Início Escola O problema não está no Diretor, está na sua eleição.

O problema não está no Diretor, está na sua eleição.

99
9

A FENPROF está a tomar as rédeas da alteração ao modelo de gestão. Os resultados apresentados de um inquérito realizado a 25 mil professores, mostram que o problema está principalmente na eleição do diretor.

Alguns exemplos: 22 667 professores, 92% dos que responderam ao inquérito defendem que “o órgão de gestão deve ser colegial (equipa eleita por lista)” e 22 693 que deve ser eleito “por todos os professores/educadores, funcionários e representantes dos encarregados de educação e alunos”. Estas respostas representam uma clara rejeição do modelo atual, que consagra um órgão de gestão unipessoal (diretor que escolhe o subdiretor e os seus adjuntos), selecionado por um Conselho Geral com um máximo de 21 elementos.

Luís Braga, aqui nesta mesma casa, já veio questionar a recondução dos diretores em vez da sua eleição. Algo que concordo, pois reconduzir é algo tão limitador, principalmente quando essa recondução fica à mercê de 21 pessoas. Permitam-me a comparação, mas era a mesma coisa que o Presidente da República ou o Primeiro-Ministro fosse reconduzido sem passar pelo sufrágio dos votos. Afinal, qual é o problema de ir a votos?

 

Mas os próprios diretores, no inquérito realizado pelo ComRegras preferem uma eleição aberta à restante comunidade educativa.

 

Sei que a opinião de Filinto Lima e de Manuel Pereira, presidentes dos associações de diretores, vai ao encontro desta visão mais democrática.

É pacífica a ideia de um líder na escola, alguém que assuma responsabilidades e que esteja acima dos restantes a nível hierárquico. A sociedade funciona assim e é assim que funciona melhor.

Apesar da desvalorização do presidente da CONFAP, esta não é uma questão menor, e afeta indiretamente o desempenho/aproveitamento dos alunos. Lembro que o projeto educativo e todas as questões pedagógicas passam pelas mãos do diretor.

Jorge Ascensão, da Confederação Nacional das Associações de pais, não vê “nenhuma urgência” em mexer no modelo de gestão das escolas. “Urgente é pensar na organização do trabalho, no envolvimento dos alunos. Para nós, os atores principais são as crianças. Só existe a necessidade da escola e da profissão docente porque há crianças e jovens que precisam desse serviço”, avisa.

E já que estamos em época de mudanças, faz todo o sentido não ignorar algo tão importante para o bem estar da comunidade educativa, se a ideia é apenas mexer no conselho geral, conforme se consta por aí… será um tiro dado, mas no alvo errado…

Pais e diretores “chumbam” mudanças na gestão das escolas

(DN)
COMPARTILHE

9 COMENTÁRIOS

  1. Há muito que eu disse que chegaríamos a este ponto! Discordo absolutamente, Alexandre, ainda que compreenda a tua posição!

    O PROBLEMA ESTÁ NO DIRETOR, SIM, e… nas eleições que não existem. Para mudar o estado miserável (de medo e de falta de democracia) a que chegámos, é preciso acabar de vez com esse cargo. O poder “tácito” que os diretores têm é muito superior àquele que a Lei lhes confere. Mantê-los, mesmo com mudanças no processo leitoral (que tem de ser por sufrágio universal, sempre), é manter ESTA LEUCEMIA QUE ESTÁ A MATAR OS PROFESSORES.

    Na minha próxima crónica (a meio da próxima semana), se continuar a ter voz, vou dedicar-lhes as minhas melhores palavras (de despedida, creio eu).

    • Olha que pensei em ti em quanto estava a escrever o texto… eheheh.
      Eu sei que estamos em campos opostos nesta matéria, fruto provavelmente das nossas experiências pessoais.
      Fico a aguardar o teu artigo com a qualidade que muito aprecio.
      Um abraço.

      • Provocador! 🙂

        Não se trata de nada pessoal, Alexandre! O inquérito da FENPROF é arrasador (sem pinta de surpresa para ninguém).
        Até depois do Carnaval. :))

        • Claro que é. É natural os professores estarem contra as lideranças, mas isto nem é apenas uma questão dos professores, é algo muito nosso…
          Voltando ao assunto. Um diretor sacana, foi um presidente executivo sacana, um bom diretor, foi um bom presidente executivo. Sim, é verdade que têm mais poderes, mas não coloco a questão nesse ponto. Ser líder, chefe, presidente de conselho executivo ou diretor depende muito mais da sua competência/personalidade do que os poderes que tem. Por isso foco a questão na eleição, pois é esta a que pode “controlar” os excessos de quem prevarica… também os há… sei disso.
          Repara que não citei o conselho geral na questão da fiscalização… não foi inocente.

    • Sufrágio Universal, sem dúvida.

      1 professor = 1 voto
      1 assistente = 1 voto
      1 Encarregado de Educação = 1 voto
      1 aluno (adulto e eventualmente os maiores de 16 anos) = 1 voto.

      Havia de ser giro. Os Diretores com pinta de delegados sindicais a caírem, um por um.

      • Não pode ser assim, os professores têm que continuar a ser os principais votantes. Em 2000 mil alunos existem 2000 pais e professores para aí 150. Votem os seus representantes.

        • Desculpa?
          Então já não estamos a falar de democracia…

          Nas eleições nacionais votam todos, seja o cidadão alienado, seja o interessado. É a democracia.

          • Tem que existir uma proporcionalidade. Não faz sentido que a parte que está fora da escola tenha mais peso que a parte que está dentro. Pode não ser uma democracia pura, mas é uma questão de bom senso… em último caso, é apenas a minha opinião.

  2. Até que enfim: a fenprof existe!!! E desta vez vem regatear: melhores condições de trabalho para os alunos; melhores instalações; valorização da carreira profissional dos docentes; vencimentos atualizados… o morto ressuscitou e o malabarista perdeu inspiração.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here