Início Editorial Ó Stôr… Ainda não sabe??? Quem manda na escola somos nós!

Ó Stôr… Ainda não sabe??? Quem manda na escola somos nós!

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Foi dito assim, sem meias medidas, de peito cheio e olhos nos olhos. Foi a resposta que recebi há uns anos quando confrontei os alunos sobre certo tipo de comportamentos.

Estavam com as costas quentes, sentiam-se amparados, sabiam que quando faziam queixa de um professor, o professor tinha problemas e sabiam que quando um professor fazia queixa eram chamados à direção e saiam de lá com um… “vá meninos… não arranjem problemas… olhem que para a próxima…” Mas a próxima nunca era a próxima.

É impossível trabalhar numa escola onde não existe autoridade, onde não existe uma consequência para a conduta imprópria, onde a selvajaria é aceite pela incapacidade de dizer BASTA!

Tenhamos a consciência, principalmente aqueles que nunca estiveram numa sala de aula, que é insuportável lecionar sem um clima propício à aprendizagem, ainda para mais quando os alunos se julgam intocáveis, numa altivez que tira o sério a qualquer um. Não há sentimento pior para um professor, que sentir-se manietado e impotente para resolver algo que já ultrapassa a sua esfera de competências e de dever.

Lembro-me de um colega dizer que adorava trabalhar na escola “x”, escola essa conhecida pelos alunos difíceis. Mas ele sabia que nessa escola havia regras, havia solidariedade por parte da direção e as suas palavras não caiam em saco roto. Era uma escola onde os professores e direção formavam uma equipa, remavam todos para o mesmo lado, estavam lá uns para os outros e a hierarquia professor-aluno existia, e quando não existia passava a existir!

É verdade que muitos professores que sofrem as agruras dos alunos querem ver “sangue”, é normal… sentem-se humilhados, insultados, gozados, desautorizados, sentem a insolência dos alunos em toda a sua força. Quem está de fora, tem que ter a capacidade de ponderar a gravidade do ato, mas nunca, NUNCA, pode menosprezar a situação que o professor passou e aquilo que o professor sentiu. É este que no dia seguinte estará cara a cara com os alunos.

Quem quer liderar uma escola não pode esquecer-se de onde vem, não pode esquecer-se que a indisciplina calha a todos e não pode esquecer-se que existe uma hierarquia na relação professor-aluno. O sentimento de impunidade destrói uma escola, destrói o trabalho cooperativo, destrói o “amor à camisola”, algo tão importante nos dias que correm.

Quando ouço frases como: “na minha escola os alunos fazem tudo o que querem e não lhes acontece nada” ou “na minha escola o professor nunca tem razão”, significa que quem a lidera deixou de ser líder, já não é reconhecido pelos seus pares, pois simplesmente deixou de ouvir, deixou de sentir e de saber o que é ser professor.

Nota: o mesmo se aplica no sentido inverso, quando os professores têm sempre razão e os alunos são sempre, SEMPRE, os culpados. Uma posição extrema leva a parcialidade e a parcialidade, leva a descrença de quem é suposto liderar.

Nota 2: Não se leve este texto para o radicalismo da punição a tudo e a todos, como única estratégia para combater a indisciplina. A punição existe, é necessária, bem como são necessárias as estratégias de diálogo, acompanhamento, e metodologias de ensino que propiciem o interesse e a aprendizagem.

Alexandre Henriques

2 COMENTÁRIOS

  1. Ao ler este artigo, reportei-me para a minha realidade que é tão igual!!! Sofri e ganhei uma depressão que até hoje ando a curar… e julgo que me vai ficar para a vida!!! Não há respeito pela nossa classe profissional, nem por parte dos alunos, pais e Direcção!! Alguns, da direção, já foram professores;mas no tempo “da outra senhora”; agora são nossos superiores e dizem com o nariz empinado “eu quero, posso e mando!!!
    E é assim a nossa realidade!!! Até quando?
    Até que todos os Prof. s entrem em Psiquiatria!!!

  2. O comportamento dos alunos é produto das amplas liberdades concedidas pelos governantes, que o prof. Marcelo Caetano considerou-os que «nem para criados de quarto serviam» – Não se enganou. Foi premonitório. Infelizmente, a educação deve começar em casa, onde não existe. A escola não substitui os pais. Limita-se a transmitir conhecimentos . É público que este fenómeno é transversal de Norte a Sul do País. O/As menino/as são intocáveis. Tudo se deve á tutela: aos diversos ministros, a maioria incompetente, que relegou para plano secundário o desempenho do professor e da Administração da Escola que não é solidária com o professor, alheando-se que o aluno insulto, humilhe o Mestre. Se olharmos para o passado, isto não acontecia. Os alunos sabiam respeitar o Mestre. Hoje levantam-se quando o professor entra na escola ? Não havia violência, como afirmações que ignorantes fazem. Havia bons alunos e com excelentes notas, sem pressão. Tanta mudança para quê. O sistema da «outra senhora» dava excelentes resultados, mas…as mentes de hoje estão mais iluminadas.

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