Início Escola Ocorrências em ambiente escolar aumentaram 24% em 6 anos (dados oficiais).

Ocorrências em ambiente escolar aumentaram 24% em 6 anos (dados oficiais).

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Nos últimos anos tem existido um aumento claro de ocorrências (criminais e não criminais) nas escolas portuguesas. Tal facto não surpreende quem frequenta as escolas, pois a sensação é de claro agravamento. Se somarmos ambos os estudos do ComRegras (aqui e ali), sobre o número de participações disciplinares em contexto de sala de aula, constatamos que a escola portuguesa está mais indisciplinada e perigosa.

Para provar o que digo, fui analisar os dados do RASI (Relatório Anual de Segurança Interna) desde 2006. Infelizmente só apresento dados desde o ano letivo 2010/2011, altura em que ocorreu uma estabilização na apresentação dos dados.

Fonte: Relatório Anual de Segurança Interna

Aumento de 24% em 6 anos.


 

Fonte: Relatório Anual de Segurança Interna

Aumento de 46% em 6 anos.


Fonte: Relatório Anual de Segurança Interna

Aumento de 11% em 6 anos.


Quanto ao argumento que os números refletem uma maior sensibilidade em apresentar queixa, lembro o que dizia o RASI de 2006 ao analisar o gráfico seguinte.

Fonte: Relatório Anual de Segurança Interna, dados apenas da PSP.

O aparente aumento gradual da criminalidade nas áreas escolares ao longo dos anos (que poderá não traduzir um acréscimo da criminalidade real/efectiva) deve-se em grande medida ao impacto do programa “Escola Segura”, à acção das forças de segurança na vigilância e visibilidade nas imediações das escolas, bem como à maior consciencialização dos conselhos executivos, encarregados de educação e alunos para as questões de segurança, traduzindo-se num aumento dos índices de participação às autoridades policiais e redução das cifras negras. O agravamento do número de ocorrências criminais registado no ano lectivo 2005/2006 representa uma inversão na tendência para alguma estagnação, registada desde o ano lectivo 2002/2003, dos índices criminais.

RASI 2006

Isto foi em 2006… passado uma década não me parece que possamos utilizar a mesma desculpa…


Posto isto um pedido. Dia 5 de abril a FENPROF irá reunir-se com o Ministério de Educação. Na sua cartilha de assuntos para tratar e que podem constatar aqui, não existe uma única palavra à indisciplina ou segurança dos professores. Quer a FENPROF, quer os restantes sindicatos, devem abordar este assunto e não ignorá-lo como é seu timbre. E não me venham dizer que isto não é matéria sindical, as condições de trabalho dos professores sempre foram matéria sindical.

Sindicatos de outras áreas laborais não pensam o mesmo que os sindicatos dos professores e no dia em que um jornalista teve o pulso partido por uma rixa dentro e fora de uma escola, o sindicato dos jornalistas manifestou o seu repúdio, bem como a sua entidade patronal.

A Direção de Informação da RTP condenou hoje “com veemência” as agressões a dois jornalistas do canal público, adiantando que já avançou com uma queixa-crime na expetativa que os culpados sejam identificados e punidos.

Já na quinta-feira, o Sindicato de Jornalistas (SJ) condenou veementemente a agressão.

Repórter da RTP ficou com pulso partido e levou pontos no couro cabeludo

(DN)

Infelizmente na Educação, quer a Tutela, quer os Sindicatos, optam na grande maioria das vezes pelo silêncio. Não deviam!

Fica o link para consulta do RASI 2016.

2 COMENTÁRIOS

  1. Tenho a sensação de que os dados negativos apresentados não são reais, a não ser em termos oficiais, porque creio que na realidade as ocorrências de indisciplina são muito superiores. E acho que em parte – e só em parte – o facto de a realidade ser muito mais grave se deve ao excesso de formalismo para o exercício da ação disciplinar – extremamente burocrática, inadequada a uma ação tempestiva que a realidade exige. Mais, entre muitas outras razões para o excesso destas ocorrências, uma simples decorre apenas do excesso do tempo letivo e do excesso da carga horária letiva diária dos alunos. Aulas, poucas e boas… só de manhã e sem toques de campainha. Mas o Estado não tem condições financeiras para suportar tal revolução!

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