Início Editorial Os erros de análise nas avaliações intercalares

Os erros de análise nas avaliações intercalares

6684
6
COMPARTILHE

Após umas largas dezenas de reuniões intercalares ao longo de 16 anos de carreira, assisto a um traço comum na esmagadora maioria destas reuniões.

A prática mostra que cada professor preenche uma grelha de avaliação utilizando uma classificação qualitativa/quantitativa. A típica grelha é constituída por uma coluna para testes, uma coluna para atitudes e valores e uma coluna para a participação. Para quem utiliza alguns programas informáticos, como o programa INOVAR, surge apenas uma coluna para colocarmos as devidas classificações.

Se a avaliação final do período tem critérios bem definidos, com percentagens específicas, a avaliação intercalar deve (devia) seguir a mesma bitola. Porém, quem ouve os professores falar nas reuniões intercalares, percebe que estes baseiam a sua avaliação num único parâmetro, os testes.

Esta constatação verifica-se principalmente quando os professores atribuem uma classificação global à turma, contando as negativas, as negativas dos testes.

Portanto, quando se diz que um aluno tem 4 ou 5 negativas na reunião intercalar e depois fazemos uns planos de recuperação que pouco ou nada recuperam, afinal, os números podem não ser bem assim… por isso é que costumam acontecer os milagres de final do período, onde várias negativas sofrem uma mutação genética profunda, passando a positiva.

Outro aspeto que é ignorado nas reuniões intercalares, neste caso do 2º período, é o peso da avaliação contínua, como se trata de uma avaliação meramente formativa, não vejo os professores com grandes cuidados para incluir a classificação do 1º período. Aliás, se assim o fazem, qual a percentagem que lhe atribuem? Eu que sou professor não faço a menor ideia…

Venho com isto dizer que as informações das reuniões intercalares valem muito pouco, mesmo muito pouco, tão pouco que acontece frequentemente os professores darem uma classificação ainda sem terem realizado qualquer avaliação formal. É a chamada avaliação a olhómetro…

Por isso faço-vos uma pergunta, devem os professores perder tempo com avaliações a olhómetro ou incipientes?

Não se trata de criticar os professores, a crítica é a um sistema que valoriza algo que pouco ou nada diz, que obriga ao cumprimento de horas extraordinárias não remoderadas e que rouba tempo essencial aos professores.

É preciso caminharmos no sentido da simplificação e acabar de vez com o trabalho supérfluo, pelos professores, pelos alunos, pela escola…

Alexandre Henriques

COMPARTILHE

6 COMENTÁRIOS

  1. A meu ver, é errado o conceito de “avaliação intercalar”. Legalmente, são três os momentos de avaliação, correspondentes ao final de cada período. Avaliação intercalar não existe, e faz-me confusão como ainda há escolas a insistirem nela.

    A única avaliação que cabe fazer-se, em meados do 2º período, é a das disciplinas semestrais, caso existam. Se não existirem, e se não houver outros assuntos específicos da turma a tratar, nem sequer é preciso fazer reunião intercalar.

  2. A avaliação é qualitativa no 1º Ciclo e nos restantes Ciclos quantitativa, isto em relação a cotar os testes. A nota a atribuir aos alunos deve sempre ponderar as aprendizagens ao longo dos períodos, a participação, as atitudes, os comportamentos, a assiduidade e pontualidade. E nunca nos esquecermos que a avaliação é contínua.

  3. Eu tenho cerca de 120 alunos em 2 disciplinas diferentes, e em sistemas diferentes. A minha experiência em vários ciclos, e em disciplinas diferentes – e até para objetivos diferentes!! – Fez-me desenvolver métodos de avaliação diferentes, alguns passando pelo registo quotidiano da participação em aula dos alunos. Sempre abominei os testes e considero-os uma forma arcaica e desajustada de avaliar a maioria dos conteúdos… Devemos pensar e procurar formas de avaliar as capacidades e conhecimentos dos alunos que sejam ajustadas ao tipo de conhecimento e capacidade que se produz. Não passa pela cabeça de um professor de EF fazer testes escritos quando quer avaliar a capacidade de corrida ou trabalho em equipa! e um professor de música desenvolveu ferramentas para ouvir os alunos e perceber o quanto evoluíram… Depois, com tantas plataformas, não se conseguiram ainda desenvolver grelhas com os objetivos específicos sobre o desenvolvimento dos alunos, e que todos os professores de um CT possam preencher com um nível simples (de 0 a 5, por exemplo, e em que o significado de 0, 1, 2,3,4 e 5 estivesse bem explícito)? E cada professor diria o que tem andado a fazer com os seus alunos, o que se propõe, que instrumentos vai usar para puxar pelos alunos de negativa… Não é disso que se trata? Vamos para as reuniões discutir o sexo dos anjos, ouvir novelas, conversar… perdemos imenso tempo, e sobretudo… perdemos a objetividade. E depois acabava com a maioria das ferramentas que retiram responsabilidade ao aluno e à sua família de estudar, de se esforçar… Primeiro resolvia-se a via parental, ou a parte psicológica, e depois podemos conversar. Não parece bem?

    • Eu costumo dizer que estas reuniões são um momento de terapia de grupo que pouco ou nada mudam as aulas do dia seguinte…

  4. Já agora, que este tema surgiu e que se fala do ‘precioso’ Inovar, gostaria de questionar como é que os Senhores Professores atribuem um valor percentual às atitudes dos alunos.
    Enquanto docente do 1.º Ciclo, valendo as atitudes 20% da ‘menção qualitativa do aluno’, nunca tive grande preocupação com ‘rigor e exatidão’ porque o valor aproximado sempre me foi suficiente para ‘subir’ de Bom para Muito Bom ou vice-versa. Este ano vi-me perante ‘Grelhas’ em que me pedem para atribuir um valor percentual a:
    – assiduidade;
    – pontualidade;
    – participação na aula e na equipa;
    – capacidade de gestão de conflitos;
    – autonomia;
    – espírito crítico… …
    … entre outras características humanas para as quais não tenho instrumentos de aferição e que certamente a minha vizinha do lado (docente) medirá seguindo os seus próprios critérios, que me questionei quanto à fiabilidade deste tipo de avaliação que, segundo me informam, serve para mostrar aos encarregados de educação de que todo o processo é objetivo.
    Então, de 0 a 100%, quanto vale a autonomia de um aluno que põe o braço no ar X vezes, quando precisa de ajuda? E se precisar de ajuda e nunca a pedir, qual a percentagem a atribuir?

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here