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Ninguém vê telejornais, mas todos conhecem o seu conteúdo.

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Convenhamos que estamos num tempo da imediatização e mediatização excessivas. E em que para além de todos os telejornais serem idênticos e prolongadíssimos, todos começam e acabam de idêntica forma. Notícias com desmesurado “sensacionalismo “ e por norma “trágicas”.

Como se sabe, para se escrever “isto”? Para se comentar! Basta ter visto, nem recentemente, três dias seguidos e fazendo zapping.

E, o sensacionalismo, a tragédia, o drama imperam. Quanto pior, melhor! Quanto mais directos e indirectos a serem transmitidos do local do “acontecimento”, ainda melhor! Quanto “mais sangue” mais resulta! Mas parece que ninguém vê, tudo vendo!

E arranja-se sempre alguém, que mesmo não tendo visto, sabe de quem viu e como viu e quando viu, e conta tudo, mas tudo em detalhe como se lá estivesse estado na hora, no minuto, no segundo. E, tudo é transmitido ao detalhe – ínfimo – com entrevistas e entrevistado e o próprio que noticia, a repetirem muitas, tantas vezes o mesmo.

E em cada dia o tema “do dia” faz a actualidade.

Mas, o mais estranho ou nem por isso, é que tantas, mas tantas pessoas nos dizem que não querem ver, que não viram, que não veem, mas de repente estão-nos a contar o que se passou no telejornal de ontem e olham-nos admiradas, por não sabermos do que estão a falar-nos.

Por acaso nós não queremos ver, não vemos e não sabemos do que estão a falar, estaremos por certo desactualizados, mas não nos parece ser a única “coisas” importante e necessária que tenhamos tido que não saber!

Ninguém quer ver, mas todos veem, e ficam a achar que lhes estamos a mentir quando lhes dizemos, que não vimos.

E, o mais curioso é insistirem que não veem, que só viram nesse dia e por acaso dado terem chegado a casa e para “terem companhia”, ligaram a televisão. Só nesse dia. Só a essa hora, nunca o fazem, mas até nos comparam com o que viram na véspera, na antevéspera e na semana anterior.

 Mas foi só na hora que estavam na cozinha ou à mesa, já a jantar.” Só”

Ou seja ninguém assume que vê, mas afinal tantos, mas tantos veem. Ninguém quer ver, mas alguma “força” os impele a terem que ver.

Logo, evidentemente que é da máxima conveniência de todos os emissores de telejornais assim continuarem e insistirem, que terão sempre muitos que os veem. Mesmo que digam o contrário!

E não vamos conseguir ter telejornais sucintos, muito rápidos e compactos, também com boas notícias – que as há – à cabeça. Com pouca conversa e muito conteúdo, e depois desenvolvimento de temas Culturais, de outros temas, de Desporto que não só Futebol, e até de programas divertidos. Mas talvez não. Não dado que estes é que não terão quem os veja! Fique tudo como está mas assumam –todos- que os veem, e até gostam de os ver!

Augusto Küttner de Magalhães

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