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Professores divididos quanto à Flexibilização Curricular

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A sondagem realizada pelo ComRegras mostra a fratura que existe nos professores sobre a Flexibilização Curricular. Pessoalmente não fiquei surpreendido com os resultados, pois há muito que constatei que professores, restante comunidade educativa e Ministério da Educação, não se entendem quanto à ideologia a aplicar em contexto escolar.

Ao longo destes anos, constatei que de um lado temos quem defenda uma ideologia “fofinha”, onde o aluno tem uma postura ativa, flexibilizando-se metodologias e formas de avaliação, visto por muitos como um facilitismo encapotado. Do outro lado, temos quem defenda a ideologia do “chicote”, onde o aluno é figura passiva e o professor assume o total domínio da sala de aula, obrigando os alunos a adaptarem-se a este se quiserem “sobreviver”.

Esta constante irregularidade, esta constante “guerrilha” interna e externa, é o resultado da incapacidade de todos em criar consensos, com evidentes prejuízos para a Escola e que não permitem analisar/avaliar resultados a médio/longo prazo.

A Escola é um mundo de virtudes, mas é também um mundo picuinhas, de pouco diálogo construtivo e com muita azia entre os seus intervenientes.

Tal como no futebol, quando a clubite sobe à cabeça e quando a nossa opinião é a única opinião, quebram-se consensos, quebram-se pontes de diálogo e a Escola fica refém, indecisa, perdida… Ironicamente, são os mesmos que depois vão criticar a escola pelas constantes mudanças, esquecendo-se que são eles os principais responsáveis pois não conseguiram perceber que a solução não passa nem pelo 8 nem pelo 80

Ficam os resultados.

Alexandre Henriques

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5 COMENTÁRIOS

  1. Bom dia, Alexandre.
    Penso que a questão é geral de mais para um assunto desta importância.
    Até porque não sabemos quem é que respondeu: se são professores que estão a lecionar em escolas que aderiram ao projeto ou não. E isso pode fazer a diferença!
    Por outro lado, as várias escolas optaram por projetos diferentes, com maior ou menor flexibilidade e mais ou menos abrangentes.
    Declaração de interesse: o meu Agrupamento aderiu ao projeto! E eu defendo-o!
    No meu entender, este projeto não é mais que permitir à Escola tomar opções na organização e gestão do currículo, não impondo nada a não ser a introdução da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento (que muitas escolas já ofereciam, com outro nome, na OC ou dada pelo DT) e de TIC no 5º ano. De resto, é aberto: permite muita coisa!
    A partir daí, podemos juntar disciplinas, torná-las semestrais, etc., conforme o que a escola considerar mais produtivo.
    No nosso caso, quem define o projeto é cada Conselho de Turma, face às características dos alunos e dos professores. Assim, pode envolver todas as disciplinas em trabalho colaborativo, só duas, misturar Portugês e Físico-Química numa turma, Matemática e Educação Física noutra, etc.
    Utilizamos disciplinas semestrais (já o fazíamos, com sucesso) e aprendizagens essenciais (também já tínhamos, com sucesso), tudo decidido sempre pelos professores e pela escola.
    Penso que, se for dada a hipótese aos professores de escolherem, alguns continuarão a optar pela aula tradicional, mas a maioria optará por poder decidir como gere o currículo e o programa.
    Obrigado pelo bom trabalho.

    • Caro António, sou um dos que não precisa de ser convencido sobre as vantagens da Flexibilização Curricular, apesar de reconhecer que existem perigos… Sobre os votantes da sondagem, são os leitores do ComRegras e como deve calculador são na globalidade professores.

      Cumprimentos.

  2. Sou professor e concordo com o que o Alexandre escreveu. Só tenho pena que tenha optado por escrever com a ortografia mutilada deste (des)acordo ortográfico, atentado ilegal e inconstitucional à língua portuguesa e que vai contra as mais elementares regras da etimologia e até da fonética.

  3. O inquérito promovido pelo Alexandre Henriques tem mérito (aqui gosto da palavra…), mas tenho dúvidas, são apenas impressões que recolho de colegas de vários agrupamentos, que a maioria dos professores é contra a flexibilidade curricular quando ela é apresentada como a panaceia que há-de resolver todos os males e, pior, muitos do que as defendem, fazem uma análise absolutamente errada do que é, agora, a Escola Pública Portuguesa. Mais: os docentes têm pouquíssimo respeito por alguns académicos que aparecem a dar a cara por projetos, que aconselham, numa atitude maternalista, indivíduos que têm um saber de experiência feita, a maioria com largos de experiência, e que não aceitam receber lições sobranceiras, mas mascaradas, de gente gongórica e redundante: nunca puseram os pés numa sala de aula, nem fazem ideia do que é dar aulas em ambientes extremamente complexos…
    Pior é que em muitos dos agrupamentos, onde foi implementada a bendita experiência, os professores não foram ouvidos coisa nenhuma! Estão a brincar comigo? Mas querem-me fazer de estúpido? Preparam as coisas num concluio de amigos das direções passam-no ao pedagógico e implementam-no por gente de mão do diretor… Isto porquê? Porque não há democracia , coisa nenhuma nas escolas; porque as direções se anicham a autarquias para fazer valer as suas ideias… porque as autarquias se encavalitam nas direções para fazer política… Porque os autarcas estão mais preocupados com a festa, com o que dá nas vistas, do que com a Pedagogia e o Conhecimento… Para que isto não fosse assim era necessário mexer na lei que elege direção; conselho geral e pedagógico… Mas aí , diz o governo que é muito democrata, não se mexe! Como somos todos contra o extenssíssimo currículo , mas não se toca no dito!!!. É uma refinada e visível hipocrisia!
    Quanto aos exemplos que conheço, de implementação da modernidade do flexível, é tudo muito mau, pior, ,muita ignorância; muita brincadeira com os filhos dos outros, muito brincar à Escola Moderna… só com um problema…Não são , filhos da Escola Moderna, são adoptados , por conveniência própria; São , agora, todos pela Escola da Ponte, desconhecem as motivações do que fez a Escola da Ponte; não são o José Pacheco… Para se fazer um Projeto Pedagógico doutra natureza é preciso conhecer-se, mais , é necessário acreditar-se naquilo que se faz… que há uma necessidade real, num mundo verdadeiro que precisa que algo mude… Tudo o resto são paredes caiadas de casas velhas, onde tudo acabará por ruir! Como se chama Humanismo? Se não somos Humanistas? Como se chama Liberdade? Se impomos e apontámos dedos? Como falámos em igualdade ? Se criámos , sub-repticiamente, mecanismos de discriminação? Como falamos em Conhecimento? Se aquilo que produzimos é apenas burocracia para justificar a nossa pretensa majestade?
    Sim, é preciso mudar verdadeiramente a Escola… a partir do topo!

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