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Promoção do sucesso promoção do aluno

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menina-triste-escola-materiaEste governo, o XXI (tal como quase todos os anteriores) tem preparada uma estratégia de promoção do sucesso educativo (escolar, melhor dizendo) para implementar no próximo ano. Passa por áreas como a formação, estratégia e metodologia de intervenção, contratualização da ação em rede de parceiros, entre outras que se possam localmente perspetivar.

Direi que há boa maneira tuga há prós e contra que podem ser destacados em face de interesses pessoais, conveniências políticas, lógicas partidárias ou sentidos profissionais. No meio de diferentes interesses, estratégias e objetivos interessa-me destacar a dimensão do sucesso enquanto fator pessoal e individual. Qual o papel da escola e dos docentes no apoio do sucesso pessoal e social de cada um dos seus alunos?

Habitualmente as estratégias de sucesso têm passado por uma fórmula simples, mais do mesmo. Isto é, de acordo com dificuldades identificadas ou os resultados obtidos sugerem-se mais horas e/ou tempos de português e/ou de matemática, num assumido resumo disciplinar do insucesso. Quando se alarga este dueto é para ir a mais do mesmo, salas de estudo disto e daquilo, apoios disto e daquilo. Sempre, quase que invariavelmente, de âmbito disciplinar.

E mais. Se é mais do mesmo, muitas das vezes é também pelos mesmos, numa continuidade (e prolongamento) da ação. Como se, apesar dos comentários e das indicações que os tempos escolares são excessivos neste ponto não o fossem e mais do mesmo daria melhores resultados.

Isto é assim pelas escolas por onde tenho andado e por aquelas que tenho procurado estudar. Contudo, na generalidade dessas mesmas escolas as razões apontadas e invocadas como suporte ou causas do insucesso pouco se relacionam com as áreas disciplinares. Raramente encontrei na análise do insucesso indicações quanto a métodos ou objetivos disciplinares, estratégias ou formas de compreensão do objeto em estudo, suas caraterísticas e particularidades. Na generalidade das situações, as causas apontadas para o insucesso (e que se relacionam estreitamente com os comportamentos) dizem respeito ao que designo como santa trindade do insucesso, desinteresse, indiferença, alheamento. Esta triangulação tanto se expressa por disciplinas, como por docentes, tanto pela escola como pela falta de sentidos pessoais.

Vai daí não seria interessante criar formas de promoção do sucesso escolar que passassem pela criação de sentidos e objetivos de vida ao aluno? Não seria muito mais interessante promover formas e estratégias de apoio ao aluno para que ele consiga perceber e pensar quais os sentidos da escola, definir objetivos pessoais, agir socialmente em conformidade envolvendo-se com a vida e não apenas com a escola?

Relacionar insucesso escolar com conteúdos e práticas disciplinares é escasso em medidas de promoção do sucesso. Bem que se podiam perspetivar e analisar a alteração de instrumentos de avaliação, da organização dos tempos curriculares, privilegiar dinâmicas de envolvimento local (desde a história à ciências, passando pela geografia, matemática e todas as restantes) em processo de conhecimento como de dinamização de ações. Que tal equacionar o envolvimento social em dinâmicas escolares e pedagógicas, como sejam a promoção de ações em torno da cidadania, do civismo, do empreendedorismo social.

OU seja, considero essencial a necessidade de pensar e implementar outras estratégias de promoção do sucesso que não passem por mais do mesmo e pelos mesmos. Esta reforça a indiferença e o alheamento. Equacionar outras poderá levar mais tempo mas certamente que existirão outros resultados (escolares e, muito particularmente, sociais).

Manuel Dinis P. Cabeça

16 de maio, 2016

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2 COMENTÁRIOS

  1. Não esqueçam, essencialmente, que há docentes (falo do 1º ciclo) que se realmente se empenharam, e têm hoje mais de 57-60 anos de idade dificilmente poderão, apesar do esforço, continuar a exercer com o mesmo rendimento e quem tiver opinião contrária não sabe nem deve opinar. O desgaste não perdoa e o envolvimento é demasiado… não esperem milagres.

    • se fossem apenas os docentes de 1º ciclo a estarem assim, todos os demais poderiam fazer compensações, o problema é que estão todos na mesma, cansados, esgotados, desiludidos, defraudados, isolados, distantes do parceiro, a léguas do vizinho;
      por que sei do que falo e não me cinjo a um ou a outro ciclo, opino sabendo que as opiniões valem o que valem;

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