Início Carreira docente (ECD) Por uma rigorosa avaliação de desempenho na educação, e já!!!

Por uma rigorosa avaliação de desempenho na educação, e já!!!

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Não se assustem. A ideia do título é só chamar a vossa atenção.

Sou professor do 2º escalão da carreira (desde 2005). Trabalho desde 1995 e subirei, sem mais, daqui a 230 dias ao 3º escalão de uma carreira de 10. Receberei, então 75% do valor do acréscimo a que tenho direito. 100% só daí a 3 meses. Quem me conhece, sabe que ideias lurdistas não me caíram nunca no goto. Continuam a não cair, apesar de conversões recentes de outros.

O assunto aqui vai ser simples. Porque não perguntamos aos representantes no parlamento (os que sustentam o governo e os outros): Quando se mexem para que não continuem a lixar os professores?

Decidi ver os meus problemas de outro ângulo. Estou a ser roubado do efeito de, pelo menos, 9 anos de carreira, que até trabalhei (e levando nesses 9 anos com mais impostos em cima de um salário que foi reduzido em parte). Ando a ser esquecido, como caso individual (com muitos companheiros de infortúnio), pelos sindicatos, que andam mais preocupados com reposicionamentos e escalões terminais de carreira.

Pouco falam e pouco ligam atenção ao roubo aos mais numerosos quarentões e quarentonas dos 2º, 3º, 4º e 5º escalões docentes. Aos sindicatos hei-de (sindicalizado que sou) continuar a moer-lhes a semente, mesmo isolado, até ver serviço que me agrade.

Mas, viro-me agora, inquisitivo, para outros que deviam pensar mais e fazer alguma coisa.

E a avaliação começa pelos que nos representam.

O mito da Casa da Democracia….. Pagamos, mas somos mal servidos.

Dizem que o Parlamento é a “casa da Democracia”. Cá para mim, esse é um dos mitos ilusórios da dita democracia.

É como dizer-se que são “necessários mais consensos de regime”. Ou apelar-se, no setor de educação, a que “é preciso mais autonomia às comunidades educativas”. Diz-se muito, repete-se até ao ponto cansativo. E as palavras já nada querem dizer.

No caso dos consensos, na educação, até já existe um transversal aos partidos, essencial e patente: “lixar os professores”.

É como nas reuniões sindicais dizer-se que é preciso “negociar a olhar para a unidade da classe docente”.

Mas há “classe docente” una? Como manter ou falar de unidade, quando uns ganham 1700 euros líquidos (não sou eu) e outros recebem 1200 (este sou eu e muitos outros, pouco lembrados e que vão continuar a levar no lombo, com vagas e aulas observadas e outras supervisões, autoritarismos e trapalhadas).

E nem aos 1700, hão-de chegar algum dia, por mais que estudem, trabalhem ou se empenhem.

A proclamação de unidade serve para se continuar a disfarçar a desigualdade. E os interesses que a dita proclamação e a desigualdade servem no caminho.

É feio dizer isto, já sei que vão ser os comentários, mas é verdade. É chato, mas hoje sinto-me Ciompi (e quem quiser mandar bocas, que antes de o fazer, vá realmente ver quem eram os gajos).

Deputados “nada lindos, postos em sossego”

Os/as senhores/as deputados/as andam muito sossegados. Sempre andaram. O Povo paga mas não quer ser servido. Isto é, não controla.

Escreve-se-lhes, não respondem. Ligam pouco ao que o povo pensa. Até acham que podem decidir sem que o povo veja.

Nos países anglo-saxónicos e nas democracias nórdicas um/a deputado/a que não responda a um eleitor perde bastante valor no juízo da opinião pública. Porque o eleitor vai dar notícia pública disso.

Por exemplo, se forem ao site do parlamento britânico há um link explicativo para escrever aos deputados. E estes respondem e preocupam-se em informar-nos. E até se prevê o que fazer se não responderem.Não fazem ideia da trabalheira que é cá mandar um mail igual para 3 ou 4 deputados (se derem com o sítio….).

Na verdade, ainda hoje recebo mensagens e newsletters de deputados/as e senadores/as de países anglo-saxónicos, por conta de os ter contactado quando foi das campanhas pelos direitos humanos em Timor. Não há risco de ter de votar neles, mas como os contactei algures no passado, acham que me devem manter informado.

Em Portugal, muitas vezes não se consegue sequer uma resposta a questões concretas, que lhes deviam dizer respeito, face às comissões em que participam.

Mas tenho fé. Por isso, decidimos, por aqui, no blogue, dar uma oportunidade aos/às senhores e senhoras deputados/as de mostrarem a estes eleitores rezingões serviço e pensamento sobre educação.

Write to your MP

Assim, abrimos a época de “apresentação do relatório intermédio de legislatura e de autoavaliação de desempenho dos/as Senhores/as Deputados/as da Comissão de Educação”. Uma brincadeira que, se os/as ilustres representantes da nação tiverem sentido de humor, levarão muito a sério.

Remetemos, há alguns dias, aos Senhores/as Deputados/as da Comissão de Educação uma série de perguntas a que pedimos uma resposta concreta individual de cada um/a.

Esperamos as respostas (saliento, individuais), até  31 de Janeiro.

E não é pouco tempo, visto que, quem representa o povo, deve ter ideias sólidas e estudadas e não precisará assim de tanto tempo para responder a questões centrais da sua área de ação como membro da comissão. As respostas vão ser publicadas aqui, sem comentários, numa primeira fase, quando passar essa data.

Depois disso, esperamos que o natural interesse das respostas recebidas nos permita ter os leitores e colaboradores do blogue a comentar e debater as propostas, visões, sugestões e opiniões dos/as nossos/as parlamentares e transformar isso num debate alargado e interessante sobre Educação.

A publicação das respostas e o “benchmarking” com outros “estabelecimentos similares”…

Chegado o prazo que comunicamos, iremos publicar a lista dos/as deputados/as da Comissão, acompanhada de “carinhas” no género supernnany.

Para os que responderem, uma cara sorridente, com a menção “Respondeu individualmente”, ao lado do link para o texto da resposta recebida; os que responderem com texto de “chapa”, ou numa resposta comum ao grupo parlamentar, terão uma cara triste e o link. Os que não responderem, levam um polegar de “dislike”.

Muitos vão dizer que não respondem a blogues ou nem vão ligar-nos (a isto só se observa que há jornais e canais, em que se preocupam em aparecer, que têm menos audiência que nós).

E, além disso, antes de sermos autores de blogues, somos eleitores a pedir respostas concretas. E com blogue, ou sem ele, a esses sempre devem fazer um esforço por esclarecer.

Pagamos, queremos ser servidos. À minhota.

Para perceberem bem o ponto desta ideia em marcha, iremos, a seguir a tudo isto, tentar escrever a deputados de outros parlamentos (estrangeiros) sobre um qualquer assunto e ver se nos respondem. Eu já antecipo o que acontece: vamos ter respostas e, talvez com desfavor para o parlamento português, mesmo se, para eles (estrangeiros), perguntarmos sobre assuntos que não interessam nada. Pelo menos acusam a receção. Vai ser divertido! Acompanhem!

E para os deputados que acharem que basta o grupo parlamentar responder (e não cada um) só gostaríamos de lembrar que o mandato é individual e, na linha do “pagamos queremos ser servidos”, sempre poderíamos pagar menos uns trocos.

Se um pensa e os outros assinam de cruz, pagamos só um salário por cada grupo parlamentar e cada “mega deputado que pensa pelos outros todos” levava um cartaz, com o número de votos atribuídos, e o parlamento reunia no espaço de uma sala de jantar.

 

Poupança em instalações e salários e alguns aquecedores do edifício de Ventura Terra podiam vir para a minha escola, onde se treme de frio….

Perguntar não ofende…

A seguir, as perguntas que fizemos. Como verão, nada tem de irrazoável. Até podem achar que devíamos perguntar outras coisas.

Se quiserem ajudar, podem perguntar vocês também e entrar na experiência. Digam-nos o que houver para contar. E não desanimem, se tiverem dificuldade em mandar as mensagens.

Imaginem que os milhares de professores do país começavam a perguntar coisas aos deputados da comissão que lhes devia tratar bem da vida.

Talvez os homens e mulheres que sacrificam o quotidiano na “casa da democracia” acordassem para a vida e para cumprirem o seu papel vigilante contra as tropelias que, há muito, andamos a sofrer.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Muito bom artigo. Parabéns. No Verão falei do mesmo nas redes sociais e foi polémico. Os sindicatos, constituídos maioritariamente por 50 entões quase nos sessentas, só pensam no seus umbigos e em como chegar aos escalões do topo. Os professores com 20 e tal anos de serviço, em escalões de base (1º e 2º) e que ainda têm uma carreira inteira pela frente têm sido esquecidos numa carreira injusta e desigual. Acham bem uns ganharem 1100 euros líquidos e outros quase 2000 líquidos pelo mesmo serviço?

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