Início Editorial Sinceramente… Os exames que se lixem!

Sinceramente… Os exames que se lixem!

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Quem vigia, quem os faz e quem os acompanha, já se apercebeu que exame é uma palavra que custa engolir e que cria uns certos tremeliques na barriga. Justifica-se? São assim tão importantes? Merecem assim tanto destaque?

Se carregarem aqui, vão constatar que a comunicação social, neste caso o jornal Público, adora exames e dão-lhe destaque atrás de destaque, tal não é a panóplia de notícias e reportagens. Em 10 dias foram publicadas cerca de 30 notícias sobre o assunto… 30…

Os exames tornaram-se um filtro de acesso ao ensino superior, são um nivelador de exigência escolar, são um demonstrador do trabalho realizado ao longo de um ano. São, mas não deveriam ser…

Não concebo que o trabalho realizado ao longo de um ano, seja beneficiado ou prejudicado de forma tão incisiva, por um momento que dura apenas 90 ou 120 minutos.

A escola, a sua política educativa, é submissa aos exames, gira tudo à sua volta e são vários os professores que “galgam” matéria para cumprir programas e que até apresentam testes similares. Os professores que não o fazem são normalmente “convidados” a fazer, seja por alunos, pais ou direção. Mas depois, chegamos ao cúmulo de ter disciplinas que não têm exames, disciplinas que felizmente têm a possibilidade de fazer um trabalho mais dirigido às necessidades e ritmos dos alunos, sem as pressões dos ditos. Até podemos questionar se faz sentido, dentro mesmo ciclo, dentro do mesmo ano, existir uma diferenciação tão evidente de disciplinas que contam para a mesma média.

E tudo isto porquê? Porque o tapete vermelho dos Rankings é uma verdadeira tentação, apesar de dizermos que não contam para nada, contam e contam muito. Todos os professores e diretores vão “cuscar” para saber onde estão colocados e como estão colocados os seus vizinhos. Rankings que não contemplam a disparidade de critérios de notas internas com notas externas, rankings que não contemplam a taxa de reprovação, rankings que não contemplam as reprovações propositadas para não afetar a imagem do professor/escola.

Confie-se mais nas escolas, confie-se mais nos professores, acredite-se no trabalho realizado e na preparação dos seus alunos e compreenda-se que para chegar ao destino existem vários caminhos.

A nota mais justa, a nota mais aproximada do real valor do aluno, a nota que contempla as várias áreas do saber, é a nota interna.

Não sou contra os exames, sou contra o que os exames estão a fazer à escola, a avaliação é e será sempre necessária, mas não assim, não desta maneira…

Os exames viciaram a escola e desumanizaram o processo de ensino-aprendizagem, tornaram a escola numa empresa de resultados que asfixiam o seu verdadeiro significado.

Este folclore de regras e regrinhas para fazer exames, que até envolve polícia, roça o ridículo, é um desperdício de energia e de recursos que alimentam todo este espetáculo mediático.

E para aqueles que não acreditam nas competências dos professores, então apostem tudo na sua formação, na sua avaliação formativa, nas chefias intermédias, nos processos de ensino, no modelo de gestão, mas não se esqueçam também de responsabilizar os pais pelo seu fraco desempenho.

Agora fala-se numa evolução dos exames, mas enquanto os exames condicionarem o ensino conforme referi, não é uma evolução que precisamos, é de uma revolução…

Alexandre Henriques

5 COMENTÁRIOS

  1. “Rankings que não contemplam a disparidade de critérios de notas internas com notas externas, rankings que não contemplam a taxa de reprovação, rankings que não contemplam as reprovações propositadas para não afetar a imagem do professor/escola.”

    Não é verdade.
    No ano passado toda essa informação já foi considerada e publicitada.

    Os exames são essenciais para a escola. Para que a escola tenha uma medida do seu desempenho ao poder comparar-se com congéneres. Para saber o que falhou e porque falhou. Sem exames, a escola tende a estagnar, como aconteceu durante tantos anos.

    O que se pode discutir é o aproveitamento dos exames para fazer a seleção do ensino superior, com o qual não concordo. As universidades e politécnicos que façam o recrutamento dos seus alunos.

    Exames, sim. Provas nacionais finais iguais para todos, sim. O peso não é importante. Até poderão ter o mesmo do que um teste escrito durante o ano.
    Mas, por favor, não acabem com os (poucos) exames que ainda subsistem!

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