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Sentimentos para que vos quero

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Nesta altura do ano letivo muito há para escrever e para comentar.

Há o balanço de um ano, as coisas boas e menos boas.

Há os sentimentos e as memórias que este ano letivo nos deixa e que levamos para diante.

Há o regozijo por isto ou por aquilo. Há o cansaço, o desgaste, a constante exigência de pequenas decisões que nos consomem no quotidiano escolar. Há também os pequenos nadas, as alegrias, os sorrisos escondidos ou roubados.

Há os comportamentos, os atritos, as desconsiderações, os atropelos a uma profissão.

Há os sentimentos que nos desgastam, que fazemos nossos como se nossos fossem.

Há as mágoas, as alegrias, os afetos, os sorrisos, as ternuras, os desgostos, o cansaço.

Há tudo o que um ano letivo nos deixa. Há tudo o que um ano inteiro, que começou em setembro passado, e que agora, a semana passada, sexta feira passada, nos deixa.

Há muitas coisas que um ano escolar me deixa, nos deixa.

Nada, mesmo nada substitui a dor, o espanto, a angústia, que o fogo de sábado e domingo de Pedrógão Grande me deixa.

Podia escrever e contar os sorrisos, as angústias, as ansiedades, os desvarios das turmas, de colegas de profissão, dos chefes. Podia contar e rever tudo o que me vai na alma, eu que não creio em Deuses.

Nada, mas mesmo nada se chega à dor, às lágrimas, aos sentimentos que sinto por todos aqueles que perderam filhos, amigos, pais, mães, alunos, o que fossem, o que sejam, o que queriam ser, o que deveriam se o que deveriam ter sido.

Para mim este fim de semana foi de espanto, foi de memórias que o futuro me dá para me atormentar e recordar. Memórias de um país dividido entre o litoral e o interior. Este interior feito de esquecimento e isolado, onde a escola faz toda a diferença (ou não faz diferença nenhuma).

Recordar como é possível que em Portugal, neste século XXI, seja possível uma coisa destas.

Não foi um atentado, foi apenas e simples mão de natureza.

Não foram deuses nem foi Deus.

É apenas um Portugal profundo, um Portugal interior, rural.

Um Portugal que surpreende mas que não se surpreende.

É um Portugal esquecido mas que não se esquece. É um Portugal que recordamos apenas quando arde, quando por ele nos sentimos aperriados.

Não escrevo mais, não digo mais, não consigo sentir mais. Tenho pena, sinto pena, sinto as minhas lágrimas por todos aqueles que ali estiveram, que ali estão.

Manuel Dinis P. Cabeça

19 de junho, 2017.

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