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Praxar como método de integração

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Depois de ter publicado dois artigos claramente críticos ao ato de praxar, alguns podem ter pensado que sou anti praxe. Não, fui praxado, praxei e adorei a minha praxe!

No entanto, não posso ignorar os constantes avisos que são feitos e a falta de responsabilidade e controlo de tantos “doutores”, comissões de praxes e reitorias que metem a cabeça na areia como se nada fosse. Pior, é que a estupidificação já chegou ao Ensino Básico e Secundário, numa imitação rasca do pior que se faz no Ensino Superior.

A praxe pode ser utilizada de forma fantástica como objeto de integração, as amizades que se criam entre praxantes e praxados são efetivas e duradouras, mas só quando de ambas as partes se compreende que o contexto de praxe não é a humilhação, o bullying, ou em alguns casos, a prática impune de crimes.

As praxes podem trazer consequências gravosas a médio e longo prazo, não devem ser desvalorizadas e TODOS os seus intervenientes devem ser capazes de denunciar, dizer basta ou impedir os abusos que são anuais.

As linhas que se seguem, foram enviadas pelo Paulo Gonçalves ao ComRegras e foram o motivo pelo qual decidi dar tanto destaque a esta questão.

BRUTA SINCERIDADE – UM TEXTO PROFUNDAMENTE VIRULENTO

Ponto prévio: O enquadramento faz-se lendo este artigo:

O mito da integração e a ignorância em torno da praxe

Todos os anos, por esta altura, sou forçado a ‘reviver’ uma experiência profundamente traumática. Não porque tenham conseguido humilhar-me no curso de qualquer praxe: privaram-me de uma vivência livre e democrática, ostracizando-me ao expoente da mais requintada das oligarquias. E por quê? Porque recusei tomar parte num ‘espectáculo’ que considero triste e deprimente.

Na utad (em Vila Real), esse arremedo de universidade que, houvesse justiça, já deveria ter fechado portas há muitos anos (quem tiver paciência para chafurdar na lama, é favor procurar pelo livro referenciado no endereço Livro polémico sobre UTAD, instituição que tem como cartão de visita a pioneira prática de transferir, directamente, dinheiro de estudantes de mestrado para contas bancárias de professores, fui perseguido dentro e fora das instalações (incluindo de carro), apesar das queixas feitas a quem de direito (queixas essas desvalorizadas, com a insinuação de estar a dar desculpas para não querer estudar). Fui apoucado, gozado, vítima de falsos rumores, apartheidizado: segregado. Mesmo.

Fui impedido de frequentar, sem qualquer restrição, um curso no qual entrei para conclui-lo (e não conclui-lo apenas se aceitasse ser submetido à praxe). Foram anos e anos de incompreensão, e, infelizmente, só a tragédia do Meco veio ‘abanar’, ainda que apenas um pouco, esta realidade paralela.

Os meus pais, à altura desempregados, cumpriram escrupulosamente com todas as despesas que tinham a seu encargo (por minha causa). A universidade não cumpriu com eles, sobretudo com eles. Jamais perdoarei a utad. É uma espelunca que deveria, há muito, ter sido encerrada.

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