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Entre problemas e a ação – ou tu cá tu lá

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Depois de ter ido a Aveiro ouvir falar sobre a re organização da rede escolar, regressado à escola em semana onde predominou Fátima, Futebol (o Benfica) e o Festival da canção, fico assim a modos sem saber sobre o que escrever.

Entre dúvidas e eventuais provocações, escrevo sobre duas coisas aparentemente distintas. Mas só aparentemente.

Em Aveiro, na conferência de abertura, o Prof. Licínio Lima falou sobre o que designou de  “profunda crise conceptual das ciências da educação”. Não aprofundou, foi uma referência colateral. Inicialmente franzi o sobrolho, na dúvida, na interrogação dos porquê daquela referência feita de passagem. No final do simpósio não lhe dei razão, mas, por aquilo que ouvi (e apenas por isso) dou-lhe o benefício da dúvida. As comunicações foram algo pobres. Não se apresentou nada que permita ir além das rotinas, do certo e certinho. Faltou, pelo menos às comunicações que ouvi, ousadia, irreverência, criatividade. Por ventura faltaram alguns rasgos de insinuação por áreas ou temáticas que não sejam (ou estejam) tão seguras de uma qualquer conformidade, seja ela conceptual ou mesmo política. Em límite, direi que, das comunicações e palestras que ouvi, faltou uma assumida ligação das investigações entre problemas e implicações. Isto é, não falo em ligar problemas a soluções, porque considero que não existe um caminho único em educação. Mas não posso deixar de querer ligar problemas a propostas de ação. Ao ficarem assim, algo distantes entre o que se constrói e define como problema e eventuais propostas de ação dos coletivos escolares, a área da educação, das chamadas ciências da educação, perde espaço e oportunidade, desvincula-se do seu próprio território, perde interesse e ganha distância aos objetos que investiga.

Segunda referência direi que é mais local e pessoal. Vai ao encontro de conversa em sala de professores sobre, afinal, qual a missão de se ser professor. Esclareço. Trocavam-se ideias sobre se é função dos professores, para além da instrução, educar? Sem se pretender substituir pais/encarregados de educação, na falta de quem eduque, de quem defina um conjunto mínimo de regras de comportamento e de relacionamento, na ausência de valores familiares será que é função (ou competência) dos professores a indicação dessas regras ou desse conjunto mínimo de valores? Havia quem dissesse que sim (o meu caso) e havia quem, sem o afirmar, refutasse mais essa incumbência. Entre argumentos e meros pontos de vista, foi conversa interessante que dá para perceber formas de pensar e de agir, conhecer mais e melhor os colegas e perceber o porquê de determinadas práticas ou, simplesmente, de determinados resultados. Isto sem querer colar instrução ou valores a resultados ou comportamentos. Mas que existirá alguma correlação…

Entre uma e outra das situações que referencio, crise das ciências da educação, funções do professor, quero destacar a circunstância que não é suficiente resolvermos os nossos problemas. Há ainda e talvez com maior acutilância, o problema dos outros. Será aí, naquilo que é dos outros, naqueles que são os seus problemas e as propostas que consideramos para eles, que podemos e devemos fazer a diferença. A educação só fará a diferença se for ao encontro dos problemas de cada um. Daí a afirmação que para educar uma criança sejam precisos mais que os óbvios.

Manuel Dinis P: Cabeça

15 de maio, 2017

Coisas das Aulas

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