Início Rubricas O que pensam os diretores sobre a GREVE de amanhã?

O que pensam os diretores sobre a GREVE de amanhã?

6481
24
COMPARTILHE

O ComRegras perguntou a Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), qual a sua opinião sobre a greve de amanhã. Ficam as suas palavras.


Professor do Agrupamento de escolas Dr Costa Matos

Desde janeiro de 2011 e até dezembro de 2017, os professores veem as respetivas progressões na carreira congeladas, com uma dupla agravante: não beneficiaram de aumento de salário e mantiveram o mesmo índice de remuneração. Acresce que a opção do governo indicia a não contabilização dos 7 anos consecutivos de congelamento para progressão na carreira, sendo validado para o efeito o tempo prestado antes e depois desse período.

Esta norma só será aplicada aos professores, aos militares e às polícias, não ao resto da administração pública, tratando-se de uma discriminação vil. Poderão ser suprimidos 7 anos de serviço aos docentes? Não lhes será devido o reposicionamento na carreira, tendo em conta os sacrifícios destes últimos anos? É legítimo este tratamento imposto a uma classe profissional que tem contribuído decisivamente para a melhoria dos resultados escolares, comparativamente com outros países mais desenvolvidos? (a título de exemplo refiro testes PISA e TIMMS) Que motivação e exemplo pretende ser dado a quem tem feito das tripas coração, lutado contra as marés, trabalhando muito para além do número de horas contemplado no seu horário? Que benefícios ou regalias são atribuídos a uma das profissões mais exigentes e desgastantes?

Os professores não esperam tratamento de privilégio, mas também consideram inadmissível serem discriminados ou que lhes retirem indevidamente aquilo que lhes pertence por direito. Investir na Educação é, também, porque essencial, tratar bem os seus profissionais (professores, técnicos, assistentes administrativos e operacionais…), acarinhando-os, motivando-os, reconhecendo-os, dando-lhes condições para continuarem a exercer cabalmente as funções desempenhadas. De há largos anos a esta parte, salvo raríssimas exceções, os nossos governantes exibem uma progressiva desconsideração por uma classe desgastada, porém trabalhadora, desanimada, todavia, batalhadora, entristecida, mas motivadora, capaz de fazer muito mais pelos seus alunos e pela sua dama (a Educação) do que estaria obrigada.

Filinto Lima

24 COMENTÁRIOS

      • Sim, nada! É conversa para não ficar mal na foto. É fácil ver: verifique se na resposta se encontra por uma vez que seja a palavra greve. É a resposta típica para ficar de bem com a tutela. Ele, Filinto, também é (ou foi) professor. Vai fazer greve? De certeza que não…. antes de mais há que agradar ao superior….

        • Há coordenadores de estabelecimento a dizer que não lhes é permitido fazer greve.. tentam a todo o custo evitar a greve. Amanhã veremos se os alunos ficam com funcionários. Se a Caf vai assegurar o funcionário da pré.. será um caso de tribunal

  1. 7 anos?? São quase 10 anos de serviço suprimidos! Além disso, um diretor de uma escola é professor, é um colega que vai ser prejudicado tal como eu ou qualquer outro docente que trabalhou durante os anos em questão.

  2. FL terá amanhã um dilema: participar (como palestrante) no encontro da Fundação Belmiro de Azevedo para “debater” o uso de telemóveis na sala de aula ou participar na luta com/o professor/es. Como a primeira se realiza de tarde, talvez consiga “conciliar” as duas, digo eu, que não sou de intrigas…

      • E eu não sei disso? Até fiquei na expectativa, quando foi marcada a greve, de o encontro ser adiado… Mas, vamos por partes: 1°, o tema desse encontro diz respeito a uma questão que TEM de ser debatida com quem a irá ou não colocar em prática: @s DOCENTES; 2°, se fosse esse o objetivo, quem poderia estar presente a uma 4f à tarde, independentemente do que passou a estar marcado para esse dia 15?; 3°, sobre este post específico, só existe uma associação de [email protected]? E estes comunicam entre si para se permitirem falar no plural?; 4°, por norma, o discurso de FL é consensual. Sê-lo-à a sua ação?; 5° e último, qual será a campanha de Natal do Continente?

        • Eu não vou fazer a defesa de Filinto Lima, mas faço a minha. O facto de só ter colocado a questão a Filinto Lima, foi por não ter o contacto do representante da ANDE, mas parece-me que a nível da representatividade, a ANDAEP está mais à frente.

          • Alexandre Henriques, nunca esteve em causa a sua decisão em querer saber sobre o que questionou. Fê-lo e bem. Esperava, no entanto, e se me permite, que outras vozes fossem ouvidas, nomeadamente as [email protected] docentes que “põem em prática” o que [email protected] decidem. E, desculpe a insistência: o uso do plural no discurso de FL estará consentâneo com a realidade?
            Para terminar: já que “andam a tratar da nossa vida” sem sermos [email protected] e [email protected], que tal aparecer por aqui um estudo sobre justiça, benefícios/malefícios das novas tecnologias, nomeadamente, telemóveis como recurso pedagógico?
            Obrigada pela atenção dispensada.

          • AC, eu fiz 3 sondagens sobre o uso do telemóvel nem há um mês e já escrevi vários artigos sobre o assunto. Não posso falar de tudo a toda a hora. Ontem a minha total atenção foi para a greve/manifestação.
            E se a pergunta é feita ao representante de vários diretores é lógico pensar que a opinião é transversal.

          • Ok, Alexandre. Não se enerve, mas cá pelas minhas bandas costuma dizer-se que a lógica é uma batata! E não volto mais ao assunto! Prometo!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here