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O Jogo É De Outros- Nós Somos A Bola

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É insuportável ler qualquer artigo no Jornal, ouvir os comentadores nos Canais Televisivos, procurar informação na própria Internet. A campanha de intoxicação da opinião pública visando os professores é, desde ontem, a mais intensa que conheço nos meus 40 anos de serviço. Afirmam-se absurdos, insultam-se pessoas desconhecidas, lançam-se impropérios a propósito de tudo e de nada.

O que eu pensava nunca mais ver, nem ouvir, de tão ridículo que é, voltou a ser referido ontem, por um comentador da Sic Notícias: “na Administração Pública, chegar ao topo da Carreira demora 120 anos para as Carreiras Gerais, enquanto que para as Carreiras Especiais só demora 40 anos”. Nem um caso, nem outro são verdadeiros, sendo que o primeiro, só pode ser afirmado por um ser fora do seu estado normal, do seu juízo perfeito. Suponhamos que alguém começa a trabalhar aos 20 anos- AOS 140 ANOS ATINGE O TOPO DE CARREIRA??? Pois se leva 120 anos para lá chegar…Acrescentou ainda o mesmo senhor que “atualmente há 4000 professores no 10.º escalão e que daqui a uns anos serão 20 000”. Outra inverdade, já que os docentes estão sujeitos a vagas de acesso ao 7.º escalão e é impossível fornecer, de momento, essa contabilidade.

Este é apenas um exemplo daquilo que se consegue fazer para INTOXICAR um país, sujando a imagem de uma classe profissional. O Governo tem-no feito repetidamente com vários tipos de trabalhadores, mas, a bola dos jogos sujos, aquela na qual mais gosta de pontapear é, sem dúvida, os professores.

Li e ouvi barbaridades: “que os professores querem receber(serem pagos) pelo que não receberam durante 9 anos, que pretendem retroativos, que vão “desgraçar o país” sendo uns desleixados que nada fazem, nada prestam, que tudo vai voltar atrás para se pagar aquilo a que mais ninguém teve direito…

António Costa está a prestar mais um bom serviço ao país! Sem dúvida! A dignidade e o respeito devidos aos professores, tão necessários, indispensáveis para o sucesso educativo e social das futuras gerações, estão neste momento em crescendo.

Para quê?

Lamentavelmente, para que o Governo crie uma crise artificial, jogando um jogo sem regras, dizendo que os seus parceiros políticos decidiram agora, DE REPENTE, IRRESPONSAVELMENTE, agir para a falência do País, hipotecando o futuro.

Falso. FALSO. Nada é novo, nada é repentino. Tudo vem de trás, desde que as Carreiras Gerais da Administração Pública recuperaram o tempo de serviço congelado, em janeiro de 2018. Tudo se definiu a 15 de dezembro de 2017, com a Resolução 1/2018.

Logo, esta dramatização birrenta, tudo o que afirma António Costa, para além de não se basear em valores credíveis, em contas transparentes e detalhadas, mas sim, em totais atirados para o ar- agora são 600 milhões, depois são 400, logo são 800 milhões, em que o mesmo Ministério das Finanças se contradiz- díspares em relação aos cálculos realizados por colegas professores que tiveram em conta os docentes que entretanto se irão aposentar, visa objetivos que se poderão antecipar, mas que nada terão a ver com os professores e com a sustentabilidade das contas públicas .

Será a dificuldade de conciliar posições negociatórias com os parceiros de coligação e de levar a termo  as Leis de Bases da Saúde e da Habitação, as alterações ao Código do Trabalho ou o Estatuto do Cuidador Informal?? Talvez seja melhor arriscar eleições. Quem sabe se depois não haverá “coligações”?

Será porque as sondagens não são favoráveis e a conveniência é pontapear a bola para o lado de onde sopra o vento?

Aquilo que eu sei é que os professores não podem, não devem, não têm que estar a ser enxovalhados publicamente, para servir os jogos políticos, as estratégias manhosas de alguém que os coloca num meio campo onde decorrem jogos que NÃO SÃO SEUS, porque os seus são APENAS os legítimos e como tal reconhecidos de RECUPERAR O TEMPO DE SERVIÇO CONGELADO, que foi trabalhado e outros cidadãos portugueses já recuperaram.

 

Professora Fátima Ventura Brás

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4 COMENTÁRIOS

  1. Malhar nos professores rende politicamente, descoberto este filão, abriu a caixa de Pandora, não há figura mediática que não espume da boca, tenha espasmos raivosos e evoque o apocalípse sempre que os professores ousam reinvidicar algum direito legislado. Resta-nos levantar a cabeça, responder mentalmente no vernáculo mais depravado, fazer um manguito expressivo e ir votar em massa, seja em julho ou em Outubro.

  2. Cara Fátima,
    O sentimento de revolta é comum. Já evito ler o que quer que seja, sob pena de ainda sofrer um ataque cardíaco de tanta revolta que sinto!
    Até pensei que todos, mas mesmo todos os professores, num dia a combinar, deveriam sair das suas salas e fazer um momento de silêncio e de pesar por tanta injustiça que têm sofrido! De mostrar ao país a sua indignação! Por outro lado, também pensei em fazer queixa a quem de direito pelos falsos testemunhos e ofensas. Sinto-me enxovalhada, como se não tivesse qualquer valor. Enfim, nem sei como é que ainda há país que deixam os seus filhos connosco o dia todo!
    É só um desabafo!

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