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Será assim tão dispendioso ser cordial?

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Num tempo em que o económico, o euro, o dólar, o “ter” se sobrepõe a tudo o resto, será assim tão dispendioso ser cordial? Mas parece que ser cordial, não agressivo, mais humilde, mais educado, correcto não custa dinheiro? Zero de dinheiro! Mas, então já nada valerá, como não é por troca de dinheiro, de ter e mais “ser”, não tem valor.

Assim, não tem valor, não vale o tempo perdido, a maçada de dizer “bom dia, boa tarde, boa noite, faz favor, muito obrigado, não tem de quê”, para quê, não se troca por nada, não interessa.

Cumprir algumas regras – ainda se pode dizer regras, ainda não é proibido – custa assim tão caro? É assim tão difícil.

Não largar a porta na cara – nas trombas – da Pessoa que vem atrás de nós, custa assim tanto dinheiro? Perde-se assim tanto a fazê-lo?

Não deixar sair quem o vem a fazer, uma Pessoa, de um elevador para entrar a correr, não vá o elevador desaparecer, é, assim, tão, tão necessário? Tipo cachorro que instintivamente quando vê uma porta aberta, entra?

Não entrar aos empurrões na fila da caixa do supermercado é assim, tão necessário? Nunca respeitar grávidas, mães e pais com crianças ao colo, velhos, velhas, doentes. Se calhar.

Quando uma caixa abre num supermercado e, o ou a colaborador (a) – isto é uma trapalhada não ser, hoje, sexista – diz “por ordem” passem para esta caixa – nem sempre diz “por favor”, já não saberá – será sempre necessário o que chegou em ultimo passar a primeiro? Deve ser, caso contrário não aconteceria, sempre, sempre, sempre!

Não parar ao semáforo vermelho, não parar num stop, não fazer pisca – parece que os automóveis já não o trazem? – não respeitar o outro condutor é assim tão, tão difícil, complicado, tão oneroso?

Ser não antipático é um problema? Ser não humilde é uma vergonha? Não ter respeito pelo outro é assim tão mau?

Não saber educar filhos, é tão necessário? Fazer tudo ao contrário, é que é fixe?

Parecer que somos o animal mais pensador, o mais falante e portarmo-nos como o mais selvagem será a única forma que encontramos de fazer futuro?

Ter sempre o “eu” presente descurando, malbaratando o outro, é o protótipo de vida?

Estarmos a cada dia que passa mais desorientados e por tal tratarmos pior o nosso semelhante do que tratamos os animais de estimação, será a melhor forma de nos comportarmos?

Bem, esta listagem de perguntas sem resposta é interminável. E, é o que hoje vivemos e as perguntas terão razão de ser formuladas, as respostas alguém, as debitará – ainda termos económicos e de euros e dólares -na ponta da língua, até com uma enxurrada de impróprios. Mas é o tempo em que estamos! E não parece muito bom?

 Augusto Küttner de Magalhães

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