Início Família Relação família/escola 2016/2017: “Muita parra e pouca uva”! (1)

Relação família/escola 2016/2017: “Muita parra e pouca uva”! (1)

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No início do ano letivo de 2016/2017 dissemos que as questões relativas à colaboração dos pais na escola continuarão a ser um assunto recorrente. Colocámos algumas questões: de que forma poderemos motivar as famílias para que participem mais na escola? Quais as estratégias a utilizar?

Sublinhámos que todos os anos fazemos a mesma pergunta no início e no final de cada ano letivo, e interrogamo-nos: o que foi feito entretanto?

Na revista PROFFORMA, publicámos um artigo intitulado “Construir possíveis: contributo dos pais e encarregados de educação para o sucesso escolar” (Serrano, 2016), no qual voltámos a refletir sobre as estratégias que estão ao nosso alcance para tornar possível a construção de uma parceria de sucesso entre a escola e a família.

Considerámos que uma ótima relação/parceria entre a escola e a família depende da implementação de algumas estratégias. É, pois, necessário encontrar formas organizadas de trabalho em equipa, mais momentos de reflexão, de partilha, de formação conjunta e de diálogo numa perspetiva de desenvolvimento pessoal e familiar. Importa, igualmente, criar meios de informação e de comunicação mais eficazes e eficientes entre as partes, assim como fomentar o trabalho colaborativo e cooperativo entre os diferentes atores.

No entanto, reconhecemos que os caminhos e estratégias evidenciadas poderão ser diferentes de escola para escola e de família para família, dado que as culturas, as sensibilidades, e as lideranças se apresentam, também elas, diversas, pelo que perspetivamos que o trabalho colaborativo e cooperativo entre os diferentes intervenientes poderá vir a revelar-se mais bem-sucedido nuns casos do que noutros.

Julgamos que a discussão desta temática continua na ordem do dia, razão pela qual consideramos que na escola do século XXI os pais e encarregados de educação (pais/EE) deverão assumir de forma ativa e dinâmica o seu papel na escola, pois esse contributo pode fazer a diferença no que diz respeito à qualidade da educação dos seus educandos.

Numa outra perspetiva, referimos que escolas com portas abertas à família permitem a construção de profícuas relações de parceria, acreditando sempre que uma escola de possíveis poderá ser uma realidade e não uma utopia.

Apesar do trabalho até agora desenvolvido na escola pelos diversos elementos da comunidade educativa, será que pensamos em colaborações impossíveis? Na literatura encontramos muitas abordagens e referências quanto a esta questão: Silva desenvolve a sua teoria em torno de uma suposta “relação armadilhada” (2003). Já Araújo (2015) relembra a necessidade do diálogo sobre a “difícil relação” entre pais/EE, alunos e docentes ou ainda, de acordo com o tema do encontro CPCJ/EPIS[2], será que esta é uma tarefa e uma missão impossível? Será que pensamos em estratégias que só à escola poderão interessar? Como conclusão, salientámos na altura, e voltamos a salientar agora, que importa pensar em construir possíveis! Possíveis participações, possíveis caminhos conjuntos, possíveis relações de sucesso, a bem das nossas crianças e jovens que sonham com uma escola onde possam crescer com alegria, com confiança, e com esperança.

Neste final de ano letivo de 2016/2017 é tempo de realizar um balanço e reflexão sobre o trabalho desenvolvido durante o ano e acreditar que no próximo ano de 2017/2018 esta relação se concretize de modo a passarmos da teoria à prática, da escrita à ação porque, mais uma vez, sublinhamos que no centro da relação escola/família está o aluno, sendo este a principal prioridade e atenção de todos os que estão à sua volta.

Orlando Serrano

 

Referências bibliográficas

Araújo, M. S. (2015). Família, escola e sucesso escolar. Lisboa: Coisas de Ler.

Serrano, O. (2016). Construir possíveis: Contributo dos pais e encarregados de educação para o sucesso escolar. PROFFORMA, 19, 1-10. Recuperado de http://cefopna.edu.pt/revista/revista_19/pdf_19/es_03_19.pdf

Serrano, O. (2017). Envolvimento familiar: Da teoria à prática, da escrita à ação. PROFFORMA, 20, 1-15. Recuperado de http://cefopna.edu.pt/revista/revista_20/pdf_20/es_02_20.pdf

Silva, P. (2003). Escola-família, uma relação armadilhada: Interculturalidade e relações de poder. Porto: Afrontamento.

[1] Extraído e adaptado de dois artigos do autor publicados na Revista PROFFORMA: “Construir possíveis: Contributo dos pais e encarregados de educação para o sucesso escolar”, N.º 19 (Dez. 2016) e “Envolvimento familiar: Da teoria à prática, da escrita à ação”, N.º 20 (maio 2017).

[2] II Encontro Distrital CPCJ/EPIS – Educação e Envolvimento Familiar – Missão (im)Possível?, Instituto    Politécnico de Setúbal, Setúbal, 10 fev. 2017.

 

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