sociais etc, etc, etc…

Estamos perante o maior perigo à Escola Pública desde o 25 de abril e não se trata de um exclusivo PSD ou PS, ambos se deixaram/quiseram levar pela música das autarquias, como se esta descentralização fosse a solução de todos os males.

Querem descentralizar? É simples, descentralizem para as escolas. Ou não confiam?

Pessoal não docente: mais de 40 mil passarão a ser geridos pelas câmaras

(Público – Clara Viana e Samuel Silva)

Governo aprova proposta de descentralização para as autarquias

(Correio da Manhã)

Até quando precisamos de fazer esta questão? 3

A capa do jornal I deu grande destaque à questão dos TPC. É seguramente um tema importante e o ComRegras já o analisou de diferentes prismas – professores, psicólogos, pais e inquéritos que podem consultar aqui e ali. Uma conclusão… o grande problema dos TPC está no 1º ciclo. A elevada carga letiva, a fraca autonomia dos alunos e a quantidade diária de TPC, leva a uma desestabilização do ritmo familiar que termina normalmente em gritos para um lado e amuos para outro… Falta tempo para as crianças fazerem aquilo que tão bem fazem, brincar, e falta tempo para pais e filhos serem… pais e filhos…

Continuo a pensar que os TPC são úteis, mas q.b., sou da opinião que estes não deviam ter caráter obrigatório bem como uma série de outras coisas que se passam nas escolas… Julgo que é um erro querer “controlar” tudo o que o aluno faz, deixando-lhe pouco espaço para a aquisição de aptidões que serão úteis no futuro: curiosidade, autonomia e criatividade.

O aluno deve ser incentivado a reforçar os conhecimentos adquiridos na escola, sim, mas sem a obrigação de fazer a página tal, do livro tal, para o dia tal. Se quiser ler um livro que o leia, se quiser montar Legos, que os monte, se quiser ir jogar à bola que jogue, se quiser contar berlindes que os conte…

As escolas têm total autonomia nesta matéria, mas não se compreende a diferença de tratamento que existe para com os alunos. Pode chegar ao ponto de numa sala qualquer os alunos terem TPC todos os dias e na sala ao lado os alunos nunca terem TPC… Julgo pertinente e até justificável, que exista uma orientação escolar para evitar e reprimir excessos.

Para o próximo ano estão prometidas fortes mudanças e uma das principais está na redução da carga letiva dos alunos. Se assim acontecer, haverá mais escola mas em qualidade, haverá tempo para trabalhos/atividades fora da sala de aula e ainda haverá tempo para crianças serem simplesmente crianças.

Lembram-se do quadro que fiz e que expressa bem a brutalidade cometida às nossas crianças? Reparem na diferença entre o 1º ciclo e o 12º ano…

Fonte: ComRegras

E agora reparem neste quadro…

Fonte: ComRegras

Facilmente se constata que os alunos do 12º ano têm menos horas letivas e menos TPC que os alunos do 1º ciclo… Mas é preciso tirar alguma formação superior para entender que isto é um absurdo???