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O momento é de escolhas morais….

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… e não tanto de discussões jurídicas.

Perante a “ordem” da DGESTE e as suas determinações “ficcionadas”, achei logo anteontem que devia divulgar um texto neste Blogue (na linha do que muita gente fez). Tive as habituais críticas de ser longo e demasiado exaustivo. Até pouco claro, o que não me parece ser o caso.

Houve gente que disse que não explicava o que fazer (não é minha obrigação: não me alistei para ser dirigente sindical, nem quero liderar ninguém que não eu próprio). Eu sei o que vou fazer e cada um decidirá por si e com os colegas na sua escola.

Houve quem dissesse que a comparação com Erdogan foi demasiado dura, mas a minha ideia original era comparar a ex-professora Pastor, ou quem a veio defender na televisão, a Quisling (duvido é que, sem wikipedia, a comparação fosse genericamente entendida).

Há quem queira resolver e explicar problemas complexos com twits. Veja-se o que tem dado com Trump.

Muitas pessoas já viram o texto que escrevi. Visava explicar o enquadramento da questão, em abstrato.

Estou numa escola onde, para grande orgulho meu, por ver os colegas que tenho, se decidiu prosseguir coletivamente com a greve, no modelo rotativo, até à entrada em férias.

Ontem à tarde, como indivíduo com o problema concreto de reagir ao texto da Dra. Pastor, nesta segunda-feira, estive a pensar o que fazer e decidi (depois de várias horas de escrita e reflexão) o seguinte:

  1. Entrar em greve permanente às reuniões (sem fundo de greve e sem rodar). Quem quiser livrar-se do problema jurídico da “ordem, ser ordem ou não” e do “1/3” faz isso e livra-se dele. Pode ser que haja 2/3 de grevistas e problema resolvido …
  2. Entregar as propostas de classificações (coisa que ainda não tinha feito e que faço, não porque me mandem, mas porque sempre o faria ao entrar em férias). No meu contexto local, considero que faz sentido, embora possa não fazer sentido (nem ser obrigatório) noutros contextos.
  3. Escrever o texto, que anexo abaixo, para todos os DT das turmas em que sou professor, à Diretora e Presidente do Conselho geral do agrupamento (é longo, pois é; se fosse fácil ….)
  4. Deixar a questão nas mãos de quem estiver nos CT (e à sua consciência) e explicar o que, no fundo, faria se lá estivesse (e acho que ninguém devia estar e devia entrar em greve e deve ponderar bem as ilegalidades que faz, mesmo “cumprindo ordens”).
  5. Iniciar o caminho para impugnar, com fundamento na sua nulidade, as decisões (que escolherei quais) das reuniões dos meus conselhos de turma que sejam realizados sem eu lá estar.

Repararam, com certeza, que não falo na posição dos diretores que sempre podem ignorar a falaciosa ordem da Senhora DGESTE.

Os diretores de agrupamento, através dos seus dirigentes associativos, traçaram neste fim de semana uma linha que faz sulco fundo a separá-los dos professores.

Pedir uma ordem do Ministério contra colegas em greve é assumirem o seu lado, que já não é o dos professores. O próximo diretor que me chamar colega leva o devido troco (e depois me dirá de que lado esteve e talvez o deixe considerar-se professor à minha frente). Só em casos muito pontuais, de dignidade muito elevada, se pode esperar que os Diretores façam o que deviam: não transformar o exercício ilegal e diletante da Senhora DGESTE em ordem adotada nas escolas.

No fundo, todo o problema presente se resume ao seguinte: se houver mais de 2/3 de grevistas ou se, os que não fazem greve resistirem a uma ordem que é manifestamente ilegal, não há efeito útil do mail (aliás, já pensaram porque é que a forma de vinculação é tão fraca? Por mail?….).

Ninguém consegue tirar as férias a toda a gente….e até as terão de tirar a quem nunca fez greve…

E, neste momento, já se passou a fase da conversa bacoca do costume: tanto direito tem quem faz greve como quem não faz.

A questão é: quem não faz greve, pode fazer ilegalidades, imoralidades e ataques à profissão, para impedir e barrar o direito de quem faz, situação que prejudica os interesses gerais dos professores e dos alunos e só beneficia o Governo?

Quem decide a minha perda ou ganho, face à “ordem” da DGESTE são os nossos colegas que, ao contrário de mim, forem às reuniões.

Decidi, sem ilusões, mas por imperativo moral, confiar neles.

Se vou ser derrotado, que seja pelos meus colegas e não pela cobardia de eu vir a cumprir ordens ilegais. Está no momento de que os que não têm feito greve escolham o seu lado….

Há cobardias reles (como a que anteontem vi na televisão num ex-colega diretor, que até estimava) que envergonham se formos confrontados com elas. Pois, até eu, que tanto me orgulho do bem que possa ter feito como Diretor, me envergonhei de o ter sido, ao ver tais ditos.

Creio que hoje não me envergonharei dos meus colegas, que até agora não têm feito greve. Acho que perceberão a gravidade do momento, chegados ao ponto em que chegamos.

Até a FENPROF veio suavizar a asneira de dizer que esta luta já não é sua e ontem, do remanso do seu retiro atual, veio chamar a atenção que 1/3 para quorum é ilegal (texto que pode ser lido aqui).

1/3 para quorum de avaliação é ilegal: aí está uma boa frase para centrar a unidade dos professores… E, além de ilegal, é disparatado face ao que deve ser uma avaliação pedagógica.

Admito que muita gente ache mal o que escrevo abaixo (e o que escrevi acima) mas é isto que vou fazer…. chamem-me os nomes que quiserem.

Se tiverem paciência (e vão precisar de muita) para ler o texto abaixo talvez percebam melhor e tirem ideias de ação para seguir (se quiserem e acharem útil; não escrevi o texto para esse efeito mas por mim próprio).

Não escrevo neste blogue para dar consultas, para que não tenho competência ou para indicar caminhos (não sou pastor…).

Escrevo o meu ponto de vista. Só e apenas.

E, neste momento concreto, cada um que consulte a sua consciência. Quem quiser respostas a perguntas concretas até pode escrever a perguntar e tentaremos ajudar, como sempre, mas, neste caso, a resposta mais eficaz a todas é: se tens problemas com o mail da DGESTE, faz greve.

Eu vou fazer e, para mim, deixou de ser problema.

Lamento dizer isto de forma tão crua: será que nós, os que resistimos até aqui, vamos ser lixados pelos nossos colegas, sabendo eles da ilegalidade e imoralidade do que vão fazer, do ataque que vão fazer à profissão, se fizerem reuniões só com 1/3 dos professores?

Fica abaixo o texto em que lhes comunico o que vou fazer.

Aposto na consciência deles. Se perder, terá sido por um bom motivo: foi por confiar nos meus colegas.

 

11 COMENTÁRIOS

  1. Quem escreve assim, não é gago.
    E se as reuniões são administrativas nenhum professor pode presidir às reuniões. Chamem o Diretor ou os Serviços Administrativos para presidir.
    A razão está do lado do Governo? NÃOOOO.
    Força. GREVE, TODOS deviam fazer; cada vez há mais razões para tal.

  2. “será que nós, os que resistimos até aqui, vamos ser lixados pelos nossos colegas”

    Consegui ler até aqui.

    Depois, desisti.

    • Podia ter lido mais um bocadinho que não era assim tão cansativo….”sabendo eles da ilegalidade e imoralidade do que vão fazer, do ataque que vão fazer à profissão, se fizerem reuniões só com 1/3 dos professores?

      Fica abaixo o texto em que lhes comunico o que vou fazer.

      Aposto na consciência deles. Se perder, terá sido por um bom motivo: foi por confiar nos meus colegas.”

      Pode ser sempre ir ler twits….

    • Todos os que vimos com alguma regularidade ler por aqui sabemos que a Ana já tinha desistido antes.
      A Ana só veio à procura do pormenor, do acento ou da vírgula.

      Era tão simples dizer “Discordo em absoluto consigo porque…”

      • Concordo com o conteúdo geral mas não com o “ser-se lixados pelos colegas”.

        Não gosto e não tem nada a ver com o título que fala de escolhas “morais”.

        Não se escreve isto. Omite-se e pode-se pensar. Mas não se escreve.

        • Neste blog escrevemos o queremos.
          Se näo gosta ponha na borda do prato.A escolha moral é precisamente näo lixar os outros.

          • Nada contra, Luís. Evidentemente que escreve o que quiser.

            E eu tenho 1 opinião sobre o que escreve e não gosto de ” pôr na borda do prato”, que é como quem diz – cala-te e põe de lado.

            O problema está nesta pequena mas muito sugestiva frase com a qual continuo a discordar:

            “será que nós, os que resistimos até aqui, vamos ser lixados pelos nossos colegas”

  3. Depois de lêr com muita atenção, subscrevo tudo o que disse digníssimo colega. Só espero que todos os outros (pastores ou não) lhe sigam o exemplo. Um por todos e todos por um.

  4. A greve simbólica que foi feita na minha escola do primeiro ciclo é um exemplo de falta de solidariedade. Ofereci-me para participar num fundo de greve, pois por ser professor de apoio a minha falta no CD era inútil para o quórum. Recusaram e preferiram adiar uma semana e icomodar o mínimo.

  5. A greve simbólica que foi feita na minha escola do primeiro ciclo é um exemplo de falta de solidariedade. Ofereci-me para participar num fundo de greve, pois por ser professor de apoio a minha falta no CD era inútil para o quórum. Recusaram e preferiram adiar uma semana e icomodar o mínimo.

  6. Um agradecimento sincero a todos os que resistem e, sobretudo, um grande obrigado ao Luís pela partilha destes contributos refletidos e bem fundamentados a que nos tem habituado.
    É o V. esforço que mantém (bem) viva a nossa “situação” na comunicação social.

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