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Professores Uma Questão De Somenos

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“ 942… só faltam 3 números para fazer um número de telefone!”

Foi esta a resposta, jocosa e subliminarmente displicente, que o Professor Marcelo deu aos professores que o aguardavam, empunhando um cartaz com a frase “942- Não desistimos”.

Não Senhor Professor! Lamento mas, a faltarem, seriam algarismos e não números. É evidente que não sabe a diferença entre algarismo e número (os números são constituídos por algarismos). Ensino isso aos meus alunos do 2º ano do 1º ciclo do ensino básico e, “pro bono”, posso enviar-lhe os respetivos materiais de apoio. Ajudá-lo-ão em matéria de rigor matemático.

Bem sei que a sua “praia” (desculpe-me a expressão, mas utilizo-a porque sei o quanto o meio aquático é prazeiroso para si), são beijinhos temperados de abraços, preferencialmente complementados pelas tão desejadas selfies. Mas não Professor! Nós, professores, classe à qual pertence também, não esperamos de si abraços e beijinhos, apesar de sermos, sem dúvida alguma, a classe mais osculada e bem, pois diariamente somos presenteados com dezenas de beijos e abraços, esses sim verdadeiros em afetos e empatia. O tempo que vivemos na Escola Pública, no ensino e na educação em geral não deveria ser pautado por desencontros (de vontades), sendo vital o trabalho conjunto que nos permita refletir, discutir e agir. O modus operandi com que, quer o Governo quer o Ministério da Educação, têm recorrentemente tratado a classe docente fragiliza a Escola Pública, votando à insignificância questões fraturantes, que urge ver resolvidas. O diálogo político com os vários intervenientes educativos está no cerne da educação em democracia. A educação, a formação e o ensino são temas que merecem ser analisados num contexto de discursos e de ações que os influenciem positivamente e que, numa perspetiva de concertação, os enriqueçam. Enfrentá-los com dignidade política e verdadeiro sentido de Estado exige condições, investimento, atenção e sincera preocupação. Lamentamos não nos revermos em si, nem tão-pouco no ministro que nos representa (mal, pessimamente). Lamentamos profundamente que a questão da educação seja atualmente uma questão de somenos para si. Lamentamos que nos use como namoro político com um Governo que há muito deixou de representar cada cidadão que (não) o elegeu e que (não) representa.

Esperávamos muito mais de si Professor! Pena que tenha olvidado tão lestamente que também já o foi, um dia não tão longínquo.

Florbela Mascarenhas

Autor: Paulo Serra
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3 COMENTÁRIOS

  1. Durante a ameaça de demissão do primeiro ministro o presidente esteve, cobardemente, calado. Agora, quis fazer-se de engraçadinho… Isso resulta com parolos. Não com uma classe instruída e culta. Perdeu por completo a noção da realidade.

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