Início Editorial O Ministério de Educação que nos surpreenda, defenda os seus professores.

O Ministério de Educação que nos surpreenda, defenda os seus professores.

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Não sei se fica bem, não sei se é suposto fazê-lo, não sei se a atitude de defesa por parte da Tutela será encarada como oportunismo político, mas sei, sinto, que não deve optar pelo silêncio. É disso que estamos a falar, de sentimento, os professores estão a ser transformados em bodes expiatórios por uma casta de comentadores e jornalistas que no alto do seu intelecto e muita cultura não conseguem ver aquilo que está ao alcance do comum dos mortais. Os professores são importantes, os professores fazem parte do tecido social, os professores são um filtro protetor para as suas/nossas crianças, os professores validam o futuro do país. Atribuir “miminhos” aos professores como esta “raça”, “nómadas”, “miseráveis”, “bípedes”, revela bem o calibre destes seres “superiores” que sofrem de cegueira partidária e ideológica, paga pelo setor privado e pasme-se também, com tempo de antena em canal público.

Os professores estão extremamente revoltados, irritados, e sentem-se frustrados por ninguém conseguir calar as mentiras e calúnias que continuam a ser ditas em horário nobre.

As queixas estão a ser recolhidas e alguns desses senhores vão ter de provar em tribunal os disparates que andam para aí a dizer.

Há muito que defendo que o Ministério de Educação deve ter uma relação mais próxima com os seus professores, reconheço que o Secretário de Estado João Costa está constantemente nas escolas, constantemente a falar com os seus colegas, mas é preciso algo mais, é preciso interpretar o sentimento dos professores e de forma genuína defendê-los quando necessário. Não me lembro de uma tomada de posição do Ministério de Educação quando os seus professores são agredidos por alunos ou por pais, não me lembro de uma tomada de posição quando os professores são insultados de forma tão gravosa e contínua como tem ocorrido nos meios de comunicação social.

Alguns podem dizer, mas para isso é que servem os sindicatos…

Sim, mas não chegam, os sindicatos não têm credibilidade aos olhos do povo, são parte interessada e mesmo assim, até estes ficam frequentemente calados.

O Ministério de Educação, como se viu no passado, não pode ser tão célere a atacar os professores e tão esquecido a defendê-los, a balança não pode só pender para um dos lados, se querem entrar no campo das considerações devem estar preparados para jogar em ambos os campos.

Os professores fazem parte do Ministério de Educação, um ataque como o que está a ser feito devia ser sentido pelo Ministro Tiago Rodrigues e a sua equipa como um ataque aos seus, um ataque a eles próprios. O distanciamento emocional que existe entre o Ministro e os professores não é benéfico para ninguém, e hoje podemos constatar os benefícios de um discurso mais afetivo e próximo, estratégia genuína ou não do nosso Presidente da República mas que resulta e está a resultar.

Costuma-se dizer que quem cala consente, o silêncio do ME pode levar a pensar que até lhes interessa este denegrir da imagem dos professores. Fragilizar a sua posição para as negociações que se avizinham, pode justificar um recuo com o argumento “pois e tal, mas a população está chateada, não quer que os professores tenham direito à recuperação do tempo de serviço, não pode ser, patati patatá…”

O jogo político faz parte, todos sabemos que existem interesses e influências de bastidores, mas por uma vez, pelo menos desta vez, alguém com voz grossa diga BASTA! Os professores merecem RESPEITO!

Será pedir muito???

Alexandre Henriques

 

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