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Professores Gastam Demasiado Tempo A Gerir Comportamentos E Têm Menos Tempo Para Preparar Aulas

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Está tudo ao contrário e não é por falta de aviso. A indisciplina em Portugal tem sido um tema tabu há demasiado tempo e nem mesmo quando os professores levam umas chapadas valentes, o Ministério da Educação, o Governo, os sindicatos em geral e os diretores escolares, fazem deste tema uma prioridade na Educação. A negação de uma realidade é o primeiro passo para manter tudo como está e em Portugal, a indisciplina é atirada para debaixo do tapete, de modo a ser gerida inclusive com mordaças nas bocas das vítimas.

Outra das conclusões que me chamou à atenção é o facto de os professores terem menos tempo para preparar as suas aulas. A burocracia escolar é um dos sintomas de uma doença sem cura à vista, onde a quantidade de relatórios, planificações, critérios inclusivos com perfis e aprendizagens essenciais populam pelos gabinetes e afins.

O controlo é excessivo e o motivo é só um, apesar da autonomia escolar, o professor não tem autonomia para realizar uma tarefa, sem ter que fazer o relatório A, com a planificação B, ou inscrição na Plataforma C. O “complicómetro” é um mal enraizado nas escolas, onde os próprios professores são também responsáveis pelo estado a que as coisas chegaram.

Por fim uma palavra para a falta de formação dos professores para alunos com necessidades especiais. É um facto! A maioria dos professores não foi ensinado a ensinar alunos com necessidades educativas e as formações que existem não são suficientes. A inclusão obriga a um trabalho transversal entre pares e parte desses pares não está preparado ou até sensibilizado para determinados sintomas dos alunos.

A nossa Educação é um exemplo clássico de prioridades mal definidas. Uma casa começa a ser construída pelos alicerces, mas as nossas reformas educativas começam invariavelmente pelo telhado, à pressa, sem uma estrutura que a sustente a médio e longo prazo, obrigando aqueles que aplicam tudo no terreno, a andar atrás de ventos ideológicos, concordem ou não com estes.

Primeiro deve-se ouvir quem ensina, quem está no terreno, depois deve-se chegar a um entendimento político sobre uma reforma educativa para dar estabilidade à escola, depois ensina-se quem ensina e só depois passamos ao cliente final, neste caso o aluno. Isto é fazer as coisas com cabeça, tronco e membros!

E depois admiram-se que não há candidatos a professores e os que cá estão pensem inclusive em mudar de profissão…

Alexandre Henriques

Professores portugueses entre os que gastam mais tempo de aula a controlar presenças e comportamento dos alunos

Resultados do inquérito TALIS, da OCDE, mostram que só 73,5% do tempo de aula no ensino básico é dedicado a actividades de aprendizagem. Outra conclusão: professores precisam de formação para lidar com alunos com necessidades especiais.

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