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Professora agredida em ajuste de contas entre alunas

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A informação chegou via email ao ComRegras pela própria professora com pedido de divulgação mas com reserva do nome dos envolvidos e da própria escola. É lamentável o que aconteceu e louvo a professora que tentou proteger a aluna e pediu ajuda, sem ela tudo teria sido pior. Foi apresentada queixa na GNR e a professora teve de ir ao Instituto Médico Legal.


*****, 7 de Novembro de 2017

 

De: ********, professora em serviço na Sala de Estudo

Para: D.T. do 5. º E,

          Coordenadora do SPO

          Coordenadora do Ensino Especial

          Encarregada de Educação da aluna do 5º E 

 

Com Conhecimento:

Diretor da *****

Presidente do Conselho Geral

GNR da ****

 

Relatório de Ocorrência

 

Entrei às 13:25, Sala de Estudo (sala na antiga Casa da Cultura da ****), para realizar as tarefas que me estão incumbidas durante os 90’ do meu horário de terça feira de tarde.

Tudo estava a correr normalmente (registo de alunos, rapazes e raparigas, cerca de cinco, que até lá se deslocaram para estudar. De repente entra uma aluna, alvoraçada que vinha a correr, parecia vir a fugir, aos gritos a dizer, que uma outra lhe vinha bater …. Tudo muito rápido, (ainda não tinha dado para entender o que se estava a passar) e entra uma outra aluna com comida: batatas, sumo e … (o que não deixa de ser estranho:  como é possível passar pela porta principal, deslocar-se até à sala a comer, pois é ainda necessário percorrer um corredor),   a dizer que estava farta da outra rapariga e que: ”agora ela vai levar”. Tudo de repente, rápido mesmo, fui na direção da 2.ª aluna para lhe dizer que não podia estar ali a comer … fui completamente ignorada e dei comigo a tentar evitar o pior:  a 2.ª aluna só queria mesmo bater na 1.ª, nada ouvia, tinha a cara estampada de “raiva” de … não sei … de que nada a deteria, que iria mesmo bater na .1ª …  A 1.ª aluna escondia-se atrás de mim e eu tentava controlar a 2ª, evitei pontapés mais fortes, evitei uma agressão mais rápida e direta mas a 2.ª aluna não parava, pelo que tentei dizer à 1.ª aluna para sair da sala (enquanto ainda eu estava entre as duas) e a 2.ª aluna cada vez mais determinada do seu propósito, não parava, já me dava encontrões, …, tentou desviar-me à força e uma mesa veio em minha direção (tenho a perna, parte superior magoada) … sem saber o que fazer, tentei sair, para pedir ajuda, por não saber lidar ou travar tremenda ira, mas quando tentei sair da sala (apenas cheguei à porta), a 2.ª aluna agarrou a 1.ª pelos cabelos, pelo que desisti de sair da sala e novamente tentei defender a 1ª aluna, colocando-me o mais possível entre as duas, mas a força da 2.ª era tanta e de tal forma estranha que, arrancou uma enorme mecha de cabelos à 1.ª aluna, foi então que gritei mais alto e pedi a um dos alunos presentes (até então tinham permanecidos, quietos e mudos) que fossem chamar alguém, ordem que foi acatada por uma das alunas, …, Entretanto a 2.ª aluna acalmou estranhamente, balbuciando: agora estou mais calma,  continuei à sua frente a dizer para parar, para acalmar, …, sem acreditar no que se tinha passado enquanto a 1ª aluna chorava …

Chegou a D.T, a E.E. da aluna (parece que estavam em reunião), a D. ***** (chefe das funcionárias e outra funcionária que não me recordo do nome. Entretanto também chegou a professora *******. Todas foram testemunhas da enorme mecha de cabelo que estava no chão … A 2.ª aluna foi levada pela D.T e pela E.E, já numa fase de calma aparente, eu pedi à D. ******* para guardar o cabelo arrancado (era imenso) e fui até à Direção, mas sem encontrar ninguém, desabafei com a professora ****** e com o professor ****** que apareceu entretanto, …

Quero deixar registado, que: a E.E. sugeriu que fosse chamada a Escola Segura, e que me pareceu sem saber como lidar com a situação, mas que não seria novidade. Em 27 anos de serviço nunca assisti a uma agressão tão violenta, tão fria, tão premeditada, tão estranha no sentido de só terminar após a consumação do mesmos, após constatar que bastante cabelo da vítima está no chão …

Estou chocada, nervosa, triste, …, não pela ausência de respeito, não pelos encontrões, não pela dor que tenho na perna, mas porque vi ódio, vi agressão gratuita como existem nos filmes e, desta vez eu estava lá.

Tenho a certeza que a 2ª aluna não está bem, ou se alguma vez o vai ficar, mas a verdade é que uma escola deve ter segurança … Pensei nos meus filhos, pensei no meu ***,  o meu filho que é deficiente, e que foi alvo de gozo, chacota e  até agressões. Uma escola deve ser inclusiva, sou a 1.ª a defender tal estatuto,  mas a inclusão não é sinónimo de agressão, de rebaldaria, de pena extrema de uns e não defesa de outros … uma escola deve ser também e essencialmente um lugar seguro, …

Pedi aos alunos presentes o relato da ocorrência.

Espero que estes relatos conduzam ao encontro de uma solução, que espero que passe por impedir que alunos possam ter estas explosões de raiva, ódio, (mesmo no caso de serem mais ou menos saudáveis, mesmo no caso de tomarem mais ou menos medicação).

Espero também que venha a existir uma reflexão sobre a entrada e condições de entrada neste novo pavilhão.

Mais tarde tomei conhecimento que a 1.ª aluna se chama ***s e a 2.ª ****.

Professora ***********

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