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Que Se Assuma De Uma Vez Por Todas O Fim Das Reprovações

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Haja coragem! Estou cansado das críticas de vários “especialistas”, apontando o dedo à escola e aos seus professores pela quantidade de reprovações que existem em Portugal. Se não querem que os alunos chumbem, assumam de uma vez por todas, legislem de uma vez por todas, crie-se uma via verde de 12 anos de escolaridade.

Não estou a ser sarcástico ou irónico, responsabilize-se os encarregados de educação e os alunos pela forma como estes estão na sala de aula, pela dedicação que têm à causa escolar, pela valorização que devem dar à escola a bem do seu futuro.

Há muito que sou contra a obrigatoriedade de um ensino até aos 18 anos de escolaridade! Há muito que sou contra o chumbo como uma simples repetição de conteúdos!

Acabe-se com os chumbos, acabe-se com as discussões de final de período e que criam tantas fraturas no seio escolar. Simplifiquemos, os alunos ficam 12 anos na escola, se os alunos aprenderem excelente, se os alunos não aprenderem, paciência… A escola dará o respetivo carimbo no final do percurso escolar do aluno e as empresas e faculdades conhecerão o nível de conhecimento que o aluno obteve ao longo de 12 anos de escolaridade.

Imaginem uma escola sem chumbos… O descanso que seria… Os professores deixariam de sofrer a pressão dos resultados escolares e a negligência de muitos pais. Fariam na mesma o seu trabalho, implementariam as estratégias necessárias ao sucesso dos seus alunos, os testes adaptados, a flexibilização para aqui e para acolá, mas acabavam-se os chumbos… O dinheiro gasto nas reprovações poderia ser canalizado para turmas mais reduzidas, um regime de codocência, mais apoios psicológicos, melhoria das infraestruturas, etc…

É verdade que em Portugal o chumbo é utilizado como um método punitivo pelo mau desempenho escolar do aluno, só que o aluno português sofre de preguicite aguda e gosta que lhe levem o saber já mastigado, digerido, com uma pastilha Rennie em caso de azia. Não existe uma cultura de esforço e dedicação em grande parte dos nossos alunos, é um problema cultural. Talvez com o fim dos chumbos os alunos percebessem que a escola é uma viagem só de ida, que têm um tempo limitado para aprender o que precisam aprender para integração futura no mercado de trabalho. Na escola atual é o professor que leva o aluno pelo braço para a sala de aula, não, deve ser o aluno que deve mexer as suas perninhas para se sentar na sala de aula, para querer aprender.

É preciso uma escola mais adaptada à realidade, verdade, mas também é verdade que existe muito mimo para com os alunos e muitos caprichos que não incentivam o esforço, a dedicação, a responsabilização.

Acabe-se então com os chumbos, haja coragem para assumirem o que se pretende sem arranjarem bodes expiatórios. Depois logo se vê se resulta, com tantas experiências na Educação, mais uma menos uma ninguém irá notar…

Alexandre Henriques


Chumbar um aluno custa 6000 euros, ensiná-lo a estudar só 87

A cada ano, o chumbo de um aluno custa, em Portugal, cerca de 6000 euros. Esta é, entre as medidas que são usadas para combater o insucesso dos estudantes, a mais cara. É também pouco eficaz e, ao nível das aprendizagens, até faz o aluno regredir. Menos custoso, será ensinar os alunos a estudar, incentivar as tutorias entre as crianças e promover a aprendizagem por objectivos.O impacto dos diferentes tipos de abordagem no combate ao insucesso escolar foi adaptado para Portugal pelos investigadores do Aqeduto — um projecto de investigação para avaliação da qualidade e equidade em educação —, com base em estimativas feitas pela Education Endowment Foundation, uma organização independente inglesa criada em 2011 com o objectivo de promover as aprendizagens dos alunos mais carenciados.

Ensinar a estudar, dando feedback aos alunos sobre o seu desempenho em relação aos objectivos de aprendizagem estabelecidos, é a medida que tem um efeito mais positivo. Também está entre as mais baratas (87 euros). Aplicando-se estas práticas, os alunos ganham oito meses de progressos nas aprendizagens. É o que permite concluir a meta-análise de vários estudos internacionais (também feito pela Education Endowment Foundation e adaptado pelo Aqeduto) sobre os meses de aprendizagem que se ganham ou perdem com cada uma destas medidas em relação ao ano anterior à sua aplicação.

Entre as medidas que mais encargos representam surgem também as intervenções no pré-escolar, ou seja, promover aprendizagens estruturadas antes da entrada na escolaridade obrigatória. Custa cerca de 4389 euros. Promover o envolvimento e apoio dos pais também não é barato: cerca de 2633 euros. Já garantir o acompanhamento social e emocional das crianças representa um custo de 1755 euros por aluno a cada ano. Mas, apesar do custo, o impacto que estas medidas têm no sucesso escolar é positivo.

A retenção é a única, entre o conjunto de medidas estudadas, que tem um impacto negativo. Há um retrocesso estimado de quatro meses nas aprendizagens dos estudantes.

Há menos retenções

Em Portugal, “estamos a melhorar muito [os números da retenção]”, nota Maria Emília Brederode, presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE). No relatório que se intitula Estado da Educação 2017, que o CNE vai apresentar esta quarta-feira, em Lisboa, os números revelam que a taxa de retenção é a mais baixa da década em todos os ciclos de ensino.

PÚBLICO -

Mesmo assim, é um processo que “está a demorar”. Para a presidente do CNE, que considera a retenção uma medida “cara e inútil”, há um “facilitismo” associado ao acto de chumbar. De facto, “dá mais trabalho se formos ver onde estão as dificuldades, que outras maneiras existem de organizar as escolas e a aprendizagem”, comenta. “Reduzir as retenções obriga-nos a repensar a maneira de intervir.” 

Quanto à distribuição geográfica deste indicador, não há uniformidade ao longo do território. O Alto Tâmega e o Baixo Alentejo estão entre os lugares cimeiros em quase todos os anos de escolaridade. Regiões como o Alto Minho ou a Região de Leiria apresentam algumas das taxas de retenção mais baixas.

O 2.º ano apresenta números de retenção particularmente elevados. Em 2016/2017, 7,4% das crianças neste ano de escolaridade chumbaram. O mesmo aconteceu para os anos de transição de ciclo, como o 7.º (11,4%) e o 9.º (7%). Quando se analisa as idades dos alunos e se avalia a sua adequação com o ciclo de estudos que frequentam “subsiste um desfasamento que vai tomando maiores proporções à medida que se avança na idade e escolaridade”, lê-se no estudo do CNE. “Logo a partir do 1.º ciclo uma significativa percentagem de alunos apresenta um desfasamento etário de dois ou mais anos, que se vai acumulando ao longo dos três ciclos do ensino básico.”

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Aumentar

Os números, diz a presidente do CNE, “chamam a atenção por mostrarem que é o próprio sistema de ensino que está desadequado”. Nesse sentido, sugere que seria benéfico repensar a organização dos ciclos de ensino. “Não temos uma proposta concreta, mas já houve várias”, nota. “A principal, e que é mais comum, é juntar estes dois anos [5.º e 6.º] ao primeiro ciclo.”

Avaliar a equidade

Uma novidade neste relatório é o capítulo exclusivamente dedicado à equidade na educação. Porquê focar neste tema? “É uma das dimensões essenciais de avaliação de um sistema educativo” e foi a forma encontrada de dar “importância àquilo que é feito”. Nesse sentido, o CNE fez um balanço dos programas que existem para fomentar a igualdade.

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Um dos exemplos é o “Apoio mais — retenção zero”. Diz o CNE que, em 2016/2017, foram abrangidos os alunos do 8.º ano da Escola Básica Integrada de Ponta Garça, em São Miguel, e os do 6.º da Escola Básica e Secundária da Graciosa, ambas nos Açores. Durante este período foram aplicadas estratégias pedagógicas “inovadoras” (que o relatório não enumera) no âmbito das práticas, gestão de percursos escolares e apoio aos alunos. Resultado: todos os estudantes do 8.º passaram para o 9.º na escola de São Miguel. E 93% daqueles que estavam no 6.º na Graciosa transitaram para o ano seguinte.

Outro dado positivo que o relatório apresenta: nas 663 unidades orgânicas que integram o Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar (PNPSE) registou-se uma descida da taxa de retenção e desistência do ensino básico entre 2015/2016 e 2016/2017, especialmente no 9.º ano (menos 2,4 pontos percentuais). O efeito deste programa também foi particularmente positivo no 2.º e 7.º ano, em que se registou um decréscimo de 1,8 e 1,7 pontos percentuais na taxa de retenção. A redução menos significativa aconteceu no 3.º e no 4.º ano

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A rede PNPSE cobre 82% do território nacional. Este programa foi lançado pela actual tutela e começou a ser aplicado em 2017. No âmbito deste plano as escolas elaboraram estratégias com vista à melhoria das aprendizagens principalmente nos anos iniciais de ciclo, que foram depois aprovados pelo ministério com vista ao reforço de meios para aplicar estas medidas. Foram abrangidos mais de 300 mil alunos dos vários ciclos.

Fonte: Público

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3 COMENTÁRIOS

  1. Hoje já era tarde… Haja coragem política para acabar com as reprovações e assumir as consequências… Em vez de andarem a criar grelhas e burocracias chalupas acabem de vez com o problema financeiro que vos aflige!
    Já gora… nos países modernaços que vocês tanto idolatram, ao contrário do que pretendem fazer passar para a opinião pública, os problemas também existem e também são de ordem económica! Tentam enganar a opinião pública fazendo vingar a ideia que só em Portugal é que não se resolvem questões profundas que estão a montante da escola! O problema, aliás, não é o passa ou reprova, o problema é mesmo o das aprendizagens!!! As famílias mais frágeis na vossa amada Finlândia, e não se podem comparar os seus rendimentos e direitos sociais com os nossos, também têm crianças que não aprendem… essas não reprovam mas são encaminhadas para cursos profissionais! Já nem falo da Suécia onde um furioso processo de municipalização destruiu o sistema educativo e construiu uma escola desigual e de má qualidade… E estamos a falar da Suécia o que acontecerá aqui?
    Na Suiça, supostamente muito à frente, alunos da comunidade portuguesa têm problemas sérios de integração e de aprendizagem… O problema persiste!
    Nem falo da Alemanha onde as crianças são encaminhadas desde cedo para a via profissional!
    Acabem depressa com os chumbos mas não criem um calhamaço de generalidades e umas grelhas e atirem para as escolas um problema, que não vai ser resolvido com cadeiras com rodinhas e um suposto ensino modernaço

  2. A retenção será sempre uma figura jurídica presente para salvaguardar os casos de falta de assiduidade e é por isso que nenhum governo tem coragem para plasmar na legislação a figura da proibição de retenção (por causa do escândalo social dos alunos que não apareciam na escola e progrediam na mesma…). Mas, através da linguagem juridica e do bombardeamento burocrático, eliminou de facto a retenção e a atribuição de classificação abaixo do nivel 3…

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