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O dia em notícias: riscos, vida privada dos professores de liceu, perfis do futuro e a Ordem

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O dia não esteve propriamente para notícias de educação. Na nossa área de interesse não há um tema dominante.

Sócrates ouvido no DCIAP e a perspetiva de um exit da Escócia do Reino Unido captam, com certeza, mais atenções. E isto, em conjunto, com novidades do caso Maddie.

Cristas mostrou a sua vacuidade. Explicou-nos na entrevista do Público como a resolução do BES foi decidida por si, sem real consciência do que estava a fazer, num intervalo de férias (leiam aqui como explica, por voz própria, como a coisa se passou).

O Conselho de Ministros não discutia nunca a banca e os seus rombos de milhares de milhões. Os trocos dos salários tinham lugar cativo à mesa dos cortes.

Assunção tem andado aos tropeços nos temas da Venezuela e off-shores e num solavanco infeliz causou indignação. Um comentário sobre “professores de liceu” que mostra como não é deste mundo…..

Realmente, como ela disse, nós professores “não temos vida privada”, mas não é feitio, é defeito: a trabalhar 46 ou mais horas semanais, não há tempo….

O fim de semana trouxe notícias sobre segurança das crianças.

Um bebé morreu em queda de um 6º andar. Na Gafanha da Nazaré uma criança morreu subitamente.

Provavelmente acidentes, mas os acidentes evitam-se com preocupação com segurança, reflexão sobre isso e sobre os meios de socorro.

Numa escola portuguesa (no Barreiro), a manhã foi turbulenta. Um incêndio na vizinhança faz pensar se, para lá da rotina dos simulacros, mais ou menos ensaiados e avisados, teremos mesmo uma cultura de segurança nas escolas?.

Hoje acabou tudo bem e foi só o susto. Mas, quando, nas escolas, vejo os alunos a correr uns contra os outros nos recreios, a atropelarem-se nos corredores ou empoleirados em postes ou em qualquer corrimão, penso nisso e nos riscos que podiam ser evitados. E, mais ainda, quando se sabe das más condições físicas de algumas das escolas em que a precariedade e degradação agrava o risco.

Riscos: telemóveis ou más companhias?

Falando de riscos, há objetos que parecem inocentes e acabam por gerá-los. É o caso dos telemóveis, que uma escola britânica quer proibir totalmente no seu recinto. Foi notícia no Jornal Económico e na TVI.

Por causa desse mundo invasivo da comunicação eletrónica tem uma escola de Ponte de Lima de resolver uma situação grave que encheu as notícias nos últimos dias. Depois da euforia mediática do caso da menina raptada por um falsário abusador no Facebook, como lidar com o seu regresso à escola depois da exposição mediática e do seu impacto, num meio pequeno?

A pergunta fez notícia do Correio de Manhã de hoje.Num jornal local de Ponte de Lima, o título puxou à gasta teoria das más companhias, a que os diários nacionais e televisões também não fugiram.

Mas talvez a melhor maneira fosse os jornais esquecerem a vítima. Deixarem-na viver a sua vida e curar-se do sofrimento.

E, em vez de a seguirem, gastarem o espaço que vão dedicando ao assunto a falar de prevenção sobre uso da internet pelos miúdos ou formação dos pais sobre esses problemas.

Por exemplo, gostava mesmo muito de ver reflexões a tentar explicar porque tenho alunos com telemóveis novos e caros, oferecidos como incentivo para tirarem boas notas futuras (o que quer dizer que a oferenda os foi encontrar carregadinhos de negativas, ainda por superar).

O admirável mundo novo do perfil do século XXI

Pelos jornais, pululam textos sobre a escola do futuro e o perfil do aluno no século XXI. Hei-de por aqui escrever também o meu um destes dias.

Felizmente que o Paulo Guinote tem preenchido, no seu quintal, e de forma certeira, o espaço de reflexão, em que me incluo também, dos que já não acreditam em pensamento mágico e “mumbo jumbo” educativo.

Mas, por outro lado, vale a pena ler também os crentes. Entender os adeptos da crendice pode ser fonte de iluminação. Vejam, por exemplo, este texto de Queiroz e Melo no Observador que nos reduz como docentes a arcaicos exemplares novecentistas.

“Em vez de suscitar entusiasmo da sociedade, a discussão deste documento tem despertado pouco mais que uma reação sonolenta” – diz a dada altura, em tom tristonho.

E não foi o seu texto que nos despertou ou alegrou para o ingente debate.

Mais interessante pode ser a leitura do texto do Expresso, entrevista a um professor, também sobre o tema.

Apesar do tom geral, relativamente banal e até ridículo (vejam a história do coelhinho lá pelo meio), tem pelo menos o valor de ser reflexão de quem dá aulas e vive a realidade. O entrevistado não fala sobre ela só de ouvir dizer e tem umas ideias sobre isso (mesmo se não percebe que a inovação e a mudança são também uma ideologia, discutível como outras, e que não pode ser assumida como via única, sem discutir o que se ganha, face ao que se perde).

Ordens ou desordens?

Ainda no domínio dos debates, e na linha de um que andou muito vivo por aqui, fica a referência a um texto da socióloga Raquel Rego no Público de hoje sobre ordens profissionais.

Vale a pena ler (e recuperar para consulta outros textos que a autora escreve há anos sobre o tema das ordens profissionais, em que se inclui a questão do ensino e dos professores). Um exemplo.

Hoje é 13 de março, faltam alguns dias para, pelos vistos, faltar um mês para sabermos com mais segurança jurídica que a crise não foi causada pelos lautos salários ou vida privada dos “professores de liceu” e Sócrates conhecer a acusação que tanto deseja ler (e nós todos com ele). Quanto faltará para se revelar o alcance total dos feitos de outros que também tinham vida privada na Venezuela?

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