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O Futuro Dos Exames

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Até me surpreende como é que o PAN ainda não se lembrou disto. Fazer exames nacionais não é barato além de ser muito pouco ecológico. Como sabemos toda a estrutura dos exames é bastante pesada e dispendiosa. Todos os anos são utilizadas milhares e milhares de folhas, tinta para a impressão, envelopes, polícia para transportar os exames, mais o trabalho do secretariado de exames e dos seus corretores.

Sobre os corretores, nem por acaso o jornal Público aborda hoje o assunto, referindo que muitos professores não têm formação específica para a correção de exames. Os professores apontam o dedo à dureza do trabalho, onde em cerca de 10 dias têm de corrigir 50 provas ou mais. Talvez não seja por acaso que 75% das reclamações surtem efeito, o que mostra que é preciso refletir e quiçá alterar procedimentos.

Em 2018 houve menos pedidos de reapreciação de exames do que no ano anterior: passaram de 3170 para 2807. O que representa cerca de 1,5% do total de provas realizadas. Os pedidos de reapreciação visam a alteração das classificações obtidas nos exames. As disciplinas com mais pedidos feitos pelos alunos foram Português, Biologia e Geologia, Física e Química A e Matemática A. Das provas que tiveram reapreciação na 1.ª fase dos exames nacionais, 75% viram a sua classificação subir, enquanto em 16% se mantiveram os resultados. Em 9% registou-se uma descida.

O futuro dos exames terá obrigatoriamente de ser revisto ou revisitado como disse a secretária de Estado Alexandra Leitão. Acredito que os exames terão um peso diferente em toda a estrutura do ensino secundário, deixando este de ser seu refém, mas caso permaneçam, o digital deverá/terá de ser o rumo a seguir. Nem estou a dizer nada de novo, visto o próprio IAVE já o ter assumido em reuniões com os diretores escolares.

Passar tudo para digital irá seguramente tornar os exames mais baratos e toda a sua estrutura mais leve. Aliás, quem vai tirar a carta de condução já sabe que o exame vai ser feito em formato digital. A própria correção seria muito mais simples e aboliam-se certas tarefas como o criar do anonimato.

Naturalmente que as escolas terão de ser apetrechadas de computadores/tablets de qualidade e em quantidade suficiente, ao mesmo tempo que a internet precisa de ser muito mais fiável e segura.

O próprio Ministro da Educação já referiu a necessidade de reforçar as competências digitais e tal só será possível com um (re)investimento tecnológico. Não será por isso de estranhar que realizar exames em papel seja daqui a uns anos apenas uma fotografia de arquivo.

Alexandre Henriques

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3 COMENTÁRIOS

  1. Realmente, Alexandre, é muita árvore assassinada. Muita mesmo. Para além de tantos tinteiros para impressão, desgaste de maquinaria e logística de recursos humanos….já para não falar nas cópias e resmas de papelada para os guiões das provas orais de línguas estrangeiras, em cor e tudo.

    Acabe-se com tudo isto que está completamente impregnado de fermol.

    Tem de haver outras outras alternativas. Caramba, afinal estamos quase em 2020!

    Já não se pode com tanto exame e mais provas e mais aferições e mais 1ª e 2ª fases e mais orais e mais vigilâncias e coadjuvâncias e júris e mais efectivos e suplentes e mais correctores….

    UFF!

  2. Mas alguém duvida que, face ao rumo dos desenvolvimentos, os exames são para acabar???
    Começaram por desqualificar o ensino PRIMÁRIO (estruturante para tudo o que se lhe segue)… e vivam os projectos da observação da minhoca; dos cantares e culturas regionais; das “pesquisas” na net com “copy/ paste”, cola e cartazes “bués” de giros; do ovo tratado e acarinhado como gente;… Ditados? – anti-pedagógicos! Redacções? – que horror de suplício para as criancinhas! Cálculo? -como se atrevem a provocar sofrimento aos pequenos com os problemas dos comboios que saem da estação X, se deslocam a 60Km/h e… – tadinhos só coisinhas por tentativa e erro e dê para contar com as mãos! Tabuada de cor?- vivemos no séc. XXI e as criaturinhas “aprendem” as operações básicas e depois utilizam as calculadoras que poupam muito tempo (e não desgastam as células cinzentas),…

    Chegam aos ciclos seguintes com deficiências mais ou menos graves na leitura, escrita, interpretação e cálculo elementar… que fazer? … a eficiência da aprendizagem está seriamente comprometida e os programas… bem, os programas são de uma ambição desmedida (
    não têm que ser ambiciosos e muito menos simples,,, bastaria adequados ao nível etário e de desenvolvimento cognitivo e exequíveis no tempo)… e já houve de tudo objectivos mínimos, competências ao invés de objectivos, aprendizagens essenciais,… (as variantes são quase sem fim), se a tal associarmos a falta de hábitos de trabalho e estudo e de organização dos próprios cadernos e uma cultura crescente de que o esforço tem que ser dos outros… temos um 3º ciclo entalado entre a necessidade da compreensão do mundo nas mais diversas vertentes do conhecimento, umas aprendizagens q.b. e uns comportamentos “assim-assim”… mas eis que no pico da adolescência têm que ser “tolerada” as faltas de educação, os comportamentos graves e prejudiciais para os restantes – a criatura se for suspensa até se espera que lhe enviem trabalhos, a criatura que falta ao teste para jogar matraquilhos até se espera que o professor lhe faça um teste e se preciso umas aulitas para recuperar, … e as criaturas faltam muito, muito mesmo… com a conivência dos papás (desde logo mostrando a importância que a escola tem para eles) que lhes dói a barriga/ cabeça ou a borbulha da face direita, que têm 37,8ºC de febre, que lhe dói a falange do 2º dedinho do pé esquerdo,… se necessário, até há aqueles que vão passando sem porem os pézinhos nas aulas… consequências? -só para os prof. que têm que justificar à exaustão porque raios e coriscos a criancinha não aprendeu… com a nova legislação da inclusão e da flexibilidade a culpa será sempre dos prof. e da escola e o direito ao sucesso garantido abrindo-lhes o caminho ao secundário…

    Antes sabiam que chegar ao secundário implicava um nível de exigência, estudo e trabalho muito maior… se pretendiam uma via virada para o ingresso na actividade profissional, seguiam a via profissional mas se pretendessem prosseguir os estudos seguiam a via ensino… mas eis que “olaré”… tadinhos dos meninos que depois não têm as mesma oportunidades (e obviamente, não têm a mesma preparação académica)… vamos lá simplificar: os do profissional cujos currículos académicos já são altamente simplificados nas escola deixam de carecer de exames de admissão como os outros (talvez os institutos com necessidades de alunos façam umas provinhas de “inglês ver” para a coisa parecer mais séria)… e os do regular começam a pensar (com lógica):”para que me vou a matar a estudar, a esfolar para ter um 15 (que nos profissionais são “em barda” sem grande trabalheira)… mas agora… podemos sempre lembrá-los que com o 54 e 55 passarão na mesma e que os exames serão um faz de conta da generalidades até, por fim, acabarem…

    Chega a altura do superior que cresceu com privados e politécnicos e diversidade inacreditável (e inútil) de cursos … todo o caminho está aberto para a banalização e desqualificação do ensino superior que, de resto, com bolonha, já deu passos importantes…

    SE este país tinha alguma credibilidade e boa aceitação lá fora era na EDUCAÇÃO rigorosa e exigente … até isso vamos perder… vamos caminhando, ao contrário do que apregoam, para um sistema educativo ao melhor do Burkina Faso, próximo dos pobres, das ruralidades, das “iniciativazinhas locais para o desenvolvimento” auxiliadas pela OIKOS, e da mão de obra barata bem explorada!

    Constatar este empobrecimento generalizado, será fácil quando um qualquer de vós, chegar a um qualquer serviço e do lado detrás do balcão estiver um ignorante e arrogante que nem ler, de forma capaz, consegue e lhe transmite, com toda a arrogância e poder da cadeira onde tem o rabo, que o que deve fazer é… precisamente o oposto do que está nas instruções… exige, então, a presença do chefe de serviço e eis que o mesmo chega, olha para si e com ar de grunho diz-lhe: o meu colega já “lhe” “enformou”, se “pertender” “inlabore” uma “recalmação” e “punhaa” no livro de “recalmações”.
    – NEM PENSAR…dirão alguns perante tal visão!
    – OLHEM AO REDOR, que eles já andam por aí e a vários níveis (alguns como fizeram a escola pública que, de facto e em tempos, lhes serviu de ascensor social, fazem-no com outra finura, poder e alcance!

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