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Pobres crianças do 1º ciclo, perdoem-lhes porque eles não sabem o que fazem

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Nuno Crato teve um sonho, um sonho onde todos os alunos do 1º ciclo têm capacidades fantásticas, um nível de maturidade acima da média e um dom fabuloso para a matemática. Um sonho onde por magia os alunos consolidam ao mesmo tempo que a transmissão é feita, não precisam de tempo, são prodígios inatos que absorvem tudo e assimilam tudo. São alunos perfeitos, alunos que são capazes de aprender conteúdos de 2º ciclo no 1º ciclo. Nuno Crato, o visionário Nuno Crato, pouco ou nada sabe sobre consolidação, para ele os alunos são meninos de exército com palas nos olhos “marrando” toneladas de matéria, pois só “marrando” se aprende e só “marrando” se esquece…

Viva a quantidade que se lixe a qualidade…

Nuno Crato sonhou, Nuno Crato implementou, Nuno Crato lixou o 1º ciclo, deu cabo dele, sacrificou milhares de alunos ao sabor da sua irracionalidade e aos professores, pobres coitados, deixou-lhes a bomba nas mãos, “eles que se desenrasquem que eu já não vou cá estar, nem tenho filhos nessa idade para ver os estragos que causei”.

Nuno Crato foi-se embora, mas o mal ficou feito. Chegou depois Tiago Rodrigues que pouco ou nada percebe de Educação, o seu sonho serão mais pipetas e afins, nada contra as pipetas, mas se calhar é pouco para se ser o principal responsável pela Educação nacional. Nas palavras sábias de João Costa, tudo prometeu mudar… Já passaram 2 anos e os alunos do 1º ciclo continuam na mesma, lixados, e assim vão continuar, uma geração queimada, uma geração entalada pelo sonho de uma ideologia cega, que pouco ou nada sabe sobre a realidade.

Todos sonham, todos brincam à Educação, mas as brincadeiras deviam ser deixadas para quem sabe brincar, mas nem isso eles lhes permitem, nem isso eles compreendem…

Pobres crianças do 1º ciclo, perdoem-lhes porque eles não sabem o que fazem…

Alexandre Henriques

Nota: isto tudo vem a propósito de uma publicação na página My Mommy is a Psycho, que indignou-se contra a complexidade dos conteúdos no 1º ciclo, neste caso no 3º ano.

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20 COMENTÁRIOS

  1. Completamente de acordo. Todo o programa do 1 ciclo é uma aberração mas especialmente o de matemática do 3 ano…

  2. Concordo plenamente mas também acho teremos de ser nós, Pais, a fazer alguma coisa em prol da qualidade escolar dos/as nosso/as filhos/as. Para mim, neste momento, sucesso escolar não é igual a qualidade escolar. O ritmo alucinante a se dão as matérias não corresponde à maturação das mesmas. Temos de colocar um ponto final nisto. A este propósito havia uma petição para a alteração das metas curriculares do 1.º ciclo, alguém consegue partilhar? Devíamos todos/as assinar.

  3. Completamente de acordo , a minha filha frequenta o 2ano é as matérias são dadas a um ritmo alucinante , mal deram a tabuada do 2 no dia seguinte deram a do 3/4 e 5 . A minha filha está a dar matérias que eu na minha altura dava no 4 ano .

  4. Concordo. Contudo, não me lembro de ler/ouvir outras entidades com alguma responsabilidade, como a Sociedade Portuguesa de Matemática, a tentar “meter juízo” na cabeça do senhor supracitado. Quanto ao tempo para brincar, que há de facto necessidade, também foi estrangulado por outros conteúdos e, até, pela introdução do inglês no currículo!

  5. Que me perdoem os pais atentos aos problemas dos filhos. Mas a maioria não se mexe para resolver esse problema pois estão mais interessados nas redes sociais e afins. A escola para alguns é o depósito dos filhos

  6. Os nossos filhos têm de ser máquinas,cada vez o ensino está pior é dado tudo a correr.Era bom que houvesse alguém que entende-se estas situações, mas infelizmente querem lá saber.

  7. Meus amigos. Eu acho que há coerência! Então vejam: quando os alunos chegam ao 2º ciclo… continua o desfasamento… Estou à espera de outro “iluminário”.

  8. O meu filho está no 2º ano…..e essas frações já fazem parte da avaliação deste trimestre que hoje termina……tem apenas 7 anos. Como é possível??!!

  9. Temos de ser nós a nos unirmos e pedirmos a reforma deste sistema de ensino!!!! Há um leque infindável de possibilidades pedagógicas, desde a pedagogia Waldorf à Escola da Ponte, passando pelo MEM, Montessori…. se queremos mudança temos de ser nós a fazer essa mudança!!!!
    A meu ver a pedagogia Waldorf é uma das que mais respeita o desenvolvimento da criança, pois os seus conteúdos respeitam a idade e maturidade de cada criança!!!!

  10. Uma coisa é os programas serem desadequados, outra coisa é métodos pedagógicos…
    Eu não sou contra nenhuma pedagogia em particular, apenas me chateia aquilo que não funciona!
    Há muitas coisas da dita Escola Moderna ( que de moderno só tem o nome, mas alguns ainda insistem…). Acreditar numa Escola sem esforço, onde tudo é facilidade, é criar a pior das utopias. Também um ensino sem conteúdos e avaliação, passo; nem o quero para os meus filhos!
    Vivemos num ridículo mundo, políticamente correto e hedonista : a Europa está velha e trata os filhos como florzinhas de estufa , onde tudo é permitido! Esta história não vai acabar bem , mas, para muitos papás, permanentemente maravilhados com seus rebentos, já será tarde…
    O futuro não se adivinha radioso… se nos esforçarmos muito, pode ser que se altere alguma coisa. Pessoalmente o meu optimismo é curto…

  11. A grande questão é que na verdade as crianças na faixa etária correspondente à frequência do 1.º ciclo do ensino básico (a chamada 3.ª infância, como no meu tempo se estudava) TÊM CAPACIDADES EXTRAORDINÁRIAS, um interesse extraordinário por atividades de grupo, colaborativas, uma alegria de viver e de aprender, investigar, saber usar a criatividade e a expressividade… mas tudo isto o ensino atual lhes corta, pois nos programas não são valorizadas nenhumas destas competências – embora escritas no papel, na prática não são incentivadas nem priorizadas. No invés, são-lhes exigidas competências de abstração, raciocínio e performance que ainda não correspondem sequer a maturidades intelectuais, vivenciais e emocionais destas idades: como sabemos as crianças nestas idades cronológicas (dos 6 aos 10 anos) estão na fase do raciocínio e pensamento concreto… Mas parece que isto não é relevante para quem faz os atuais programas. Por isso sim, coitadas das crianças do 1.º ciclo. Assino completamente por baixo deste artigo e aconselho a sua leitura atenta e integral.
    E sonho com uma escola nova, com a coragem suficiente de mudar os paradigmas e as práticas consequentes. Só lamento que, de norte a sul deste país nós, os professores, não tenhamos a coragem de nos unir para mudar (à exceção de uma minoria, a quem saúdo com todo o respeito e admiração…). Gostaria de ver a reação do ME se, de norte a sul, os professores, PELA SUA PRÓPRIA PRÁTICA, pusessem em causa o atual status quo. E temos tanto onde nos agarrar: Sebastião da Gama, Paulo Freire… Que são nossos, da cultura em português, genuínos, surpreendentemente atuais e a anos-luz destas pedagogias ocas e sem a humanidade e o respeito pela criança tal qual ela é, e não tal como queremos (nos dá jeito) que seja (será que estamos a voltar aos tempos da conceção da criança como um adulto em miniatura????)

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