Início Rubricas “Perdoai-lhes Pai Que Não Sabem O Que fazem!”

“Perdoai-lhes Pai Que Não Sabem O Que fazem!”

718
0

Bem prega Frei Tomás, olhai para o que ele diz e não olheis para o que ele faz!

Era uma vez um Governo, ao qual pertencia um certo Ministro da Educação, que, inovadoramente, resolveu publicar uma Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania provavelmente porque reconhece (e bem!) que há muito trabalho a fazer nesta área, isto recorda-me outros ditados: Não há macaco que olhe para o seu rabo! e Diz o roto ao nu ‘Porque não te vestes tu?’

Bem, voltemos à estratégia! Nessa dita (ou talvez bendita) Estratégia registavam-se frases muito significativas, daquelas que a todos fica bem saber e dizer, como por exemplo:

“A Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania (ENEC) integra um conjunto de direitos e deveres que devem estar presentes na formação cidadã das crianças e dos jovens portugueses, para que no futuro sejam adultos e adultas com uma conduta cívica que privilegie a igualdade (…)”

“Ao mesmo tempo que se assiste a uma melhoria dos indicadores sociais básicos, a globalização e o progresso tecnológico também contribuíram para o aumento das desigualdades no acesso aos direitos fundamentais.”

“ (..) participação plural e responsável de todas e todos na construção de si como cidadãs/ãos e de sociedades mais justas e inclusivas, no quadro da democracia, do respeito pela diversidade e da defesa dos Direitos Humanos.”

 Neste mesmo documento apela-se aos docentes que trabalhem com os seus alunos diversos temas como: Instituições e participação democrática; mundo do trabalho, entre outros.

Tudo isto seria fantástico se muitos desses docentes não tivessem sido injustiçados por esse mesmo Governo e Ministro e não tivessem visto desrespeitados os seus direitos laborais. Pois é senhores Ministros, podem não saber mas no Código de Trabalho está previsto que o trabalhador tem direito à igualdade de oportunidades e de tratamento no acesso ao emprego, à formação e promoção ou carreira profissionais e às condições de trabalho. Dessa forma, não pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever por motivos discriminatórios relacionados com ascendência, idade, sexo, orientação sexual, identidade de género, estado civil, situação familiar e situação económica, entre outros.

Então como é Senhores Ministros? Vamos ensinar aos nossos alunos falsas verdades, para não dizer mentiras? Como poderemos nós docentes falar em igualdade de tratamento quando fomos ultrapassados por colegas com menos tempo de serviço? O podemos dizer nós sobre docentes com menos três ou quatro anos de serviço terem sido colocados num escalão superior ao dos outros docentes que já estavam na carreira? Como poderemos nós falar em direito a igualdade salarial quando dois docentes que mudaram de escalão em janeiro de 2018 (e foram colocados exatamente no mesmo escalão) tem entre eles diferenças salariais que, em muitos casos, ultrapassam mais de cem euros (e isto porque para uns tem de se cumprir a Lei de Orçamento de Estado – que refere que apesar de progredirem não recebem o valor devido ao escalão em que se encontram- e para outros a Lei não é para cumprir).

Senhor Ministro por favor não nos torne a todos Pinóquios que mentem quando ensinam pois sabem que o que estão a dizer nem o Estado aplica.

Estando nós em período Pascal é caso para dizer: Perdoai-lhes Pai que não sabem o que fazem!

Maria Rosária Carrilho

COMPARTILHE

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here