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“Os alunos não estão interessados no que os profs dizem, os youtubers são mais interessantes”

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O artigo que se segue de autoria de Mário Silva, é extremamente pertinente. Existe um endeusamento de youtubers, um pouco semelhante ao que acontecia na nossa geração com certos cantores colados nas paredes dos nossos quartos.

O youtuber não manda fazer trabalhos de casa, não obriga a ir ao quadro, não faz testes, não marca faltas, não manda calar. O youtuber é o gajo porreiro e os profs e os pais são os “cotas” chatos que não param de chatear. Não é por isso de estranhar que a palavra de um youtuber seja sagrada, seja lei.

A escola e a família têm um adversário de peso na (des)orientação dos mais novos e é preciso estar alerta para nos mantermos no circulo de influência dos nossos alunos/filhos.

Fica o artigo.


Youtuber: o próximo substituto dos professores

Em tempos longínquos, além do trabalho curricular na sala de aula, várias vezes proporcionavam-se debates espontâneos sobre a sociedade (cultura, economia, politica,etc.), de tal modo, que ainda hoje esses antigos(as) alunos(as), adultos no mercado de trabalho, recordam-se particularmente desses momentos; ouviram e não esqueceram.

Com as catastróficas transformações pedagógicas que entretanto ocorreram, esses tempos extinguiram-se, e com as profundas alterações tecnológicas e sociais, as gerações seguintes têm outra postura na sala de aula: não se interessam por temáticas que não sejam lúdicas. Por isso, foi com estupefação que esta semana os alunos do 3º ciclo falavam recorrentemente sobre o artigo 13 da diretiva da UE, e perguntavam a opinião aos profs (esse artigo tem sido polémico porque põe em causa a liberdade de informação na internet). Obviamente que se questionou como é que raio sabiam dessa coisa do artigo 13; e a resposta foi que “um youtuber publicou um video sobre isso e como não sabíamos o que era fomos pesquisar”.

“Quer dizer, se fosse um professor a falar isso na aula, quando saíssem da sala já tinham esquecido, mas como foi um youtuber, não se esquecem”, comentou o professor para a turma.

“Claro, os alunos não estão interessados no que os profs dizem e por isso não ouvimos, mas os youtubers são mais interessantes”, foi a resposta pronta de uma aluna, com a anuência da generalidade da turma.

E deste modo ficou esclarecido que os youtubers serão os substitutos dos profs, já que são mais eficazes na captação da atenção da miudagem…

Outra consequência grave, é a desvalorização completa da escola, como instituição formadora de futuros cidadãos adultos produtivos, já que levanta-se a questão de como convencer para a importância da formação educativa quando se pode ser youtuber com tremenda facilidade e sucesso garantido, sem ter de se sujeitar ao trabalho de estudar durante anos…

“Wuant, um dos mais influentes youtubers, a faturar mais de um milhão de euros por ano, como divulgou o Dinheiro Vivo no início de 2018.

Em casa de Sandra Marques, na zona de Leiria, o vídeo de ontem caiu que nem uma bomba. Maria, a filha de 11 anos, “chorou baba e ranho, ficou em pânico porque o Youtube ia acabar, porque o canal do Wuant ia fechar. Ela segue-o religiosamente, tudo o que ele diz é lei, e obrigou-nos até a ir pesquisar sobre o art.º 13, de que nunca tínhamos ouvido falar”. Enfermeira de profissão, a mãe habituou-se a ver a filha muito mais ligada ao YouTube do que à televisão, ao contrário do que acontecera com o filho mais velho, agora com 16 anos. “Ela e as amigas também querem ser youtubers, porque tudo aquilo que eles lhes mostram é uma vida boa, em que o trabalho é prazer, é filmar e fazer paródias na internet, ganham todos imenso dinheiro e é como se estivessem sempre de férias”, acrescenta.

Um dia antes o youtuber português tinha publicado um vídeo em que mostrava aos fãs a sua casa nova, que divide com a namorada, a (também) youtuber Owana. É o sonho de qualquer criança: espaços grandes e luminosos para jogar, ecrãs gigantes, máquinas de pipocas, de waffles e sumos. Uma piscina, terraço com bela vista, a vida que qualquer miúdo gostava de ter.” DN
Mário Silva
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2 COMENTÁRIOS

  1. Por muito que admirem os youtuberes e vejam a vida luxuosa do “fare niente” estão a anganados porque a vida real não é assim e, por isso, vão dar muitas cabeçadas nas paredes.

    A vida é dura. Salvo raríssimas excepções, não se ganha dinheiro sem nada fazer e com uma vida de ócio.

    Portanto, a estes admiradores dos youtuberes resta-lhes aos vinte e picos anos irem para a “caixa de um supermercado” 8 ou mais horas por dia para ganharem uma merda.

  2. Tambem sou um youtuber, na minha idade ate da jeito em forma de Entertimento, mas pra jovens em fase de faz re a vida..ta muito mau, gracas aos multimilionarios do Marketing, assim como dos domadores de cerebros ocos.
    O futuro dos novos…youtubers e suicidal quando faltar a nota ora oagar a net. Sim porque sem net nao a yourube nem um zuck pra vender publicidade e informacao pessoal. Assim como este artigo q. Nos obriga a dar a nossa informacao para comentar, e assim, e tudo un negocio enquanto ouver wuem alimrnte as bestas do sidtema. Na minha opiniao CLARO.

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