Caderno Diário


Tinha mais formação no Pingo Doce do que tenho enquanto professor… 1

O “despachar” primeiro e formar depois (ou durante), é muito típico na escola. Como sabem as escolas têm um novo sistema de tutorias, onde os professores podem ter até 10 alunos. O Ministério de Educação vem agora dizer que já foi dada formação a mais de 1200 tutores. Faz bem, é esse o seu papel enquanto patrão, o de atribuir formação específica aos seus funcionários quando surgem alterações relevantes.

O problema é que estas formações deviam ser dadas antes da sua entrada em vigor, o que raramente acontece. Assim de cabeça, lembro-me dos quadros interativos, da educação sexual, de diferentes programas informáticos de gestão/organização escolar, etc, etc…

Sentimos nas escolas que tudo está sempre a mudar, fica a sensação que existe uma qualquer equipa numa cave obscura, que tem o prazer sádico de constantemente alterar procedimentos, nomenclaturas e legislação, impedindo qualquer professor de estar a par da mais recente “moda” ou “capricho”. A última que ouvi, embora insignificante mas que serve de exemplo, é que nos discursos, depois de referirmos as “celebridades” devemos referirmo-nos aos restantes como “todas e todos” em vez de senhores e senhoras… “mariquices” do eduquês.

Os professores, ou qualquer outra profissão, precisa de estabilidade para assimilar leis, procedimentos e nomenclaturas. Os antigos cursos vocacionais, não tiveram a hipótese de upgrade, foram rapidamente abolidos e substituídos por tutorias com dimensões questionáveis, onde a falta de assiduidade dos alunos é uma realidade presente.

O que é dado como uma boa notícia, mais não é que uma notícia reveladora da política preferencial da tutela, aplico primeiro formo depois. A escola anda sempre atrasada, seja nos pequenos procedimentos, seja a nível tecnológico, seja nas metodologias de ensino ou a nível disciplinar…

Eu quando trabalhei no Pingo e Doce e depois no Continente, senti uma real preocupação com a minha formação, até porque era caixa de supermercado e por breves momentos era a cara da empresa. E sempre que havia alterações nos procedimentos, havia uma formação prévia (gratuita), era testado e só depois me lançavam às “feras”. Preparar, formar, esclarecer, testar primeiro e depois sim, aplicar e massificar. A escola não é uma empresa, mas devia aprender algumas coisas com ela, a formação contínua é seguramente uma das grandes lacunas da escola atual. E quem sofre são os nossos clientes (alunos)…

Organização… é tudo uma questão de organização…

Mais de mil professores já receberam formação para serem tutores

(Público – Clara Viana)

Verbas para a programa Promoção do Sucesso Escolar chegam em… janeiro

Já tinha alertado no início do ano letivo, que muitas escolas não tinham tido acesso aos meios que constavam nos seus projetos para a promoção do sucesso escolar. Não será coincidência que o novo ano, com novo orçamento, venha finalmente desbloquear alguns milhões para ajudar as escolas a cumprirem com os seus projetos.

Pena é que estamos quase a meio do ano letivo, o que vai comprometer qualquer avaliação que seja feita no futuro ao programa do governo. A facilidade com que em Portugal se “vende” iniciativas ao público sem os devidos meios, revela bem o quanto é importante fazer marketing político.

Há 32 milhões de euros para o ministério contratar mais de 500 professores

(Clara Viana – Público)

A contratação dos mais de 500 professores em falta para o plano de promoção do sucesso escolar será feita por via de dois procedimentos concursais. Os 29 milhões de euros oriundos do POCH serão distribuídos através de uma candidatura liderada pela Direcção-Geral da Educação. Os restantes três milhões chegarão por via de concursos que já estão a ser abertos pelas comunidades intermunicipais, especificou ainda o ME.


Sr. Ministro, diga lá até onde pode ir e fechamos negócio. Pode ser?

Começou nos 20 mil… depois foram 10 mil, há dias era 4 mil e agora vai nos 3 mil professores a vincular. Isto até o Arlindo dizer o real número da coisa…

Este filme do concurso de professores já chateia e começa a ser completamente ridículo. O Ministério de Educação tem um orçamento definido para 2017 e o concurso de professores não será responsável pelo seu incumprimento. Talvez seja a minha ingénua maneira de ser, mas em vez de andarem em reuniões de “charuto” na boca, onde cada um a faz a sua cara de “poker”, tentando antecipar a jogada do adversário, seria tudo mais simples, honesto e transparente se colocassem as cartas na mesa de uma vez e dissessem para o que vinham.

É que estes números de que se fala são pessoas, que têm expectativas legítimas de um dia vincular. A ansiedade que estão a criar, o tira regra, põe regra, não valoriza, nem credibiliza ninguém.

Vá… Sr. Ministro, diga lá até onde pode ir e fechamos negócio. Pode ser?

Ministério diz que vinculação extraordinária abrange mais de 3000 professores

(Lusa via Público)

 


Atualmente a Madeira tem menos 75% de participações disciplinares (27 mil em 2011/2012)

A afirmação é do Diretor Regional de Educação da Madeira, o que significa que na Madeira existe uma monitorização da indisciplina dentro da sala de aula, algo que no continente lamentavelmente não existe. O ComRegras foi a única entidade que no ano passado publicou dados semelhantes (a prazo publicarei os dados mais recentes) superando as 9 mil participações em apenas 4% das escolas, extrapolando para mais de 200 mil participações disciplinares em 2014-2015.

10% das crianças e jovens da Madeira são vítimas de bullying. É o dado principal do único estudo sobre violência nas escolas, realizado pela Universidade da Madeira. Entre Janeiro e Novembro do ano passado, 38 queixas de ofensas e ameaças à integridade física, envolvendo menores, deram entrada na Polícia. O repórter Sérgio Freitas Teixeira percorreu estes caminhos, no concelho da Ponta do Sol, para nos dar a conhecer a violência escolar e os comportamentos de risco nos jovens.

Conforme leram, a Universidade da Madeira fez um estudo onde em cada 100 alunos, 10 sofrem de bullying. É muito! Mas, mais do que constatar a preocupação pelos números apresentados, fiquei satisfeito por ouvir que na Madeira as escolas estão atentas e estão a apostar forte na formação de professores em mediação de conflitos, bem como na criação de equipas multidisciplinares.

Cada vez mais os professores lidam com conflitos, onde infelizmente tantas vezes estão envolvidos. A formação de base dos professores nesta matéria, está a anos luz do necessário e é a realidade e a prática diária que os vai “treinando” para lidar com a indisciplina escolar. Além disso, a formação contínua é escassa e dispendiosa…

Cabe às escolas e principalmente ao Ministério de Educação, preparar docentes e não docentes para a indisciplina que continua a aumentar, em vez de ter uma postura apática, aparecendo apenas quando a violência faz capa de jornais ou tem “honras” de abertura de telejornal.

(carreguem na imagem para ouvir a reportagem)

Escolas Premium vs Escolas a Cair…

Imagem retirada de http://desblogueadordeconversa.blogspot.pt/

A notícia partilhada hoje pelo Jornal i, da autoria de Ana Petronilho, intitulada “Pais lançam petição a reclamar obras “urgentes” na Escola Secundária José Falcão em Coimbra” vem, pela milésima vez, deixar a nu uma situação herdada do tempo de Maria de Lurdes Rodrigues e que se materializou num desequilíbrio absurdo e incompreensível entre escolas intervencionadas pela Parque Escolar, intervenção esta que a antiga ministra da Educação considerou, com uma lucidez rara para a senhora em questão, ter sido “Uma Festa” e escolas não intervencionadas pela Parque Escolar que viram passar ao seu lado a “Festa” sem nela participarem.

Assim, o país conta hoje com um espólio de edificações destinadas à Educação tão diverso quanto absurdo pois neste país coexistem, às vezes quase  lado a lado, escolas intervencionadas em obras de orçamentos multimilionários de doze, catorze, dezasseis milhões de euros e escolas que, literalmente, foram deixadas entregues à sua sorte e a sua sorte, ou melhor, a sua pouca sorte é terem salas de aula onde chove, isolamentos que são tudo menos isso deixando entrar o frio e o calor a rodos, consoante as estações, coberturas de amianto, impossibilidade de impedir as entradas de luz que arruínam qualquer projecção e que arruínam qualquer escrita no quadro, instalações eléctricas mais do que obsoletas, tubagens de esgotos tão velhas que libertam perfumes estranhos empestando o ambiente com cheiros horrendos, infiltrações que vão colorindo paredes e tectos com fungos nocivos à saúde de qualquer pessoa, canalizações de água que abertas libertam águas de cor alaranjada devido à ferrugem das mesmas… e… e… e podia continuar a apontar o absurdo criado por políticos disfuncionais que não souberam, ou não quiseram!, usar recursos monetários pertença dos portugueses para uma intervenção generalizada e cuidada que contemplasse quiçá todos os edifícios escolares do país naquilo que eles necessitavam.

E assim estamos. Escolas xpto, que mais parecem hotéis de cinco estrelas de luxo, terminadas coexistem com escolas que ficaram a meio das intervenções previstas e coexistem com escolas centenárias que nunca viram qualquer intervenção de fundo desde a sua fundação.

É o caso desta antiquíssima Escola Secundária José Falcão de Coimbra, criada a 19 de Novembro de 1836 e que nunca conheceu obra de vulto.

Assim, a Associação de Pais e Encarregados de Educação da ESJF lançou uma petição electrónica no sentido de conseguir 4 mil assinaturas e obrigar a que este assunto seja discutido na Assembleia da República.

Aqui a deixo para que, se concordarem, a possam assinar:

Intervenção urgente e de fundo na Escola Secundária José Falcão – Coimbra 


E é ainda de hoje uma notícia da Sapo que identifica a saúde mental dos alunos como uma das prioridades de intervenção escolar.

Nós dissemos em devido tempo que a crise económica potencia desequilíbrios mentais. Alguém teve o cuidado de escutar os professores no terreno, entre os decisores políticos que cortaram rendimentos a tantos e tantos portugueses, que despediram trabalhadores, muitos com filhos pequenos, e que, ao mesmo tempo, o foram canalizando para o salvamento de bancos com práticas pouco sérias e mesmo corruptas?

Pois. E depois, aqui d` El Rei! Pena que se lixem, pelo meio, também as crianças que são o futuro deste país.

Jornal i

Pais lançam petição a reclamar obras “urgentes” na Escola Secundária José Falcão em Coimbra

Sapo

Saúde mental dos alunos torna-se prioritária na intervenção escolar

Anabela Magalhães, professora e autora do blogue Anabela Magalhães


Notícias de resistência no ensino da história….

A notícia do dia é hoje uma só. Nem vale a pena tentarmos desfocar do ponto de fuga único da atenção noticiosa.

Nos momentos emocionais é normal em Portugal cair-se no carpir e no exagero.

Mário Soares foi o tema do dia numa monocultura noticiosa que resulta do excesso barroco do direto, em que se tem sempre de falar, mesmo que nada haja para dizer.

Ou, em que não se entende que o simbolismo cénico silencioso das imagens vale mais, sem comentários desconexos.

E este comentário às notícias do dia fica aqui, sem desvalorizar. Antes pelo contrário merecia mais qualidade das notícias a pessoa, o democrata e o político com sentido da História e apaixonado pela sua leitura e estudo.

Histórias de resistente

Da sua biografia, aliás, escolho aqui referências aos pontos de maior risco e maior rasgo, destacando das notícias de hoje os temas que o próprio mais valorizava com orgulho.

Ser resistente e político num tempo, antes da Democracia, em que, sê-lo, só dava como prémio a cadeia. Ou a alternativa do perigo físico e, até, da vida, para si e para a família.

Fica assim só a remissão para uma notícia do DN em que se recorda o percurso de resistência. Mário Soares chegou a ser prisioneiro de consciência adoptado a nível mundial pela Amnistia Internacional (estatuto que a organização só atribui a alguém que resiste à opressão sem violência e é perseguido por isso). A notícia relata com detalhes o que foram o exílio e a deportação e essa coragem vale, sem mais nada, as honras de Estado.

E, nesse percurso de ativismo pela liberdade, foi reconhecido também pela sua luta pela defesa de outros, como advogado, e pela divulgação internacional arriscada das violações de Direitos Humanos no país e nas atuais ex-colónias, nos anos 60 e inícios de 70.

No final dos 90, foi, em Portugal, já depois de ser chefe de Estado,  Presidente da Comissão de comemorações dos 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Década da educação para os Direitos Humanos da ONU. Nessa sua função contribuiu para um impulso forte (e que agora bem precisava de ser renovado) para se produzirem materiais e elementos curriculares nesse campo que, ainda hoje, quase 20 anos depois, são úteis.

O lugar na História ensinada

Curiosamente um assunto (a educação cívica e da memória democrática) que teve hoje destaque nas notícias sobre a sua morte. Destaque para uma muito interessante notícia do Público sobre o que se ensina (ou devia ensinar) de Mário Soares nas escolas. Jerónimo de Sousa falou disso também ao queixar-se da História dos vencedores (leia-se, a história que desvaloriza o papel do PCP).

A TSF fez uma peça engraçadíssima, com crianças de visita ao seu estúdio, a quem perguntaram sobre a figura do dia.

Vale a pena ler e ouvir as notícias, como pistas para um problema que é mais vasto: serão os nossos programas e tempos destinados à História ao longo da escolaridade, suficientes para se fazer alguma coisa de impacto na educação de democratas?

A notícia do Público conclui que não. O meu quotidiano de professor de História leva-me a dizer que as perspectivas futuras de melhoria são pessimistas.

Mas, como Mário Soares era realmente um optimista, talvez valha a pena, neste dia, ir ao básico mais fundamental e reler António Sérgio, que tanto estimava, e a sua obra Educação Cívica.

Talvez se ganhe ânimo, bebendo dessas utopias sobre o que “educar para a democracia” tem de prático, que não se realizarão, mas que estão muito longe do atual e paralisado estado de coisas.

Num tempo em que até já há eleições de associações de estudantes a serem convocadas pelos diretores das escolas (e não por auto-organização dos alunos) ou leio, com mágoa, pela estima à pessoa, a posição dos “diretor dos diretores” (presidente do conselho das escolas), no Público de hoje, sobre o manifesto para a democratização da gestão escolar, publicitado há uns dias, o tema da educação para a cidadania devia ser mais debatido nas discussões sobre escola.

Mário Soares acharia isso uma homenagem.

PS: No último caso, do presidente do Conselho de Escolas (melhor dito “dos diretores”), texto a que só tive acesso na edição em papel, mas que imaginam o que seja, a releitura de António Sérgio seria mesmo proveitosa para não soar tão mal, a desconversar sobre Democracia, mas havemos de voltar ao assunto.


Colégio de Gaia proíbe alunos de correr no seu interior. Estupidez ou prevenção? 2

O autor do panfleto que mostro neste artigo deve estar com as orelhas em fogo tal têm sido as críticas ao seu conteúdo.
Sou professor de educação física, por isso a atividade física é um bem que muito prezo e que precisa de ser valorizado no espaço escolar. Mas uma coisa é valorizar a atividade física, outra coisa é colocar em risco a segurança de terceiros. Façamos um pequeno exercício:

Concordam que as crianças corram nos centros comerciais?

Concordam que as crianças corram nos restaurantes?

Concordam que as vossas crianças corram dentro de casa?

Pessoalmente não concordo, não considero o local apropriado e à minha filha digo-lhe logo para parar, pois a probabilidade de chocar com algo ou alguém é elevada. Por isso sou favorável à rejeição de correr no interior das escolas, mas atenção, quando me refiro a interior, refiro-me a debaixo de telha com paredes e tudo.

A verdade é que os alunos quando estão a correr, entram em modo “bip bip”, fazem curvas por dentro, não olham para a frente, vão contra paredes, portas, colegas e professores. Os alunos não têm “carta de corrida”, não conhecem prioridades, não fazem piscas, sinais de luzes e não têm stops… São anárquicos na sua fuga/perseguição!

Se o Colégio de Gaia quis proibir as “corridas indoor”, nada contra, mas se o objetivo é proibir também as corridas no exterior, então algo de muito errado se passa na cabeça de quem os dirige. Ser criança é brincar, correr, pular, saltar, viver… não é ser soldadinho, caminhando organizadinhos, quiçá encostados às paredes. Ser criança é fazer barulho, é testar os limites. É um processo contínuo de aprendizagem que precisa naturalmente de ser orientado e disciplinado. Proibir a essência de ser criança é não compreender a sua natureza e ao ir contra ela, originará certamente indignação e revolta.

Para quem pensa assim, recomendo uns bibelôs de porcelana, sempre estão mais paradinhos…

Sobre as outras proibições: trocar carinhos, usar minissaia e sair nos intervalos. Bem… estamos a falar de uma escola certo? É que começo a duvidar… Sei que há colegas que não aceitam ver um casal de namorados a beijarem-se. Por mim tudo bem, desde que não passem os limites da decência, que fiquem lá a treinar a coordenação bocal que é melhor do que andarem à estalada. Sobre a roupa, é natural haver excessos numa idade onde a afirmação pela imagem é o prato do dia, mas essa naturalidade não significa ir para a escola com o “natural” à mostra… E quanto às saídas nos intervalos, nas escolas públicas os pais autorizam ou não a saída dos alunos, se ainda não é essa a prática no Colégio de Gaia, fica a proposta.

Acima de tudo haja bom senso…

Estudantes proibidos de correr no Colégio de Gaia

(JN – Tiago Rodrigues)


Orçamento Participativo nas Escolas | Alunos decidem, está decidido!

Eis uma iniciativa pioneira que deve ser louvada. Sou um defensor de orçamentos participativos e apesar da tenra idade dos cidadãos que “habitam” nas escolas, também estes devem e podem ter uma palavra a dizer sobre uma parte do “seu” orçamento escolar.

Mas esta participação dos alunos não deve ficar por aqui, os regulamentos internos, os códigos de conduta e porque não os próprios projetos educativos, devem ter a colaboração dos alunos, claro que devidamente dimensionada/orientada.

A envolvência dos diferentes membros da comunidade educativa na escola, permite aproximá-los da escola e criar uma cultura de interesse e participação que trará benefícios a curto e médio prazo. Afinal, a escola é de e para todos!

ALUNOS COM VOZ ATIVA NO ORÇAMENTO PARTICIPATIVO DAS ESCOLAS

(Ministério de Educação)

Tal como anunciado pelo Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, a 24 de março (Dia do Estudante), foi disponibilizada uma verba adicional às escolas para ser discutida e decidida pelos próprios alunos, no valor de um euro por aluno, com um teto mínimo de 500 euros por escola.

Com esta prática, pretende-se que sejam os estudantes do 3.º ciclo e do ensino secundário das escolas públicas a decidirem o que fazer, desafiando os alunos a aprender a gerir, a pensar em necessidades e a partilhar ideias, naquela que é uma iniciativa de incentivo à participação cívica e democrática.

Os alunos têm um prazo que começa a 6 de janeiro e termina a 24 de março (data da votação das propostas) para pensar, criar e debater onde e como querem aplicar esta verba, de forma a convertê-la numa mais-valia para a sua escola.

Vejam o despacho


Relembro o jornal Público e a comunidade educativa em geral, do estudo apresentado pelo ComRegras.

O ComRegras tem alertado para este facto e dentro das suas limitações tem feito um trabalho que deveria ser da responsabilidade do Ministério de Educação. Não são dados oficiais, mas são dados fidedignos e que vieram diretamente das escolas.

DADOS GERAIS DO ANO LETIVO 2014-2015

Total de Participações Disciplinares – 9130

Universo de 38 Agrupamentos/Escolas (4,4% da totalidade dos Agrupamentos/Escolas nacionais)

Nº de Alunos com Participações Disciplinares – 4229

Universo de 34 Agrupamentos/Escolas (3,9% da totalidade dos Agrupamentos/Escolas nacionais)

Total de Medidas Corretivas – 4554

Universo de 37 Agrupamentos/Escolas (4,25% da totalidade dos Agrupamentos/Escolas nacionais)

Número de Alunos que Cumpriram Medidas Corretivas – 1597

Universo de 31 Agrupamentos/Escolas (3,5% da totalidade dos Agrupamentos/Escolas nacionais)

Total de Medidas Sancionatórias – 1333

Universo de 37 Agrupamentos/Escolas (4,25% da totalidade dos Agrupamentos/Escolas nacionais)

Número de Alunos que Cumpriram Medidas Sancionatórias (vulgo suspensão) – 847

Universo de 31 Agrupamentos/Escolas (3,5% da totalidade dos Agrupamentos/Escolas nacionais)

Podem consultar o resto do estudo apresentado no ano passado aqui


Em breve irei apresentar os dados relativos ao ano passado.


Falta contraditório ao “argumento” do pontapé na cabeça…

Hoje circula um vídeo que até teve “honra” de abertura nos telejornais. Em resumo, por uma questão de namoricos um jovem foi barbaramente agredido por uns quantos cobardes, onde a sua cabeça foi pontapeada por inúmeras vezes com uma força que nem a uma bola se aplica, é CHOCANTE!!!

Seguramente que esta não é uma prática diária, e violência desde calibre não é comum nas nossas escolas. A questão é saber se estes fenómenos estão a ser mais recorrentes ou não.

O problema é que este diálogo com os punhos começa em tenra idade. E se ficamos chocados com estas imagens, parece que não sentimos o mesmo quando vimos alunos de palmo e meio a fazerem a mesma coisa, mas à escala do “portugal dos pequeninos”. A expressão “deixa lá isso, são coisas de miúdos” é das frases mais batidas nas escolas e em casa. “Deixa lá isso, nós também éramos assim”, mas a marca dos dentes, as nódoas negras na barriga, nas costas, os galos na cabeça não aparecem por acaso e marcam, não só o corpo, como deixam uma impressão digital no consciente e subconsciente… Mas deixem lá, faz parte do crescimento dizem alguns…

É que a violência não é como o iogurte, não é por terem 12 ou 13 anos que de repente, às 12 badaladas, os jovens passam a meninos de coro. A violência gera violência, a impunidade, a falta de censura parental/escolar, o NÃO a seu tempo, tudo isto somado, alimenta o comportamento desviante como algo aceitável, que na cabeça dos mais novos torna-se legítimo até.

Portugal está com um problema nas mãos, os dados da escola segura têm vindo a piorar, os números de violência doméstica estão a seguir o mesmo caminho e os dados que irei apresentar a seu tempo mostram, que nas escolas, a situação também não é melhor.

E quem sabe qual é a dimensão real da indisciplina em meio escolar? Não existe uma entidade que faça o levantamento dos dados disciplinares, houve um observatório mas o governo fechou-o. Além disso, muitas escolas optam por não divulgar/registar situações de indisciplina pois sabem que se o fizerem e se os dados forem públicos, estão a dar um tiro nos pés, pois a sociedade irá acusá-la de incompetência, tenha ou  não condições para lidar com a indisciplina escolar.

Talvez se começássemos a valorizar mais as questões da cidadania e não nos focássemos tanto nas questões programáticas, exames e rankings escolares, fosse possível inverter este rumo, apostando numa sociedade mais respeitadora e harmoniosa.

Tenhamos a consciência que temos criminosos sentados dentro da sala, sim criminosos… pois quem chuta a cabeça de alguém, quem incentiva a agressão, quem filma, quem ri, quem assisti ao espetáculo, não é aluno, não é cidadão, não é digno de pertencer a uma sociedade que deve cooperar entre si.

Por fim, o mais importante… E os pais? Onde andam os pais destes jovens? E a escola? Que condições tem a escola e seus professores para lidar com a indisciplina?

Somos todos responsáveis e seremos ainda mais se não optarmos por um contraditório a curto, médio e longo prazo…

PSP e Ministério Público investigam agressões brutais entre menores

Menores agressores do jovem em Almada sujeitos a medidas educativas

(Observador)

Portugal é dos poucos países que deixa a Educação Sexual a cargo de vários professores.

Já afirmei no passado que a Educação Sexual em Portugal foi despejada para as escolas e cabe aos professores “despacharem” a coisa… O termo despachar não foi inocente, pois fico sempre com a sensação que a Educação Sexual é daquelas coisas que temos de cumprir na nossa checklist anual. Falta formação específica e faz todo o sentido incluir a colaboração de um técnico especializado na área, tal como se faz em vários países.

Aconselho a leitura do artigo de Alexandre Homem Cristo ao Observador, do qual deixo as conclusões e um quadro esclarecedor.

Educação sexual. Como se faz lá fora e com que resultados?

 

1. A Educação Sexual está consolidada em quase todos os países europeus e com particular incidência nos jovens a partir dos 11 anos. Independentemente da idade a partir da qual as escolas podem legalmente oferecer Educação Sexual aos alunos, esse parece ser o entendimento das escolas e dos professores sobre o momento adequado para introduzir o tema. Não tendo a Educação Sexual orientações muito rígidas em termos de conteúdo, isso permite aos professores tomar as melhores decisões para os seus alunos em termos de timing, abordagem e conteúdo. Traduzindo: o critério a preservar é o da confiança. Se, enquanto pai, está desconfortável com o tema ou tem dúvidas, nada como levar essas dúvidas aos professores do seu filho. E sem esquecer que é possível falar de temas sensíveis, como o aborto, sem se parecer com a Isabel Moreira ou a Isilda Pegado.

2. A Educação Sexual tem, como finalidade número um, educar para a saúde, para prevenir comportamentos de risco que exponham os jovens a doenças sexualmente transmissíveis ou a situações de gravidez indesejada. Daí que seja grande a tentação de abordar a Educação Sexual de uma perspectiva meramente biológica, neutra e quase mecânica. Será até, do ponto de vista de um professor, a perspectiva mais confortável. Mas talvez, hoje, isso já seja insuficiente e esse possa ser um debate que vale a pena ter: num tempo de exposição constante da intimidade e do sexo na televisão e internet, o que parece faltar aos jovens não é informação sobre a mecânica biológica do sexo ou sobre a contracepção, mas sim sobre os relacionamentos afectivos e a preservação da intimidade. Há, por isso mesmo, países europeus que já deram o passo de integrar a dimensão afectiva e relacional na Educação Sexual – como evidenciam as múltiplas designações que essa formação tem na Europa.

3. O professor é o elemento-chave da Educação Sexual. Sendo um tema delicado, a boa preparação de um professor pode fazer a diferença para melhor – por exemplo, para quebrar receios nos alunos de fazer perguntas e de expor as suas dúvidas. Isto serve para lembrar o óbvio: importa, claro, discutir as orientações para a Educação Sexual, mas importa tanto ou mais proporcionar meios para uma adequada formação dos professores. Se os professores não estão à-vontade com o tema e sentem que lhes falta formação para o abordar com os seus alunos, como reconhecem geralmente os professores portugueses, então aí está um problema. E a sua resolução deve ascender a prioridade.

E nem por acaso…

Marcelo: “Violência, toxicodependência e sexo devem ser falados na escola”

(Lusa via Público)

Regresso às Aulas – Greves e Normalidades

Com votos de excelente ano de 2017 para todos os leitores ComRegras e desejando que o retorno à Escola tenha ocorrido sem sobressaltos e dentro da normalidade possível, partilho com vocês dois grupos de notícias saídas hoje que, de algum modo, se complementam. Aliás, o segundo grupo parece querer esvaziar o impacto do primeiro e parece dar-lhe desde já resposta… e digo parece porque a resposta só será de facto uma resposta se se efectivarem as intenções do senhor ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues. Há ainda a registar mais duas notícias de sentido contrário – a Escola de Carcavelos reabriu hoje, esperemos que sem problemas de segurança, e o retorno às aulas não foi normal pela Escola Secundária do Marco de Canaveses onde já se registou uma greve de trabalhadores não docentes.

E vamos lá às notícias.

O primeiro grupo de notícias, para as quais vos deixo os links, diz respeito a uma greve decidida e anunciada hoje pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS), para o próximo dia 3 de Fevereiro e que abrange todos os trabalhadores não docentes das escolas básicas, secundárias e jardins de infância. O protesto é contra a precariedade laboral e visa o seu fim, visando, igualmente, segundo Artur Sequeira, dirigente desta Federação, a dignificação dos direitos destes trabalhadores que levam para casa, muitos deles, menos do que o ordenado mínimo nacional. Para além disto é preciso, de facto, mais trabalhadores não docentes nas escolas que eram, segundo Artur Sequeira, 60 mil em 2014 sendo 49 mil em 2017.

Entretanto, os trabalhadores não docentes da Escola Secundária do Marco de Canaveses já anteciparam a greve exactamente pelos motivos enunciados. A falta de funcionários é notória.

O segundo grupo dá-nos conta do parecer de Tiago Brandão Rodrigues perante este arranque o 2.º período que por ele foi classificado como “altamente positivo”. Pelo meio tenta esvaziar desde já o impacto negativo deste anúncio de greve e promete “para breve a atribuição de uns bons milhares de horas para suprir necessidades eventuais das escolas com assistentes operacionais.” E promete ainda vincular “um número alargado de professores”.

Da nossa parte só podemos desejar que tais promessas se concretizem, a bem da Escola Pública Portuguesa, e, porque gato escaldado da água fria tem medo, resta-me afirmar que cá estaremos para ver, senhor ministro da Educação.

Renovo votos de excelente ano para todos. Bom trabalho! E deixo-vos com os links das notícias de hoje.

Anabela Magalhães


Renascença

Escolas e jardins-de-infância. Trabalhadores não docentes fazem greve a 3 de Fevereiro

TSF

Trabalhadores não docentes das escolas e jardins-de-infância em greve

Expresso

Trabalhadores não docentes das escolas e jardins de infância anunciam greve para 3 de fevereiro

RTP

Auxiliares não docentes de escolas e jardins-de-infância agendam greve para fevereiro

SIC Notícias

Trabalhadores não docentes marcam protesto contra a precariedade laboral

Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas marca greve para 3 de fevereiro

SIC Notícias

Greve na Secundária do Marco de Canaveses no regresso às aulas

Renascença

Ministro da Educação: Arranque do segundo período “altamente positivo”

Diário Digital

Ministro da Educação promete “uns bons milhares de horas” para assistentes em escolas

Escola de Carcavelos de portas abertas. Segurança está garantida

SIC Notícias

Escola de Carcavelos reabre após problemas no sistema elétrico


E se ganhássemos o direito de ignorar email profissionais fora do horário laboral… 1

Em França já é possível e chama-se o direito à desconexão.

Os trabalhadores franceses vão poder desligar-se do seu email profissional, fora do horário de trabalho, ao abrigo de uma lei que entra este domingo em vigor em França.

As empresas com mais de 50 trabalhadores vão ser obrigadas a ter um quadro de boa conduta que define o período a partir do qual não é obrigatório enviar ou responder a mensagens de correio electrónico.

(…)

Os defensores da lei argumentam que essa disponibilidade para ver o email não está a ser paga de forma justa, além de que pode contribuir para agravar o stress, burnout (distúrbio psíquico precedido por esgotamento físico e mental intenso) e problemas em dormir.

Trabalhadores franceses ganham direito a ignorar email fora do horário

(Público)

Deste a introdução das mensagens digitais que a ligação laboral com os colegas de profissão e respetivas chefias, entrou na hora da pantufa/chinelo sem apelo nem agrado. Mesmo que não queiramos, ao ligarmos a internet somos muitas vezes bombardeados com emails do serviço. Contra mim falo, já que domingo à noite é normalmente a altura em que envio os emails relacionados com as questões disciplinares… desculpem lá colegas 😉

É verdade que podemos ignorar, mas a pressão da responsabilidade e de sabermos que algo importante pode estar escrito e ao alcance de um toque, é muitas vezes o suficiente para calçar os sapatos do serviço.

A própria tutela é perita em desrespeitar as férias dos professores, basta falar no concurso de professores e não preciso de dizer mais nada…

Os franceses e não só, deram um passo importante na valorização da família, Portugal continua a ignorar a importância da família, ajustando-a ao horário laboral em vez de fazer o oposto. Lembrem-se da escola a tempo inteiro, onde se considera aceitável deixar crianças até às 19:30 na escola…

Trata-se de uma questão ideológica mas também de falta de bom senso, é preciso perceber que um trabalhador é muito mais eficiente se estiver feliz e para estar feliz, nada melhor que usufruir tempo de qualidade com a sua família ou para simplesmente fazer o que lhe der na real gana…

Senhores políticos, aproveitem a ideia e copiem o que de bom se faz lá fora!!!


Vários Professores do Ensino Privado acusam o Ministério de Educação de violar a Constituição.

No passado dia 30 recebi da advogada Sandra Afonso, na qualidade de representante de vários professores do ensino privado, um documento no qual consta toda uma argumentação que coloca em causa o principio de igualdade no concurso de professores. Lembro que a tutela este ano remeteu estes professores para uma 3ª prioridade, quando anteriormente estavam na 2ª prioridade.

Compreendo os pontos de vista quer dos professores do ensino público quer dos professores do ensino privado, por um lado quem está no público queixa-se de não terem acesso às vagas do ensino privado (a tão famosa seleção…), por outro lado quem está no privado queixa-se de ser colocado no final da fila de um concurso que devia ser igual para todos.

Julgo acima de tudo que o maior problema é a constante alteração às regras do “jogo”, leia-se concursos, obrigando muitos professores a tomarem decisões que provavelmente não tomariam caso as regras fossem sempre as mesmas… Não existe estabilidade na educação e os concursos são um exemplo paradigmático deste “brincar” constante com a vida das pessoas, criando injustiças em catadupa. Outro dos problemas é a disparidade de professores que existem para as vagas necessárias, quer no público quer no privado. Este é um problema muito antigo, onde sistematicamente as faculdades vão passando pelos pingos da chuva com a bênção de quem manda…

Publico conforme recebi:

Exmos. Senhores

Sou advogada e a minha cédula profissional é a 15145L.

Vários professores que se encontram vinculados ao ensino privado solicitaram a minha intervenção junto de V.Exas. por forma a apresentar a posição dos mesmos no que consideram uma Inconstitucionalidade.

Os argumentos da inconstitucionalidade encontram-se plasmados no documento em anexo, para o qual solicito a vossa atenta análise e publicitação.

Com os melhores cumprimentos e com elevada estima, subscrevo-me

Sandra Afonso

 Advogada

Professores do privado acusam ministério de violar princípio da igualdade

(Público – Clara Viana)

Agora, em respostas por escrito, o ME veio dizer que aqueles docentes poderão concorrer na 3.ª prioridade, o que afasta ainda mais a possibilidade de conseguirem lugar nas escolas públicas. “Os professores dos colégios com contratos de associação não são considerados rede pública para efeitos de recrutamento de docentes, pelo que não entrarão na 2.ª prioridade (ao contrário do que acontece no diploma ainda em vigor).


Mais conselho pedagógico, menos diretor… 7

Parece que será esta uma das mudanças a breve trecho nas escolas. Os conselhos pedagógicos passarão a ter uma maior influência, algo que já aconteceu no passado. Agora em que modos e em que áreas… só a tutela saberá.

E já que estamos a falar numa maior democracia para as escolas, considero fundamental duas alterações.

  • Eleição do diretor pela comunidade educativa.
  • Eleição das chefias intermédias (coordenadores de departamento) pelos membros do departamento.

Também seria giro a…

  • Criação de uma parcela para um orçamento participativo, onde a comunidade educativa pudesse decidir em que área gostaria de melhorar a sua escola.

Ministério da Educação a favor do reforço dos conselhos pedagógicos

(Público)

A secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, revelou nesta terça-feira que o Ministério da Educação é favorável ao reforço do papel dos conselhos pedagógicos das escolas, onde estão representados professores e representantes dos pais. Esse será um elemento de “uma eventual alteração do regime de gestão” actualmente em vigor, que instituiu a figura de director, indicou ainda.