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Sou Professor! Não faço GREVE a exames!

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Há limites! Nem todos os meios podem ser utilizados para fins corporativos! Uma greve aos exames é um tiro nos pés que prejudicará a imagem de todos, inclusive dos que a estão a promover.

Como é possível que em consciência, os representantes dos professores (FNE e FENPROF) possam de forma premeditada e em conluio, prejudicar a essência da sua existência, os alunos. Uma greve afeta sempre terceiros, é um direito sim, mas a escolha dos exames foi para causar o maior estrago possível. É um ato cobarde que coloca os alunos numa posição de reféns!

A minha estupefação é ainda maior, quando TODOS sabemos que os diretores vão convocar TODOS os professores para o serviço de exames, e em último caso, serão decretados serviços mínimos. Portanto, esta greve vai valer ZERO!

O objetivo é apenas um, fazer barulho, criar alarido e mostrar a quem anda a dizer que os sindicados não fazem nada que estão efetivamente a fazer alguma coisa. Tretas!

Não tenho pachorra para folclores, sou professor de sala de aula, não sou professor de desfile que já nem se lembra do que é dar uma aula. É por estas e por outras que lamento todos os dias a inexistência de uma ordem ou conselho superior, que pense escola pela escola.

Isto é tudo política pura, os sindicatos independentes (ligados ao PSD) marcam uma greve (dia 14) para tirar palco à FENPROF e FNE, a FENPROF, um PCP camuflado, tem perfeita consciência do que vai acontecer e até onde pode ir o Ministério de Educação. Lembro que o PCP apoia o atual governo… E a FNE… bem… a FNE deve andar meia perdida, pois tem umas costelas PS que devem estar a fazer curto-circuito neste momento…

Então o que fazer?

Em vez de andarem a brincar às greves (lembro que vamos ter duas seguidas, dia 14 de junho e 21 de junho), que tal agregar a comunidade educativa em prol de um objetivo comum – uma escola de qualidade! Uma escola de qualidade só pode existir com professores de qualidade e professores de qualidade precisam de ser reconhecidos e tratados como tal.

Proponho uma cimeira ao mais alto nível, com pais, professores, diretores e assistentes operacionais. Se todos estiverem do mesmo lado e definirem formas de luta, o governo vai constatar que não se trata de “birras” ou egos inchados, mas sim de um interesse efetivo pela escola.

Um comunicado comum, uma manifestação comum, uma greve comum e com o apoio de todos os membros da comunidade educativa, teria um impacto muito superior do que uma greve aos exames. Mas para isso acontecer, é necessário uma postura de RESPONSABILIDADE, uma postura de Estado, homens de “H” grande.

Ser professor é uma profissão de grande nobreza, é algo mais do que uma profissão, é uma forma de estar na vida. Não podemos passar o tempo a “chorar” que não nos dão a devida importância quando temos atitudes que mostram que nos estamos lixando para os alunos. Não aceite este caminho, não aceito ser usado para este caminho, sou Professor, não faço greve a exames!

E para quem quiser pode ver os resultados da sondagem Concorda com a GREVE de Professores marcada para o dia 21 de junho?

Nota: esta tomada de posição é pessoal e não vincula qualquer colaborador do ComRegras.

Alexandre Henriques

Pais e directores contra greve de professores em dia de exames

(Clara Viana – Público)

Atualização:

E reparem bem ao ponto que chega a falta de seriedade de Mário Nogueira…

Fenprof: exame nacional “pode perfeitamente” ser noutro dia

(Observador)


Com os serviços mínimos decretados, o que muda na GREVE dos professores?

(16-6-2017)

40 COMENTÁRIOS

  1. Eu sou professor e não faço greve.
    Mas não por ser uma greve as exames. Aí acho normal. Sendo certo que neste caso os alunos faziam exame na mesma.
    No resto concordo com quase tudo. Então depois do texto da fenprof em que se verifica mesmo que só lá vão porque tem de ser…

  2. “Proponho uma cimeira ao mais alto nível, com pais, professores, diretores e assistentes operacionais.”

    Parece-me uma excelente ideia! Só quando todos perceberem as motivações, problemas, pontos de vista e frustrações dos outros é que vamos parar de dizer que a culpa é dos outros e pensar no que posso mudar para ultrapassar o problema.
    Parabéns Alexandre! Força!

  3. Um exame ajuda a definir a Vida de um aluno (11º /12 º ano).
    A responsabilidade profissional/cívica/social de cada um de nós, tem de estar acima de outras coisas também muito importantes.
    Os sindicatos não podem ser opacos à vida dos alunos, senão tudo isto deixa de fazer sentido. O cooperativismo é um bem, quando trabalha pelo BEM.

  4. Quer parecer-me que o colega mudou de opinião depois da reunião de ontem onde Fenprof e Fne afirmaram o pré-aviso de greve para 21.
    Talvez esperasse um melhor resultado das negociações…..
    Mas o que me entristece mais é o título deste post.

    Espera 1 consenso alargado de pais, directores, professores, AOs e comunidade educativa envolvente sobre as questões profissionais dos professores?
    Eu não.

  5. “Ser professor é uma profissão de grande nobreza, é algo mais do que uma profissão, é uma forma de estar na vida.”
    Parabéns, Alexandre e a todos quantos ainda acreditam! Também já fui assim! Também partilhei desse idealismo! Contudo, depois de 40 anos de ensino, depois de ter assistido ao desmantelar dessa nobre utopia, tornei-me mais realista… A sociedade, os pais e os alunos revelam uma indiferença total em relação aos nossos problemas mais prementes: turmas com 30 alunos, indisciplina, horários sobrecarregadíssimos, indistinção entre as componentes letiva e não letiva, burocracia extrema… Há um silêncio ensurdecedor sobre tudo isto! São sinais dos tempos que correm!

    • O problema é que hoje em dia fica mal dizer estas coisas, somos logo apelidados de líricos… Talvez o que falta mesmo é tentar certas coisas sem ter medo dos carimbos…

      • Continuo fiel à minha ética profissional e a dar o melhor pelos meus alunos. Faço-o também por mim para me sentir bem com a minha consciência. Mas o sentido da realidade fez-me perder as utopias pedagógicas e, talvez por isso, não alimento grandes ilusões quanto a alunos, pais, tutela e sociedade…
        Há todo um inexplicável ressentimento contra a classe docente que, aliás, em tempos não muito longínquos foi largamente fomentado. A sanha não se manifesta de forma tão irracional como quando são os médicos ou os magistrados a fazer greve. Fica mal afirmar isto?

    • Se quisesse fazer “panelinha” não te tinha convidado para esta casa. A liberdade de opinião tem destas coisas, uma vezes estamos de acordo, outras não…

      • Tudo concorda com as reivindicações, todos, o problema é que poucos concordam com as ações e assim não vamos a lado nenhum.
        Os médicos fazem greve não se importam com as cirurgias, os enfermeiros fazem a mesma coisa , só nós é que estamos muito preocupados porque os meninos não podem fazer exame outro dia.
        Eu faço greve a tudo e em qualquer dia, pouco me importa o que os pais pensam, isto é o que penso ao fim de 45anos de serviço.

        • O colega tem toda a razão… Mas com os médicos ninguém se mete , têm de facto força política! Não percebo qual o problema em adiar os exames… Os professores têm de levar com tudo, calar, e depois arranjar um ”diazinho” jeitoso, para todos, menos para os professores, para fazer greve! Depois de muita conversa fiada, consultas aos professores, promessas vagas, reduções de currículo, o que vai ficar é o ” tudinho na mesma”… Melhor, não será o tudo na mesma que é preciso empochar uns milhões para formação da UE e criar uma urgente necessidade de mudança… A escola estar obsoleta e torná-la muito moderna parece-me um bom mote para justificar uns milhões!

  6. Vai negociar questões profissionais dos docentes, questões profissionais, friso, com associações de pais? Alexandre Henriques sabe o que é um sindicato? Para que serve? O que representa? Desculpe, mas não me parece…

  7. “Nem todos os meios podem ser utilizados para fins corporativos!”

    Outro termo que me tira do sério: “fins corporativos”

    E o Alexandre afirma concordar com eles, os fins corporativos.

  8. “Ser professor é uma profissão de grande nobreza, é algo mais do que uma profissão, é uma forma de estar na vida.” Não podia estar mais de acordo. Por isso faço as greves todas e mais algumas que os sindicatos decretarem. A minha ambição é que um dia decretem uma por tempo indeterminado. Já chega, Alexandre Henriques! Paciência tem limites. Já viste bem para que é o nosso sacrifício?!!!!!!!! Para pagar trapaças, corrupção, branqueamento de capitais… e ainda dizem que a culpa é nossa?!!!!!
    Os médicos, quando fazem greve, mexem com uma coisa bem mais importante do que a Educação. E fazem-na! Nós andamos para aqui divididos… e quanto mais divididos andarmos mais eles esfregam as mãos de contentes.

    • Anabela, tens toda a razão, mas não aos exames… os miúdos não têm culpa. Este é o meu limite.

      E sobre a divisão, não achas que os sindicatos sabem que era exatamente isso que ia acontecer. Convocar 2 greves seguidas, convocar uma greve para o dia de exames e depois ter a lata de dizer que o ME pode mudar o dia do exame.

      Não era suposto os sindicatos agregarem.

    • Esta é a verdade!
      E digo mais: é tudo uma questão de prioridades. Aparentemente, não há orçamento para, pelo menos, aligeirar a carga horária dos professores. Mas, em contrapartida, a verba para o programa de educação de adultos é de monta.

      • Jak. Temos todos obedecer à FNEPROF como uma cambada de acéfalos? Mas vamos ver como vai correr a greve… isto se não for desconvocada antes.

        • Você é quem refere “obediência”, porque será? E se a greve for desconvocada (e esperemos que sim, era bom sinal), verá nisso sinal de fraqueza? Ou que foi tudo folclore? Já estou a ver o filme, por antecipação. Mas isto sou a falar.

  9. Eu sou a favor da liberdade de opinião e lembro-me de ter sido severamente insultada na altura da PAC – porque a fiz, embora não concordasse com ela, mas expus os meus motivos de uma forma válida e objectiva. E vem isto a propósito deste artigo. Concordo com com quase tudo por aquilo que os professors lutam mas, desta vez não acho correcto. Também não sou daquelas fanáticas que acha que greves não devem ser feitas mas, na minha opinião, uma coisa é uma greve num dia de aulas normal, outra é uma greve em dia de exames. Entendo quem concorda e quem a faz. Mas espero que também entendam quem se recusa a fazê-la.

    • A questão central não é falar de professores “superiores” ou “inferiores”, o foco deve ser o caminho seguido pelos sindicatos, considero-o um caminho desajustado que não terá qualquer efeito pelos motivos que já invoquei.

      A questão dos valores da profissão vai ao encontro dos que escrevem sem pudor que o objetivo desta greve é prejudicar ao máximo os alunos. Eu li isso… ninguém me contou.

      Um abraço 😉

  10. Eu fico à espera que os assistentes operacionais façam greve. É tão mais cómodo. A gente não desconta e não dá aulas…..

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