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Professor faz 126 participações disciplinares e escola propõe o seu despedimento

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É a primeira vez, nunca tinha visto uma escola abrir um processo disciplinar e ainda por cima pedir a pena máxima (despedimento), a um professor que “abusou” da medida disciplinar de saída de sala de aula.

Naturalmente que colocar um aluno na rua como forma recorrente de combater a indisciplina na sala de aula, significa por norma uma incapacidade grave do professor em gerir os seus alunos, e/ou uma incapacidade destes de cumprirem as normas básicas de conduta em contexto escolar.

Porém, chegar ao ponto de pedir o despedimento, pelo “simples” motivo de um professor aplicar muitas vezes a ordem de saída de sala de aula, deixa-me perplexo. Claro que desconheço em pormenor a situação, mas já fiz processos disciplinares a professores e conheço as sanções, as agravantes e atenuantes. Por isso, colocar assim, preto no branco, num relatório oficial, que a medida disciplinar solicitada para os excessos do docente, foi o despedimento, é algo que devia fazer pensar quem escreveu, quem aprovou e quem publicou este relatório que já tem 7 anos de existência…

Este relatório encontra-se disponível no site do Agrupamento Luís António Verney e podem consultar aqui.

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9 COMENTÁRIOS

  1. Essa será uma atitude que muitas escolas apreciarão- não há participação, não há indisciplina.
    Não havendo indisciplina, está tudo ns paz dos anjos e temos uma escola exemplar!

  2. Nada no aqui exposto constitui fundamento legal para propor uma pena de despedimento!
    E, mais não me apetece dizer pois se com base nesta “coisa” efectivamente se pediu a pena de despedimento (o que não posso, mesmo, acreditar), então muitas outras “questões” se poderiam equacionar quanto à acção ou, eventualmente, omissão desta … por parte de diversificados outros agentes/actores que também têm deveres e responsabilidades… e… quiçá conduzir a actuações posteriores…

    Que já ouvi (sem conhecimento próprio ou próximo) existirem, por aí, escolas/estruturas/direcções que exercem pressões para que os professores aguentem toda a humilhação, indignidade e que se lixem para a liberdade dos outros alunos em aprender dentro da sala de aula, … ai, já ouvi, já! E, normalmente, são escolas básicas (sem secundário)…

  3. …ufa! até pensei que era eu! e não concordo com essa atitude, pois o próprio diretor deixou chegar a esse ponto e não atuou eficazmente. ou por desconhecimento, ou, por… incompetência!

  4. Basta ter 126 alunos para fazer 126 participações. Nunca dei aulas em escolas assim, mas há turmas inteiras em que os alunos são incapazes de cumprir regras e o professor não consegue fazer o seu trabalho, por mais que invente. Não sei se as 126 participações foram no mesmo ano letivo, se foram, o professor devia ter rezado a oração da sapiência: saber distinguir entre o que pode ser mudado e o que não pode, e mudar de escola. É uma sorte, há anos letivos, com turmas inteiras de alunos cumpridores e há anos que não. Razões para as participações por vezes não faltam, existem professores que fazem “vista grossa” (os alunos habituam-se e depois não querem outra coisa) outros que não têm princípio de realidade, e outros que são inflexíveis. Não sei o que se passou, mas se foi o terceiro tipo de professor, é grave que o despeçam por isso, teriam que despedir também o árbitro de ténis português mais famoso da temporada.

  5. Por amor de Deus, porque se evita tocar naquilo que deve ser tocado:
    Por que não se coloca a hipótese de a Direção não ligar nenhuma às participações do professor e os alunos, ao se aperceberem disso, se comportarem, obviamente, cada vez pior.
    O despedimento foi o golpe final.
    Eu sei do que falo; sei que em muitas escolas há os professores mal amados… Claro que não conheço este caso concreto.

    • Sim, é evidente que há muito amadorismo nas direções das escolas, para não falar de deformação, e até de atitude deliberadamente persecutória, o professor é muitas vezes vitima de assédio moral. É muito fácil instigar os alunos contra um professor, pelas razões mais diversas. Também eu não conheço este caso. Mas sei como é difícil a tarefa de educar, pois muitas vezes quem superintende não tem uma cabeça muito diferente da dos alunos e a hierarquia dá cobertura automática a quem superintende. É o professor que se vê isolado, sujeito a julgamento sumário na praça pública, depois lá vem a via sacra do obscuro direito administrativo. Isto justifica que os professores, por vezes, compactuem com o mau comportamento dos alunos e sejam disciplinadores “light”

  6. Eu trabalhei numa escola em que não podia convidar um aluno a sair da sala, qualquer que fosse o motivo, cheguei a ser agredida fisicamente. Vários colegas foram despedidos porque uma turma em particular decidia fazer apostas para ver quanto tempo é que aquele professor (a) iria aguentar.
    Foram anos de uma violência psicológica extrema para o corpo docente, partiram o carro a uma colega, os insultos e provocações eram constantes.
    A direção foi sempre omissa. A responsabilidade era única e exclusivamente do professor.
    Aguentei, como muitos aguentam, porque tinha dois filhos e nenhuma retaguarda familiar.
    Indigno-me profundamente com a forma como a indisciplina é tratada nas nossas escolas.

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