Início Editorial Plataforma Sindical desperdiça milhares de euros “investidos” na GREVE

Plataforma Sindical desperdiça milhares de euros “investidos” na GREVE

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Confesso que estive na dúvida entre este título e… “Ministério, amigo, o sindicato está contigo!”

Mais uma vez sinto que os professores foram traídos pelas estruturas sindicais, desrespeitados no seu sacrifício, um sacrifício que ultrapassa seguramente largas dezenas de milhares de euros. Só na minha escola a greve “custou” aos professores mais de 2 mil euros.

Mas voltemos um pouco atrás…

A plataforma sindical hesitou, se fazia sentido marcar uma greve às reuniões de avaliação…

A plataforma sindical, recusou convocar uma greve aos anos de exame, com um argumento “esquisito” como a falta de tempo para a marcar…

A plataforma sindical, pela voz da FENPROF, chamou traidores aos colegas do S.TO.P, insinuando mesmo que a “sua” greve era ilegal.

A plataforma sindical, juntou-se a uma greve de proporções inéditas, tendo em conta os meios disponíveis, e lutou junto dos professores, tal como o devia ter feito deste o dia 4 de junho.

A plataforma sindical, em vez de colocar uma providência cautelar aos serviços mínimos absurdos do tribunal arbitral, tal como aconteceu nos Açores, enviou uma queixa para o tribunal administrativo onde o resultado dessa queixa, pode levar quase uma década a ser conhecido…

A plataforma sindical, depois de ter estado sentada em novembro com o Ministério da Educação, onde este assinou um compromisso que contabilizava “o” tempo de serviço, tendo depois ouvido António Costa repetir até à exaustão, que repor o tempo de serviço congelado aos professores, custava 600 milhões de euros e a prioridade era o IP3… Decidiu… Agora… Parar a luta…

Decidiu parar a luta, tendo no bolso a garantia de um conjunto de intenções de alguém que no passado não cumpriu com a sua palavra, alegando também que agora os professores têm de ir de férias…

Meus caros, não entrámos nisto a pensar nas nossas férias, entrámos nisto com a convicção e certeza que precisávamos de fazer algo nunca feito, através de uma greve que tinha um custo, mas um custo “suportável” para a grande maioria dos professores. Uma greve que teria um impacto tremendo, pois infelizmente as estratégias de luta tipicamente sindicais já cheiram a mofo e já só estão bem na reciclagem… A determinação esteve patente nos números apresentados pela própria plataforma sindical, acima de 90% de reuniões de avaliação tinham sido até então canceladas.

Os sindicatos levaram este grito de revolta para cima da mesa das negociações. Muito bem! E o que é que fizeram com esse grito?

Ah e tal, vamos agora negociar, criem uma comissão para saber  quanto custa os 942… blá, blá, blá.

UAU!!! Isso tudo!!! Ena, estou em êxtase!!!

Afinal não sabem quanto é que custa os 942? O Ministério da Educação não sabe? Os sindicatos não sabem??? Acham mesmo que somos todos anjinhos?

E ao contrário do que diz a FENPROF pela voz de Mário Nogueira, onde alega “Foi a luta dos professores que fez com que esta reunião se realizasse!“, não, a greve não serviu para que se sentassem à mesa, a greve serviu e serve para devolverem o que é nosso.

O mínimo com que deviam ter saído de lá, era a reposição imediata da proposta do ME, dos 2 anos e qualquer coisa, como ponto de partida para futuras negociações. Afinal saíram de lá com uma mão cheia de nada…

Agora pretendem uma greve no início do próximo ano letivo??? Estão a gozar??? Só pode! Acham mesmo que os professores, depois de um final de ano esgotante, vão aceitar perder mais uns milhares de euros em greves estéreis quando a verdadeira greve foi desperdiçada por vós?

A greve é agora, hoje, por que raio querem adiar a luta????

Os professores não são analfabetos, nem seguidistas cegos de bandeiras camufladas de outros partidos políticos. Isto cheira muito mal e o que foi feito é apenas mais um episódio na já longa lista de traições aos professores, tal como aconteceu em 2008 na maior manifestação de sempre de professores.

A plataforma sindical é especialista, tenho de reconhecê-lo, especialistas em desperdiçar a união e a luta dos professores. Parabéns!!!

E depois venham cá pedir mais subscrições e apelos para a luta.

Nota: não pertenço ao S.TO.P, mas pertenço ao lado daqueles que considero estarem a tentar ajudar, por isso lembro que existe uma greve até ao final deste mês e tal como a sondagem do Arlindo mostra, a vontade em continuar a lutar é real. Mais uma vez os principais sindicatos ficam de fora enquanto os verdadeiros professores lutam…

E assim se vê, a força do… o resto já sabem…

Alexandre Henriques

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36 COMENTÁRIOS

  1. “O mínimo com que deviam ter saído de lá, era a reposição imediata da proposta do ME, dos 2 anos e qualquer coisa”

    Não entendo, Alexandre.
    Então devíamos aceitar esses 2 anos e tal?
    Na auscultação aos professores, 97% exprimiram a sua intenção da recuperação completa dos anos de congelamento. E uma maioria afirmou que estaria disposta a ver esta reposição faseada.

    Imagine que desta negociação a plataforma de sindicatos saia de lá com a promessa da recuperação desses 2 anos e tal?

  2. “…verdadeiros professores…” ? Os outros serão falsos? Fazer ou não greve até 31 é o que separa uns dos outros?

      • A sua resposta, Alexandre, é um desvio airoso e ao qual até que achei piada.

        Então, se eu não faço greve até 31 de Julho sou 1 falsa professora que não dá aulas?

        Alexandre, assim não dá para trocarmos umas palavras sobre o assunto.

      • Excelente resposta Alexandre.. esses sim, os que dão aulas são os verdadeiros professores, aqueles que toda a vida estiveram nos gabinetes do ministério ou nas salas dos sindicatos não são mesmo professores. Chamar professor a um Mário Nogueira que diz é do quadro de uma escola de Coimbra mas que nunca lá deu uma aula. Já agora e o Francisco Almeida de Viseu, mais conhecido pelo papa sandes (de leitão) que em 38 anos de serviço será que deu um mês de aulas. Desculpa lá ó Chico exagerei … devia dizer uma semana..enfim parasitas

  3. É raro opinar acerca destes assuntos deixando comentários nos bloques. Mas tenho de o dizer. Revejo-me integralmente nas palavras que escreveu. Infelizmente, também com o sentimento de desapontamento, descrédito e que o esforço que os docentes fizeram no decorrer deste ano letivo foi abandonado. Mas creio igualmente que há quem esteja e continue a lutar. Tenho de acreditar. Só isso faz sentido.

  4. Aceito candidaturas para a comissão que vou criar no sentido de avaliar quanto me custa, mensalmente, recuperar o direito a não viver cada vez mais dias a rezar para que chegue dia 23 (Dia de S. Cifrónio, Padroeiro do trabalhador honesto), o subsídio de férias, o subsídio de Natal, o reembolso do IRS, o reembolso da ADSE (quando há!) após as consultas/tratamentos médicos …
    Sei que haverá muitos candidatos mas, contrariamente à do Tiago, lamento informar que teremos de pagar para trabalhar na comissão!
    Fomos traídos, de forma vil, mais uma vez!

  5. É estranho os seus Conselhos de Turma já se terem realizados.

    Fale verdade quando escreve (basta fazer uma breve pesquisa para se verificar que isso já é uma doença).

    • Completamente de acordo… Eu já o fiz…e sabem o Chico do Sprc Viseu chamou-me colega…senti-me ofendido esse parasita não é professor… Como diz o Alexandre professor é quem dá aulas

  6. Trabalho há 22 anos, afecta à Fne desde o início. Nunca dei atenção ao que se ia passando, portanto nunca entendi este “mundo”. Em cada nova escola tudo acontecia automaticamente: sindicato: pagamento do valor mensal. Aderi à greve (7 turmas e isto vai-me sair bem caro). Ontem, estive atenta ao que se passou. Hoje, ao final do dia, tomei uma decisão e escrevi email ao meu sindicato para terminar a minha ligação com eles. Apontei os motivos, sendo um deles, propositadamente escrito, a vontade de aderir a um novo sindicato- o STOP. Inicialmente, o que me moveu foi apenas uma imensa vontade de “meter nojo”, pelo que telefonei ao sindicato para que me dissessem como proceder para sair. Amanhã, entregarei a ficha de adesão ao Stop.

  7. Declarações contra sindicatos são um docinho para o ME e para os que sonham um mundo do trabalho com regras de capatazes! Força!…

  8. Também me vou dessindicalizar. Devia haver mais recusas desta falta de representatividade. O Mário só diz aquilo q o Jerónimo deixa. Se nos dessindicalizássemos todos, talvez os sindicatos percebessem q é melhor unir forças, leia-se, “sindicatos” do que separar c birras…

  9. O argumento que quem não dá aulas há muito tempo não pode saber o que se passa nas escolas e na vida dos professores não é sério.

    Os dirigentes de um sindicato de professores fazem parte de uma organização onde participam estruturas nacionais, regionais e locais, onde há reuniões com delegados sindicais e professores sindicalizados e também não sindicalizados.

    Portanto, não é por aí que o facto de se dar aulas ou não corresponda ao saber-se ou não com o que estamos a lidar.

    (atrever-me-ia a dizer que há professores a dar aulas que sabem muito menos do que se passa, para além do seu caso muito pessoal, e mesmo assim……)

    Nos sindicatos há listas, há eleições. Os professores sindicalizados votam. Os que não são sindicalizados não votam.

    Assim sendo, em vez de se rasgarem cartões ou se ficar a ver o “filme ” de fora (posição muito cómoda), adiram e votem.
    Se dá trabalho? Dá.

    É assim que funciona a democracia e o mm acontece em eleições no país- quem se abstém não pode, moralmente, queixar-se do resultado das eleições.

    • Completamente de acordo consigo, Ana. Há demasiado preconceito no que aqui fui lendo. Preconceito e interesses duvidosos. Há uma intenção muito perigosa para a classe no post que inicia esta discussão e em muitas das respostas que aqui estão. Os verdadeiros professores, quer os que estão em exercício de funções quer todos os outros casos, para além dos que nos representam nas estruturas sindicais, devem estar muito atentos e banir de vez os preconceitos de alguns blogueiros bem falantes … que só servem para dividir a classe. É o Karma deles, só precisamos de os conhecer bem para não sermos arrastados… A luta continua!

      • Preconceitos??? Eu falo em facto e a Olinda fala em preconceitos. Dividir a classe??? Quer mesmo argumentar com a divisão da classe quando existe mais de uma dezena de sindicatos?
        Sejamos sérios.

  10. Tudo bem, vamos fazer greve até dia 31 de julho. Chegados ai o que vai acontecer?
    Alguém quer dar um resposta?
    Que sindicato é esse STOP, foi criado nesta altura com que propósito?
    Sou sindicalizado desde o momento que percebi que os diretores não defendem os seus colegas, tive que procurar apoio noutra organização, não faço parte de partido politico nenhum. Mas imaginem a classe docente sem sindicatos como seria. Ai sim, já teríamos perdido os 9 anos 4 meses e 2 dias há muito tempo. Recuso receber “esmolas” do ministério da educação como os 2 anos, 10 meses e 18 dias. Para quem está no 1.º escalão é praticamente nada, talvez para quem esteja no 8.º escalão fosse à medida! “Assim se vê a força…” dos professores!

    • O STOP foi o sindicato que levou o governo a tremer e a pedir os “serviços mínimos”; se a greve não tivesse sido decretada a 4 de junho, as reuniões do 9º, 11º e 12º tinham-se realizado todas. Este sindicato foi criado com intuito de desligar os interesses dos professores dos interesses partidários. Realmente, como aqui já foi dito, «O Mário só diz [“e faz”, acrescentaria eu] aquilo q o Jerónimo deixa.» Com a geringonça, os delegados sindicais ficam entalados numa falta de coerência obscena. O que se conseguiu agora foi empurrar o problema com a barriga, pois em setembro toda a gente sabe que o governo voltará a apresentar as mesmas contas que tinha já feito; só quiseram foi adiar a luta até à votação do orçamento. Depois adiarão com mais conversa fiada até às eleições, em que prometerão aquilo que nem uns nem outros irão algum dia dar… Sou professora há 20 anos e tb estou no 1º escalão e assim irei continuar enqt os sindicatos tiverem orientações políticas… Haja união sindical; haja luta docente, sem pugna partidária.

  11. Esta é uma batalha perdida. Toda a gente voltou às reuniões e o resto é lirismo vosso (e uma veia anti-sindical que me desgosta). O melhor que se pode esperar é ganhar a guerra, depois de uma batalha perdida, batalha a batalha… Agora? Basta olhar à volta, não brinquemos…

    • É uma batalha perdida porque a quiseram perder. Preferem fazer greves como fizeram em Março com um fracasso total ou convocar manifestações dizendo que estiveram lá 50 mil quando a polícia falou em números na ordem dos 25 mil.
      Preferem manter-se ligados a partidos políticos em vez de representarem os professores, preferem boicotar a ILC uma iniciativa democrática feita por professores.
      Se acha que sou anti-sindical, sim, sou e serei sempre enquanto vir os interesses dos professores serem substituídos por interesses pessoais e partidários.
      Mas agora temos de ir de férias… Os sindicatos querem o nosso silêncio.

  12. No meu agrupamento a maioria pronunciou-se pela manutenção da greve até dia 31 de julho. Até hoje fizeram-se 0 conselhos de turma excepto os abrangidos pelos serviços mínimos. Assim pretendemos continuar, nas trincheiras, abandonados por demasiados generais.

  13. Vejo aqui muitos colegas a incentivar ao abandono da luta até ao dia 31. Devem ser delegados sindicais camuflados. Querem ir de férias, vão! Desapareçam, deixem que aquelas centenas de escolas que ainda estão em luta, com alguns milhares de professores vão continuar a lutar por vós. Tenho pena que tantos professores não passem de ovelhas, que seguem o pastor e andam nas escolas a vegetar, apenas preocupados com o seu umbigo. Após a reunião de 11 de julho, todos os professores, mas mesmo todos, deviam estar nas escolas, junto com os colegas que lecionam os 5,6,7,8 e 10 a lutar ao lado destes. Felizmente que ainda há milhares de professores em luta, se forem 500 escolas, 10 escolas, 1 escola, a dignidade daqueles professores manteve-se e não foram ovelhas. Viva os professores! Viva o STOP que permite a alguns professores limpar a sua honra! Mesmo com a carteira mais levezinha.
    A luta continua!

    • Bom dia
      Agora fica bem explícito porque os docentes deste país são tratados abaixo de cão .
      Após ler estes posts fico ainda mais revoltado…

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