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Não me lixem! O Ensino na Finlândia tem melhores resultados porque simplesmente é… melhor!

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cegosEsta foi a frase que eu disse ontem para mim mesmo ao ver a reportagem da RTP no seu “Linha da Frente”. Excelente reportagem de comparação entre a escola portuguesa e a escola finlandesa.

Sei que a nossa cultura é a nossa cultura, sei que a nível social e económico somos muito diferentes, sei que a valorização da escola lá não é como cá, mas também sei que a Finlândia há 30 anos não era uma potencia educativa como agora o é. O que fizeram? Aquilo que teimamos em não fazer… mudaram radicalmente! Houve dúvidas? Houve contestações? Houve receios? Certamente que sim, mas mudaram, assumiram que algo estava mal e mudaram, ponto!

Nós por cá continuamos com o discurso que não podemos ser como eles, como se fossemos uma cambada de atrasados mentais que não conseguimos mudar o que de errado está por cá, coisas que são tão visíveis que é incrível como ainda permanecem. Nós até mudamos, mas mudamos com o vento político, com as marés dos intervenientes educativos, mas nunca seguimos um rumo, talvez por isso andemos em círculos sem nunca chegar a bom porto.

Vejamos o que temos cá e que os finlandeses não tem por lá:

  • cargas letivas em dose industrial;

  • alunos que não têm tempo para serem crianças e usufruírem de atividades desportivas e de lazer sem ser às horas de jantar;

  • dimensão das turmas e tempos de aulas desajustados e inflexíveis;

  • modelos de ensino retrógrados, que desculpem a franqueza são uma seca e que já eram uma seca quando eu era aluno e só não eram/são piores quando temos pela frente um professor com grandes capacidades oratórias e/ou com grande empatia para com os seus alunos;

  • programas que estão longe de ir ao encontro dos interesses e motivações dos alunos, e que a reportagem tão bem mostra, ridicularizando uma aula de português que estava a ser lecionada;

  • rankings escolares discriminatórios, para fazer as delicias da comunicação social e que não contribuem em nada para o ensino em Portugal;

  • trabalhos de casa sem critério, sem necessidade, só porque sim e porque sempre foi assim…;

  • proibição das novas tecnologias pois anda tudo cheio de medo que os alunos mandem sms e afins durante as aulas, quando já o fazem tanta vez. Talvez se estivessem a dar uso ao aparelho para o ensino não o utilizassem para outras coisas…

  • formação de professores e formação contínua desadequada aos novos desafios educativos, obrigando professores a serem os mesmos professores de há 100 anos atrás. Professores que não estão preparados (onde me incluo) a dar aulas fora da sua zona de conforto, num sistema de ensino que precisa de mudar urgentemente;

  • burocracia ridícula em que os professores passam tempo precioso que deveria ser canalizado para as suas aulas e para os seus alunos;

  • constantes mudanças erráticas nas politicas educativas, chegando ao ponto de mudarem o nome às coisas só porque sim, só porque vinham do anterior governo;

  • ensino tendencialmente pago, com professores mal pagos tendo em conta a sua importância/responsabilidade no tecido social;

  • irresponsabilidade e total desresponsabilização dos inúmeros incompetentes que andaram a desgovernar o ensino em Portugal.

E podia continuar, mas certamente que já perceberam a ideia.

O ensino na Finlândia é melhor porque simplesmente é melhor, tem melhores resultados, os seus alunos ficam mais aptos para a cidadania e sociedade. Não se trata de uma questão de desvalorização do made in Portugal, é exatamente por conhecer a capacidade e a qualidade do made in portugal que me revolta estar num ensino que gera desmotivação, desinteresse e insucesso. Podíamos ser melhores que eles, só precisamos de largar as “palas” que nos afetam a visão periférica e criar um ensino made in Portugal inspirando-nos nos melhores exemplos.

Linha da Frente – A Escola Cá e Lá

(RTP)

E se tiverem tempo, leiam este texto do Rui Cardoso do blogue DeAr Lindo

O ensino na Portugalândia…

14 COMENTÁRIOS

  1. O ensino português carece gravemente de uma reforma profunda. É, realmente, uma pena que não haja pessoas no poder que tomem ação nesse sentido, que comecem a pensar num novo ensino, um ensino atualizado ao século XXI.
    Em vez disso temos hoje uma situação paradoxal: uma educação que é, simultaneamente, instável e incrivelmente constante. Instável no que toca aos programas e à avaliação, mas constante na sua desconexão com os interesses dos alunos e os pedidos dos professores. Tenho opiniões bastante fortes no que toca aos programas elaborados pelo ministério de Nuno Crato, já que sinto os seus efeitos na primeira pessoa, e também em relação a toda a incerteza que o atual ministério insiste em manter sobre a educação. Ora dizem que vão mudar tudo agora, ora dizem que é só para o ano que vem, ora dizem que mudam os currículos, ora os programas não mudam porque agora são coisas diferentes…
    E assim andamos nós, alunos, a satisfazer caprichos de senhores doutores que insistem em fazer de nós cobaias das suas experiências,

  2. Concordo. A mudança em Portugal é necessária. Para mim, acabava com os agrupamentos e fazia ciclos de 4 anos. Aí mudava-se as disciplinas e acabava com o excesso de disciplinas. É preciso combater Todos os interesses instalados.

  3. Afinal é fácil! O suposto sucesso do ensino finlandês(têm bons resultados no PISA?) . Quem parece descontente com o sucesso do ensino finlandês são… os alunos finlandeses! Parece que acham o seu ensino uma ”seca”, bem mais que os lusos (não apresentarei o estudo que é bem conhecido). Quantos às novas tecnologias são apenas uma ferramenta… não são conhecimento!
    Não, o ensino da Finlândia não tem melhores resultados (?) porque é melhor! O que é melhor, e já tive mais certezas quanto a isto, é toda a sociedade finlandesa… Parte dos problemas da Escola Portuguesa são problemas de origem sócio-económica , e, já o disse aqui várias vezes, há muitos estudos sérios a prová-lo…
    Quanto ao conhecimento … parece que agora é moda acreditar que ele vem aos ”trambolhões” e que numa escola ” bué de fixe” a malta não tem de queimar pestana!
    Os trabalhos de casa são uma questão tão importante ? Não os façam! Os meus filhos continuam a fazê-los e fico muito grato aos professores, excelentes de resto…, que os marcam!
    Sem dúvida que existirão vários problemas na escola portuguesa, e corroboro algumas das enumeradas, mas, peço desculpa, tenho dificuldade em dar tiros nos pés!

    • Oh Rui… o pior do seu comentário não é a sua opinião, pois todos podem ter a sua… é mesmo a insinuação e falta de credibilidade. Se há estudos e os conhece, a primeira coisa a fazer é os referir, e não vir com “vocês sabem o que estou a falar”, “ouvi dizer que”, pois isso coloca a sua opinião ao mesmo nivel de um boato ou propaganda.

  4. Nunca me preocupei tanto com o ensino portugues ate o meu filho entrar no primeiro ciclo. Desde entao cresceram-me uns tantos cabelos brancos. Ha tantos momentos a apontar que nem sei por onde começar.
    1. os pais devem aplicar pericias de detetive para descobrir quando afinal começa o ano letivo, (tambem quem sera o professor/a do seu filho e afinal qual sera a escola do seu filho dentro do agrupamento). Acabam de saber uns 10dias antes do começo das aulas (a maior parte dos paises europeus estipula o dia 1 de setembro como o começo das aulas, todos os anos igual…..)
    2. as reunioes de pais convocadas para uma quarta-feira as 10h, isto e mesmo para quem anda sem nada a fazer….
    3. a aquisiçao de manuais, o facto de nao serem gratuitos, a constante mudança de editoras, o negocio que esta por tras…… sem palavras…..
    4. o eterno circo com o concurso e colocaçao de professores…. Gostaria de saber qual foi o pais do mundo civilizado que serviu de inspiraçao para este ponto e os seguintes tambem…..
    5. O HORARIO, em maiuscula porque e isto que mais me doi. O meu filho de 6 anos desde que entrou na escola “trabalha” como um adulto, das 9 as 16h. Com o atl e algumas atividades desportivas que nunca começam antes das 18h30, chega-me a casa as 20h!!!!! Eu na sua idade ficava de rastos quando nos introduziram no 5º ano o horario da tarde uma vez por semana, ate ai era das 8-12/13h30 no maximo!!! Pouco a pouco vamos eliminando os desportos da tarde porque simplesmente nao da. E puxado para ele, mas tambem para a familia toda. Os meus filhos deitam-se as 21h para assegurar que dormem o suficiente. Assim teria uma hora de manha e uma hora a noite para estar com o meu filho?????
    6. o plano curricular – resumido em poucas palavras – sobrecarga total. Se o ano letivo em Portugal fica reduzido a 8meses e meio de aulas (como foi o ano 2015/2016) e natural que querem avançar depressa. Mas meus queridos, a quantidade nem sempre e qualidade… Quem alguma vez abriu um manual do 2º ano percebe. Amanha “nos” toca o exame de matematica (2ºano). Eu com a minha humilde opiniao acho que o meu filho escreve mal, custa-me descifrar as letras que dançam por cima ou por baixo das linhas (mas aparentemente a escrita dele aqui e aceitavel) porque dedicaram pouco tempo no 1ºano a tecnica de escrita, a turma dele ainda escreve a lapis de carvao, MAS amanha no teste tera que distinguir o triangulo isosceles do triangulo equilatero ou escaleno…. podia continuar com centenas de exemplos como este. Parece-me descabido, os miudos mal sabem fazer as contas e saltam logo para exercicios com dezenas e centenas. Nao absorveram a materia, mas a vança-se logo. E depois os pais que se lixem. Que “acompanhem” os filhos em casa. No nosso caso e que “substituam” a escola.
    Eu bem que queria acompanhar o meu filho, mas quando lhe quero explicar algum procedimento, nem sei o que dizer porque os manuais dos miudos ficam na escola. Nem sei como a professora os ensinou… Assim tive que pedir a professora para o meu filho levar os manuais para casa.
    E nem falo da avaliaçao. Os miudos fazem uns testes e fichas de avaliaçao durante cada periodo e os pais so podem ve-los e assina-los no final de cada periodo???? Basicamente fico 3 a 4 meses sem saber como o meu filho esta????? Se nao fosse proactiva e nao fosse aos atendimentos da professora (2 vezes por mes!!!!) nem sabia se o meu filho tinha algum problema ou precisava de melhorar???
    Bem, resumindo, o ensino portugues para mim – tudo errado, TUDO!!!!! Sei que soa mal da boca duma estrangeira que devia ficar contente (?) mas eu nao estou contente. Cheguei a ponderar enviar o meu filho a casa dos avos (na Republica Checa) e ve-lo apenas nas ferias so para lhe assegurar um ensino de qualidade e possibilidade de desenvover o seu talento em numerosas atividades que começam depois das aulas em horarios aceitaveis entre 14h – 18h. Onde passam uma semana no inverno “na neve” e outra na primavera “nos bosques”, onde os horarios sao curtos, das 8 as 12/13h30, onde o ano letivo começa todos os anos a 1 de setembro e acaba a 30 de junho. Onde e a propria escola que contrata os professores conforme as suas necessidades e com o objetivo de assegurar a continuidade…..

  5. nos temos que mudar!!!!!tenho dois filhos espero de mude ……………….as crianças tornam-se mais felizes,e adolescentes mais realizados futuramente….nosso metodo de ensino é assustador!!!

  6. O hedonismo ocidental quer educar os seus rebentos só para a felicidade… A escola, para alguns, será um grande recreio e o conhecimento fica para os intervalos… A Europa vive no seu mundo de sonhos e nem repara no que se passa no resto do planeta Terra!

  7. ”A psicoterapeuta infantil Asha Phillips diz que a incapacidade dos pais modernos de contrariarem os filhos está a criar uma geração de tiranos. No seu livro “Um Bom Pai Diz Não” explica como impor-lhes limites. Desde o berço.
    Notícia ”Expresso”,
    por
    Raquel Moleiro
    RAQUEL MOLEIRO

  8. Por falar em inglês: ”Finland’s students are near the bottom, and are the least happy of any Western European country.”
    E ainda da Finlândia, um problema que pouco se fala:
    ” A major new study by the EU’s Fundamental Rights Agency has found that 47 percent of women in Finland have experienced physical or sexual violence at some time since the age of 15. Only Danish women were found to have experienced more abuse out of the 28 countries studied.

    • ”Finland’s students are near the bottom, and are the least happy of any Western European country.”
      Este é sem dúvida um resultado muito estranho…

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