Início Editorial Os professores vão ter aquilo que merecem… Nada! Zero! Rien de Rien!

Os professores vão ter aquilo que merecem… Nada! Zero! Rien de Rien!

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Está tudo tolo ou está tudo morto! Como é possível tendo em conta o que nos estão a roubar mensalmente, haver mais de 30% de professores a dizer que não vai fazer greve às reuniões de avaliação?

Como é possível uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos, em mês e meio não ter atingido as 20 mil assinaturas, quando somos mais de 100 mil e em muitos espaços como esta casa são às dezenas de milhares os seus seguidores?

Como é possível os principais sindicatos, criticarem e boicotarem uma iniciativa criada pelos seus progenitores, os professores?

Como é possível haver professores que desconhecem a greve às reuniões de avaliação a partir do dia 4 de junho, enquanto outros dizem que não a vão fazer porque não sabem se é legal, ou porque na sua escola não vai ter impacto?

Eis a prova que existe uma GREVE NACIONAL às Avaliações a partir do dia 4 de junho

Estão velhos, prostrados, acabados, sem espinha dorsal, falam muito com voz grossa na sala dos professores, mas na hora H, os outros que se cheguem à frente, os outros que lutem por eles, os outros que empurrem a carroça.

SOIS UMA VERGONHA!!!

Tenho vergonha de pertencer a uma classe que é incapaz de se unir, que é seguidista de sindicatos com conotações partidárias, uma classe que adora o discurso do coitadinho, adora ter pena de si própria, adora sentir as pancadinhas nas costas, mas está velha, prostrada, acabada, sem espinha dorsal.

Muitos professores não passam de hipócritas e demagogos, o que se lê nas redes sociais é de bradar aos seus, uma vergonha, direi mesmo uma calamidade intelectual!

Isto é muito simples, o próximo mês vai determinar o resto das nossas carreiras, se alguns já chegaram onde chegou “Napoleão”, felizes e contentes, lembrem-se que não estão na escola sozinhos e precisam dos professores que ganham muito menos do que vocês. Se uns acham que ainda não estão no quadro e o assunto não é com eles, são uns tristes e infelizes, porque além de estarem em situações precárias, não percebem que professores de quadro com boas carreiras será o seu futuro a curto/médio prazo.

Existem tantos professores, cultos, inteligentes, licenciados, mestres, doutores, que não passam de analfabetos para perceber o básico… só um coletivo unido pode conquistar o que todos ambicionam para o seu presente e futuro, e para isso ser feito, cada um de nós tem de gritar BASTA, fazendo a greve que se avizinha e assinar um pequeno papel que não demora mais do que uma “porcaria” de 5 minutos.

Este texto vem das entranhas, vem da revolta que estou a sentir por aquilo que ando a ler. Não é correto, não fica bem, é insultuoso, já não quero saber, irra!!! Há um grupo de pessoas que anda a lutar por milhares sem ganhar um tostão, abdicando do seu tempo, da sua família, por amor à camisola, por amor à profissão, e milhares de vós não quereis saber, julga que andamos aqui com segundas e terceiras intenções, a mando de alguém, incapazes de pensarmos pela nossa cabeça.

Milhares de professores estão capturados e nem isso se apercebem, desistiram de pensar pelas suas cabeças, desistiram de agir pelas suas mãos, não passam de mortos vivos com um livro de ponto nas mãos… Os “Centenos”, riem a bem rir com a desunião docente, com os tiros nos pés, com a apatia generalizada, mas pelos vistos os “Centenos” também andam na sala dos professores, incapazes de se verem ao espelho…

Meus caros… Vão ter aquilo que merecem e daqui a um mês, mês e meio, também eu ficarei velho, prostrado, acabado, sem espinha dorsal… A minha energia será canalizada para quem a merece, não para quem tem pena de si próprio e pouco ou nada faz…

ACORDEM!!!

Alexandre Henriques

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66 COMENTÁRIOS

  1. “…Há um grupo de pessoas que anda a lutar por milhares sem ganhar um tostão, abdicando do seu tempo, da sua família, por amor à camisola, por amor à profissão…”
    FALANDO NO MEU CASO, A TUDO ISTO SE JUNTA O DESAFETO DE DIRETORES E COLEGAS, A FALTA DE APOIO EM QUALQUER SITUAÇÃO, COMO QUE A DIZER : “ÉS TÃO ESPERTA, RESOLVE POR TI!”O RESULTADO É A EXAUSTÃO QUE O PESO DE UMA LONGA CARREIRA TRAZ, COM A SOLIDÃO DE QUEM NÃO SE FAZ DE COITADINHA PARA FICAR BEM VISTA PERANTE OS SRs DOS CARGOS…

  2. É extremamente frustrante, este deixa andar e falta de iniciativa e vontade para exigir direitos básicos. A escassa participação na ILC foi uma desilusão, e a incapacidade para mudar o rumo dos acontecimentos por parte dos interessados, que somos todos, revolta.
    Agradeço profundamente a todos os que se envolveram e tentaram agir (fazendo o trabalho todo). Também eu estou triste e desiludida.

  3. Não me senti insultada, senti apenas uma enorme vergonha de pertencer a esta classe. Há anos que sinto e digo o mesmo, os professores têm o que merecem!

  4. Dói … só de ler! Sinto o mesmo! Mas ainda tenho esperança de dias melhores, que os já tivemos em tempos idos… e refiro-me à união que existia entre Professores nas Escolas, hoje “desmembrados” por ardilosas políticas legislativas onde o(s) Sindicato(s) se mostrou (ram) incapaz (es) de manter negociações firmes cometendo o erro de “engolir sapos vivos”!

  5. Concordo plenamente contigo Alexandre!
    Tanto que tens lutado pelo interesse de todos … mas as pessoas não merecem mesmo !

    • Desde que haja coerência Júlia Gradeço. E o problema é mesmo esse, fala-se muito mas faz-se muito pouco… e os diretores também têm responsabilidades…

      • Atrás do monitor são todos os maiores…na hora H é vê-los com desculpas…
        “-Agora não, que é hora do almoço…
        -Agora não, que é hora do jantar…
        -Agora não, que eu acho que não posso…
        -Amanhã vou trabalhar…” _Deolinda Movimento Perpétuo Associativo

  6. Peço a todos os que lerem este desabafo que o enviam a todos os colegas. Pode ser que alguns que estejam apenas adormecidos e não mortos, acordem

  7. O Alexandre conhece pessoalmente alguém do sindicato S.T.OP. Eles enviaram o pré-aviso de greve à comunicação social? É que há de facto muitos colegas em dúvida acerca da legitimidade dav greve. Eu acabei de imprimir o pré-aviso para colocar na sala de professores da minha escola.Talvez todos nós pudessemos dar uma ajudinha neste sentido.

  8. Colega: porque julga que os professores não admitem a possibilidade de ser avaliados de forma independente e aí sim, fazem grandes manifestações e greves, mas calam-se quando são avaliados pelos seus companheiros de profissão, que são iguais a si? porque julga que esta atitude tem a cobertura dos sindicatos? O trabalho de todos os Ministérios de educação desde o 25 de abril (porque antes é questionável que existisse educação) tem sido destruir os professores, uns ministros com mais empenho e eficácia que outros, mas todos coincidiram nesta meta de desmembrar a coluna vertebral dos professores. Há muito tempo que esta meta foi atingida. A obra está à vista. Os professores não acreditam em nada, já assistiram ao fim de muitas utopias sangrentas, são desistentes por definição. Hoje mobilizar professores para uma greve é uma tarefa olímpica, os professores são perigosamente conformistas, transmitem o conformismo aos seus alunos, fabricam uma sociedade conformista. E o problema não é só português. A escola é o laboratório da sociedade. Diz-me que professores tens e eu te direi que cidadãos terás. Todos os cidadãos passam pelo filtro da escola, todos os grupos profissionais aqui se formam. Os fenómenos das redes sociais, do bullying, das praxes, dos reality shows, dos candidatos populistas, confirmam à saciedade esta situação grave e extremamente perigosa, perpetrada por políticos desejosos de se ver livres de um grupo profissional intelectualizado, crítico, consciente e livre. Hoje a educação é um negócio privado e/ou uma forma de controlar as crianças e os jovens enquanto as famílias trabalham e produzem. Em qualquer dos casos com projetos implementados, cujo curriculo oculto não é fiscalizado por um grupo de intelectuais, críticos, livres e independentes. Os professores são técnicos obedientes que se limitam a aplicar sem contestação ou com contestação anémica, as derivas deste ou daquele ministro. A História ensinou aos professores que lutar não vale a pena. A maior parte deste grupo profissional é constituído por elementos do sexo feminino e toda a gente sabe a resistência ao sofrimento e a capacidade de multitarefas que as mulheres têm. Isto explica muita coisa, inclusive a resistência às pressões. Espicaçar os professores já não funciona como dantes. 20 para os políticos, 0 para os professores.

    • Duvido muito que seja “um grupo profissional intelectualizado, crítico, consciente e livre”. A avaliação dos professores faz-se pelos resultados dos seus alunos. Só que os resultados de agora não são sérios, são uma mistificação total e completa. Não há rigor nem exigência na maior parte dos casos. Os professores deixaram-se cair neste logro do sucesso de seus alunos a todo o custo ou, melhor dizendo, de qualquer maneira.

    • Este argumentário tende a alastrar-se face e é muito injusto. Só o desnorte faz com que ele venha à baila. Espera-se que o desnorte e a ideia que “afinal isto eram favas contadas, mas afinal não é assim tão fácil” não leve a outras elaborações sobre a temática do género.

      “A maior parte deste grupo profissional é constituído por elementos do sexo feminino e toda a gente sabe a resistência ao sofrimento e a capacidade de multitarefas que as mulheres têm.”

      Podemos elaborar um pouco:
      Se ” toda a gente sabe a resistência ao sofrimento e a capacidade de multitarefas que as mulheres têm.”
      – é por isso que a violência doméstica é sua culpa;
      – é por isso que os abusos sobre elas é sua culpa;
      – é por isso que se defendia que as mulheres não deviam ingressar nas FA por empatia para com o inimigo

      Ora, tudo isto está longe de ser verdadeiro.

      • Deveriam ser favas contadas. Como não ser favas contadas? Desnorte é não serem. Quem pode achar normal e equilibrado que se evapore, como por magia, o tempo de serviço e o trabalho realizado? Pode dizer-se: não podemos contar todo o tempo de serviço agora, iremos negociar as condições, mas até ao fim da sua carreira todos os professores terão direito a ver contabilizado o seu tempo de serviço – não pode nunca dizer-se: os professores estiveram a trabalhar, mas o seu trabalho não conta, nem vai contar nunca, decidimos arbitrariamente contar apenas uma parte simbólica do vosso trabalho e chega, não falem mais nisso, sejam bem comportados, aceitem e fiquem calados. Ninguém lúcido e que tenha respeito por si próprio pode aceitar isto, só encara com normalidade esta situação quem tenha coluna vertebral de gelatina e esteja habituado a ser desrespeitado todos os dias. Claro que também existem os professores que já não precisam de se incomodar, pois não necessitam deste tempo de serviço para mudar de escalão.
        É um facto estatístico que o sexo feminino é maioritário na área da educação, vou dispensar-me de especular acerca das causas e consequências dessa distorção. Extrapolar daqui para o fenómeno da violência doméstica não me parece consequente. O fenómeno da violência doméstica está suficientemente estudado, e é sabido, que por razões de caráter económico, social e afetivo, muitas mulheres ficam presas em relações indignas e perigosas por não conseguirem quebrar o círculo da violência doméstica, a falta de empoderamento das vítimas é intrínseca da violência doméstica, por isso a violência doméstica é culpa da sociedade e não das mulheres, pois uma vez que esse fenómeno é sobejamente conhecido, o que falta é intervenção eficaz e apoio, a todos os níveis, às mulheres, para que possam sair dessa situação antes que seja tarde. Mas os cidadãos são formados na escola, a sociedade que temos é a que sai da escola. Os políticos não entendem que o sector da educação é tão estratégico como o das finanças, a nossa riqueza é o capital humano, não o petróleo. Fingem ignorar que quando se dá o 25 de abril, a taxa de analfabetismo em Portugal é altíssima, não existem hábitos de leitura enraizados desde há um ou dois séculos nas famílias portuguesas, como existem noutros países desenvolvidos, além disso, a massificação do ensino produziu um embate violento na instituição escolar, que ainda hoje está a tentar recuperar desse embate. O país nunca teve a revolução cultural de que precisava e a que tinha direito, para resolver o seu atraso. Os professores há anos que carregam com estes e outros pesos, quietos e calados. Sem desprimor para o nosso Ministro da Educação, ninguém considera o sector da educação tão importante como o Ministério dos Negócios Estrangeiros ou das Finanças, ninguém vai buscar figuras de primeiro plano da política e da cultura para colocar à frente do Ministério da Educação, alguém com sentido crítico e capaz de destrinçar o essencial do acidental. Todos os que por lá passam ficam reféns daquilo a que alguém já chamou “as ciências ocultas da educação” e interesses não declarados, como por exemplo, o fim da escola pública. Repito, a obra dos políticos, em matéria de educação, está concluída, contemplem-na. Pobres das nossas crianças e jovens, e pobre do nosso futuro, os Rankings com as suas cosméticas, aí estão para a falsa segurança dos incautos.

        • mario silva,

          “Claro que também existem os professores que já não precisam de se incomodar, pois não necessitam deste tempo de serviço para mudar de escalão.”

          Não necessitam de se “incomodar”? Como assim?
          É uma questão de princípio para todos, quer para os professores que precisam de progredir, quer para quem já progrediu.
          E mesmo que assim não fosse, esta questão liga-se ao cálculo do valor das reformas, pelo que o facto de se ver contado todo o tempo efectivamente prestado lhes diga tb respeito.

          “É um facto estatístico que o sexo feminino é maioritário na área da educação, vou dispensar-me de especular acerca das causas e consequências dessa distorção.”

          E, no entanto, especulou.

          • 1- Quando afirmei que há quem não precise do tempo de serviço estava a ser irónica, mesmo os que afirmam que o trocariam pela aposentação, precisam do tempo de serviço. Também vou ser irónica agora: princípios é para quem pode.
            2- Não, no primeiro momento, não especulei, constatei. Quanto às especulações que poderia derivar facilmente das constatações, quero ficar por aqui. Especular, é bom, faz-nos progredir na compreensão das coisas, mas não quero divergir do que interessa.
            As razões que levam uma classe profissional a ser ou não ser emancipada não são difíceis de discernir, mas não é essa a discussão de que precisamos agora.

          • Vai também desculpar-me por não ter percebido que a questão do género ser um condicionante negativo para a fraca mobilização dos professores era uma ironia.

            Sabendo agora que é uma professora, evidentemente que só poderia ser essa a figura de estilo- a ironia.

          • Agradeço a seriedade do comentário. Mas posso afirmar que o que disse foi com conhecimento de causa, baseado não só em comunicados oficiais que não correspondem à verdade, bem como situações que presenciei e outras que me foram transmitidas por membros da comissão.

  9. Subscrevo inteiramente este desabafo! De facto, é frustrante ver colegas que só se preocupam com o seu umbigo ou com aquilo que irão dizer os encarregados de educação. Estou farto de hipocrisias. Vou levar a greve às avaliações até ao limite. Estamos juntos, caro colega!

  10. Sinto-me envergonhada. E cansada de carregar tantos. Os professores estão a transmitir uma imagem de si próprios nada abonatória e há muitos olhos sobre nós, não se esqueçam disto.

  11. Triste realidade a nossa. Faço minhas as suas palavras. Os professores vão ter o que merecem.
    Classe profissional? Não!!!
    O que temem? Já perderam tudo ou quase tudo!!!

    • É triste porque houve professores que lutaram e conseguiram bastante. Mas isso já lá vai pois, e como diz a colega Isabel Vieira, hoje estão a perder tudo aquilo que os outros conseguiram. E de quem é a culpa? É nossa!!! Somos a classe menos unida que há. Que pena!

  12. Alguém me explica sff porque é que os 50.000 que estiveram dia 19/5 no Marquês de Pombal não assinam a petição?

    • Não assinam a petição por diversas razões, porque a maior parte dos colegas do quadro são preguiçosos, sem paciência para ler e aprender simples passos, não o sabem fazer, outros desconhecem a petição, alguns ou diria muitos não se interessam pois são colegas contratos. Eu sei bem do que estou a falar, pois tive de incentivar, mobilizar para a sala de informática e ajudar (fazer) assinar a petição de 6 colegas, 2 contratados e 7 do quadro. Enfim, … e mesmo assim acho que há muitos colegas desta escola que ainda não assinaram a petição. A ideia de todos assinarem passaria por mobilizarem os colegas também a assinarem em papel, para isso deveria existir um grupo de colegas responsáveis a recolher essas mesmas assinaturas, haver uma boa organização nesse sentido.

  13. Sem dúvida. Somos uns invertebrados. Uns “merdas”. Afinal a vida é justa e temos aquilo que merecemos. Só acrescentava uns bons estudos enxertos de porrada a ver se acordavamos e deixavamos este estado nauseabundo de mortos vivos.
    ..

  14. quem é mais velho, já se confrontou com isto há mais tempo…
    recordo que em 2005 foi convocada uma greve aos exames nacionais, porque na época já se vislumbrava a destruição que se preparava, e a adesão foi escassa…
    depois do fracasso da última greve às avaliações no tempo do Crato, com o beneplácito dos sindicatos que desmobilizaram desconvocando a greve e recebendo uma mão cheia de nada, é compreensível que agora exista descrédito sobre esta greve…

  15. O Pré-Aviso de Greve da Fenprof refere:
    … greve à atividade de avaliação a partir do dia 18 de junho, com incidência nas reuniões de conselho de turma dos 5.º, 6.º, 7.º, 8.º e 10.º anos de escolaridade, bem como, a partir de 22 de junho, às reuniões da educação pré-escolar e do 1.º ciclo do ensino básico.
    Ou seja não inclui as reuniões do 9º 11º e 12º ano.

  16. E eu pergunto, qual é o problema por exemplo para um aluno do 8° ano não saber a nota em junho? ou em julho? ou em agosto? Interessa é saber em setembro. O governo ate se ri com esta greve.

  17. Tecnicamente não sei se é uma classe de merda ou uma merda de classe…. Essa foi uma das razões por que saí (rescisão) já com quase 36! anos de serviço (mas ainda algo longe da reforma). Enquanto houver umas “Marias” e “Manéis” preocupados em não prejudicar as criancinhas (e que se estão nas tintas para os profs.) em vez de se preocuparem com as suas condições de trabalho, o seu bem estar social, mental e económico, imbuídos de um espírito de missão que ninguém lhes encomendou e nem lhe pagam que chegue para tal, a classe continuará a degradar-se. Até que irá chegar a um ponto (e a maioria não está a ver) em que não haverá progressões ou os que progridem serão muito poucos. Topo da carreira, será mentira para mais de 90%. Mesmo os escalões anteriores ao topo serão muito pouco “povoados”.
    Transformaram (e os profs deixaram) uma carreira especializada numa espécie de faz tudo do entretenimento dos meninos, elevados ao estatuto do cliente que tem sempre razão. Culpa dos que por aí passaram e já não estão, mas também de muitos que agora estão a queixar-se com dores de cotovelo e que antes se estiveram nas tintas; mas também culpa dos teóricos das “ciências ocultas da educação” que nunca deram aulas (ou debandaram da sala de aula quando a coisa começou a não ficar bem) e debitaram teorias malucas que os profs. (nem todos) aderiram acriticamente. O resultado está à vista e mais se verá em futuro próximo.
    Os profs. foram transformados em simples operário de fábrica ou lojista de uma qualquer marca num centro comercial.
    Não se esqueçam: cada um tem aquilo que merece. Deixaram destruir uma profissão digna e exigente – éramos os garantes e os validadores dos conhecimentos das novas gerações, alguém em quem a sociedade depositava total confiança – para passarem a ser entertainers pagos pelo estado ou baby sitter’s de adolescentes mal comportados (como os pais dos mesmos).
    Boa sorte, mas não me parece que a venham a ter. É que, como dizia um futeboleiro, a sorte dá muito trabalho…. (e há muitos na classe que não se querem “desinstalar”).

  18. Greve às avaliações já houve, sou professora contratada por vocação e não tenho memória curta! Até a exames nacionais! Mas enquanto alguns brincam ás greves outros há que que as levam a sério como foi o meu caso nessa altura. Passei semanas na escola enquanto um grupo de colegas fez uma ‘vaquinha’ e o dinheiro durou houve greve, quando iam começar a perder dinheiro a greve acabou. Foi quando eu decidi fazer greve, não gostaram porque as reuniões iam se prolongar para o seu tempo de férias. Nós estamos nesta situação por culpa da maioria dos professores e sindicatos. Os professores não podem perder uns dias de salário por uma carreira, mas outras classes com menos rendimentos pode. E os sindicatos não sabem que se decretassem greve por tempo indeterminado o pais parava e em dois ou três dias o ministério era obrigado a tomar decisões? Sabem mas são amigos politicos. Por isso eu estou disponível para coisas sérias, não para brincar ao faz de conta. Sou professora contratada, de origem humilde que sabe o que custa a vida e precisa do salário para manter dois filhos. Não brinquem, lutem com força e seriedade!

  19. Eu assinei e fui à manifestação, mas sinceramente a questão de fazer greve às avaliações deixa-me apreensiva. Não temos de as fazer na mesma?

  20. Caro Alexandre,

    Gosto muito do que escreve e habituei-me a respeitar a sua genuína honestidade, sinceridade e bom senso.
    Mas este desabafo não parece seu. Parece de alguém em desnorte, sofrido e desanimado, atirando em todas as direcções.

    Quantas vezes perdemos? Quantas vezes obtivemos migalhas? Quantas vezes, pelo contrário, conseguimos que algo mau para a classe não fosse adiante? Isto não é um mar de rosas e nós, professores, não somos mais nem menos do que outras classes profissionais que também perderam muito.

    Depois, há que retirar uma consequência, para já, desta Iniciativa cívica : com ela veio, e está espalhada por essas redes sociais fora, todo um divisionismo, egoísmo, entre os privilegiados e os não privilegiados, entre os que estão a meio, no princípio ou no topo da carreira (sendo estes últimos os responsabilizados por todo o mal, como se tivessem feito algo de errado ao terem chegado ao 9º ou 10º escalões).

    Já fui “ofendida” por estar nessa situação. “Cala-te, sua privilegiada, que andas por aqui a deixar-nos ainda mais “furiosos”. Para além das causas exógenas, temos ainda de lidar com as endógenas.

    E em muitas redes sociais, não há qualquer nota, qualquer admoestação quanto a comentários destes, maioritariamente desprezíveis.

    E chego à conclusão de que uma variável a ter em conta é a utilização desta atitude louvável para se deitar cá para fora muitos ódios e desnortes. E há, tenho de dizê-lo, alguns organizadores/apoiantes desta iniciativa que se serviram dela para outros propósitos e velhas vendetas.

    Pior, já li que seria bom “fazer uma apropriação” das assinaturas e chegar a conclusões sobre quem assina ou deixa de assinar.

    Isto é muito GRAVE, para além de ilegal.

    Se isto continua assim, vou repensar em retirar a minha assinatura já enviada.

    • Olá Ana. Eu escrevo aquilo que sinto, tenho lido coisas muito injustas e sei a dedicação que muitos estão a ter para que a greve e ILC cumpram o seu objetivo. Os resultados da sondagem chocaram-me… 30% que não vão fazer greve??? É demasiado… Se juntar a isso a apatia de tantos que passam a vida a queixar-se, os jogos de bastidores que estão a ser feitos e que a maioria dos professores desconhece, é de ficar revoltado, irritado e disparar em várias direções. O tom não foi o mais correto, hoje escreveria de forma diferente, mas agora já está. 😉

  21. Só para terminar, caro Alexandre,

    E sem qualquer intenção em o desconsiderar, lembro-me de uma das últimas greves aos exames, creio, antes de surgirem , logo a seguir os “serviços mínimos”.

    E lembro-me do título desse post seu, aqui, intitulado, qq coisa como: “Sou profissional por isso não faço greve porque estou a prejudicar os alunos”

    Lembra-se?

    Nada de mal contra esta sua posição. Como alguém dizia, lá mais acima, podemos ter opiniões diferentes, especialmente se as justificarmos.

    Mas, ligando este caso ao desabafo contido neste seu post, há algo que me escapa.

    • Porque era aos exames e mantenho o que disse. Não farei uma greve aos exames, uma greve às avaliações adia os exames, pode perturbar as férias sim, mas acho indecente levar um aluno a preparar-se para um exame e depois este não ocorrer. Na minha cabeça são coisas diferentes.

      • Alexandre,

        Vai desculpar-me.

        Será que percebi bem?

        Fazer greve a exames prejudica os alunos.
        Fazer greve às reuniões de avaliação que mexem com os exames desses alunos não prejudica.

        É isso que quer dizer?

        “mas acho indecente levar um aluno a preparar-se para um exame e depois este não ocorrer. Na minha cabeça são coisas diferentes.”

        Na minha opinião, não são coisas diferentes.

        bfs

        • Passar 2/3 semanas a estudar e no dia do exame haver uma greve, prejudica claramente o aluno e toda uma organização de estudo que é necessária. Atrasar reuniões de avaliação, vai obrigatoriamente adiar os exames, não irá prejudicar essa planificação ou deixar na dúvida se o aluno vai ou não realizar o dito. São coisas diferentes…

          • Desculpe a insistência, mas não são coisas tão diferentes assim.

            Ao adiarem-se exames não se sabe bem para quando, “prejudica” também e obviamente ” aluno e toda uma organização de estudo que é necessária.”

          • Depende também do Ministério da Educação… Claro que uma greve tem de ter consequências, mas estas devem ser progressivas.

  22. Creio que há vários factores que estão por trás desta desmobilização da classe docente. A primeira e deveras importante é a descrença da maioria em relação aos resultados das lutas que têm travado. Lembremo-nos da força, da união de todos os professores (posso dizer que eram praticamente TODOS) nos anos de 2008/2009. Lembremo-nos agora dos resultados dessa luta e teremos praticamente NADA. Os professores uniram-se, lutaram como nunca e não foram recompensados. Os sindicatos fizeram acordos com o Ministério mas o essencial dos motivos das lutas manteve-se. Pior, continuaram a achincalhar-nos, a encher-nos de trabalho, a cortar-nos nos vencimentos, a mudar políticas educativas a seu bel prazer, sem NUNCA consultarem os professores. Ainda lutámos mais umas vezes e os resultados estão à vista. Como querem que continuemos a fazê-lo? Perdemos a esperança, estamos fartos, cansados, desanimados, é verdade.

    Em relação à ILC, também me interrogo da fraca adesão, mas alguns dos motivos estão acima indicados. A perda de esperança e de crença, a desmotivação. Outro dos motivos que poderia levar a uma maior adesão e que tem afastado alguns docentes “mais velhos” de assinarem é o facto de não haver uma única referência no documento em relação à troca desse tempo por antecipação na aposentação. Há muitos professores que já estão nos últimos escalões e o que desejam é sair, não querem saber da recuperação do tempo e não houve uma explicação para isso não fazer parte da ILC. E, acreditem, estes professores mais velhos são muitas vezes o motor e a motivação de alguns mais novos. São respeitados nas escolas (de um modo geral), a sua palavra é seguida pelos colegas mais novos. Creio que foi um erro não só o assunto não ser mencionado no documento como nunca ninguém ter explicado o porquê.

    • Cara colega professora,

      Um muito bom texto e um grande subscrevo.

      O que refere no 2º parágrafo é crucial e pode ser uma das explicações para uma demora tão grande em juntar o nº necessário de assinaturas. Falha grave a ter em conta em próximas lutas.
      Mas, como já escrevi algures por aqui, o pior é mesmo os comentários que se lêem de hostilidade enorme em relação aos “mais velhos” para quem a recuperação do tempo de serviço, afirma-se, já não diz nada. Nada de mais falso.

      Como tb não se compreende o não se pensar a questão dos horários e as questões relacionadas com as componentes lectivas e não lectivas.

      Sofrem hoje os “mais velhos” e sofrerão, a curto prazo, os mais “novos”

      Faltam aqui nesta iniciativa outras variáveis que não foram exploradas.

      No entanto, e apesar de tudo, já assinei.

      • O termo “velhos” não está relacionado com o BI, está relacionado com a postura. Daqui a 2 meses, se a greve for um fiasco e não obtivermos as 20 mil assinaturas para a ILC, tb eu ficarei velho… Sobre o conteúdo da ILC, veja o que respondi anteriormente.

    • A fraca adesão deve-se ao boicote sindical, é a minha opinião. O motivo pelo qual a ILC não abordou a questão da reforma, foi para estar similar à recomendação feita pelo parlamento ao ME. Só assim podemos exigir que votem da mesma maneira e sejam coerentes. A questão da antecipação da reforma merecia uma nova ILC, sim, mas tudo vai depender dos resultados desta… Tudo foi falado, tudo foi pensado.

      • Desculpe, Alexandre, não sei se o problema é o boicote dos sindicatos. Ninguém de nenhum sindicato me contactou para que não assinasse a ILC, nem direta, nem indiretamente, não foram afixados cartazes de nenhum sindicato, na minha escola, com o objetivo de convencer os professores a não assinar a ILC. Ninguém de nenhum sindicato se deslocou à minha escola para esclarecer os professores no sentido de não assinar a ILC. Provavelmente alguns professores contactaram, por sua iniciativa, os sindicatos para se informarem se deveriam ou não assinar a ILC e foram convencidos a não o fazer (e pensar pela sua própria cabeça, não?).
        Eu enviei aos meus colegas de escola vários mails no sentido de apelar à assinatura na ILC, fiz o mesmo em relação à Direção da minha escola. A Direção da minha escola enviou mails a todos os professores da escola com o mesmo objetivo.
        Não perguntei a nenhum colega se tinha assinado, achei que não o devia fazer, mas estou convencida que a maior parte dos colegas da minha escola não assinou, porque é essa a atitude anestesiada que têm em relação a tudo.
        Estou convencida que grande dos professores nem sequer é sindicalizada.
        Enfrentemos a dura realidade, este grupo profissional (não me parece adequado chamar-lhe classe, pois é muito heterogéneo) deveria ser objeto de um estudo de caso.
        Os sindicatos não apoiaram a ILC (o que expõe o facto de nem sempre as suas lutas coincidirem com princípios) mas não a boicotaram ativamente, quem boicotou a ILC foram os professores com o seu amorfismo típico.
        44 anos depois do 25 de abril, alguém tem medo de colocar o seu nome numa petição pública? eu sei que o sistema educativo tem tradição persecutória, mas, e se houvesse algum problema nesse sentido? isso não seria mais uma motivação para assinar a ILC?
        Um forte abraço para si Alexandre e para todos os que assinaram a ILC, não é preciso grande coragem para isso, basta ter princípios. Obrigada.

        • Alexandre, acredito que tenha conhecimento de comportamentos condenáveis da parte dos sindicatos em relação à ILC, mas isso reverte sobre os sindicatos (shame on you) e não afasta a responsabilidade dos professores. Como educar para a cidadania, para a responsabilidade cívica e para a autonomia, quem não a tem, quem tem uma moral heterónoma. Foram os políticos que puseram os professores neste estado, podem limpar as mãos à parede com o trabalho que fizeram. Habituados a ser saco de pancada, vinda de todas as direções, os professores, andam nas escolas com a “cabeça entre as orelhas” e obedecem porque lhes mandam obedecer. Que país pode suportar este vazio?

  23. Ana, a discussão acerca da passividade feminina não é uma discussão que nos interesse agora. Sou feminista dos quatro costados, sempre fui. Não ignoro a complexidade do papel da mulher na sociedade. Não ignoro os fios invisíveis que manietam as mulheres. Não ignoro que as mulheres têm um longo caminho a percorrer em matéria de emancipação, apesar do que já percorreram.
    Eu estava no Largo Amor de Perdição quando da manifestação contra as decisões insólitas do juiz Neto de Moura, o Largo não estava a abarrotar de mulheres (nem de homens).
    Eu não tapo o sol com uma peneira…

    • Maria Silva,

      As minhas desculpas se entendi mal algumas partes dos seus comentários e por me ter escapado a ironia de outras.

      Depois de ler estes seus últimos comentários sobre a responsabilização (ou antes, falta dela) de cada um de nós e de como gostamos de remeter para outros/as as nossas opções (ou falta delas), não posso estar mais de acordo consigo.

      Subscrevo totalmente.

  24. Pois é isso mesmo….durante anos sempre fiz greve e sempre me cheguei à frente…..já não tenho paciência para ouvir as queixas nas salas dos professores bla, bla, bla……..e também as críticas aos sindicatos…esperam milagres sem sacrifícios….esquecem que há muitos anos atrás houve colegas que também se sacrificaram, e quiçá, com menos condições do que nós, para que nós tivessemos direitos que agora, se não lutarmos por eles, vão por água abaixo….ACORDEM!Há que dar o coiro e a pele, nada aparece de graça na vida

  25. Assino por baixo, o texto.
    E os ratos que encontram sempre uma desculpa, por que não aparecem por aqui? Se tivessem convicções cá estariam. Estão sempre “pendurados” nos outros, isso tem um nome no nosso calão…

  26. Colega Alexandre
    Que eu saiba ainda vivemos numa democracia, logo cada um é livre para fazer o que bem entender. Não me parece lógico criticar os colegas que, por algum motivo, não aderem à(s) greve(s) já que pelo que li o Alexandre também já optou por fazê-lo. A mim ensinaram-me a respeitar as opiniões alheias e é isso que continuarei a fazer.

    • Eu não crítico quem não faz, eu crítico quem não faz e depois passa a vida a queixar-se… E sim, não fiz greve aos exames por ser inútil.

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