Início Editorial Proponho uma GREVE de ZELO por tempo indeterminado.

Proponho uma GREVE de ZELO por tempo indeterminado.

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Depois de uma greve q.b., julgo que está na altura de pensar diferente e fazer diferente. É claramente visível uma saturação entre os professores de greves de um dia e de manifestações. As greves de longa duração, apesar de muito aclamadas, não são viáveis, pois os ordenados dos professores não permitem certos “luxos” e os sindicatos não devolvem o dinheiro aos seus associados. Proponho por isso uma GREVE de ZELO, esta permitirá manter vencimentos e terá um impacto significativo.

O que é uma greve de zelo?

São a realização mais lenta de um serviço, podendo causar prejuízos ao empregador ou tendo como objetivo divulgar uma causa à população, quando o serviço é público.

Porquê uma greve de zelo?

Pelo simples motivo que os professores dão muito mais do que aquilo que recebem. Esqueçam fins de semana de trabalho, atendimento a pais fora das horas de expediente, trabalho de direção de turma além das horas previstas, preparação de aulas até às tantas, correção de testes enquanto a família relaxa, fichas, relatórios, atendimento a alunos, etc, etc…

Tudo isto e muito mais sai do “corpinho” do docente, acabar com o trabalho de bastidores irá afetar de forma direta todo o processo de ensino.

Mas a minha proposta não fica por aqui, continuo a dizer que é preciso juntar assistentes operacionais/administrativos à luta, e tentar… tentar… incluir os pais nas nossas reivindicações. Se juntar os assistentes operacionais/administrativos não deve ser difícil, incluir os pais é um desafio, mas a tentativa merece ser feita. E claro, os diretores deviam juntar-se à causa, bem como TODOS os sindicatos.

Já perceberam que proponho a força de um coletivo em detrimento das ações aleatórias e muitas delas inconsequentes.  A escola não pode ser defendida por vagas e apenas por alguns, defender a escola é defender professores, assistentes operacionais/administrativos, pais e alunos, defender a escola é reivindicar com inteligência e mostrar que todos estão de acordo no essencial. E não me venham dizer que é impossível… o que falta é vontade e capacidade de diálogo para chegar a um entendimento.

O início da greve de zelo teria início no próximo ano letivo. Até lá, o Ministério de Educação teria de ir ao encontro de muitas das pretensões invocadas pelos sindicatos e que naturalmente concordo, apesar do que alguns pensam e escreveram nos últimos tempos sobre a minha pessoa.

Já sabem que fui contra a greve aos exames, mas não sou, nem nunca fui contra as atuais pretensões dos sindicatos. Existem vários caminhos para chegar ao mesmo destino, eu prefiro outro, se é melhor ou não, cada um tirará as suas ilações.

Eis as minhas principais reivindicações para a greve de zelo:

Descongelamento e Progressão na Carreira

Existe uma clara falta de equidade no tratamento dado aos funcionários públicos. Os agentes de segurança e os juízes, são disso um claro exemplo. Somos TODOS funcionários públicos, existem diferenças, sim, mas o tratamento diferenciado não tem sido proporcional (ver gráfico em baixo).

A questão salarial é por isso prioritária, lembrando que há 10 anos que estamos congelados e pelo menos há 15 anos que perdemos poder de compra. BASTA!

Aposentação/Concursos

Os índices de burnout são elevados nos professores, é imperativo rejuvenescer o corpo docente. Já referi que na impossibilidade de ser atribuído um estatuto especial para a aposentação aos 60 anos com 36 anos de serviço, deve ser dada a opção aos professores de deixarem de lecionar a partir dos 60 anos, permanecendo na escola onde ainda podem ser muito úteis e se possível com um horário mais reduzido (tal como acontece em Espanha).

Os concursos extraordinários devem terminar e devem ser abertas todas as vagas que a escola realmente precisa, num concurso único, acessível a TODOS e pela lista de graduação.

Componente Letiva/Não letiva

Tudo o que é trabalho com alunos deve ser considerado letivo, pois tudo o que é trabalho com alunos implica uma preparação prévia, preparação essa que é feita na componente… não letiva. Isto é óbvio e deve ser assumido pela Tutela.

E lembram-se da redução da componente letiva a partir dos 40 anos de idade? Sim, esta deve regressar como já aconteceu no passado.

Modelo de Gestão

Mais do que o fim da figura do Diretor, importa mudar a forma como este é eleito, a eleição pelo Conselho Geral, é um foco de promiscuidade, interesses e favorecimento a terceiros que urge terminar.

Municipalização Escolar

Não pode avançar, tão simples quanto isso. A escola ficará refém dos interesses autárquicos e irá prejudicar o trabalho dos professores e dos seus alunos. Porquê? Porque quem está nas autarquias não percebe nada de educação e irá utilizar a escola para seu proveito. Mesmo que a Tutela assegure que as competências não irão incluir a sala de aula, todos sabemos que isso irá acontecer.

Pedagogias/Metodologias de Ensino/Exames/Pacto Educativo

Concordo com o caminho que está a ser seguido pelo atual ME, mas é preciso acelerar e aprofundar as ideias atuais, nunca esquecendo que fazer diferente não pode ser sinónimo de facilitismo.

Sobre os exames, é necessário reformular a sua importância no modelo de ensino. As escolas estão formatadas para exames e esquecem muitas vezes qual o seu principal objetivo – preparar alunos para a sociedade em vez de preparar alunos para o ensino superior. 

E para ocorrerem mudanças concretas, urge dar estabilidade às escolas, devemos por isso exigir um pacto entre a escola e o poder político a 10/15 anos, patrocinado se preciso for, pelo Presidente da República.

Disciplina/Redução do número de alunos por turma

A disciplina não pode continuar a ser esquecida pelos nossos sindicatos e pelos sucessivos Ministérios de Educação, é um problema que precisa de ser resolvido ontem e já apresentei várias propostas nesse sentido.

A redução do número de alunos por turma é fundamental para garantir um maior sucesso escolar, esqueçam FÉNIXs, Turmas +, Turmas de Nível e afins. Se reduzirem o número de alunos por turma podem apagar tudo o resto, porque tudo o resto quer a mesma coisa… um ensino mais individualizado.

Esta é a minha proposta, os professores não são acéfalos, nem fazem parte de nenhum rebanho que segue cegamente um pastor. O direito à opinião contrária deve ser aceite, como deve ser aceite o direito de quem quer optar por outras formas reivindicativas. Esta questão é importante e o debate sobre as formas de luta deve ser feito com a elevação que o assunto merece, afinal, somos todos professores…

Alexandre Henriques

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5 COMENTÁRIOS

  1. “Tudo isto e muito mais sai do “corpinho” do docente, acabar com o trabalho de bastidores irá afetar de forma direta todo o processo de ensino.”

    Caro colega, o meu profissionalismo não o permite.
    Sou professora! Não afecto TODO o processo de ensino.

    • Concordo ! além disso uma greve desse género seria o fim ! sim, porque se eu não tiver a aula preparada e todo o material necessário ..os miúdos comem-me viva …. e depois os maiores prejudicados são os alunos e nós próprios ….
      Estou com a colega Ana sou profissional e não conseguiria fazer tal coisa !

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