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Paulo Guinote, somos todos uns grandes “cromos”…

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O Paulo Guinote escreveu um artigo intitulado Cacofonia no qual aborda a “anestesia” que “tomou conta do recinto”. O Paulo refere-se à “apatia” reinante, ao distanciamento que existe na comunidade educativa e em particular nos professores sobre o debate educativo e colaborativo na blogosfera, bem longe dos tempos de ouro numa altura em que era um professor com apenas 3 ou 4 anos de serviço.

Compreendo perfeitamente o que diz o Paulo e não é só o Paulo que o sente. Em conversas privadas que vou tendo com alguns colegas da blogosfera, sente-se uma profunda desilusão na forma como os professores estão ausentes do debate educativo.

Um exemplo paradigmático do que estou a dizer é a indiferença ao estudo apresentado hoje sobre os Trabalhos de Casa (TPC), um tema que apesar de fraturante e do recente interesse manifestado, as reações não passam de meras “ondinhas” de maré baixa. E quando falo em TPC, podia também falar nas metodologias de ensino, municipalização escolar, currículos, etc…

A faceboquização que se entranhou na sociedade em geral e nos professores em particular, isto para os que ao menos frequentam as salas de educação, esvaziou a blogosfera.

Existem alguns que ainda “perdem” tempo em ler artigos de fundo sobre a temática educativa, mas são poucos os que participam no debate educativo e são ainda menos os que regressam a uma casa que valoriza a partilha de ideias.

Do outro lado, temos muitos que usam a blogosfera para proveito próprio, como se fosse um pronto a comer, onde a “papinha” tem que estar toda feita e se não estiver, ainda mandam “postas de pescada” como se existisse alguma obrigação de quem tenta fazer algo (preferencialmente bem) pela educação, pela escola de todos nós. Ninguém anda nestas lides pelas pancadinhas nas costas, fá-lo por gosto e no global dá gosto, mas também cansa, acreditem que cansa…

Não é por isso de estranhar que vários são os blogues que já caíram e mais vão cair no futuro, não por falta de vontade de quem os cria, mas por sentirem-se esmagados pela indiferença e frustração de muitas horas dadas a uma causa que merecia maior atenção de pessoas que deveriam mostrar mais interesse.

Mas também não vamos ser hipócritas, quem escreve em blogues, escreve para ser lido, escreve porque acredita que tem algo a dizer e que pode dar um contributo. Se assim não fosse, mais valia ter um diário fechadinho numa gaveta qualquer da sua mesinha de cabeceira.

Sim Paulo, tens razão! Existe uma anestesia reinante onde falar sobre educação na blogosfera e sala de professores parece um tema tabu, onde só é permitido o queixume da indisciplina ou dos colegas que são uns sacanas. Sabes Paulo, sinto-me um cromo ou um geek blogosférico, sinto muitas vezes que não vale a pena continuar e que mais valia desligar o botão e passar o meu tempo livre a fazer outras coisas das quais já tenho saudades. Sinto uma grande desilusão por ver tantos textos de qualidade serem desperdiçados e outros, só porque têm um palavrão lá no meio ou um “choradinho” já típico, são devorados como se não houvesse amanhã.

Valerá a pena tudo isto??? Hoje, agora que escrevo estas linhas sinceramente não me parece…

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