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Na sombra de um 20

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É com satisfação que anuncio a adesão da Martha Freitas ao ComRegras. A Martha é uma aluna do ensino secundário e escreve de forma muito incisiva conforme podem verificar. Precisamos de alunos assim, concorde-se ou não, mas que tenham um espírito crítico e com capacidade de se exprimirem através da escrita. Fica o seu primeiro artigo da sua rubrica Pupilas do Reitor.

 Na sombra de um 20

Somos os números cuspidos numa folha de papel em cada trimestre, com inúmeras oportunidades à espera de serem agarradas porém cortadas pelo sistema.
Diariamente lembrados de que as áreas honestas são as que nos fazem lucrar no final de um mês de trabalho, que é necessário escolher um caminho sem fazer desvios e, como se isso não bastasse, termos de aprender segundo regras, segundo o que já foi feito e inventado ajudando assim a manter o desenvolvimento de uma enorme bola de neve que começa por esmagar os nossos sonhos e, acaba por nos ensinar a fazer o mesmo aos outros com o passar dos anos.
Nós representamos o médico anti-social que nem sabe se és Homem ou Mulher, que evita o contacto visual e mal retira os olhos do computador, que se levanta todos os dias para se sentar num cubículo a aviar receitas conforme o exigido.
Aquele polícia que estaciona a meio da estrada em frente a uma saída de emergência da emir, aquele que abusa da autoridade e se safa a custo da mesma.
Aquele cozinheiro que aproveitou aquela salada imaculada de um prato já servido para a verter no prato de outro cliente.
Aquele professor que sai 10 minutos mais cedo com a desculpa do trânsito e, aquele que te transmite mais conhecimentos sobre o seu quotidiano do que sobre a matéria.
Estaremos nós a educar para viver, ou a fazê-lo apenas por pura sobrevivência através da lei do desenrasque?
Aquele médico que sai do trabalho e admira as medalhas, que guarda na sala, de torneios de ténis.
Aquele polícia que ainda retira o pó da velha yamaha que já não solta um sol desde os tempos do secundário.
Aquele cozinheiro que aproveita os papéis das ordens para escrever poesia nas horas da pausa.
Aquele professor que ensina aquilo que queria exercer.
São escolhas, escolhas que condicionam o resto da vida de cada profissional deste país que, ou estudam e são abrigados pelo salário de uma atividade estranha à sua essência e, por consequência mal desempenhada ou, estudam e são remunerados pelo desemprego.
E a dada altura aumentam as doenças psicológicas nesta faixa etária, porque ser diferente é ter colado na testa “sem abrigo”, porque gostar de uma área sem bases instrutoras legais implica desmotivação nas áreas existentes… e sejamos honestos ninguém gosta de permanecer na sombra de um 20.
Martha Freitas

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