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Ministro Da Educação Nega “Eliminação Administrativa” De “Chumbos” E Defende Mais Trabalho Com Alunos

"Não queremos administrativamente diminuir as retenções. Queremos fazer aquilo que é mais difícil, que é agarrar em cada um dos nossos alunos, (...) para os ajudar no seu trabalho", disse o ministro.

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Com a “desculpa” de que afinal foi David Justino, então como presidente do Conselho Nacional de Educação, a recomendar a medida de não retenção lá vão eles pegar num “um desígnio para os próximos 15 anos” e de forma perniciosa para todo o sistema acabar com eles num ano!

Ora o que se falou à época, estávamos em 2015 foi que os chumbos não tinham, nos alunos, os resultados esperados para a recuperação do aluno, mas isso resolve-se com mais meios! Não é reduzindo os apoios! Com a implementação do 54 já nem os NEE o têm, imagine-se os demais.

Acabo citando: o Governo “sabe bem que acabar com os chumbos só se consegue baixando o nível de exigência ou criando medidas sociais de erradicação da pobreza e de apoio à destruturação das famílias e medidas educativas sérias (mais tutores, mais professores de apoio, mais psicólogos e técnicos especializados, redução do número de alunos por turma e mais meios e materiais de ensino). A alternativa que implícita e hipocritamente sugere é a primeira.” Santana Castilho (2019)

Alberto Veronesi


O ministro da Educação defende que o plano de redução de retenções dos alunos não significa a “eliminação administrativa” dos “chumbos”, mas um trabalho de acompanhamento mais próximo dos estudantes que revelam mais dificuldades.

“O que nos propomos não é uma eliminação administrativa das retenções”, disse o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, em entrevista à agência Lusa sobre as medidas previstas no Programa do Governo.

Tiago Brandão Rodrigues considera que “as retenções nunca levam esses alunos a bom porto. Muito provavelmente levam ao abandono escolar ou uma nova repetição de ano”.

“Não queremos administrativamente diminuir as retenções. Queremos fazer aquilo que é mais difícil, que é agarrar em cada um dos nossos alunos, principalmente aqueles que estão em meios sócio-economicamente mais desfavorecidos, com famílias com menos capacidade, para os ajudar no seu trabalho”, explicou Tiago Brandão Rodrigues.

É entre as famílias com menos recursos e menos qualificações académicas que se encontram mais problemas de insucesso escolar. Por isso, será dada prioridade às escolas de “meios sociais e economicamente marginalizados ou mais complexos”.

Às escolas e aos professores caberá a tarefa de fazer “aquilo que é mais difícil”: “Trazer esses alunos para dentro da escola para que nenhum possa ficar para trás”.

O método passa por intensificar medidas iniciadas na anterior legislatura, como o Plano Nacional de Promoção do Sucesso Escolar, para permitir às escolas encontrar soluções adaptadas a cada um dos alunos. No anterior mandato, o Governo criou o “apoio tutorial específico”, em que um pequeno grupo de dez alunos com um historial de “chumbos” é acompanhado por um professor. Este projeto prevê também a intervenção dos psicólogos escolares e o envolvimento dos encarregados de educação.

Quanto a novidades para os próximos quatro anos, Tiago Brandão Rodrigues admite que o novo plano de combate ao insucesso ainda está numa fase muito inicial e, por isso, estão todas as opções em cima da mesa: as escolas vão poder intensificar ou ajustar os métodos já existentes, mas também poderão avançar com novos projetos.

Tiago Brandão Rodrigues reconhece que será preciso chamar mais professores, tal como aconteceu no passado com o lançamento do Plano Nacional de Promoção do Sucesso Escolar, “que implicou o apoio tutorial específico e custou algumas dezenas de milhões de euros na contratação de novos docentes”.

Temos de encontrar medidas que possam coadjuvar o trabalho dos professores e, sempre que necessário, que possam robustecer o corpo docente, mas, acima de tudo, também (queremos) poder estabilizar esse corpo docente”, garantiu.

O ministro mostra-se otimista quanto a um eventual reforço de verbas para o seu Ministério no próximo Orçamento do Estado. “Em termos orçamentais, nós teremos que fazer aquilo que conseguimos fazer durante quatro anos: subir de forma sistemática e paulatina também no orçamento do Ministério da Educação”.

 

Fonte: Observador

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5 COMENTÁRIOS

  1. De facto, segundo o PS, as leis não são para interpretar à letra…
    O mesmo PS escreve de maneira que ninguém entende.
    Preciso de um explicador para saber interpretar o que o PS escreve

  2. É tempo de se avançar para propostas concretas e o que vejo é , mais uma vez, as escolas a serem chamadas a resolver o problema (como se não fosse o que sempre tentaram fazer). É claro que terão que fazer parte da solução, mas como? É no como que importa agora centrar a discussão.
    Se a medida está numa fase inicial, o que já tínhamos percebido dada a dificuldade de obter respostas para perguntas objetivas, por que razão se lançaram as escolas numa instabilidade desnecessária, sem plano e sem meios?
    Todos estarão de acordo que as reprovações não são remédio. Mas, passar sem saber também não o é. Com a transição automática (na ausência de uma estratégia clara esta será a rotina) adia-se um problema e, simultaneamente, enviam-se mensagens erradas a alunos (faça o que fizer, está tudo bem), a encarregados de educação menos informados e/ou diligentes (a transição é um direito que dispensará o cumprimento de deveres) e a professores menos competentes e/ou desinteressados (maus profissionais existem à semelhança do que acontece em qualquer profissão).

    Cultivar a razão permitiu ao Ocidente os seus séculos de domínio, muito pouco prováveis dada a dimensão e os recursos da Europa, e que muitos benefícios trouxeram ao mundo. Agora é a Ásia a pegar nas ferramentas da revolução científica para consolidar um poder que, durante um hiato de tempo, lhe escapou.

    A escola não pode demitir-se de cultivar a razão para responder, ilusoriamente, as diferenças. Cultivar a razão é incompatível com uma estratégia assente na facilidade, pelo que importa oferecer outras oportunidades que sejam, realmente, capazes de responder à diversidade humana e são estas que gostaria muito de conhecer.

    Assim, a questão importante não é saber se se deve reprovar ou não reprovar, é saber como realizar essa transição desejável, o que até agora ninguém explicou de forma sensata, exequível e, sobretudo, dando respostas efetivas aos alunos com mais dificuldades (o fim do ensino técnico foi um dos maiores erros na educação)!

    O problema é muito mais profundo, complexo e vasto, não resolúvel com estatísticas, papelada, reuniões e formações (algumas de qualidade muito questionável, para já não falar do interesse teórico-prático).

    Talvez valesse a pena aceitar o desafio de Kishore Mahbubani [a queda do ocidente? uma provocação]: «(..) O Ocidente necessita de proceder a uma profunda autorreflexão. Ao fazê-lo, conseguirá ver com maior clareza o porquê de ter de mudar de rumo e o modo como o deverá fazer, se quiser permanecer seguro e próspero no século XXI. Como escreveu George Orwell: “Ver aquilo que temos diante do nariz requer uma luta constante.» (p. 57)”

  3. Ora bem isto quer dizer o seguinte: as escolas assumem a responsabilidade total para acabar administrativamente com os chumbos para o PS não se ”queimar” politicamente. Se os alunos transitarem sem saberem patavina a culpa é dos agrupamentos e dos professores que não souberam aplicar as medidas adequadas. Porreiro pá|

  4. Não fazemos já:
    “Queremos fazer aquilo que é mais difícil, que é agarrar em cada um dos nossos alunos, (…) para os ajudar no seu trabalho”?
    Eu já o faço há muito e dou horas à Escola que não estão no meu horário … e a semana passada ainda levei falta por não comparecer a uma reunião que excede o horário das 35 horas semanais.
    Quanto ao “apoio tutorial específico”, a maior parte dos alunos indicados para a frequência do mesmo não aparece nessas horas e quando aparece ….

  5. Quando alguém não faz falta em algum sítio sói dizer-se “está a mais” mas, no caso de Tiago, também se diz “está a menos” porque um zero à esquerda pode “estar a menos” ou “estar a mais”.

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