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Eu não sou teu coleguinha de carteira! Sou teu PROFESSOR e quem manda aqui sou EU!!!

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Assim numa linguagem “pão pão queijo queijo”, percetível ao comum dos mortais, permitam-me desabafar que por vezes é preciso por os pontos nos ii e dizer a quem de direito, leia-se, aluno, que quem manda na aula é o professor e não quem apresenta no currículo um pouco mais de uma dezena de anos e muito “inchaço” fruto de uma adolescência que faz fervilhar tudo o que é hormonas.

Esta mania que alguns meninos e meninas têm, de se colocarem em biquinhos de pés, como se fossem gente grande, mandando uns bitaites para o ar, tratando o(s) professor(es) como se fossem colegas de carteira, usando os comuns “ele” e “ela”, mostram a falta de tino ou de uma forma mais polida, a falta de educação que reina em muito aluno por este país fora.

Ela, não sei quê…

Ele, não sei quê…

Ele??? Ela???

Daqui a nada estamos no “Ó meu, tás a ver pá”.

A palavra professor, stôr ou até mesmo prof. (mais foleiro mas enfim), é muitas vezes esquecida quando se trata o docente na 3ª pessoa. Há uns anos, até cheguei a assistir a um colega seu tratado pelo nome próprio em plena sala de aula…

Mas não é só isto, alguns meninos e meninas na idade onde o acne é quem mais ordena, tornaram-se SENHORES e SENHORAS do seu palácio, palácio onde os seus “súbditos”, também conhecidos por professores e pais, estão lá para os servir e para satisfazer os seus desejos, caprichos e birrinhas.

Nada nem ninguém pode ir contra a vontade de suas excelências, chegando ao cúmulo dos iluminados questionarem os conteúdos, questionarem a competência do professor, questionarem o porquê desta matéria ser lecionada e não a outra mais do seu agrado.

E depois julgam que sabem muito, que conhecem as leis e tal… que são muito cultos na sua própria ignorância, como disse, pensam que são gente… gente grande. Naturalmente que depois caem no ridículo, não lhes agrada serem contrariados ainda por cima à frente dos colegas, é que a imagem é tudo e é uma chatice o professor saber mais e reduzir o aluno ao tamanho da ignorância de quem desconhece um simples Estatuto do Aluno ou um Regulamento Interno.

As leis existem e os “doutores” de 15 anos esquecem-se que quem manda na sala de aula é o professor, quem dita as leis é o professor, e quem classifica o seu comportamento/desempenho é o professor. Por muita lógica e liberdade que a democracia trouxe à sociedade, há momentos em que a ditadura deve imperar para que anarquia não se intale como um fungo mal cheiroso.

Meninos e meninas, vocês têm direitos, mas antes dos direitos têm deveres e de uma vez por todas metam na vossa cabeça, que não são o centro do Universo, que não são o sol, que não são Deus e naturalmente não são mais que os professores, são subalternos a estes. Quem manda dentro daquelas quatro paredes não são vocês, nem a sala de aula é um palco para o vosso exibicionismo e exageros de teenager, quem manda é quem tem o “canudo”, quem estudou muitos aninhos e quem anda nesta vida de dar aulas há mais anos do que os vossos de vida. Diz o bom senso, diz a LEI!

Ponham-se no vosso lugar, saibam o vosso lugar… A humildade em alguns casos mais do que uma bênção é um dever…

Até amanhã.

Alexandre Henriques


Uma adenda em virtude das muitas reações

Um professor também sente, um professor também sofre, um professor também desabafa…

25 COMENTÁRIOS

  1. Excelente texto, Alexandre. Sou professora do 1. ciclo há 29 anos e, este letivo, já o disse mais vezes que em todos os anos anteriores. Falta cada vez mais educação aos alunos, quando os próprios pais não a têm e incentivam os filhos a desrespeitar os professores e incitam à violência contra os colegas. Acreditam em tudo que os filhos dizem, sem qualquer dúvida. Enfim, de ano para ano é pior é, afinal eles só têm 6 anos!!!

  2. Uma auto-elogio, mas cá vai… que me desculpem. Por motivos de saúde, questões crónicas, vou com alguma frequência a pediatras, e a especialistas de pneumologia pediátrica…
    Entro nos consultórios e, por norma, ficam surpreendidos com o comportamento da minha descendente, que não é nada de especial… Limita-se a não correr desalmadamente pelo consultório, quando está em condições para isso, a cooperar razoavelmente como médico; a não gritar compulsivamente; a não vandalizar o local… Porque isto acontece lá vêm uns elogios à criança … e um rosário de desabafos que levariam um longo texto a explanar… De modo resumido os senhores doutores queixam-se da absoluta selvajaria, de uma boa dose de meninos/as e de pais completamente incapazes de os controlar… Quando chamados à atenção muitos ficam indignados e o desgraçado do senhor ainda tem de levar ” não sabe lidar com crianças”… Um , há bem pouco tempo, mostrou-se absolutamente desejoso de se reformar pois já não aguentava, num grande hospital público, as tropelias da pequenada… O desejo que muitos expressam é o de aviar umas palmadas valentes nos ” monstrinhos” mas agora é crime…
    Assim vamos indo e veremos onde vamos parar…
    Como diz um bom amigo meu ” agora é tudo princesas e super-heróis…

  3. Para não falar do “você”, em vez de professor, no mínimo. Deveria haver mais regras, a começar o mais cedo possível, como o simples sentar após o professor dar autorização, tornando o início das aulas sem alvoroço. Tenho pena de apanhar os alunos com 7 a 10 ou mais anos de escola e não terem estes habitos de não dizer ela, você, e de entrarem nas aulas aos saltos e nem respeitarem a presença do professor, mas logo na primeira aula ponho os pontos nos is e na minha aula quem manda sou eu e, mesmo tendo sido a única nas escolas, com determinadas regras, ainda não perdi as forças.

  4. Eu já fui aluna, já tive muitos professores, alguns vomitavam a aula, outros mostravam qeum manda e outros reuniam-se com os alunos, transmitiam e recebiam conhecimento.
    Lembro-me especialmente de um prof. assim, adorado por todos os alunos, e ele não era de brincadeiras, pelo contrário, era muito exigente. Um dia uma colega nova pos-se em bicos de pés num tom menos próprio para o prof., ele nem precisou de abrir a boca, todos os colegas se levantaram e a mandaram calar. Noutra ocasião um colega esta no intervalo a imitar alguns tiques do prof., de repente ele apareceu e entrou na brincadeira.
    Caro Alexandre, não seja tão ressabiado, saiba ensinar, deixe a educação para os papás.

  5. A culpa às vezes é dos nossos colegas. Aconteceu-me várias vezes entrar na sala dos CEF e haver um aluno que gritava de imediato pelo professor, chamando-o pelo nome e tratando-o por tu: Ó Fulano, anda cá que está aqui o professor Carlos. Como não eram meus alunos e quanto a mim estavam a ofender o colega que era o DT, nunca disse nada. Percebi depois, que era uso e costume aqueles meninos tratarem assim os meus colegas. Comigo nunca aconteceu. Tinham-me um grande respeito; e o respeito conquista-se. Embora não fossem meus alunos, conversava com eles, fazia-lhes sentir diversas responsabilidades para comigo e com a Escola e eles acatavam. No entanto, houve um aluno que tinha vindo referenciado de outra escola por ter agredido a DT, que se lembrou, depois de uma ausência de um mês às minhas aulas e ter sido bem recebido quando reapareceu, de me tratar por tu. Chamei o sub -director e expulsei-o. Nunca mais voltou. Tenho pena de alguns colegas que pela sua bondade e civismo, não conseguem lidar com este tipo de situação. Estas casos atrás descritos já se passaram há alguns anos. Neste momento estou reformado. Não sei o que dizer aos colegas para remediarem a situação; mas uma coisa sei: não vale a pena fazer-lhes frente de uma forma agressiva. A expressão melhor será tentem dar-lhes a volta. Fiquem bem. Estou convosco.

  6. Bom dia!
    Pois bem, esqueceram-se de falar naqueles a quem se recorre para exercerem ações disciplinares sobre os alunos com comportamentos destes, que em vez de o fazerem abrem processos disciplinares ao docente a fim de punir a docente, em vez de punir os alunos, como foi o caso dos telemóveis e agora por último outras atitudes de mau comportamento. Aqui passa-se algo de estranho em vez de serem os alunos punidos pelos órgãos da escola, fui ameaçada pelo diretor(a) desta que caso fizesse queixa dos alunos sofria as consequências de processos disciplinares, o que aconteceu de facto, como se pode verificar. Mas, quando os órgãos não atuam há sempre o Ministério Público para os crimes públicos que ocorrem dentro da escola, mesmo que os senhores diretores não queiram atuar. No meu caso fui para além de insultada, difamada, caluniada, agredida, o suposto agressor que faltou à verdade, foi sujeito apenas a um processo de inquérito que foi arquivado. O real agressor, denunciador do primeiro, nem processo de inquérito teve, ficando impune. Aqui há algo de estranho a passar-se não acham? Será apenas medo deles? Duvido! Recorri ao Ministério Público porque agressão física, mesmo em contexto escolar, é crime público. É o que nos resta!

    • E digo onde isto se passou e passa: na Escola Básica e Secundária Dr. Bento da Cruz de Montalegre. Nesta escola só há processos disciplinares descabidos para a docente. Quero aulas GRAVADAS! Quero câmaras nos laboratórios de Física e Química, pois após a minha saída ocorrem estranhos acontecimentos, como surgir a palavra “puta” no quadro de corticite no intervalo de almoço e outros. Não me queiram impingir que foram os alunos que tiveram acesso ao laboratório no intervalo de almoço com este fechado a sete chaves que ficam guardadas no gabinete das funcionárias. Enfim! Mas, não desisto e não saio desta escola, NÃO LHES FAÇO A VONTADE! O poder deste mundo tem pés de barro! A verdade…

  7. Sub alternos, chefe disto tudo, quem manda sou eu… relação interessante que está a ser descrita entre este professor e os seus alunos.
    Sou pai de dois e ensino o respeitar o próximo. Seja ele quem for e até mesmo se for alguém que pensa desta forma. Por outro lado também ensino a pensarem pela própria cabeça, a experimentarem maneiras alternativas e a não dar por garantido apenas porque foram informados sem fazerem a sua própria exploração.
    Talvez por esta descrição que fiz procurei uma escola onde os professores se afastam desta visão descrita por este professor

    Escolhas…

    • O que eu acho incrível é a incapacidade que alguns demonstram em não entender que este tipo de discurso destina-se apenas a situações muito concretas e esporádicas. Pergunto, nunca disse ao seu [email protected] que nesta casa quem manda sou eu? É assim tão descabido um professor dizer que quem manda na sala de aula é ele? É que é mesmo ele… está na lei. Qual é o problema???

      • Sim já disse que quem manda em casa sou eu. Sim já gritei com os meus filhos. Sim já usei de uma posição de poder para colocar a minha vontade por cima das deles.

        Sim, também faz sentido o que diz sobre o seu texto ter sido generalizado para o total do seu comportamento e postura no relacionamento com os seus alunos.

        E sim por todas estas razões peço desculpa!

        Acredito que acima de tudo você está a fazer o melhor que consegue, acredito que em determinadas alturas se tiver acesso a mais recursos também fará diferente e que a sua maior intenção será criar um impacto na vida dessas crianças e jovens.

        Um abraço

    • Problema nenhum. É uma escolha entre muitas. Como mãe e professora não me revejo neste sentido nem neste significado da lei e, francamente, não sei se seria este o propósito dos legisladores. Como mãe, irmã, tia, sobrinha, prima, vizinha, colega e em todos os papéis que desempenho nesta vida não coloco a lei como o meu bastião e sim a minha intenção, demanda e legado que quero deixar como pessoa a ensinar outras pessoas independentemente da idade que têm. Mais ainda, sabendo o peso que a minha influência como professora tem na formação e educação de uma criança, adolescente, jovem ou adulto.

    • Infelizmente algumas crianças não são ensinadas a estar numa sala de aula, a respeitar o trabalho do professor, a respeitar os colegas, a falar com os outros e dos outros consoante a sua idade e relação, e a cumprir as mais elementares regras de convivência em grupo..

  8. Claro que é descabido para alguns qualquer tipo de hierarquia, inclusive a da idade, o respeito pelos mais velhos… Também ensino os meus filhos a respeitar os outros, a pensarem por sua cabeça, isso parece-me muito bem… O que já não me parece nada bem , e constato-o todos, todos os dias, é uma má educação sem limites, um egocentrismo desmedido; um desrespeito total pelos pais; um desprezo completo por funcionários de qualquer loja, ou restaurante… Um domínio absoluto nas relações familiares… Vejo-o todos os dias , falo com profissionais que lidam com estas situações diariamente…
    Tudo é desculpado e muitos , infelizmente, julgam que os seus rebentos ainda são uns génios e têm direito a uma reverência da restante espécie humana em relação aos seus rebentos…
    A realidade vai os chamar à razão e já não vai haver papás nem respostas diferenciadas…

  9. Sim!
    Na sala quem manda sou eu!
    Se quisermos que o mundo continue a ter governantes a experimentar e testar armamento de alta capacidade de destruição como se fossem crianças a brincar com fósforos, gastando milhões.
    Se quisermos que por causa do poder impositivo e inflexível de uns, outros colocam a sua vida e a dos familiares, por vezes ainda no útero, em alto mar em embarcações com 300 pessoas dentro e capacidade para 50. Outros ainda são dizimados só por pertencerem a outra tribo, etnia, religião…
    Se quisermos ter medo e mal dizer do vizinho só por que não nos cumprimenta de manhã, à tarde e à noite.
    Se quisermos que os nossos alunos/filhos obedeçam sem questionar nem expressar criatividade e sentimentos.
    Se quiseremos que a sala de aula seja o campo de treino para a guerra da vida onde uns mandam com convicção, força e imposição e outros baixam a cabeça, obedecendo e aprendendo num ciclo sem fim.
    E agora pergunto:
    Será que a vida tem de ser uma guerra?
    Será que as crianças são seres humanos como os adultos?
    Será que uma sala de aula, uma família, uma conversa, um gesto amigável, um sorriso ensina a viver e a partilhar o mundo?
    Que passado somos nós para os alunos/filhos?
    Que passado queremos ser?
    Que mundo é a sala de aula?
    Que mundo queres que seja a tua sala de aula?
    Que passado é a tua sala de aula para os adultos do futuro?
    Afinal, eu quem?

    • Isto até parece um poema!…
      Que visão ingénua… Dê aulas a alunos do ensino profissional ou CEF, por exemplo. Está a precisar de um banho de realidade. “A minha liberdade acaba quando começa a do outro” – aprendi o 5º ano de escolaridade. E sim, quem mandava na sala de aula era a professora. De forma bem clara. Sem “guerras”, “campos de treino” ou “poder impositivo”. Parece-me muito pior o que se passa hoje em dia, em que os alunos se colocam no mesmo patamar do professor e desafiam permanentemente a sua autoridade, vendo apenas direitos e tendo pouca ou nenhuma consciência dos seus deveres. Os adultos do futuro têm de aprender com os adultos do presente e essa relação deve ser baseada no respeito mútuo e de hierarquia, sob pena de isto se (estar a) transformar numa imensa balbúrdia. Quem respeita aprende a respeitar o próximo no presente e no futuro. A educação começa em casa e a escola é um reflexo da sociedade. Quem não percebe isto, não sabe do que fala e apenas se perde em devaneios cheios de boas intenções, mas vazios de aplicação prática ou de significado útil.

  10. Na sala dos meus melhores professores quem mandavam eram eles…
    Um traduzia-nos do grego antigo textos clássicos , também do Latim…
    No meu extraordinário professor de Filosofia, quem mandava era ele… Nunca ninguém duvidou, embora alguns gostassem de poder ser um pouco mais insolentes, mais pequenos, um pouco insolentes à sua grande Sabedoria…
    A minha professora da Escola Primária, a Dona Fernanda, quem mandava era ela… Essa mandava muito… e nem um pio… era austera mas sempre maternal… Quem mandava era ela…
    Ainda tenho contacto com alguns de nós, que fomos ensinados por Eles…
    Nem criminosos, nem heróis, nem amantes da guerra… apenas homens e mulheres! Por mim, pela maioria dos meus colegas, q gratos! E eram eles, os professores, que mandavam, porque era certo, porque nos formaram; porque ainda lembro muitas vezes os caminhos que me mandaram seguir… Gratos !
    Nunca as desgraças se geraram na escola do povo, mas nas escolas onde os professores sempre, ou nos últimos tempos, mandam cada vez menos e há uma ordem do pagar e da subserviência de quem recebe e ensina … Não, os que ”fabricam ” os que mandam não se misturam com a ralé… Crescem por trás de muros antigos; separam-se pelo poder de pagar a educação do poder…
    …” Em Harvard (…) as relações entre professores e alunos parecem basear-se numa espécies de clientelismo´´… (Nuccio Ordine)

    Dos que mandam e como procedem e como pensam …
    …Para os entrevistados, a (in)disciplina é outra das características que fazem a diferença entre a escola privada e a pública, percecionada como um espaço de menor disciplinarização comportamental. O acesso da escola privada a mecanismos para garantir – ou, pelo menos, para facilitar – o controlo disciplinar necessário à eficácia do processo de ensino-aprendizagem (Amado, 2000) potenciará o diferencial de qualidade entre os climas disciplinares dos dois setores. A este propósito, Coleman et al. (1982) assinalam os menores constrangimentos legais para aplicar medidas disciplinares, a maior recetividade dos pais à sua aplicação e a expulsão dos alunos indisciplinados, também identificada por Rouillard (2013).
    Por outro lado, o diferencial de qualidade disciplinar será também potenciado pela diferencialidade de inputs recebidos por cada um dos setores de ensino. Como assinalam diferentes investigações, as escolas privadas caraterizam-se, de um modo geral, por um recrutamento socialmente mais elitista do que as da rede pública (Langouet e Léger, 2000; Tedesco, 2008), abertas à diversidade social e cultural pela democratização do ensino. Assim sendo, elas estão menos expostas do que as públicas a fatores externos e internos à escola que potencializam comportamentos disrutivos: população escolar proveniente de grupos sociais vulnerabilizados por fatores que aumentam “(…) a capacidade dos jovens para desenvolverem uma espécie de agressividade contra tudo o que se pareça com uma instituição (…)” (Rochex, 2003:17), como é o caso do desemprego, da precariedade ou da desestruturação familiar; ausência de sentido do trabalho pedagógico para alunos – e até para professores – (Barroso, 2003); distanciamento da cultura escolar, agravado pelo reforço da autoimagem desvalorizante gerado por retenções sucessivas, pelas apreciações docentes negativas ou pelo encaminhamento para más turmas ou para vias escolares “estigmatizadas” (Van Zanten, 2000)…As conclusões dos estudos de Coleman et al. (1982) e das investigações de Langouet e Léger (2000) e de Ballion (1980) sobre os motivos que levam as famílias a optar pelo setor particular dão conta, de facto, de que o clima disciplinar constitui a principal razão para que os pais escolham escolas privadas.
    ….Embora os pais entrevistados não identifiquem a disciplina escolar como primeiro critério para a matrícula dos filhos nos respetivos colégios, consideram-na uma variável “fundamental” (pai, colégio religioso, BDP, 45 anos) para que os professores possam ensinar e os filhos possam aprender: “eles vão para as aulas e se aquilo for uma bagunça, nem os professores conseguem dar a aula nem os miúdos conseguem captar o que o professor está a transmitir-lhes, porque é impossível” (mãe, colégio laico, PBE, 45 anos)…
    A perceção dos respetivos colégios como espaços caraterizados por um ambiente disciplinar sereno e profícuo para ensinar e para aprender é confirmada pelos professores, que referenciam a existência de “poucos” (professor, colégio religioso, 36 anos) problemas de indisciplina, de pouca gravidade e, segundo se depreende, facilmente controláveis, porque, como nos explica uma das docentes, “(…) temos a sorte, se calhar, de em vez de termos uma turma de 30 a remar para o sentido contrário, se calhar temos 26 ou 27 a remar no sentido certo” (colégio religioso, 40 anos). A indisciplina dos alunos resume-se, grosso modo, ao que Dubet e Martuccelli identificam como “o modo natural de expressão dos adolescentes” (1996: 157): “conversa, às vezes” (professora, colégio laico, 52 anos) ou um “falar para o lado e assim” (professor, colégio laico, 33 anos). Como sintetiza um pai-professor do colégio religioso, “Isto aqui não temos nada, zero. Basta um professor abrir os olhos e acalma logo, não é? Isto nem se podem chamar problemas” (PBIC, 39 anos).
    ….Mais uma vez, e agora no âmbito dos mecanismos de prevenção da indisciplina, o setor público é representado como o espelho invertido dos respetivos colégios: enquanto “lá” é o “deixar andar”, “aqui” “somos mais controlados”, diz-nos uma aluna do estabelecimento laico (PBIC, 17 anos), remetendo para a existência, nos colégios privados, de “(…) uma maior atenção por parte dos seus responsáveis à foucaultiana «microfísica do poder» e seu controlo (…)” (Estêvão, 2001: 333). A impossibilidade de a escola pública afastar os alunos irredutíveis à disciplina escolar também marca a diferença com a escola particular. Como lembra um dos pais e antigo aluno do colégio religioso, num discurso inflamado contra as “orientações criminosas do Ministério da Educação” e esquecendo que o ensino estatal se rege pelos princípios da universalidade e da inclusão, na escola pública “os alunos já sabem que não podem ser expulsos por mau comportamento, por faltas ou mesmo por más notas…”.
    Excerto do artigo (muito recomendável) ” O ensino público no olhar das elites escolares: representações sociais dos agentes educativos de dois colégios privados” da investigadora Maria Luísa Quaresma

  11. Também há professores que vão para a sala de aula falar mal dos colegas de trabalho e até chegam ao cúmulo de pronunciar o PALAVRÃO dentro da sala de aula como foi associarem o meu sobrenome a algo terminado em …alho. Nunca tive problemas com alunos, a minha relação com estes foi sempre excelente mas, após “certas” ocorrências vindas de quem se exige outro tipo de atitudes, comportamento, moral e ética, só resta mesmo o Ministério Público para resolver o caso e colocar os respetivos pontos nos is.

  12. Pena que as escolas sejam arenas políticas, onde tudo vale, até a calúnia, a difamação, o insulto e outras coisas mais geradoras de conflitos e contendas. Infelizmente é assim! Mas, racionalizando a coisa, tudo isto serve para estudo…Até breve! Até qualquer dia!

  13. Sabendo que somos a espécie da terra que usa a linguagem, códigos diversos, sentidos sensoriais, entre outros, para comunicar (receber e dar informação): Qual é a minha intenção?
    Sabendo que somos inteligentes e temos todos os recursos para ter uma vida plena: O que vou fazer?

    “Não é a espécie mais forte que sobrevive ou mais inteligente. É aquela que melhor se adapta à mudança.
    Charles Darwin

    “Aqueles que passam por nós não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.”
    Saint-Exupéry

    Desejo um dia inspirador!

  14. ”Todo o existente nasce sem razão, prolonga-se por fraqueza e morre por encontro imprevisto.”
    Jean-Paul Sartre
    É a vida…

  15. Questiono-me se entendi bem o seu comentário.
    A Paula é de opinião que deve haver respeito, regras, alguma hierarquia … ou pensa que os itens que referi servem para atrofiar as crianças e levá-las à violência?

    • Marlene, obrigada por questionares.

      Haver respeito sim, definitivamente!
      Agora, de que forma ensinamos respeito? De que forma o praticamos? E com os nossos alunos?
      Durante 14 anos lecionei sob regras, a minha imposição como professora na sala de aula, ralhei e no final do dia sentia-me mal, mesmo mal. Eram poucos os dias que sentia satisfação como professora no final do dia, ao ponto de me questionar; o que ando a fazer? Ainda hoje leciono na escola com regras. Agora, a forma como encaro o meu comportamento e o dos outros, alunos e colegas, é diferente e mais em harmonia, sobretudo comigo e isto reflete-se na forma como interajo com os alunos.
      O que aprendi recentemente em vez das regras é ensinar, praticar e ser exemplo de limites.
      Qual é o risco do meu limite máximo? E o mínimo? E que espaço existe entre os 2 riscos?
      É algo que ainda estou a trabalhar comigo e a observar nos outros.
      Para mim em vez da hierarquia, prefiro colocar e usar o respeito mútuo, aceitar vivências, responsabilidades e papéis diversos.

      Sugiro 2 livros para consulta, se achares bem:
      Harvey F. Silver et al., “Inteligências Múltiplas e Estilos de Aprendizagem”, Porto Editora, Lda. (2010);
      Mikaela Öven, “Educar com Mindfulness – Guia de Parentalidade Consciente para pais e educadores”, Porto Editora (2015).

      Muito grata!

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