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“Ó senhor presidente, eu ainda não posso votar!”

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Num momento em que se fala da atribuição de mais competências na área da educação aos municípios, é interessante analisar a postura de alguns autarcas em campanha eleitoral.

Por esta altura, os outros ciclos já terminaram o ano letivo e nós, como o pré-escolar, ainda aguentamos mais uma semana nas nossas quentes e pouco arejadas salas de aula, intervalando com algumas atividades ao ar “livre”, dinamizadas por nós, outras pelo agrupamento e ainda outras pela autarquia.

Gosto quando os municípios apostam na educação. O problema surge quando alguns promovem festas para “animar” as crianças em vez de resolver os problemas das escolas que estão sob a sua alçada. Precarizam os contratos do pessoal auxiliar e dos professores das AEC`s, não contribuindo para a melhoria das condições de trabalho desses profissionais. Já sei que para a festa podemos sempre contar com os foliões, mas para o trabalho, “que se amanhem os outros, que isso não dá votos”.

Os autarcas que estão desejosos de receber estas novas competências são os mesmo que defenderam o encerramento de escolas, postos de correios, agencias bancárias, centros de saúde e tribunais, causando assim o despovoamento de muitas localidades.

Estamos a chegar ao ponto de um executivo camarário organizar atividades para os alunos cujo momento alto é a chegada do presidente à festa (como César entrava no coliseu). Isto para crianças do primeiro ciclo?! Que hipocrisia…

Os especialistas de estudos de mercado dizem que atualmente grande parte das escolhas das famílias são realizadas em função das crianças, e é verdade. Mas será que elas têm influência no ato eleitoral? Não acredito! Com estas atividades de promoção/campanha, os executivos tentam passar a mensagem através das crianças, que são mais suscetível de persuadir, mas não sei se funciona…

Estou certo que há autarquias em que isto não acontece, ou pelo menos não de uma forma tão explícita.

É fundamental que os municípios apostem na educação e promovam o crescimento sustentável dos concelhos, e deixem de estar ao serviço de empresas com políticas de contratação “medievais”, ávidas de mão de obra barata.

Assim sendo, deixo aqui o meu apelo aos futuros executivos municipais:

— Invistam nas escolas públicas e nos nossos alunos!

— Criem equipas multidisciplinares – terapeutas, psicólogas, animadores, assistentes sociais e professores – de apoio à escola e às famílias!

— Adeqúem as escolas para a prática de expressão motora!

— Equipem as escolas com material para a prática de expressão musical, física e plástica.

— Forneçam às escolas material para a prática de ciências experimentais.

— Aumentem e dinamizem o espólio das bibliotecas escolares e façam delas um centro de conhecimento para as comunidades locais!

— Equipem as salas de aula com computadores que não sejam “relíquias”, com ligação a internet adequada e com quadros interativos!

— Organizem a oferta escolar no concelho para que as crianças não passem horas em transportes públicos!

— Apoiem as famílias carenciadas na educação das crianças!

— Alimentem as crianças no refeitório com alimentos/refeições de qualidade e de produção local!

— Criem programas de incentivo à cultura, à educação ambiental, à educação para a cidadania, à valorização do património local e ao desporto!

— Possibilitem que os alunos frequentem espaços culturais, como teatros, museus e salas de espetáculos.

Promover a felicidade das crianças e das famílias a longo prazo, possibilita a criação de sociedades mais equilibradas e motivadas para o desenvolvimento humano, social e económico.

 

Gonçalo Gonçalves

Professor do 1.º ciclo

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