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Sexta às 9 – contratos de associação: “O que o tipo quer é aparecer….”

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Sexta às 9Este foi um dos comentários que tive sobre a prestação que dei, que ontem foi divulgada, numa reportagem do programa Sexta às 9 da RTP.

“Aparecer” é um dos temas sociais do momento e o Facebook e outras redes sociais fizeram da fama e da notoriedade um objetivo social generalizado. Curiosamente, ligo pouco a isso.

A educação escolar de que beneficiei teve muito peso para esse olhar. Não esqueço o estudo dos clássicos sobre o real valor da fama (veja-se o nosso Camões).

A verdade é que ontem “apareci”: gordinho, baixinho e com ar zangado.

Disseram-me que “com voz bonita”…

Esperemos que, sendo a voz bonita ou feia, as palavras tenham sido ouvidas. Pelo menos a nível local (onde, por causa da surdez de alguns responsáveis locais e até da comunicação social local, o assunto precisava de ser mais falado).

Um dos problemas desse juízo superficial, de que tudo se resumiu a um desejo de me mostrar, é que, além de uma pouco simpática alusão a um desejo, que não tenho, de protagonismo oco, ignora o que é realmente importante.

Não me aborrece nada o juízo desagradável, sobre mim e sobre a procura de visibilidade (de que realmente prescindo), mas agrada-me pouco que não se perceba que mais importante é a mensagem: a defesa da escola pública.

E, por conta disso, prescindi, por minutos, da aurea mediocritas, a que me remeti, há uns anos, por opção de sossego e vida, e aceitei “aparecer”.

E numa sociedade democrática, se nos pode incomodar “aparecer” e não estarmos à vontade com isso, deixar o espaço público aos que não tem pruridos com isso, tão forte é o seu interesse privado, e que dizem tudo e o seu contrário para manipular, é um risco para a nossa liberdade coletiva (que se define em público, e não, nas conversas privadas de café…).

Por isso, aceito e debato críticas ao conteúdo do que disse, mas acho inadmissível que se critique só porque os defensores da escola pública “apareçam”, sem dizer o mesmo dos que defendem o negócio privado (que, como se viu na reportagem, há coisas de que não querem nem ouvir falar – vide Didaxis e dívidas ao Estado em tribunal).

Uma sociedade democrática é aquela onde se debate e onde se fala em público do que tem interesse coletivo (e não só de gatinhos e fotos de pratos, férias e celebridades nas redes sociais).

A jornalista convenceu-me, e sabe bem que lhe disse que devia falar também e preferencialmente com a direção da minha escola (que, por razões erradas, que os seus colegas de Coimbra, Caldas ou outros locais, que “apareceram”, não partilham, acha que não deve falar, recusando o contacto feito).

No caso concreto, combinamos falar a uma hora de almoço e o único pedido mais pessoal que lhe fiz nem o cumpriu (por esquecimento ou problemas de edição?): divulgar o link do texto deste blog que lhe chamou a atenção (um texto com mensagem forte mas que foge a ser facilitista).

E à conta deste meu “aparecer”, apareceu mais visível o problema local, que até o deputado João Almeida, do CDS no Sexta às 11, veio reconhecer ser muito estranho: uma escola privada a ser paga pelo Estado para tirar alunos a uma escola pública que fica à distância de uma passadeira.

E “apareceram” os meus colegas da escola pública de Vila Praia de Âncora, que me deram a honra (que nem sabem como realmente me tocou) de aceitarem que momentaneamente falasse em seu nome e, em especial, ajudei a dar voz a outros (a Cidália, que falou, e bem, do lado dos pais e encarregados de educação).080701601300021

E se os colégios privados têm em marcha uma campanha mediática (quem a pagará?), cheia de recursos e inspirada em modelos estrangeiros, será a minha “aparição” de uns minutos a maior perturbação mediática ao caso? (Ok, excluindo a estética, mas há também quem ache que amarelo não é bonito…)

E aqui pelo blog (em especial para o seu mentor, enérgico e generoso, o Alexandre) fica a satisfação de que, se ajudamos a debater e a esclarecer um tema essencial para a defesa da escola pública, cumprimos bem a intenção que nos fez meter nisto.

E sobre bocas antipáticas… já sabemos como é, basta ver alguns comentários que moderamos todos os dias.

Aqui ficam os links:

  • Para a reportagem.
  • Para o debate que se seguiu no canal 6 (com mais uma bela prestação da Secretária de Estado Alexandra Leitão e uma trauliteira exibição de João Almeida, mostrando desespero e demagogia, num grau que faz pensar que o trumpismo está a chegar cá)
  • Para parte do rescaldo noticioso hoje e, em especial, para a notícia da posição da escolas de Coimbra, que mostra o que são dirigentes escolares que entendem a sua missão pública e não se atemorizam com “aparecer” ao lado da liberdade contra o interesse privado do lucro.
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