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Quanto à nossa selvageria, nada a fazer, cada vez pior!

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Estamos a viver uns tempos em que não se respeita o nosso igual, em que se vive “um dia de cada vez”, em que se quer bem-estar imediato, dado que já não se tem paciência para esperar e o “conquistar” amanhã.

E, mesmo sem pressas e sem urgência se tem que estar sempre à frente, mais que não seja para ter outro, sempre atrás de nós.

“Isto” nota-se na fica do supermercado onde se tenta passar à frente de qualquer jeito, onde duas pessoas vão às compras, uma instala-se na fila de caixa e a outra vai “buscando” as compras, cada vez e cada vez mais se irá notar na condução automóvel e no trânsito, onde vale tudo.

E, esta selva em que nos tornamos não vai ter retrocesso tão cedo, logo, antes pelo contrário. E os “lorpas” dos sexagenários na segunda metade desta sua/nossa década, que se achem/achemos- como quem escreve “isto” – espantados com este tempo tão selvagem, será melhor habituarmo-nos, estarmos “caladinhos”, sossegadinhos, não nos vão bater, dado que ameaçar, já o fazem.

E nada tem a ver com “os” grandes progressos e muito bem-vindos, que temos alcançado a cada dia que passa, e de que são exemplos tudo o que se passou de tão positivo na segunda metade do século passado, e se continua e muito bem a desenvolver e a evoluir, neste nosso século XXI. Nada disso.

Trata-se do não respeito que temos pelo outro, mas, querendo que este o tenha por nós. Trata-se de como e com a maior das facilidades fazemos ao outro o que não queremos que estes a nos faça. Trata-se de todos estarmos a viver com um individualismo exacerbado, que nos faz querer derreter as mais elementares regras – algo que achamos não dever ter que existir – de racionalmente minimamente normal entre Pessoas, entre Seres Humanos, que ainda somos.

Estamos numa de vale tudo, desde “que o eu, esteja bem”. O outro que se “lixe”, se eu, e só eu estiver bem.

E tudo o que seja ser amável ou bem-educado está caducado. Já não interessa, é para esquecer. E os sexagenários que viveram esses tempos mais educados, esqueçam, que não se “usa hoje já ”.

Obrigado, por favor, não tem de quê, bom dia, boa tarde, boa noite, faz favor, já não se usam.

Não começar a comer antes do parceiro que está connosco era só o que mais faltava, o “eu” primeiro falar de boca aberta, é fixe, para quê, o não fazer? O outro que não olhe.

Não deixar sair do elevador quem o quer fazer, e empurrar por querer “já” entrar é que resulta. Não se desviar no passeio se vier alguém em frente, e fazer tudo para lhe “mandar” um valente encontrão, é que é fixe. Escarrar ruidosamente para o chão, é excelente, despejar papel que temos na mão no chão, mesmo tendo uma papeleira a um metro, é bestial.

E nem vale abordar temas de trânsito e condução, uma vez que cada um faz o que lhe dar mais conveniência e está feito.

E vamo-nos destreinando de ser civilizados, e vamo-nos tornando todos nuns grandes selvagens, e vamos apoucando as nossas vivências quotidianas, já nem felizes e contentes, dado que a brutalidade, mas também má disposição é patente na face e comportamentos de todos e cada um, a cada dia, em que se vive um dia de cada vez.

E, os sexagenários a caminho dos setentas que se cuidem, dado que se acham que ser minimamente educado ainda tem espaço, bem lhes vai, bem nos vai tudo muito mal correr. Seja! Viva a selvageria, o desrespeito, a desordem, os velhos a serem desprezados, a deseducação, o cada um fazer o que o seu “eu” mais lhe apraz!
Augusto Küttner de Magalhães

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