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Os professores merecem reformar-se com dignidade.

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São vários os temas que vão aquecendo o debate educativo. Começando na preocupante municipalização escolar, passando pela clássica indisciplina e terminando na contestada gestão escolar, são muitos os temas que precisam de ser abordados e melhorados. A FENPROF vem mais uma vez alertar para o problema da aposentação e o desgaste da profissão docente!

António Costa já fez alusão aos 40 anos de carreira como mínimo para aceder à reforma, faltando saber se com ou sem penalização…

O primeiro-ministro prometeu hoje para breve medidas alternativas para evitar a penalização das pessoas que se queiram reformar e tenham carreiras contributivas de, pelo menos, 40 anos, mas não tenham atingido a idade para o fazer sem sanção.

 “O ministro do Trabalho [Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva] está a concluir esse trabalho e irá apresentar uma proposta. Há essa necessidade de justiça que é muito reclamada por uma geração que começou a trabalhar muito mais cedo do que hoje se começa a trabalhar”, afirmou António Costa, desafiado pelo líder comunista, Jerónimo de Sousa, no debate quinzenal no parlamento.

Sou defensor do modelo Espanhol, um modelo que a partir dos 60 anos de idade e independentemente do tempo de serviço, permita aos professores manter uma ligação à escola, mas sem ter a seu cargo qualquer turma. Os apoios, as coordenações, podem perfeitamente ficar a cargo destes professores. São Senadores do Ensino, a experiência adquirida não pode ser ignorada, a sua voz merece ser ouvida pelos mais novos, sejam estes alunos ou professores.

Já o disse por diversas vezes, estar numa escola é extremamente desgastante, os alunos têm uma energia que nós adultos temos dificuldades em acompanhar, e é preciso estar sempre ligado, focado e sem pausas, de modo a gerir com sucesso todas aquelas multi personalidades e situações que vão ocorrendo a todo o instante.

O direito a desligar, a afastarmo-nos de um ambiente tão exigente, é ESSENCIAL para um ensino de qualidade. Por isso as pausas letivas têm tanta importância para os professores, tal como o descanso que chega noite dentro.

Respeite-se os professores, compreenda-se a exigência da profissão e permita-se que um professor não se arraste pelos corredores das escolas. Se o fizermos, estamos não só a preservar a sua dignidade, mas toda uma entidade que preserva em si décadas de ensino, décadas de Escola Pública.

O reconhecido desgaste e envelhecimento do corpo docente das escolas terá de ser combatido

O acentuado desgaste, físico e psicológico, a que estão sujeitos os docentes é um problema reconhecido por toda a sociedade. Inúmeros estudos confirmam esta situação que tem como consequência um cada vez mais elevado número de casos de stress e burnout que, segundo estudos realizados, atingem já mais de 1/3 do corpo docente das escolas.

Para este desgaste contribuem diversos fatores, designadamente: a degradação das condições de trabalho nas escolas; o agravamento dos seus horários de trabalho; a não definição do que são atividades letivas e não letivas; o excessivo número de alunos por turma e a sua diversidade; a notória falta de apoios adequados à plena integração dos alunos com necessidades educativas especiais, num momento em que o desafio já deveria ser o da inclusão; as situações de precariedade que se prolongam durante muitos anos; o muito visível e reconhecido envelhecimento do corpo docente das escolas; o aproveitamento das reduções por antiguidade (e desgaste) dos docentes para, ocupando-as ilegitimamente, reduzir o número de professores nas escolas…

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14 COMENTÁRIOS

  1. Sei da razão do título. O texto centra-se no envelhecimento dos professores, logo, a reforma.
    Quanto a mim, sobre o devíamos estar todos a falar, a discutir, a ficar zangados, era sobre as condições de trabalho dos professores.
    Ou seja, os professores merecem trabalhar com dignidade.
    É que se não começarmos a ser respeitados, a maioria não se chega a reformar…

  2. E que tal reinvindicar o regresso das reduções de horário a partir dos 40 anos de idade. Ter aos 47 oo mesmo horário que se tinha aos 20 é bem penoso… nisso ninguém fala. Só se preocupam com a aposentação. E sobreviver até lá?

      • Sem arrogâncias e “umbiguismos”, com 58 anos, ter 6 turmas, 3 horas de substituição, uma hora de Oficina de Estudo, uma hora de tutoria e duas horas de Trabalho Colaborativo…

    • E quando as reduções de horário, começaram a ser e são-no para trabalho a que chamam de não-lectivo, mas que sabemos que são lectivo?

      Para além das aulas, termos apoios, tutorias, participações em projectos, substituições, apoios dentro e fora das salas de aula, apoios a alunos de NEE, etc?

      Quem tem este trabalho fruto da “redução” de horário por idade, sente-se completamente “perdido” e esgotado.
      Não é lectivo, dizem.
      Mas é!

  3. É preciso ter em conta que aos 60 anos muitos professores estão também desgastados e cansados e aos 40 anos de serviço muitos já tem 62 ou 63 de idade. Para ser mais justo deveria ser aos 60 de idade com pelo menos 36 de serviço ou aos 40 de serviço independente da idade.

    • Sim Fátima, isso era o ideal, mas nunca irá acontecer, por isso apresentei uma alternativa, em Espanha os professores só ficam com 4 tempos semanais. Não é muito.

    • Concordo completamente!
      Continuar ligado à escola a partir dos 60 com em Espanha? NÂO! Os professores querem sair de vez da escola! Estamos cansados!

  4. Os professores foram injustamente discriminados face a outras classes profissionais (Gnr, Polícia, Militares) e isso criou enorme descontentamento nas Escolas. Sabendo isso o PS vem agora com a cantiga de 40 anos de serviço o que representa uma dupla injustiça pois, por um lado os que estudaram até mais tarde só terão 40 anos de serviço quando forem mais velhos, por outro o argumento que ser administrativo na Gnr é mais desgastante que ser professor é uma conversa sem o mínimo de senso. Tudo o que o PS terá de fazer é não discriminar negativamente os professores face a outra classes profissionais pois o que corre nas Escolas é que o que motivou essa discriminação (os profissionais acima referidos têm direito a ir para casa aos 56 anos em situação de reserva com vencimento completo) foi o facto da maioria dos governantes serem os mesmos do Governo de Sócrates e que por vingança (e todos sabemos o estilo de Sócrates) estariam a ser penalizados.

    • os professores do 1º ciclo que começaram a trabalhar mais cedo é que podem ver essas pretensões atendidas, já os que começaram mais tarde pois fizeram licenciatura terão muito que penar … isto não terá fim… será sugar todos até ao último suspiro

  5. O sistema espanhol parece-me o mais equilibrado. A partir dos sessenta anos, ausência de componente letiva. A solução passaria pela atribuição de um determinado número de horas, componente não letiva para tutorias, apoios pedagógicos, projetos, apoio à biblioteca, organização de atividades extra-curriculares,etc. Sinceramente, quatro horas por semana parece-me insuficiente, eventualmente 12 horas, a fim de se poder desenvolver um trabalho sério e com impacto ao nível das competências e no desempenho escolar dos nossos alunos.

  6. Sem dúvida que há muitos professores que tendo trabalhado desde muito novos noutras atividades não têm aos 60 anos 40 de serviço. Muitos, como é o meu caso, teremos de trabalhar até aos 70.!
    É indigno?
    É injusto? Duplamente! Não temos culpa de ter nascido num tempo em que a escola era só para alguns. Não temos culpa de ter trabalhado sem descontar. A única culpa que temos é a de nos termos esforçado para conseguir estudar para sermos professores.
    E agora?
    Cansados,desgastados,doentes,medicados diariamente contra as dores crónicas,sem tão pouco termos à vista uma aposentação vamos fingindo que conseguimos ser super pessoas, mas não somos!
    E os alunos? Já alguém pensou no ponto de vista deles? Já alguém pensou que precisam de ter consigo alguém novo cheio de saúde e energia? Avós!? Não, não precisam a não ser para lhes orientar um pouco fora da sala.
    60 anos parecem-me bem,mesmo que fique umas horas na escola por exemplo na biblioteca.
    Quanto à aposentação,já disse isto quer ao sindicato quer a um deputado, penso que deveria ser optativo continuar até recuperarmos o tempo de serviço (não acredito para mim) ou descontarem-no na reforma antecipada e saímos sem penalização com base no escalão em que nos encontramos.
    É só a minha opinião.

  7. Lembrem-se que quem nos governa ao fim de 12 anos têm uma pensão vitalícia bem maior do a de qualquer professor, seja qual for a idade.

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