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Quero cumprir as 35 horas na escola e não faço mais nada em casa. Nada, zero, rien, nadica de nada!!!

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Compreendo que os critérios editoriais são o que são, compreendo que um bom título é meio caminho andado para boas audiências, mas de 3 páginas de índice da Análise Sectorial do Docente – 2014/2015, tinha logo que estar escarrapachado na 1ª página do público que mais de metade dos professores tem horário reduzido

Como dizia o outro… não havia necessidade

E é pena porque:

100% dos jornalistas não passam o tempo todo a escrever notícias ou a fazer reportagens;

100% dos médicos não passam o tempo todo a fazer cirurgias ou a atender pacientes;

100% dos juízes não passam o tempo todo em julgamentos;

100% dos bancários não passam o tempo todo a atender clientes;

100% dos polícias não passam o tempo todo a fazer rondas;

Já perceberam onde quero chegar, certo?

Tal como os professores, todas as profissões têm um tempo “letivo” e outro “não letivo”, e não quer com isto dizer que o tempo não letivo seja menos importante que o tempo letivo. Aliás, o “letivo” só pode existir com o mínimo de sucesso graças a toda uma preparação feita nos bastidores. Estando os professores envelhecidos, é natural que haja mais professores com menos aulas, é uma consequência legal mas isto não significa que trabalhem menos. Além disso, a notícia esquece-se dos milhares de professores do 1º ciclo e pré-escolar que não têm nenhuma redução da componente letiva e esses que eu saiba também são professores.

E pelos vistos a DGEEC considerou o desporto escolar como tempo não letivo, mas no horário dos professores de Educação Física este encontra-se na sua componente letiva (afinal como ficamos?) e só quem nunca deu desporto escolar é que pode achar que dar um treino é diferente de dar uma aula. Se calhar no desporto escolar não estão lá alunos, tenho que lhes perguntar o que são…

Esta ideia peregrina que de lés a lés é deitada cá para fora que os professores trabalham pouco e têm muitas férias é uma mentira que teima em ser repetida. Recomendo a leitura do meu artigo “A Verdade Sobre as Férias dos Professores

Pois bem, vamos acabar com as insinuações, as suposições, as bocas e as maledicências…

Os professores passam a cumprir o seu horário integral na escola. Isso mesmo, as 35 horas ali, dentro dos portões das escolas. Acham que havia muitos professores a recusar? Era já o primeiro a aceitar e sabem por quê?

Não mexia uma palha em casa, nada, zero, rien, nadica de nada, fazia as minhas 7 horinhas diárias na escola, até picava o ponto se fosse preciso e parava tudo. Tinha mais tempo para a mulher, para a criança, tinha fins de semana a 100%, tinha mais tempo para escrever, para ler, para ir passear o cão etc…

E mais, também aceito o fim da burocracia e transformamos a componente de estabelecimento em horário letivo. Onde é que posso assinar?

Porque é que o Ministério de Educação não incentiva esta ideia? Porque eles sabem tão bem como nós que as escolas não têm condições para agregar dezenas de professores em horário não letivo/individual e também sabem que a grande maioria dos professores ultrapassa as suas 35 horas semanais, e já agora também sabem que muito professor utiliza material do seu bolso (portáteis, folhas, impressoras, eletricidade, canetas, etc…) que multiplicado por mais de 100 mil era capaz de fazer mossa no orçamento de estado…

Já estou mesmo a ver os testes a serem entregues passado 3 meses, chegarmos às aulas sem nada preparado, não recebermos pais depois das horas de expediente e dizermos aos alunos “olha, eu sei que estás com problemas mas já piquei o ponto, fica para amanhã pode ser?”.

Vá, vamos… querem os professores ao minuto? Vamos então ser professores ao minuto!!!

As escolas só funcionam por muito amor à camisola, por muita carolice e por muita responsabilidade dos seus docentes e já agora não docentes. Esta é a realidade e a sociedade em geral, onde a comunicação social está também incluída devia ter um pouco mais de consideração e respeito para com os seus professores. Quando se fala na desvalorização da classe, o que se passou ontem foi apenas mais um exemplo…

Alexandre Henriques

26 COMENTÁRIOS

  1. Parece-me que realmente é uma bandeira pela qual valeria apena lutar. Todos os professores deveriam cumprir a componente não letiva na escola (as 35h/semana). O ministério da educação teria que criar as condições (gabinetes, computadores, impressoras, tinteiros, lápis, canetas, papel, etc.) e o docente não necessitava de ter esse material em casa. Todos os dossiers, livros, computadores, ficavam no local de trabalho, como acontece com a grande maioria das profissões. Por uma realidade destas é que os sindicatos deviam bater-se e exigir condições de trabalho condignas. Qual será o técnico superior do estado que aceita, de ânimo leve, não ter um gabinete onde tenha os seus documentos/materiais de modo a que possa preparar os seus projetos/atividades?

  2. Há muito que defendo o modelo. Deixava der os fins de semana arruinados a corrigir testes e preparar aulas.

  3. Infelizmente nesta sociedade indivudualista , as pessoas tem a valorizar o seu desempenho , mas nao o do outro , é como as greves boas sao as deles…é uma cultura , mas a verdade é que todos mesmo todos sao necessarios ..

  4. Muito eu gostava de ver alguns desses pseudo jornalistas dentro de uma sala de aula com 26 alunos das 9h às 17h30 de 2ªfeira a 6ªfeira. Não tenho uma hora livre e acrescento no horário vigilância de intervalos, supervisão das AEC, atendimento aos encarregados de educação e reunião de ano e de departamento. Sou professora do 1º CEB. Então os professores trabalham ou não? Tenham vergonha quando escrevem sobre o que não sabem!

  5. De facto, a Escola não funcionaria sem o trabalho realizado em casa pelos professores. A preparação das aulas, a elaboração de fichas de trabalho para os alunos, a correção dos testes, etc, são tudo atividades essenciais para o funcionamento da escola que não se incluem no horário de um professor.
    Como aluno do Ensino Secundário que presencia casos de professores a lecionar três anos diferentes em duas escolas, consigo compreender a frustração do não reconhecimento do enorme esforço feito pelos docentes para proporcionar aos alunos a melhor educação possível, sacrificando até, por vezes, o próprio bem-estar.

  6. Sou professor de 1º ciclo.
    Chego à escola 8h30, ligar projetor, portátil, colunas externas (tirar cabos da mala mais as respetivas fontes de alimentação), o projetor é meu como o portátil, tablet e colunas para poder tirar partido dos conteúdos digitais do manual de 1º ano, sim porque após ter sido colocado no agrupamento, ninguém sabia que o projetor da sala do 1º ano estava avariado, e as crianças é que tinham de levar com aulas semelhantes ao do tempo da revolução industrial…

    9h00 receber alunos e iniciar a componente letiva. Intervalo 10h30-11h00 – morder uma maçã e espreitar uns cadernos, registar algumas tarefas nos cadernos diários, dar um saltinho à casa de banho, enviar documentos para o moodle… e num ápice temos as crianças de volta das 11h00 até às 12h30.

    Hora de almoço – aquecer a marmita no microondas, comer na sala em 15/20 minutos, seguidamente, corrigir os trabalhos de casa, verificar cadernos, preparar ou imprimir fichas de trabalhos de casa, escrever o sumário no inovar, enviar alguns recados para os pais…
    14h00 as crianças estão de volta até às 16h00. Também gostaria de referir que durante o período letivo não me sento… quando chego ao fundo da sala ao meu 25º menino o 1º já está a chamar por mim! No meio da arte de ensinar a leitura e à escrita ainda temos gerir a distribuição do lanche em que tenho de ter a minha cabeça bastante ativa para saber quem quer o leite branco, o de chocolate, quem gosta de sandes de queijo, fiambre…

    16h00 as crianças terminam o dia comigo, mas eu ainda tenho de escrever 25 vezes a data nos cadernos mais os nomes e alguns exercícios… não consigo fazer em menos de 20 minutos. 16h20 termino o serviço! Mas ainda falta alguns ajustes na preparação do dia seguinte… será que aguento até aos 65 anos com este ritmo! Sem esquecer que a componente letiva tem um desgaste enorme. MAs gosto do que faço, agora que fico muito cansado isso sim!

    • Caro colega descreves um dia que corre bem, há tantos dias piores… porque se um aluno se magoa, se envolve numa zaragata, não come e mais uma infinidade de situações, quem resolve?… o professor! No fim do dia ainda tem que dar conhecimento aos pais, que nem sempre são compreensivos pois (alguns) acham que o professor tem o dever de estar com os olhos focados no seu menino ou menina (o tempo todo) e ser capaz de evitar que estas situações aconteçam. Não evitou, foi negligente! Nada fácil! Felizmente temos o amor sincero das nossas crianças e o prazer de as ver crescer a cada dia que partilhamos com elas!
      Força colegas, quem não passa por este ciclo, por esta profissão, nunca vai entender o nosso desgaste, o ritmo alucinante de cada dia de trabalho! Nunca vão entender que o sorriso que estampamos na cara é porque amamos a nossa profissão e as crianças que são “deles” mas também são “nossas”!

  7. Pior q isso é ser educador de infância numa ipss, receber muito menos q as colegas do publico c o mesmo tempo de serviço, trabalhar as 7horas sem componente Não lectiva, sem as chamadas “férias” sem crianças p fazer avaliações, lidar c imensa papelada q tem datas específicas p serem apresentadas, etc! A situação dos docentes, seja de q ciclo for, está uma autêntica vergonha mas quem está a trabalhar nestas condições ainda está pior!

  8. Olá colegas,
    Conhecem alguma profissão onde o profissional não seja avaliado?
    Conhecem algum quadro superior que não leve trabalho para casa?
    Todo e qualquer bom profissional trabalha muito para vingar na área onde está inserido e nós, coitadinhos de nós, sempre nós, com queixas constantes.
    Preocupem se com os alunos e a excessiva carga horárias deles, mas isso não interessa, interessa sim reduzir a nossa.
    Trabalho muitas horas com muito gosto para os meus alunos e não acho um gasto do meu tempo, mas sim um investimento no futuro, no meu futuro, no nosso futuro.
    Façam o favor de trabalhar
    Até sempre

    • Força!
      Avaliação, já!
      Redução da carga letiva dos alunos, já!
      Trabalho para casa, já! Desde que nos paguem as horas extraordinárias…

      Ficar calado não é a solução… Pelo menos para mim

    • Não leu o artigo, pois não? Para começar, para serem quadros superiores, os professores teria de ganhar como quadros superiores. Isto significaria o quê? O dobro, o triplo? Se fosse para ganharem como os quadros superiores do sector financeiro – que não produzem rigorosamente nada a não ser »produtos» fraudulentos – teria que ser dez ou vinte ou cem vezes mais.

      Para continuar, quem trabalha muito para vingar na sua área tem que ter a expectativa de vingar na sua área – o que não se compagina facilmente com carreiras congeladas.

      E para terminar, as empresas e instituições que dependem do trabalho extra dos seus funcionários estão mal habituadas e precisam de uma cura de desintoxicação. No ensino como em todas as outras áreas.

      Se gosta do muito trabalho que faz, parabéns. Mas contente-se com esse gosto, porque se pensa que está a investir no futuro, no seu ou no nosso, espera-o o destino que tiveram os lesados do BES.

  9. Sinceramente, adoro este comentário.😂😂😂
    Só uma pergunta, porque não mudam de profissão? É que a questão é sempre a mesma, ganhar mais e trabalhar menos, estão no ensino por engano. Têm algum contrato vitalício? Mudem por favor de profissão e vão conhecer a realidade fora daquilo que são as vantagens do que é ser professor e façam um favor aos nossos alunos.😂😂😂

    • Senhor anónimo,é fácil comentar sem ter a coragem de se identificar, não é aos 60 anos e 34 anos de trabalho que vou mudar de profissão, deixar de fazer o que sempre gostei de fazer, mas não posso concordar com a situação do ensino e tenho o direito de manifestar a minha discórdia . O problema é que não há bicho careta que sempre que o assunto é escola não tenha uns palpites cheios de sabedoria e verdades absolutas: OS PROFESSORES SÃO UM ALVO A ABATER, as suas queixas são próprias de gente que não tendo inteligência licenciou-se e foram ensinar, pensando que nem era preciso trabalhar pois o ordenado era garantido sem nada fazer.Quanto à redução do horário, os professores de Matemática, Português e Línguas estão com aulas na sua componente não letiva, que em alguns casos chegam as 8 horas de aulas a mais, o que implica mas trabalho na sua preparação. Não sei qual a sua realidade, mas na nossa custa ser obrigada a conviver com alunos incorretos,habituados a fazerem tudo o que querem e lhe apetece e os respetivo papás e mamães a encorajar a falta de educação e muito mais haveria para dizer.Já pensei em mudar de profissão mas estou velha para isso, até para ter a mesma profissão da senhora sua mãe.

  10. “pensei em mudar de profissão mas estou velha para isso, até para ter a mesma profissão da senhora sua mãe.” Lindo, adorei, são professores com este carisma e educação que as nossas crianças precisam. Professores de mal com a vida e cheios de raiva e aposto que a pensar,”amanhã é segunda e vou ter que aturar aquele putos todos, vou meter atestado” ahahahah😂😂😂

  11. Trabalhar 35horas? Isso ja é uma regalia! Porque não as 40? Isso sim seria justo, e todo o trabalho devia ser realizado na escola, sim! Afinal têm dias de folga e tardes ou manhãs livres para isso, mas em vez disso ocupam o tempo com assuntos pessoais…quem mais tem essas regalias?! Acredito que as horas livres chegassem. O fim de semana devia ser livre e o tempo em casa igualmente.
    Férias igual aos restantes trabalhadores. Não há aulas, mas há muito que fazer.
    Salários melhores e avaliações para enquadramento salarial, os melhores deveriam ser compensados. E hoje os miúdos são difíceis, mal educados (maioria) não deve ser fácil lidar com turmas a abarrotar….

  12. Se as escolas fossem dotadas de espaços, condições e recursos para os professores aí desenvolverem todo o seu trabalho, poderíamos ver subir muito o orçamento das construções escolares e respetiva renovação e de equipamentos como secretárias e computadores. Como professor, tive sempre em casa mais uma assoalhada para o trabalho não letivo e usei os meus computadores pessoais para a escola.

  13. Gostava que alguém me explicasse porque os professores têm 3 dias de tolerância no carnaval quando os restantes dos trabalhadores só têm a terça feira e “se” o governo permitir….Porque, na semana da Páscoa, eles não aparecem nas escolas? Para além do mês de Julho, que trabalham a meio gás, e terem o mês todo de Agosto e a primeira semana de Setembro em casa, também na semana entre o Natal e o Ano Novo não vão a escola….. Portanto, segundo as minhas humildes contas, entre o Carnaval, Páscoa, Agosto e Natal, já são, pelo menos, 33 dias úteis de “férias”, certo? Eu, assim como os demais trabalhadores deste país, só têm 22 dias úteis de férias, certo? Portanto, os professores devem horas ao estado! Qualquer trabalhador tem que cumprir o seu horário para receber o seu salário no fim do mês e os professores têm que pagar por, pelo menos, os 11 dias úteis ao estado que gozam a mais das suas férias. Se trabalham em casa? Sinto muito, não fazem mais do que a obrigação para compensar essas tais horas! Já para não falar em fazer o controle biométrico, que não o fazem, pois, assim teriam que cumprir horário, também diferente dos outros funcionários públicos….

  14. Cristina10 realmente não está bem informada sobre o que é a vida normal de um professor e também nesta altura do campeonato não me apetece exclarecer! Se calhar até está de férias coisa que ainda não tive este ano! Só não estou no meu posto de trabalho é a diferença! Sabe de a angustia de muitos de nós de ficarmos ou não colocados… De sabermos se temos de ir com a casa ás costas deixando filhos e marido!!! Ou até se não somos colocados!!! A vida torna-se instável e as saudades gigantescas!!! Quando temos as supostas férias temos de programar de corrigir trabalhos e testes e sim devemos ser também mães e pais, esposas, donas de casa etc. Como pode ver somos uns privilegiados!!!!Viva os Professores

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