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O Medo torna-nos irracionais

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medoO medo, leva-nos a tomar posturas completamente imprevistas, como única forma de sobrevivermos, a esse mesmo medo, até na célula mais importante à nossa vivência “a família”.

“Família” com ou sem papel passado, mas Família real, efectiva, que nos liga, que nos apoia, a quem nos ligamos, a quem apoiamos.

A família que não tem, hoje, que abranger demasiadas gerações, e não tem de modo algum que ter patriarca, nem matriarca – o primeiro em desuso, a segunda a querer suceder-lhe-, mas que deve ser Família.

E deve, saber, fazer “ligações” entre o que é, o que foi e o que se segue! Nada de isolar, tudo, de fechar, mas também não abrir em excesso, para haver recato, sempre necessário.

Aonde, “família” – e aqui o núcleo mais restrito, pais e filhos – queremos “voltar e bem” a cada fim de dia! “Isto” é muito importante, em vez de pensar: “quem me dera, não ter que ir para ali”! E, “isto” acontece. E dói muito ter que ir para onde não se quer estar!

E, tem-se medo, e não se pensa, e fazem-se fugas em frente, foge-se a este medo e entra-se noutro ainda pior. Atitudes que roçam a irracionalidade e cujas consequências podem vir a criar “mais medos” e destes, depois, dificilmente se conseguir sair.

Muitos conflitos familiares, têm origem em “medos”, de perder o que se tem, ou assumindo que outros vão “mandar” mais, vão decidir o que é nosso fazer, e até nos irão abafar/anular, de vez.

Desde meados do século passado e muito bem, o conceito de Família foi-se alterando e a mulher deixou de ser quase “posse” do marido, do pai, e passou a ser a mulher – um Indivíduo. Isto, claro com o advento da “pilula”, libertou o medo de gravidezes indesejadas e bem, muito bem, passou a proporcionar o prazer na sexualidade a ela e a ele, e não só a este.

E, a Mulher afirmou-se no trabalho e a ter a sua própria forma de subsistir que não dependente do homem, fez e bem, o resto.

Mas tudo isto, “engendrou” outros medos, e as liberdades passaram a ser algo que se “atira” contra o outro, a outra, quando tudo não é cor-de-rosa, quando aparecem mazelas, quando aparecem dificuldades, algo demasiado normal na vida das Pessoas.

E, com medo de “isto” – ciclos baixos e mais cinzentos, ter que suportar – vai-se para outro/outra, criam-se divisões, incompatibilidades, e vai-se deixando totalmente de lado, o conceito de família, sempre importante. Mesmo sem quaisquer conotações religiosas e muito menos procriadoras, algo em que cada um deve ser livre, em consenso e diálogo, de escolher.

E se o que nos rodeia assusta-nos, quereremos forçosamente algo “de diferente”.

E, como o medo é que nos está a nortear, deixamos de ter capacidade de raciocinar, livremente, por nós e a frio, e precipitamo-nos no cor-de-rosa que está à nossa frente, até, depois, pouco depois acinzentar-se também!

E, o que o outro faz, a outra fez, é contagioso, havendo medos, irracionaliza-se tudo, vamos continuar com medo, até de ter medo, e fazemos escolhas erradas e/precipitadas.

E criamos situações sem retorno, deitamos tudo fora num ápice, achamos que vamos encontrar muito melhor, ou deixamos de ter pachorra, para encarar os altos e baixos da vida.

O medo leva-nos a fazer escolhas em “contra – corrente” do que temos/estamos.

E depois já não nos apetece à noite ir para onde “agora” escolhemos ir, já não nos sabe bem, como deixou de saber o antes, mas que agora queríamos que fosse o actual.

Temos medo de “assumir” compromissos, e fazemos tudo por forma a descartar os outros e nós seremos também descartáveis. Mas, somos feitos de compromissos, e quando temos medo de os encarar de os assumir, vivemos em vazios, que nos tornam muito frívolos.

E esta vulgarização na fuga ao medo – mesmo que não assumido – via irracionalidade, dá força a todos/ todas que já o fizeram, mesmo achando não estarem bem, “divulgam” o bom que é assim ter que fazer.

O medo vai-nos atirar para “locais” que nos vão agravar a forma de viver, e dos quais já não vamos ter “escolha” de saída.

Assim, teríamos, todos, que conseguir: parar para pensar.

E, se o fizermos, o que parece estar cada vez mais difícil, se não, para já “impossível”, vamos tomar opções mas pensadas e menos inconsequentes.

E sem bacoquices, nem credencias defendendo a Família como algo muito necessário, muito importante, mas onde nem tudo corre bem, onde por vezes, tantas vezes tudo corre muito mal.

Se o não fizermos, como parece nos estar a acontecer vamos de fuga em fuga, deixando “restos/rastos” de nós para trás, seja de ascendência, seja de descendência, que irão fazer o mesmo que nós estamos a fazer, sem consistência, sem regras sem valores. E sempre com medos!

Por todo o lado, e vamos fugir a medos, metendo-nos em medos muito maiores, dos quais já não conseguiremos sair.

Parar, pensar, respeitar os outros e as suas ideias, não insultar, fazermo-nos respeitar, encontrando saídas possíveis, racionais e consensuais, civilizadas será a via.

Se não formos a tempo de “isto” fazer, vamos “penar” horrores, até os vindouros terem tempos seguros, e mesmo a estes não será nada fácil!!

Augusto Küttner de Magalhães

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