Início Editorial Quando os Professores Fazem De Pais E Dão Medicação Aos Filhos Dos...

Quando os Professores Fazem De Pais E Dão Medicação Aos Filhos Dos Outros

1472
0
COMPARTILHE

Este podia ser o título de uma notícia de um qualquer jornal. Quem anda nas escolas sabe que o papel do professor ultrapassa há muito a sua sala de aula, todos conhecemos os professores psicólogos, os professores “engenhocas”, os professores assistentes sociais, os professores mecenas, os professores juízes, os professores pais e agora temos também os professores enfermeiros.

Infelizmente não é a primeira vez, nem acredito que seja a última, que vemos professores a fazerem de pais, dando medicação aos seus alunos. Não estou a falar de um simples Ben-u-rom, falo de medicação contínua como as Ritalinas e afins, para alunos com síndromes diagnosticados e que podem tornar uma aula num autêntico inferno.

Para aqueles que leem estas linhas será impensável mas é verdade, como é possível que um pai ou uma mãe possa deixar sair os seus filhos de manhã sem dar algo prescrito pelo médico. Isto é factual, não é uma perseguição aos pais só porque sim. Conheci e conheço casos onde são os professores que dão a medicação aos alunos, ou têm guardado um comprimido SOS para aqueles dias em que nem a medicação tradicional funciona.

A escola inclusiva tem de tudo e por muito bonita que seja a ideia, a realidade sistematicamente mostra as dificuldades de incluir todos, como se todos fossem iguais. O desafio diário dos professores é de extrema dificuldade, só proporcional à heterogeneidade que se senta todos os dias à sua frente. Não é por acaso que se ouve tantas vezes os professores dizerem que o seu sonho é dar aulas, só aulas… Só que os sonhos não passam disso mesmo, realidades fictícias ambicionadas provavelmente por todos nós…

Não nos podemos esquecer que os pais atuais já foram crianças, já foram alunos. Para aqueles que lecionam nas escolas há muitos anos e que já apanharam duas gerações, certamente que não ficaram surpreendidos quando constataram que aquele aluno é filho de outro aluno que tiveram há 30 anos e que tantos problemas deu… Muitos deles ao constatarem a relação familiar até dizem “afinal, ele nem é mau rapaz tendo em conta o pai que teve…”

É dramático mas é verdade, e ao constatar um aluno que precisa de ser socorrido pela escola, mais do que a vontade de contactar a CPCJ, fica a tristeza profunda de sentir o abandono, o desespero da criança e a impotência de mudar uma vida que há muito está condenada…

Claro que muitos dirão que nem sempre a falha parental justifica certos e determinados comportamentos, pois… mas esses são os casos de sucesso e todos sabemos que cada caso é um caso e que cada pessoa lida com a ausência de uma estrutura familiar à sua maneira.

Cabe à escola ser aquilo que a família não é…

Perdão, vou mudar a última frase.

Caberá à escola ser aquilo que a família não é?

(Há dias em que saímos da escola e só nos apetece olhar para baixo…)

Alexandre Henriques

COMPARTILHE

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here