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É preciso reduzir o trabalho docente para flexibilizar o ensino

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Trabalhar em projeto, trabalhar em articulação, mudar currículos, ensinar de maneira diferente, avaliar de maneira diferente, dá trabalho, muito trabalho… A maioria dos professores não trabalha assim e apesar de na teoria identificar-me com muito do que está escrito no despacho de flexibilização curricular, temo que os obstáculos serão muitos e logo à cabeça penso na burocracia vigente e futura.

Ao ler o documento, fiquei com a clara sensação que os papéis serão mais que muitos e se assim for, uma boa ideia poderá morrer vítima de si mesma.

Os professores têm de sentir, logo no primeiro contacto, que a prioridade será o trabalho com os alunos, que a articulação deve ser prática e não meramente teórica. Estou cansado de articulações em papel que são uma mentira burocrática só para inspeção ver.

A carga laboral dos professores é elevada e lembro que a média de idades dos professores também não é famosa. Urge por isso limpar muita da burocracia atual e não cairmos no erro de fiscalizar tudo com papéis, planear tudo com papéis, aplicar tudo com papéis. Os professores vão precisar de tempo para serem professores, esse respeito pela sua função que desapareceu há demasiado tempo, deve(ria) voltar o mais rapidamente possível.

Os papéis são bons mas não podem ser o centro do ensino… O aluno é o “papel” principal…

9 COMENTÁRIOS

  1. Tudo isto é lamentável… Cento e tal agrupamentos, uma boa percentagem do total, aderem a um projeto sem terem garantido nada, repito, absolutamente nada, do que é essencial: redução do tempo letivo dos alunos; redução da carga horária dos professores; alteração dos currículos dos professores. Simplesmente vai ser uma barracada! Grave, já o disse, porque a maioria dos professores desses agrupamentos não foram tidos nem achados!
    Mais, como o Alexandre Henrique é a favor desta forma de organização pedagógica há muitos que são contra! A sua posição não é mais legitima do que a minha. Sou contra porque não há recursos; não acredito num ensino em que os professores se proletarizem, sendo simples mediadores; sou contra porque a Escola Pública não é o que dizem dela, nem está obsoleta!
    Trabalhar em projeto? Nada a obstar. Agora o que aí vem não é nada disso… Na maior parte das vezes, e já li alguns projetos, não passam de umbiguismos de senhores armados ao modernaço… Infelizmente grande deles não são o José Pacheco….
    De repente, de um ápice, indefectíveis defensores da examinação em geral, e da meritocracia em particular, tornaram-se em ubérrimos filhos de Rousseau? Os outrora orgulhosos do ”rankings” converteram-se à bondade das competências???
    Volto a dizer, as vezes que for preciso: se os alunos souberem menos, muito menos, no fim de algumas experiências mirabolantes quem pagará a fatura serão os professores e a Escola Pública Portuguesa.
    Já agora lanço-lhe um desafio. Alexandre Henriques, porque não faz uma sondagem sobre a vontade que têm os professores em trabalhar da maneira que este governo defende? Mas atenção deve ter-se em conta o que foi dito atrás, porque é assim que vai ser; o mesmos horários; os mesmos recursos; os mesmos currículos… Tudo o resto é fantasia!

    • Aprendizagens… Disse bem, no final do dia serei o primeiro a criticar quem enveredar pelo caminho da “brincadeira” sem exigência, sem rigor. Sei as vantagens desta metodologia de ensino e conheço os perigos. Este artigo não foi por acaso… Como tb sei que um dos maiores obstáculos será o boicote de muitos professores que não se identificam com o modelo. Numa escola normal os professores serão ouvidos e numa escola normal a adesão a este projeto teve o aval do seu conselho pedagógico e conselho geral. Não vou lançar a sombra que foram apontadas armas à cabeça de quem quer que seja, não acredito nisso.
      Sobre a sondagem… O ME queria 50 escolas, foram quase 200 num Universo de cerca de 800… isso diz alguma coisa.

  2. É verdade é um número absolutamente errado para iniciar uma experiência! Certamente que o Alexandre Henriques não chegou hoje à escola, sabe como é que as coisas vão funcionando, não podemos fazer o papel de anjinhos … Em quantos destes agrupamentos foram ouvidos os departamentos (que é onde estão os professores) ? Não falo do Pedagógico , nem do Conselho Geral… Diga-me , por favor, quantas conhece onde isso aconteceu, onde os professores deliberaram, em reuniões de departamento, aderirem à flexibilidade pedagógica ? É que nos cinco casos que tenho conhecimento, de modo seguro, tudo foi feito sem que os professores tivessem conhecimento e foram apresentadas as coisas como consumadas!
    Por isso, volto a questioná-lo, porque não faz então, um sondagem aos professores, friso, aos professores? Porque , prova em contrário, o que acredito é que tudo está a ser feito, mais uma vez, contra a uma larga maioria dos docentes…

    • Isso não é uma sondagem, é um inquérito e um inquérito dá trabalho. Também queria fazer um sobre tutorias e ainda não fiz, tenho outro sobre disciplina pronto mas ainda não arrancou. Por vezes a vida não permite a carolice… Mas é pertinente o tema. Fica na minha lista de tarefas por fazer.
      O Rui se quiser pode criar as questões e fazer o tratamento estatístico, eu ajudo na criação do dito e envio para as escolas.

  3. 1- Onde entra, no processo descrito, Alexandre, a sua proposta de greve de zelo?

    2-“Como tb sei que um dos maiores obstáculos será o boicote de muitos professores que não se identificam com o modelo.”
    Não gostei desta afirmação, sinceramente.

    • 1- mas onde é que eu disse que na Educação está tudo bem? Neste momento apontou-se uma seta, mas falta percorrer o caminho, caminho esse que não é o meu mas parece-me melhor do que o caminho que estou caminhar… Falta fazer tanta coisa e começa logo pelo investimento na Educação.
      2- E eu bem que gostaria de não ter motivos para a dizer, mas a minha realidade é a minha realidade e nada mais…

  4. Caro colega, há uma escola na Catalunha onde já se trabalha segundo este novo modelo.
    No entanto, os professores dessa instituição, como pessoas de BOM SENSO e PRUDÊNCIA que são, levaram QUATRO ANOS a trabalhar para encetar os primeiro passos neste novo caminho… QUATRO ANOS!
    Aqui, vamos queimar etapas e fazer tudo a correr, atabalhoadamente, num par de semanas!!! Por isso, receio que vá ser mais uma experiência falhada… Depois, como sempre, a culpa vai cair em cima dos professores!

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