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Os professores no ativo estão a pagar os excessos do passado.

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Hoje Filinto Lima num artigo de opinião ao JN faz uma boa radiografia ao sistema educativo, alertando para pontos chaves que precisam de ser alterados. Ao mesmo tempo relembra o discurso (demagógico?) de António Costa na sua mensagem de Natal, colocando a Educação como uma prioridade para 2017. Até que ponto os professores estarão incluídos nesse discurso?

Já o disse em privado várias vezes, “trabalho muito mais agora e o meu prémio é estar congelado há uma década e no final do mês ainda levo menos dinheiro”. A questão financeira é muitas vezes escondida e até parece mal colocar a palavra educar e dinheiro na mesma frase… A minha geração dificilmente chegará a meio da carreira, muito menos ao topo, aliás, professor e carreira são cada vez mais palavras antónimas.

Longe vai o tempo onde um professor tinha um horário em part time, era bem pago e a escola era muito mais simples, com alunos mais acessíveis, pais respeitadores e muito menos burocracia.

Sou da opinião que os professores no ativo estão a pagar os excessos do passado. E a fama que somos bem pagos e trabalhamos pouco não apareceu por magia… É difícil estar na escola no presente sabendo aquilo que se passou no passado. Não me atrevo a colocar a dedicação e competência dos meus colegas que já estão reformados em causa, mas são os próprios que dizem que saíram no tempo certo e lamentam o que estamos a passar.

O que dirá a minha geração quando se reformar, lá para os 70 ou mais anos?

Lembram-se dos anos da Troika e seguintes? Foi difícil mas felizmente que nos compensaram pelos anos perdidos…

Ou…

Desde a Troika que ser professor nunca mais foi a mesma coisa…

Preferia que fosse a primeira, mas hoje, dia 9 de janeiro de 2017, não acredito que assim será…

Educação ioiô?

Contudo, é tão importante não embandeirar em arco, como é fundamental não ter um discurso derrotista e de culpabilização dos anteriores governos, quando o produto se afigura menos risonho. É necessário consolidar estes valores, sob pena de pactuarmos com uma Educação ioiô, nada aconselhável a quem almeja o melhor. E, para tal, torna-se premente rever as condições de trabalho dos professores (hoje, um professor trabalha muito mais que há anos, ganhando menos), desburocratizar a função docente (a papelada e as plataformas preenchidas por estes profissionais, roubam tempo para a função nobre: ensinar), devolver a dignidade ao trabalho dos professores (o congelamento da carreira, que há anos perdura, é um problema dos mais graves), rejuvenescer o corpo docente, atribuir verdadeira autonomia às escolas acreditando em quem as lidera, promover a diminuição do número de alunos por turma, incentivar as coadjuvações em contexto de sala de aula, dotar as escolas de número suficiente de funcionários e técnicos (psicólogos, educadores sociais…) …a par de outras medidas conjunturais e estruturantes, fundamentais à solidificação das conquistas positivas realizadas pelas escolas.

8 COMENTÁRIOS

    • A culpa não é das pessoas, a culpa é de quem deixou chegar a certo ponto. Mas atenção, o princípio era correto, mas acho que houve excessos nos tempos das vacas gordas e a reputação dos professores ficou mal vista.

      • Sem dúvida que sim.

        E a dada altura achámo-nos “ricos”, e deitámos dinheiro ao lixo, fizemos rotundas com muita tralha no meio , que depois desfizemo por serem um autentco estorvo.

        Gastámos à tripa forra o que tínhamos e o que nao tínhamos…………. e mal.
        Mas hoje, ou nos fazemos unidos para ir em frente, ou vamos rebentar de vez.

        Vejam-se os bancos, tudo pode acontecer a qualquer minuto!!!!

        Logo, culpas sim se for em Tribunal e haver culpados!!!!!!!!!!!!!!, que parece algo inesixitete neste nosso País, de eternos arguidos……………………….tudo o resto é escavar mais um buraco negro
        Abraço

        Augusto

      • Refere neste comentário: “mas acho que houve excessos nos tempos das vacas gordas”. Ora, pergunta-se:
        Sabe quando foram essas vacas gordas?” Eu digo-lhe… Durante o tempo dos (des)Governos de António Guterres (XIII Governo: de 28 de outubro de 1995 a 25 de outubro de 1999; e XIV Governo: de 25 de outubro de 1999 a 6 de abril de 2002). Foi no tempo de Guterres (agora premiado!!!) que se acabou com a prova de acesso ao 8º escalão… Em que se admitiram professores e entraram funcionários por todo o lado… Em que se criou a (deliberadamente) falsa expectativa quanto a uma carreira (para os filhos da revolução, esses que apenas trabalharam durante 32 com 52 anos ou com 30 anos de serviço caso tivessem 55 anos de idade!). E fizeram entrar gente “a rodos” para os quadros da função Pública (que lhes garantia uma carrada de votos!) dando lugar à proliferação de serviços duplicados (como se passou em muitas “Lojas do Cidadão”)… Enfim. Memória é o que falta a muita gente. Mas não bastou aos socialistas arrasarem o país uma vez! E voltaram em 2005 com José Sócrates — que tinha já sido membro do (des)Governo de Guterres — que teve também a possibilidade de afundar um pouco mais o país com o seu próprio (des)Governo (chefiando na Educação a sinistra Maria de Lurdes Rodrigues), entre 2005 e 2009. José Sócrates não perdeu a oportunidade de se encarregar de pôr, de novo (como Guterres) o nosso país “de tanga”, estourando, literalmente, dinheiros públicos… Quem não sabe dos candeeiros de luxo a mais de 2000 euros e das torneiras de valor superior a 500 euros?? E dos Magalhães (de que nem rasto há já nas escolas porque eram dos alunos, os levavam,. vendiam, desfaziam,… enfim…)??? Ora, com a herança da Troika, que esperavam? Que o (des)governo de Coelho fosse milagroso? José Sócrates, que não conseguiu afundar o país até 2009, voltou mais dois anos para “trabalhinho” que tinha começado, cumprindo o que tinha prometido quando já era primeiro ministro (e portanto, fora da campanha eleitoral), perante um grupo de imigrantes a quem pediu ajuda para “Tornar o país mais pobre”… !

  1. Triste e infelizmente… não é “desde a TROIKA”… Não sejamos tão ingénuos nem façamos análises simplistas!!
    Sejamos justos: Desde a “DOIKA”: Maria de Lurdes e José Sócrates que os professores sofreram o maior dos ataques e foram alvo do maior dos recuos na história da Carreira Docente!!!

      • E quem foi que fez com que a TROIKA entrasse em portugal??? Quem foi???
        Sempre considerei Passos Coelho como pouco inteligente… Se fosse realmente inteligente, nunca se candidataria a governar um país de tanga… arruinado… com a Troika a entrar pelas portas dentro, por culpa exclusiva de José Sócrates, o governante do descalabro que, em 2009 e sem dinheiro nos cofres públicos, ainda prometeu na campanha eleitoral, fazer um novo aeroporto e construir o TGV para ligar o Porto a Lisboa (para ganhar apenas 20 minutos) e Lisboa a Madrid! Razão tinha, nessa altura, Manuela Ferreira Leite que lançou a máxima “política de verdade” pensando, ingenuamente, que falando verdade ganharia as eleições! Ainda por cima para ser culpabilizado e os verdadeiros culpados andarem por aí, em altas instâncias… Que fazia o nosso Governador do Banco de Portugal ??? Que fez Vítor Constâncio? Não supervisionou nada??? E os bancos faliram???
        Há 4 anos atrás, avisei amigos meus de Espanha de que Portugal teria graves problemas com a CGD… Eles que ali tinham dinheiro… que se cuidassem. E não em enganei muito!!! Por ser inteligente? Não… mas porque na CGD estiveram senhores de alta competência como Armando Vara que me dava zero de confiança… Pessoas que chegaram ao cargo por NOMEAÇÃO e não por competência porque, afinal, “não estava provado que não seriam competentes”.!! Ora bolas. Com um país assim… como não entra a Troika. Olhem que em Espanha (onde leccionei de 2006 a 2013) não entrou a troika… E estiveram sem governo crescendo mais do que portugal com uma geringonça..:! Ah… É verdade… Os juros da dívida soberana portuguesa (leia-se, empréstimos ao Governo de Portugal) já voltaram a superar a fasquia dos 4%. Vamos bem, a caminho do abismo! É esse o único que é conhecido dos socialistas. Não é?? Então, vejam o que fizeram em Itália, em Espanha, em Portugal…e, já agora, na Venezuela, onde “reinou” o comandante e camarada Hugo Chavez, país que é hoje conduzido por, ironia metafórica, um condutor de autocarros que, tal como alguns dos nossos ex-(des)governantes, não têm nem competência nem perfil apra os cargos porque, academicamente, sempre demonstraram exactamente o contrário: incompetência! Veja-se o caso da polémica envolvendo as licenciaturas de políticos do governos portugueses (curioso, foi a do ministro de Coelho, Miguel Relvas, a única que (incrivelmente!) foi conseguida com base numa lei (semelhante à das Novas Oportunidades) feita por José Sócrates, mas acabou (ironia do destino) por lhe ser retirada por um próprio colega do governo que integrava… Podemos acusar Nuno Crato e Passos Coelho de quase tudo… (o homem até tem as costas largas!) mas, pelo menos, de falta de seriedade académica, não podemos!

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