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Proposta de um parolo sobre acordo com o Governo….Vamos fazer um REDONAGO (leiam até ao fim e percebem o que é)?

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Antes do que interessa (O REDONAGO), esclareço que com a minha iliteracia tentei perceber o Acórdão da arbitragem dos serviços mínimos.(Ler aqui)

Aquelas poucas páginas dizem tudo sobre o estado em que se encontra o sindicalismo docente. Na frente, a língua de pau da unidade. Nas costas (num processo arbitral, que poucos terão pachorra de ler, mas deviam), tudo escancarado: uma simples contagem de palavras mostrará singelamente o que os sindicatos (uma carrada deles) fizeram. Aparecem a gastar mais palavras a dizer que a greve dos outros (leia-se o STOP) não lhes diz respeito, do que a defender-se do ataque, vindo do Governo. Não admira que desse no que deu. E o episódio só mostra a utilidade do REDONAGO. Leiam até ao fim.

Os verborraicos comunicados de hoje, cheios de explicações tardias e redondas, dizem tudo do tamanho da entaladela: a greve aos anos de exames é popular (os professores querem luta que doa e não “luta molinha”). E popular que era, quem, por desleixo, incúria e talvez interesse partidário, a estragou, espere pelo troco.

E não há comunicados que valham: quanto mais falam, mais se entalam. Alguém quer lá saber de minudências processuais….  “A malta da plataforma não quis, desde início, esta greve aos anos de exame… Engraçado que deram cabo dela….”

De todas as elaboradas desculpas, a mais gira é que o senhor “constante” do PCP estava lá “não como advogado dos sindicatos”, mas para “interpretar livremente a lei”. Diria eu, que, mesmo pouco letrado, li o papelinho todo, torcê-la. Até o mais fraco recurso para isso deixou usar: a analogia de normas.

E em que suposta lacuna a invoca? (Até eu sei que usar analogia de normas implica uma lacuna) Para inventar norma para determinar o quórum (onde, desde cedo, se diz que não há lacuna legal nenhuma).

Se o senhor estivesse como meu advogado não lhe pagaria, pela má qualidade do serviço. Como está como árbitro, designado pelos sindicatos, sugiro que, antes de os designarem para a tal bolsa patati-patatá, os sindicatos conversem com eles. Porque, se são designados para haver no grupo decisor que não tenha suspeita de preconceitos contra os sindicatos, este até parece ter. Ou estava muito distraído ou com pouca vontade de estudar. Para ser benevolente.

Adiante. Vejamos então o REDONAGO.

Como há-de ser o acordo para ser ao gosto deste parolo….

Hoje, dengosa e sedutoramente sorridente, Alexandra Leitão apareceu no Jornal de Negócios a largar meio no ar a ideia de que, em vez dos 9 anos, convertidos em escalões de salário, o Governo poderia dar, em parte ou no todo, tempo para a reforma. Muita gente fala disso. Mas esclareço que, para um parolo como eu sou, entre 40 e 55 anos, esse pode ser mau negócio. Péssimo mesmo. Quando chegarem à reforma (daqui a 10 a 20 anos) o acordo pode já não valer e, como vão ficar a marcar passo na carreira, podem reformar-se com uma miséria.

Para gente mais velha e de escalões altos, pode ser solução, mas precisa de muitas garantias e a proponente não seria a pessoa de quem as aceitaria (sou parolo, mas tive lições de negociação com alunos meus de Darque, filhos de feirante, alguns muito treinados na arte, e fiquei seletivo no marralhanço). Centeno seria homem mais fiável, se se deixasse de tretas, como a da entrevista de ontem (eu dizia-lhe a fúria…..).

Mas o conteúdo do acordo não interessa agora, respeitados os seus requisitos mínimos, que toda a gente sabe quais são, do lado dos professores (e que depende de o governo fazer os seus serviços mínimos de conceber uma proposta que mostre que quer solução e não beligerância….).

Siga com a greve. Um dia há-de haver acordo: mais tarde ou tardiamente, para ser melhor.

O acordo valerá também pela forma como for validado pelos sindicatos

E aí entra o REDONAGO (já explico). Seja qual for a proposta do Governo, a aceitação dela tem de preencher certos requisitos processuais do lado sindical, além do conteúdo. Em vez de um acordo de madrugada, à pressa, a comer pizzas ou takeaway gourmet, desta vez, a coisa tem de ser diferente.

Ontem, escrevi aqui como acho que devia ser: qualquer acordo sindicatos/governo, para ser assinado, e antes de o ser, devia ser referendado pelos professores, no seu texto a assinar.

Logo vieram muitos sabichões dizer que isso era impossível, era enfraquecer os sindicatos e o seu poder negocial, nunca tinha sido feito. E que não tinha vantagem nenhuma. (Nota: por razões que não digo, gosto muito do boneco do Sabichão. Para quem se lembra da personagem, a Fundação Francisco Manuel dos Santos relançou o jogo da nossa infância, passe a publicidade).

Ao impossível, responderia como Napoleão “impossible n’est pas  français”. (tradução livre: Impossível é palavra que não existe em francês). Neste caso, seria na língua dos professores…. Haja vontade de ser democrata, para lá das meras palavras.

Seja através de sistemas de voto eletrónico, com registo e garantia de secretismo do voto, seja pelo método clássico de colocar mesas de voto em todas as escolas, não seria difícil. E seria uma lição de democracia que os professores davam à sociedade em geral.

Enfraquecer os sindicatos é coisa estranha de se dizer. É difícil pô-los ainda mais fracos das canetas (como se viu hoje na sua reação à trapalhada dos serviços mínimos). E, pelo contrário, ouvir os representados e usar a força da sua opinião informada, dá força.

E já foi feito. Curiosamente, soube de um exemplo europeu recente, através do site de uma organização de que fazem parte sindicatos de professores portugueses. Mas, na Irlanda de 1918 (há 100 anos!!!), já se faziam referendos nacionais de professores. Não sei como se diria em gaélico, mas é o mesmo que REDONAGO’s.

A Internet está cheia de videos de professores a votarem em massa e decidirem, no fim de negociações sindicais.São centenas. REDONAGO’s em estados americanos, é multidão. Não conseguíamos fazer o mesmo cá? E não tinha vantagem nenhuma?

Mas porquê um REDONAGO?

Muito eu gostava de não ser consultado com as cartas já marcadas e de braço no ar. Votinhos secretos em urna, em todas as escolas, com todos a votar, isso sim: Referendo Docente Nacional sobre o Acordo com o Governo (REDONAGO). Não era muito mais útil?

Texto do Acordo divulgado a todos pela net (com vídeo explicativo das posições dos que o aceitam e contestam) e os professores escolherão (sindicalizados ou não). Comprometam-se os sindicatos a ouvir assim os  professores (e sabem bem o que vale este artigo definido “os”) e cumprir o que decidirem (em SIM ou NÃO), que o Governo respeitará mais o acordo e a negociação correrá melhor. E o processo é simples. Confiem nos professores. Quem organiza fundos de greve e faz greve em solidariedade, como se vê, por estes dias, em tantas escolas, também organizará um REDONAGO, lindo e participado, e sem querer saber do estado de sindicalizado, ou não, de quem vota.

E um REDONAGO também será luta acessível a todos.

E se o Mário e seus companheiros de plataforma aceitarem fazer isso, antes de encomendarem as pizzas, até prometo que deixo de por cartoons do Supermario a decorar estas reflexões pacóvias (muitas bocas, de mau humor, ouvi ontem por causa do bonequito, que acho tão fofinho com os seus bigodinhos…)

Então, vamos dar força aos sindicatos e dar peso à opinião dos docentes?

Negociadores dos sindicatos, aceitam um REDONAGO?

4 COMENTÁRIOS

  1. Muito bom… também aprendi muito em Darque….desde negociação às claras até negócios absolutamente obscuros. Como sou de Afife também fui sempre uma parola.

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