Início Editorial Com os serviços mínimos decretados, o que muda na GREVE dos professores?

Com os serviços mínimos decretados, o que muda na GREVE dos professores?

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Desde que se soube da GREVE aos exames de dia 21 de junho, que alertei para a elevada probabilidade da instauração dos serviços mínimos, ou da convocatória de todos os professores para o serviço de exames. Questionei o timing desta greve, não pelas causas, mas sim pelo momento e pelo impacto que teria nos nossos alunos.

O que muda então com os serviços mínimos decretados?

Em primeiro lugar, muda a necessidade dos diretores convocarem todos os professores para o serviço de exames. Com a obrigatoriedade de serviços mínimos, todos os professores convocados terão de se apresentar, estejam ou não, queiram ou não, realizar a greve.

Em segundo lugar, todos os professores que gostariam de fazer greve, mas não iriam aderir por esta afetar os exames, podem, se assim entenderem, participar na greve marcada.

E em terceiro lugar, muda toda a essência da greve, ou talvez não… Isto é, esta greve foi marcada em cima do joelho, sem que os professores fossem devidamente consultados, com fraturas internas dentro dos próprios sindicatos (incluindo a FENPROF) e que foram visíveis nos avanços e recuos dos últimos dias. A ideia sempre foi boicotar os exames, concorde-se ou não, a ideia era essa. Agora pergunto… Vale a pena manter uma greve, em que objetivo primordial não será atingido?

Sim… agora mais do que nunca. Se o legítimo direito à greve é comunicar/manifestar/perturbar para denunciar uma situação, o afetar os exames ou não, não muda em nada as reivindicações dos professores e seus representantes. Recuar agora, será outro tiro nos pés, – o primeiro foi marcar uma greve aos exames quando já se sabia que não iria afetar os exames – pois irá transmitir a TODOS, que os sindicatos só marcaram a greve para “lixarem” a vida aos alunos, como infelizmente li nas redes sociais.

Tudo isto foi mal feito, tudo isto foi mal pensado e termino como comecei, o dia escolhido para esta greve só veio piorar (ainda mais) a imagem que muitos professores têm das lideranças de alguns sindicatos.

Falta saber se a FENPROF e a FNE vão contestar para o tribunal constitucional, se assim for lembro 2005…

TC rejeita recurso da FENPROF sobre greve dos professores em 2005

(RTP)

P.S – a referência às lideranças é por não querer misturar muitos professores que trabalham muito e bem por esses sindicatos fora.

11 COMENTÁRIOS

  1. Discordo.

    1- O que significaria a convocatória de TODOS os professores para a vigilância de exames? Serviços mínimos ou máximos?

    2- Novamente, a questão do “timing”. Se for 1 greve em Setembro, o timing é bom porque não prejudica os alunos?

    3. Como assim, que esta greve foi marcada “em cima do joelho”? Como se pode afirmar uma coisa destas?

    Os sindicatos mostram toda a vontade para debater e atingir consensos. O ME (mais um erro de casting), mostra arrogância e hipocrisia.

    Talvez se esteja empolgado com as boas sondagens….

    Erro fatal.

    • Respondendo por pontos:
      1- eu não opinei se era correto ou errado os serviços máximos… Apenas constatei algo que iria acontecer e agora já não vai.
      2- eu não consigo explicar melhor, deve ser problema meu… Já escrevi diversas vezes que concordo com greves mas pessoalmente não concordo com greve aos exames é a minha linha vermelha, uma opinião pessoal.
      3- Ana, não sei onde leciona, nem sei se tem conhecidos em direções sindicais, mas uma greve aos exames ou por exemplo às avaliações é uma decisão que os professores e associados devem exprimir a sua opinião, não se passou assim. E como considero esta greve um erro de casting com uma adesão fraquinha, só posso concluir que foi convocada mais com o coração do que com a cabeça.
      Sobre a arrogância do ME, concordo consigo e acrescento que ela é semelhante à de Mário Nogueira.

  2. Fazer greve aos exames é como fazer outra greve qualquer ao serviço pois na nossa profissão envolve SEMPRE alunos, não vale a pena dar a volta ao texto! Uma qualquer greve, em qualquer setor, que não faz mossa não tem interesse pois não afetando os utilizadores do serviço, não tem impacto algum. Quanto à auscultação dos docentes, engana-se quem diz que os professores não dão feedback aos sindicatos, pois são os próprios a recolher essas posições nas reuniões sindicais. Na minha escola houve até um colega que iniciou um abaixo-assinado para recolher posição dos docentes para entregar no sindicato…. Que o ME, convocando serviços mínimos, consegue deitar por terra as pretensões dos sindicatos/professores…isso sem dúvida! 🙁

    • Uma greve às urgências não é a mesma coisa que uma greve às consultas. Uma greve às aulas não é a mesma coisa que uma greve aos exames. Por isso é que esta greve foi marcada para o dia onde havia exames importantes.

      • Mas os médicos quando fazem greves não a fazem especificamente às consultas ou às urgências. Fazem um dia de greve; muitas vezes coincidindo com consultas urgentes, até a doentes oncológicos. Não brinquemos com as palavras apenas porque nos dá jeito :/

  3. Caro Alexandre,

    Creio que não vamos concordar e não vale mais continuarmos

    Esta é uma classe profissional que nunca se unirá, na sua maioria.

    Com tantos problemas a necessitarem resolução, refugia_se nas recorrentes críticas aos sindicatos, diabolizando_os.

    Medo, cobardia e individualismo doentio imperam. O corte nos salários tb fala mais alto.

    Aproveita_se as greves dos assistentes operacionais. Uma vergonha!

    Sei que este não é o sei caso, mas não esqueço aquele título que publicou.

    Um bom fim de semana

    • Pense nos título de jornais e talvez perceba o motivo do título dos exames…
      Infelizmente os leitores não lêem artigos ou noticias que não choquem ou não gerem curiosidade…
      Cumprimentos Ana

  4. Nem todos os alunos estão em exames no dia 21. Começando pelo pre escolar e os do primeiro ciclo que não são 2′ ano. E tantos outros…. há prazos legais a cumprir, e neste caso 10 dias úteis após o dia 6 ( dia da reunião com o ME) que foi quando se entregou o pé aviso, calha a 21. NÃO T Grve sis exames, é a todo o serviço! Calharam exames e aferição que não é exame, temos pena, está na mão do Me assumir por escrito compromissos calendarizafos para a resolução das justas reivindicações. E não são os sindicatos que tem de pressionar p ministério das finanças, os sindicatos pressionam o ME e defendem a classe. Espero que seja uma grande greve! Com mínimos ou sem eles! Está na altura dos professores se unirem e deixarem de acusar os sindicatos. Eles representam-nos e no coletivo SOMOS NÓS!!!! GREVE!

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