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Obrigado, já esqueceu! E muito mais já era!

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Com a decadência diária – vive-se, só hoje, um dia de cada vez! – de civismo, boas-maneiras, regras, educação – que não só instrução, ao que dizem excelente, hoje- palavras usualmente utilizadas para demostrar alguma afabilidade e simpatia estão a ser dramaticamente esquecidas.

Parece que, o em má hora Acordo Ortográfico, ainda não a retirou de “utilização” – obrigado, por favor, não tem de quê -, mas foram sendo totalmente esquecidos e vai demorar décadas a ser retomado.

Dizer “obrigado ou obrigada” quando se deve ter – deveria – ter que o dizer, foi-se, já não existe, já não vale a pena.

Tal como, “por favor,” era só o que mais iria faltar, e até cumprimentarem-se as pessoas com um simples, “ bom dia, boa tarde, boa noite, “já não é preciso”.

Já se esqueceu, e deixámos gloriosamente de ser minimamente civilizados para passarmos a ser, todos, suficientemente selvagens. E estamos, de facto, uns “bons indomesticáveis”.

Claro que aos velhadas, tudo “isto” nos custa muito mais do que aos jovens, sendo estes,  já nem o exemplo – minimamente exemplar – dos pais e mães têm, logo não sabem que estes termos nas devidas circunstâncias, devem e teriam que ser habituais.

Mas já não é necessário. Já não se usa, já esqueceu.

E temos, cada vez mais exemplos vindos de onde nunca deveriam poder vir, como de tantos no “poder legislativo “ em formas de falar/gritar/exaltar, que não são o que se espera de alguém que representa esse mesmo o “poder legislativo” no nosso País e que por nós foi eleito. E tal passa aos olhos de todos a cada dia, a cada momento. E talvez não seja o mais indicado!

E a ajudar a este estado de “coisas”, em muitos “debates, conferências “ interromper quem está em pleno uso da palavra passou a ser a norma, e, desistiu-se totalmente de ouvir o outro, para só nos ouvirmos a nós. Só o “eu” é que conta, só o meu umbigo é que é importante.

E entrevistas em directo em que o entrevistado está a responder a uma questão, e é interrompido inopinadamente pelo entrevistador, quase a sendo a norma.

E vamo-nos degradando. E vamo-nos deseducando, mais e mais, e vemos crianças a serem muito mal-criados – provavelmente- com os seus pais e mães e estes a nada fazer. Como se haverão  comportar minimamente  não mal, numa sala de aula? Como?

E tantos acham “isto” tão bem, velhadas há, que usam os mesmos esquemas, para não destoarem neste marasmo de deseducação em que estamos atolados, até dizer “basta”.   E não utilizam obrigado, obrigada, por favor, não tem de quê, bom dia, boa tarde, boa noite!

Mas ainda vai descer mais fundo, ainda nos vamos dar encontrões para chegar primeiro ao elevador, ao metro ao semáforo. E o obrigado já esqueceu, e muito mais esquecido vai ser. Mais tarde a muito custo tudo se vai reaprender, mas a muito custo!

Augusto Küttner de Magalhães

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